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Templarismo


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hp.1 História e Pesquisa

História e Pesquisa

ANO II - Nº 60

Publicado em:22.02.09

Palavras Iniciais

Ultimamente venho publicando algumas matérias relacionadas com extraterrestres: a provável origem da humanidade ser consequencia de algum experimento genético em algum antropóide, construção das pirâmides, prováveis conspirações e alianças com alienígenas para o governo da Terra...Aprofundando nessa Pesquisa, cheguei à obra de Zecharia Sitchin intitulada Genesis Revisitado, cujo Prefácio e 1º Capítulo encontram-se abaixo. Para não ficarmos presos a esse tema durante praticamente 10 semanas, publicarei um capítulo a cada 15 dias.
O objetivo de publicar tal matéria é dar aos leitores a oportunidade de tomar conhecimento de algo que partiu de alguém que está estudando e pesquisando o assunto há mais de 30 anos, além de ser o autor de vários livros e um especialista na escrita Suméria e Caldéia, e de trazer uma sequencia lógica bastante aceitável. Seus escritos não são com base em depoimentos de quem já morreu, nem de reportagens de revistas ou noticiários e muito menos de arquivos secretos. Leiam e tirem suas conclusões. E, sobretudo, lembrem-se que como Templários não podemos fechar os olhos a fatos, estudos ou pesquisas de assuntos não conformes com os dogmas.



Prefácio

As últimas décadas do século 20 testemunharam um avanço do conhecimento humano de difícil compreensão. As conquistas em cada campo da ciência e da tecnologia já não são medidas em séculos ou décadas, mas em anos ou meses, e parecem sobrepujar as realizações alcançadas pelo homem no passado.

Mas uma pergunta se faz necessária: A humanidade saiu da Idade Média, alcançou o Século das Luzes, conheceu a Revolução Industrial e entrou na era da alta tecnologia, da engenharia genética e dos vôos espaciais apenas para alcançar o antigo conhecimento?

Durante muitas gerações, a Bíblia e seus ensinamentos serviram como uma espécie de âncora para as perguntas empreendidas pelo homem. Mas a ciência moderna nos desorientou, particularmente no confronto entre as teorias evolucionistas e a Criação. Neste livro, tento demonstrar que o conflito é infundado e que o Gênesis e suas fontes refletem os mais altos níveis do conhecimento científico.

Será possível, então, que as mais recentes descobertas sobre o planeta Terra e nosso canto do Universo, o céu, sejam apenas capítulos de um drama que pode ser intitulado de "Gênesis Revisitado", uma redescoberta do que era o conhecimento de uma civilização bem anterior, na Terra ou em outro planeta?

Sem dúvida, não se trata de mera curiosidade científica; a questão chega ao cerne da existência humana, sua origem e seu destino. Envolve o futuro da Terra como um planeta viável, pois trata de acontecimentos do passado terrestre; refere-se para onde estamos indo porque revela de onde viemos. E as respostas, como veremos, levam a conclusões inevitáveis que alguns consideram incríveis demais para aceitar, e outros pavorosas demais para enfrentar.

 

1

A Hoste do Céu

 

No Princípio, Deus criou o Céu e a Terra.

 

O próprio conceito de um princípio para todas as coisas é básico na moderna astronomia e astrofísica. A afirmação de que no estado anterior à Criação só existia o vazio e o caos está de acordo com as mais recentes teorias de que o Universo é governado pelo caos e não pela estabilidade permanente. Segue-se o relato sobre a separação da luz e das trevas, iniciando-se o processo da Criação.

Seria uma referência ao Big-Bang (bigue-bangue) ou Grande Explosão, a teoria de que o Universo foi criado numa explosão primordial, um estouro de energia em forma de luz que arremessou em todas a direções a matéria que formou as estrelas, os planetas, as rochas e os seres humanos, criando as maravilhas que vemos no céu e na Terra?

Alguns cientistas, iluminados pelas revelações de nossa fonte mais inspiradora, acharam que sim. Mas como o homem antigo conhecia há tanto tempo a teoria do Big-Bang? O relato bíblico descrevia acontecimentos mais recentes, a formação de nosso pequeno planeta Terra e sua região no céu, o Firmamento, ou Cinturão de Asteróides, o "Bracelete Partido"?

Na verdade, de que maneira o homem antigo adquiriu uma cosmogonia? O quanto sabia de fato e como chegou a esse conhecimento?

Talvez fosse mais apropriado iniciar a busca dessas respostas no céu, onde os acontecimentos tiveram inicio. Não foi no céu que o homem, desde tempos imemoriais, julgou estar sua origem, seus valores. Mais sublimes e onde Deus, se assim desejarmos, pode ser encontrado? Tão emocionantes quanto as descobertas feitas com o microscópio são as imagens obtidas através do telescópio, repletas de informações sobre a grandeza da natureza e do Universo. De todos os avanços recentes, os mais impressionantes foram, sem dúvida, descobertos no céu. E que abalo eles causaram! Em poucas décadas, n6s, os seres humanos, sobrevoamos nosso planeta, nos afastamos a centenas de quilômetros de sua superfície, pousamos na Lua, nosso satélite solitário, mandamos um esquadrão de naves não tripuladas para sondar nossos vizinhos celestes e descobrimos mundos ativos, de cores brilhantes, com aspectos variados, satélites e anéis. Talvez, pela primeira vez, possamos compreender o significado das palavras do salmista:

 

Os céus contam a g1ória de Deus, e o Firmamento proclama a obra de suas mãos.

 

Uma era fantástica de explorações interplanetárias chegou ao clímax em agosto de 1989, quando a nave Voyager 2, não tripulada, passou por Netuno e enviou à Terra fotografias e dados diversos. Pesava apenas 1 tonelada, mas era engenhosamente aparelhada com câmeras de televisão, equipamentos e sensores de medidas, uma fonte de energia à base de degradação nuclear, antenas transmissoras e minúsculos computadores. Ela enviava pequenas vibrações que levavam mais de quatro horas para atingir a Terra, mesmo à velocidade da luz. As vibrações eram recebidas por um conjunto de radiotelescópios que formam a Deep Space Network (Rede do Espaço Profundo) da Administração Nacional de Aeronáutica e Espaço dos Estados Unidos (NASA). Esses fracos sinais eram então traduzidos por "mágica" eletrônica e transformados em mapas e outros dados com os equipamentos do JPL - Jet Propulsion Laboratory (Laboratório de Propulsão a Jato) de Pasadena, Califórnia, encarregado do projeto da NASA.

Lançada em agosto de 1977, doze anos antes da missão final - a visita a Netuno -, Voyager 2 e sua companheira Voyager 1 foram originalmente projetadas para alcançar e examinar apenas Júpiter e Saturno, aumentando os dados fornecidos sobre esses dois planetas gigantes e gasosos pelas naves Pioneer 10 e Pioneer 11, também não tripuladas. Mas com extraordinária engenhosidade e perícia, os cientistas do JPL aproveitaram um raro alinhamento dos outros planetas e, usando suas forças gravitacionais como “estilingues”, conseguiram impulsionar a Voyager 2 primeiro de Saturno e Urano e, depois, de Urano a Netuno.

No final de agosto de 1989, durante vários dias, as manchetes dos jornais mundiais desviaram-se das notícias habituais - conflitos armados, levantes políticos, jogos esportivos e informes financeiros - para dedicar seu tempo à observação de um outro mundo: Netuno.

Ao descrever as imagens deslumbrantes de um globo cor de água-marinha transmitidas pela televisão, os apresentadores repetiram várias vezes que pela primeira vez o homem tinha realmente a possibilidade de ver o planeta Netuno, antes captado apenas pelos telescópios melhor localizados como um ponto brilhante na escuridão do espaço, a mais de 4 bilhões de quilômetros de distância. Eles recordaram que Netuno só fora descoberto em 1846, depois que certas perturbações na órbita do planeta mais próximo, Urano, indicaram a existência de outro corpo celeste mais além. Lembraram ainda que ninguém antes - nem Sir Isaac Newton nem Johannes Kepler, que juntos descobriram e estabeleceram as leis dos movimentos celestes nos séculos 17 e 18, nem Copérnico, que determinou no século 16 que o centro do sistema solar era o Sol e não a Terra, nem Galileu, que um século depois usou o telescópio para anunciar que Júpiter tinha quatro luas - até meados do século 19, sabia da existência de Netuno. Portanto, junto com telespectadores comuns, os próprios astrônomos viram pela primeira vez as verdadeiras cores e o aspecto de Netuno.

Dois meses antes do encontro de agosto, eu escrevera um artigo para várias publicações mensais dos Estados Unidos, Europa e América do Sul, onde contradizia noções estabelecidas há muito tempo: Netuno era conhecido na Antiguidade; as descobertas a serem feitas apenas confirmariam o conhecimento antigo. No artigo, eu também afirmava que Netuno devia ser azul-esverdeado, líquido, e teria manchas cor de "vegetação pantanosa".

Os sinais eletrônicos da Voyager 2 confirmaram tudo isso e foram além. Revelaram um belo planeta azul-esverdeado, cor de água-marinha, envolto em uma atmosfera de gases de hélio, hidrogênio e metano, varrida por vendavais e redemoinhos velozes que tornam insignificantes os furacões terrestres. Abaixo dessa atmosfera apareceram "borrões" gigantescos e misteriosos, às vezes com coloração azul mais escura, outras em tom verde-amarelado, talvez devido ao ângulo de incidência da luz. Como era esperado, as temperaturas da atmosfera e da superfície estavam abaixo do nível do congelamento. Ao contrário das previsões, que consideravam Netuno um planeta "gasoso", a Voyager 2 mostrou que existia um núcleo rochoso e sobre ele, flutuando, nas palavras dos cientistas do JPL, "uma mistura viscosa de gelo líquido". Essa camada de água que cobria o planeta, girando à velocidade de seu dia de 16 horas, funciona como um dínamo que cria um considerável campo magnético.

Esse belo planeta encontrava-se cercado de vários anéis de pedras, rochas e poeira, com pelo menos oito satélites ou luas orbitando a sua volta. Tritão, o último e maior, mostrou-se tão espetacular quanto seu senhor planetário. A Voyager 2 confirmou o movimento retrógrado desse pequeno corpo celeste (quase do tamanho da Lua): sua órbita à volta de Netuno toma a direção oposta ao curso desse planeta e de todos os outros do sistema solar. Não obedece o sentido anti-horário, como eles, mas o horário. Porém, os astrônomos nada mais sabem sobre ele além de sua existência, seu tamanho aproximado e movimento retrógrado. A Voyager 2 revelou que Tritão é uma "lua azul", aparência resultante do metano na atmosfera. Sua superfície, por trás da fina atmosfera, é rosa-acinzentada, rugosa e montanhosa de um lado, sendo lisa e quase sem crateras do outro. Fotos detalhadas sugeriram atividade vulcânica recente, mas de um tipo estranho: o que o interior quente e ativo expele não é lava derretida, mas jatos de gelo. Estudos preliminares indicaram a existência de águas correntes no passado de Tritão, possivelmente com lagos na superfície até época recente em termos geológicos. Os astrônomos não conseguiram uma explicação imediata para as "linhas duplas de sulcos como trilhos" que percorrem retas centenas de quilômetros e que, em um ou dois pontos, cortam outras em aparentes ângulos retos, sugerindo áreas retangulares.

As descobertas, portanto, confirmaram meu prognóstico: Netuno é realmente azul-esverdeado, é composto em grande parte de água e tem manchas com uma coloração semelhante à "vegetação pantanosa". Este último aspecto pode evidenciar mais que um código de cores se for levada em consideração a total implicação das descobertas sobre Tritão: ali, as "manchas mais escuras com halos brilhantes" sugeriram aos cientistas da NASA a existência de "poças profundas de sedimento orgânico". Bob Davis de Pasadena informou ao The Wall Street Journal que Tritão, cuja atmosfera contém tanto nitrogênio quanto a Terra, pode expelir por meio de seus vulcões ativos não apenas gases e água congelada mas também "material orgânico", compostos básicos de carbono que aparentemente cobrem partes do satélite. 

Essa corroboração tão gratificante e completa de minha previsão não foi apenas o resultado de mera e feliz suposição. É uma volta ao ano de 1976, quando foi publicado O 12º. Planeta, meu primeiro livro da série The Earth Chronicles (Crônicas da Terra). Baseando minhas conclusões em textos sumérios milenares, perguntei retoricamente: "Quando algum dia investigarmos Netuno, descobriremos que sua persistente associação com as águas é devida aos pântanos aquosos antes avistados lá”?

A questão foi publicada e evidentemente escrita um ano antes do lançamento da Voyager 2 e reafirmada em um artigo que escrevi dois meses à frente de sua aproximação de Netuno.

Como eu podia ter tanta certeza, na véspera do encontro da Voyager 2 com Netuno, que minha previsão de 1976 seria confirmada? Como ousei arriscar que essa previsão fosse desmentida poucas semanas depois de publicar meu artigo? Minha certeza baseava-se no que aconteceu em janeiro de 1986, quando a Voyager 2 passou pelo planeta Urano.

Urano, apesar de estar um pouco mais próximo de nós - a "apenas" cerca de 3 bilhões de quilômetros de distância -, fica tão além de Saturno que não pode ser visto da Terra a olho nu. Urano foi descoberto em 1781 por Frederick William Herschel, um músico que passou a ser astrônomo amador pouco depois do aperfeiçoamento do telescópio. Da época de sua descoberta até hoje, Urano tem sido aclamado como o primeiro planeta desconhecido na Antiguidade e descoberto nos tempos modernos. Isso porque os povos antigos conheciam e veneravam o Sol, a Lua e apenas cinco planetas (Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno), acreditando que se moviam à volta da Terra na "abóbada celeste"; nada podia ser visto ou conhecido além de Saturno.

Mas a própria evidência obtida pela Voyager 2 em Urano provou o oposto: um certo povo antigo, em época remota, sabia a respeito da existência de Urano, Netuno e até de P1utão, o mais distante!

Os cientistas ainda estão analisando as fotografias e os dados de Urano e suas luas espantosas, procurando respostas para intermináveis enigmas. Por que Urano está inclinado de lado, como se tivesse sofrido uma colisão com outro corpo celeste? Por que seus ventos sopram numa direção retrógrada, ao contrário da norma no sistema solar? Por que sua temperatura do lado oculto do Sol é igual à do lado virado para ele? E o que causou a aparência e formação incomuns de algumas luas de Urano? Especialmente intrigante é a lua chamada Miranda, "um dos objetos mais enigmáticos do sistema solar", nas palavras dos astrônomos da NASA, com escarpas de 150 quilômetros de comprimento que formam um ângulo reto (um aspecto batizado "the Chevron" pelos astrônomos, ou uma divisa em V). Dos dois lados desse planalto aparecem formas elípticas que parecem pistas aradas em sulcos concêntricos.

Contudo, dois fenômenos, entre as principais descobertas, distinguem Urano de outros planetas. Um é sua cor. Com a ajuda de telescópios da Terra e aeronaves sem tripulantes, nos familiarizamos com o marrom-acinzentado de Mercúrio, a neblina cor de enxofre que cerca Vênus, o tom avermelhado de Marte, a mistura de vermelho, marrom e amarelo de Júpiter e Saturno. Mas, quando as imagens empolgantes de Urano começaram a aparecer nas telas de televisão, em janeiro de 1986, seu aspecto mais surpreendente foi a cor verde-azulada - totalmente diversa da de todos os planetas avistados antes.

Outro fenômeno importante e inesperado descoberto foi a composição de Urano. Contestando as previsões anteriores dos astrônomos de que é um planeta totalmente "gasoso", como os gigantes Júpiter e Saturno, a Voyager 2 descobriu que Urano era cercado de água em vez de gases. Realmente, foi encontrada uma atmosfera gasosa envolvendo o planeta, mas abaixo dela agita-se uma imensa camada - de 9 mil quilômetros de profundidade! - de "água superaquecida, com temperatura que alcança 4400 graus centígrados" (segundo os analistas do JPL). Essa camada de água quente cerca o núcleo de rocha derretida onde elementos radioativos (ou outros processos desconhecidos) produzem um imenso calor interno.

Quando as imagens de Urano cresceram nas telas de televisão com a aproximação da Voyager 2 do planeta, o mediador do JPL chamou a atenção para sua rara cor verde-azulada. Não pude deixar de exclamar: "Oh, meu Deus, é exatamente como os sumérios o descreveram”!

Corri ao meu escritório e apanhei um exemplar de O 12º. Planeta. Com as mãos trêmulas, achei a página, li e reli as citações dos textos antigos. Sim, não havia dúvida: apesar de não possuírem telescópio, os sumérios descreveram Urano como MASH.SIG, um termo que traduzi por "radiante vida esverdeada”.

Poucos dias depois chegaram os resultados da análise dos dados da Voyager 2 e a referência à água feita pelos sumérios foi confirmada. Realmente, tudo parecia estar coberto de água: como foi noticiado em um programa abrangente da série de televisão Nova ("O Planeta que Deus Golpeou de Lado"), "a Voyager 2 descobriu que todas a luas de Urano são feitas de rocha e água comum gelada". Essa abundância ou mesmo a simples presença de água era totalmente inesperada em um suposto planeta "gasoso" e seus satélites, nas bordas do sistema solar.

Mas ali estava a prova apresentada em O 12º. Planeta de que, em seus textos milenares, os antigos sumérios conheciam a existência de Urano e ainda o descreveram corretamente como verde-azulado e aquoso!

O que significava aquilo tudo? Que em 1986 a ciência moderna não tinha descoberto algo desconhecido, mas redescoberto um antigo conhecimento? Foi a confirmação, em 1986, do que eu escrevera em 1976 e a veracidade dos textos sumérios que me deram confiança suficiente para predizer, nas vésperas do encontro da Voyager 2 com Netuno, o que ali seria descoberto.

As passagens da Voyager 2 por Urano e Netuno confirmavam,.assim, não apenas a veracidade do conhecimento antigo sobre a existência desses dois planetas exteriores, como detalhes cruciais a seu respeito. A passagem por Netuno, em 1989, confirmou ainda mais os textos antigos. Neles, Netuno era arrolado antes de Urano, como seria esperado de alguém entrando no sistema solar e vendo primeiro Plutão, depois Netuno e Urano. Nesses textos ou tabelas planetárias, Urano era chamado Kakkabshanamma ("planeta que é o duplo") de Netuno. Na verdade, Urano é semelhante a Netuno no tamanho, na cor e no conteúdo aquoso; os dois planetas são cercados por anéis e orbitam em tomo deles muitos satélites, ou luas. Uma rara similaridade foi descoberta a respeito de seus campos magnéticos: ambos têm extrema inclinação em relação ao eixo dos planetas - 58 graus em Urano e 50 graus em Netuno. John Noble Wilford relatou no The New York Times: "Netuno parece quase um gêmeo magnético de Urano". Os dois planetas também são semelhantes na duração de seus dias, que é de 16-17 horas diárias.

Os ventos ferozes de Netuno e a camada aquosa fluida sobre sua superfície atestam o grande calor interno que ele gera, como Urano. De fato, as primeiras notícias do JPL confirmaram as leituras iniciais que indicavam que "a temperatura de Netuno é semelhante à de Urano, que está situado a mais de 1,5 bilhão de quilômetros mais próximo do Sol". Sendo assim, os cientistas concluíram que, de algum modo, Netuno gera mais calor interno que Urano, compensando de certa forma a distância maior do Sol para atingir a mesma temperatura gerada por este, o que resulta na semelhança de calor em ambos. Somou-se, assim, mais um aspecto ao "tamanho e outras características que fazem de Urano um gêmeo próximo de Netuno".

"Planeta que é o duplo", descreveram os sumérios comparando-o com Netuno. "Tamanho e outras características fazem de Urano um gêmeo próximo de Netuno", disseram os cientistas da NASA. Não foram apenas as características descritas, mas até a terminologia "planeta à imagem" e "gêmeo próximo de Netuno" é semelhante. Mas a declaração suméria foi feita aproximadamente no ano 4 000 a.C. e a outra, da NASA, em 1989, quase 6 mil anos depois...

No caso desses dois planetas distantes, a ciência moderna aparentemente só alcançou o conhecimento antigo. Parece incrível, mas os fatos falam por si. Além disso, essa é apenas a primeira de uma série de descobertas científicas realizadas nos anos seguintes à publicação de 12º. Planeta e que são comprovadas, uma após outra.

Os que leram meus livros, The Stairway to Heaven, The Wars of Gods and Men e The Lost Realms, sabem que são baseados, fundamentalmente, no conhecimento que nos foi transmitido pelos sumérios.

Aparecendo subitamente do nada há cerca de 6 mil anos, os sumérios têm a seu crédito todas as invenções de uma grande civilização e as inovações, conceitos e crenças que formam a base da cultura ocidental. A roda e os animais de tração, os barcos para os rios e navios para os mares, o forno e o tijolo, edifícios elevados, a escrita, escolas e escribas, leis, juízes e jurados, reinado e conselhos de cidadãos, música, dança e arte, medicina e química, tecelagem e têxteis, religião, sacerdócio e templos - tudo se iniciou na Suméria, uma região ao sul do Iraque atual, localizada na antiga Mesopotâmia. Acima de tudo, começaram ali os conhecimentos de matemática e astronomia.

De fato, todos os elementos básicos da astronomia moderna são de origem suméria: o conceito de uma esfera celeste, de um horizonte e um zênite, da divisão do círculo em 360 graus, de uma faixa celeste em que orbitam os planetas à volta do Sol, de agrupar as estrelas em constelações dando-lhes os nomes e as imagens pictóricas que chamamos zodíaco, de aplicar o número doze a esse zodíaco e às divisões do tempo e de organizar um calendário que tem sido a base de outros até hoje. Tudo isso e muito, muito mais, começou na Suméria

Os sumérios registravam suas transações comerciais e legais, seus contos e histórias em tábulas de argila: desenhavam suas ilustrações em selos cilíndricos em que a representação era gravada ao contrário, como um negativo, e aparecia no positivo quando o selo era rolado na argila úmida. Nas ruínas das cidades sumérias escavadas pelos arqueólogos há mais de 150 anos, foram encontrados centenas, senão milhares de textos e ilustrações sobre astronomia. Entre eles existem listas de estrelas e constelações em suas corretas posições no céu, além de manuais para observar o nascer e o ocaso de estrelas e planetas. Existem textos específicos sobre o sistema solar. Algumas dessas tábulas de argila desenterradas apresentam a lista dos planetas que çircu1avam à volta do Sol na ordem correta; uma delas chega a dar as distâncias interplanetares. E existem desenhos em selos cilíndricos, representando o sistema solar, que tem pelo menos 4 500 anos de idade e que agora é conservado na Seção do Oriente Próximo do Museu Estatal de Berlim Oriental, catalogado sob o número VA/243. 

Veremos um completo sistema solar em que o Sol está no centro (e não a Terra!), orbitado por todos os planetas que conhecemos hoje. Isso fica evidente quando desenhamos esses planetas à volta do Sol nos tamanhos relativos e na ordem correta. A semelhança entre a ilustração antiga e a atual é notável, não deixando dúvidas de que os gêmeos Urano e Netuno eram conhecidos na Antiguidade.

No entanto, a representação suméria revela algumas diferenças. Elas não são devidas a erros do artista ou a desinformação; ao contrário, duas dessas diferenças são muito importantes.

A primeira diz respeito a Plutão. Ele tem uma órbita muito estranha - bem mais inclinada do que o plano comum da órbita terrestre (chamado eclíptica) em que os planetas orbitam em volta do Sol e de maneira tão elíptica que Plutão, às vezes (como no presente, até 1999), fica mais próximo do Sol do que Netuno, e não mais afastado. Por essa razão, os astrônomos sugeriram desde sua descoberta, em 1930, que Plutão era originalmente um satélite de outro planeta. A presunção era de que fosse uma lua de Netuno que "de algum modo" - que ninguém calcula - foi afastado de sua ligação ao planeta e adquiriu órbita independente (apesar de estranha) à volta do Sol.

Isso é confirmado pela antiga representação, mas com uma diferença marcante. Na figura suméria, Plutão não é mostrado próximo a Netuno mas entre Saturno e Urano. E os textos cosmológicos sumérios, tratados com detalhes mais adiante, relatam que Plutão foi um satélite de Saturno e se afastou, adquirindo eventualmente seu próprio "destino" - a órbita independente à volta do Sol.

A antiga explicação sobre a origem de Plutão revela não só o conhecimento factual, mas grande sofisticação em assuntos celestes. Envolve a compreensão das forças complexas que moldaram o sistema solar e o desenvolvimento de teorias astrofísicas de que luas podem se transformar em planetas ou os planetas em formação falharem, passando a ser luas. Plutão, de acordo com a cosmogonia suméria, conseguiu isso, e nossa Lua, que estava em processo de se tornar um planeta independente, foi impedida por eventos celestes de conquistar sua independência.

Os astrônomos modernos só passaram da especulação à convicção de que esse processo realmente ocorreu em nosso sistema solar a partir das observações das naves Pioneer e Voyager, que determinaram, na última década, que Titã, a maior lua de Saturno, foi um planeta em formação que não completou seu afastamento. As descobertas em Netuno reforçaram a especulação oposta sobre Tritão, a lua de Netuno que é 640 quilômetros menor em diâmetro que a lua terrestre. Sua órbita peculiar, seu vulcanismo e outros aspectos inesperados, sugeriram aos cientistas do JPL, nas palavras de Edward. Stone, chefe do projeto, que "Tritão pode ter sido um objeto que cruzou o sistema solar há muitos bilhões de anos e ao aproximar-se muito de Netuno sofreu sua influência gravitacional, passando a orbitar à volta do planeta".

Em que medida essa hipótese se distancia da noção suméria de que as luas planetárias poderiam vir a ser planetas, mudando posições celestes, ou falhar em obter suas órbitas independentes? De fato, ao continuarmos expondo a cosmogonia suméria, parece tomar-se cada vez mais evidente que a descoberta moderna é uma redescoberta do conhecimento antigo e que esse velho saber oferece explicações para muitos fenômenos que a ciência moderna ainda não conseguiu compreender.

Desde o início, antes de serem apresentadas outras evidências que comprovam tal declaração, surge inevitavelmente a pergunta: como os sumérios podiam conhecer tudo isso há tanto tempo, no alvorecer da civilização?

A resposta encontra-se na segunda diferença entre a representação suméria do sistema solar e nosso conhecimento presente a respeito. É a inclusão de um grande planeta no espaço vazio entre Marte e Júpiter. Não temos conhecimento da existência de tal planeta, mas os textos cosmológicos, astronômicos e históricos sumérios insistem em que existe, realmente, mais um planeta em nosso sistema solar - o décimo segundo planeta. Os sumérios incluem o Sol, a Lua (que consideravam um corpo celeste independente por razões que explicam nos textos) e dez planetas, não nove. Foi a compreensão de que o planeta que os textos sumérios chamavam NIBIRU ("planeta da travessia") não era Marte e nem Júpiter, como discutiam alguns estudiosos, mas um outro corpo celeste que passa entre eles a cada período de 3600 anos, que inspirou o título de meu primeiro livro, O 12º. Planeta - o "décimo segundo membro" do sistema solar (apesar de ser tecnicamente o décimo planeta).

"Os textos sumérios declaram repetidas vezes que os ANUNNAKI saíram de Nibiru para vir à Terra". O termo Anunnaki significa literalmente "os que vieram do céu à Terra". São citados na Bíblia como os Anakim e no Capítulo 6 do Gênesis também são chamados de Nefilim, que em hebreu significa a mesma coisa: "os que desceram do céu à Terra".

Os sumérios explicam - como se antecipassem algumas de nossas perguntas - que aprenderam tudo o que sabiam dos Anunnaki. O conhecimento avançado que encontramos nos textos sumérios é efetivamente o que os Anunnaki possuíam quando vieram de Nibiru; sua civilização devia ser muito avançada, porque pelo que depreendi dos textos sumérios, os Anunnaki chegaram à Terra há cerca de 445 mil anos. Nesse tempo distante eles já sabiam viajar pelo espaço. Sua enorme órbita elíptica fazia um grande laço - esta é a tradução exata do texto sumério - à volta de todos os planetas exteriores, atuando como um observatório em movimento de onde eles podiam investigar todos os planetas. Assim, não é de admirar que o que estamos descobrindo já fosse conhecido no tempo dos sumérios.

Por que alguém se incomodaria em vir até a Terra, não por acaso, mas repetidamente, a cada 3.600 anos? Esta é uma questão respondida pelos textos sumérios. Em Nibiru, os Anunnaki/Nefilim enfrentavam uma situação que logo também teremos de enfrentar na Terra: a deterioração tecnológica estava tornando a vida impossível. Houve necessidade de proteger sua atmosfera, que escasseava, e a única solução parecia ser a formação de uma camada de partículas de ouro, como uma capa, para resguardá-la. (As janelas das espaçonaves americanas, por exemplo, recebem uma fina camada de ouro para proteger os astronautas da radiação.) Esse metal raro foi descoberto pelos Anunnaki no que chamavam de Sétimo Planeta (contando do exterior para dentro) e promoveram uma Missão Terra para obtê-lo. Primeiro tentaram consegui-lo sem esforço nas águas do golfo Pérsico; ao falharem, iniciaram trabalhosas operações de mineração no sudeste da África.

Aproximadamente há 300 mil anos, os Anunnaki designados para o trabalho nas minas africanas se rebelaram. Foi quando o oficial que era médico-chefe dos Anunnaki empregou a manipulação genética e técnica de fertilização em tubos de ensaios para criar “operários primitivos" - o primeiro Homo sapiens -encarregados do trabalho pesado nas minas de ouro.

Os textos sumérios que descrevem todos esses acontecimentos e sua versão condensada no livro do Gênesis foram extensivamente estudados em O 12º. Planeta. Os aspectos científicos desses processos e das técnicas empregadas pelos Anunnaki são o assunto desse livro. A ciência moderna, como será demonstrado, vem anunciando uma senda espantosa de avanços científicos - mas a estrada para o futuro está repleta de avisos, conhecimento e avanços do passado. Os Anunnaki, como está demonstrado, já a percorreram, e, à medida que mudavam suas relações com os seres que haviam criado e decidiam dar a civilização à humanidade, concederam parte de seu conhecimento e a capacidade de fazermos nossos próprios avanços científicos.

Entre as conquistas científicas que serão discutidas nos próximos capítulos também será evidenciada a existência de Nibiru. Se não fosse O 12º. Planeta, a descoberta de Nibiru não seria considerada um grande evento da astronomia, mas passaria a ter na atualidade a mesma importância da descoberta de Plutão, em 1930. Foi gratificante saber que o sistema solar tem mais um planeta "lá fora" e seria extraordinário, igualmente, confirmar que o número de planetas é dez e não nove; os astrólogos ficariam especialmente satisfeitos, já que precisam de doze corpos celestes para as casas do zodíaco, em vez de sete apenas.

Mas depois da publicação de O 12º. Planeta e das evidências apresentadas - não refutadas desde sua primeira edição, em 1976 - e das comprovações dos avanços científicos, a descoberta de Nibiru não pode continuar sendo apenas um assunto que envolve textos de astronomia. Se o que escrevi é verdade, se os sumérios estavam certos em seus registros, a descoberta de Nibiru não revela apenas o conhecimento de mais um planeta exterior, mas também a existência de vida nele. Além disso, pode ser a confirmação de que lá existem seres inteligentes - um povo tão avançado que há meio milhão de anos já viajava pelo espaço; seres que trafegavam entre seu planeta e a Terra a cada 3 600 anos.

Mas é quem está em Nibiru e não sua simples existência que sacudirá, com certeza, as ordens políticas, religiosas, sociais, econômicas e militares da Terra. Quais serão as repercussões quando - e não se Nibiru for encontrado?

Acredite ou não, esta é uma questão que já está sendo ponderada.

 

MINERAÇÃO DO OURO - HÁ QUANTO TEMPO?

 

Existem provas de que houve mineração no sudeste da África durante a Idade da Pedra? Estudos arqueológicos indicam que sim.

Percebendo que os locais de antigas minas abandonadas podiam indicar que o ouro seria encontrado a Anglo-American Corporation, principal empresa de mineração da África do Sul, contratou arqueólogos nos anos 70 para procurá-las. Relatórios publicados no Optima, jornal da empresa, detalham a descoberta em Suazilândia e outros locais da África do Sul de extensas áreas de mineração com poços de mais de 15 metros de profundidade. Restos de objetos de pedra e carvão vegetal estabeleceram datas de 35.000, 46.000 e 60.000 a.C. nesses locais. Os arqueólogos e antropólogos que trabalharam para datar os achados acreditam que a tecnologia de mineração foi empregada na África do Sul "durante grande parte do período seguinte a 100.000 a.C.” 

Em setembro de 1988, uma equipe de físicos internacionais chegou à África do Sul para verificar a idade dos habitantes de Suazilândia e Zululândia. As técnicas mais modernas indicaram uma idade entre 80 mil a 115 mil anos.

A respeito das minas mais antigas de Monotapa, ao sul de Zimbábue, as lendas zulus afirmam que foram trabalhadas por "escravos artificiais de carne e sangue, criados pelo Primeiro Povo".

Contam as lendas zulus que esses escravos "entraram na batalha com os trogloditas" quando "a grande estrela da guerra apareceu no céu". (Ver Indaba My Children, do Credo Vusamazulu Mutwa, pelo médico zulu.) 



História e Pesquisa

ANO II - Nº - 59

Publicado em:15.02.09

Palavras Iniciais

A princípio a diminuição de 1 segundo por ano na velocidade de rotação da terra pode parecer para nós, dentro de nossa insignificante dimensão, algo completamente desprezível, sem qualquer motivo para preocupações maiores. No entanto, não é o que pensam os astrônomos e os estudiosos da mecânica cósmica. Veja na matéria abaixo a provável causa dessa diminuição e as consequências que poderão daí advir.


Diminuição da Rotação da Terra

 

O Retorno do Planeta X - 16

 

Sinais da Aproximação

 

Uma das maravilhas da nossa sociedade moderna atual tem sido o desenvolvimento de relógios atômicos que são dispositivos extremamente precisos de marcação do tempo - preciso suficiente em apenas 'um segundo' de erro em um bilhão de anos [1].

No entanto, apesar dessa alta precisão, esses relógios precisaram ser reajustados várias vezes em anos recentes devido ao fato da rotação física da Terra estar aparentemente diminuindo. Esta diminuição não passou despercebida da mídia. Em 1984, o Washington Post relatou que "A Terra tem experimentado uma diminuição não esperada na sua rotação"[2]. Em julho de 1988, o Wall Street Journal também relatou que cientistas do U.S. Naval Observatory e do Jet Propulsion Laboratory descobriram que a Terra está 'diminuindo a rotação' e desenvolvendo estranhas 'oscilações' no seu eixo de rotação normal.

Em julho de 1990, a Omni Magazine divulgou que entre 24.01.90 e 3.02.90, a rotação da Terra tinha diminuido novamente de forma rápida e não esperada. Em 9 de agosto de 1991, até o New York Times relatou que a rotação da Terra está misteriosamente diminuindo.

Essa desaceleração continuou durante todos os anos 1990. Em 30 de dezembro de 1998, a BBC relatou que o último minuto de 1998 teria na realidade 61 segundos. O 'segundo extra' foi adicionado para compensar os relógios atômicos, já que a rotação da Terra está agora diminuindo. Em 1999, a BBC novamente reportou que o National Physical Laboratory estava planejando o anúncio do ano 2000 com mais um acréscimo de um segundo extra.

A maioria dos cientistas não tem a mínima idéia do porque esta desaceleração temporal estar acontecendo. Não é desagradável esses cientistas não 'terem pistas' de porque esta perda de tempo estar acontecendo? Uma outra conseqüência importante da desaceleração da rotação da Terra é o efeito que isto está causando no campo magnético do planeta. Este campo magnético gerado pelo planeta, envolve nosso planeta com uma atmosfera magnética conhecida como magnetosfera (atingindo a região exterior da ionosfera), onde o campo magnético planetário controla o movimento das partículas eletricamente carregadas, tais como os cinturões de Van Allen.

Esses campos magnéticos que circundam a Terra formam os polos magnéticos nos extremos opostos do nosso planeta; e esses polos magnéticos, consistindo de um 'dipolo' norte e sul, estão normalmente bem alinhados com o eixo de rotação geofísico da Terra. Acredita-se que a rotação da Terra afeta a intensidade desses polos. Esta interconexão significa que quanto mais rápido a Terra gira, maior será a intensidade do dipolo magnético, e quanto mais devagar ela gira, mais fraco será esse dipolo. Portanto, como nosso planeta desacelera, seu campo magnético acaba ficando enfraquecido. Como o campo magnético da Terra continua a diminuir em intensidade (devido à diminuição da rotação terrestre) os dois polos magnéticos do nosso planeta (o dipolo) estão se tornando cada vez mais instáveis no seu posicionamento geográfico e estão agora começando uma mudança radical de suas posições anteriores.

A maneira como os minerais estão alinhados em rochas antigas mostra que o dipolo magnético do planeta (polos magnéticos opostos) ocasionalmente desaparece completamente... Quando o dipolo volta a ter intensidade, os polos norte e sul podem trocar de lugares entre si.

O Institute of Earth Sciences, em Paris, usou recentemente dados do satélite Orsted para estudar variações estranhas no campo magnético da Terra. Em particular, uma grande região na África do Sul está apontando na direção oposta do resto do campo da Terra e está crescendo...

As anomalias já reduziram a intensidade total do campo magnético do planeta em cerca de 10%. Se elas continuarem a acontecer na mesma taxa, o dipolo da Terra irá desaparecer. "Nós não podemos dizer o que vai acontecer em seguida. Mas nós especulamos que nós estamos em uma situação não-usual que pode estar relacionada a uma reversão próxima"[3].

Portanto, com a Terra diminuindo sua rotação, os campos magnéticos que circundam nosso planeta estão enfraquecendo rapidamente e os 'polos magnéticos' estão rapidamente mudando de suas posições normais no eixo de rotação geográfico da Terra.

O que está causando esta diminuição inexplicada na rotação do planeta e as anomalias magnéticas que estão acompanhando esse processo de diminuição? A resposta é, nós acreditamos, a aproximação de uma anã marrom, também conhecida como O Planeta do Cruzamento (Planeta X).

Se a Terra está se aquecendo devido aos efeitos magnético e gravitacional de um grande objeto celeste que se aproxima (Planeta X), então os outros planetas do nosso sistema solar também deveriam estar experimentando efeitos semelhantes. E isso está ocorrendo! Numerosas reportagens apareceram nos últimos anos descrevendo o aparente aquecimento de outros planetas do nosso sistema solar. Um dos mais dramáticos exemplos disso relaciona-se com o derretimento das camadas de gelo do planeta Marte. Em novembro de 2001, a BBC reportou que as camadas de gelo polares de Marte estavam 'rapidamente' e 'misteriosamente' derretendo, indicando que este planeta está também experimentando efeitos cósmicos semelhantes à Terra.

Em 25 de junho de 1998, a BBC reportou que a maior lua de Netuno, Triton, está realmente 'ficando mais quente' [4]. Numa história semelhante, os astrônomos recentemente descobriram que o planeta Saturno está ficando significativamente mais brilhante - uma clara indicação de que este planeta também pode estar se aquecendo. Em 23 de agosto de 2002, a CNN reportou que até o planeta mais distante, Plutão, pode estar sofrendo um aquecimento global [4]. Na realidade, todos os planetas do nosso sistema solar parecem estar sofrendo este mesmo tipo de aquecimento interno, de uma forma ou de outra.

As flutuações climáticas ocorrem normalmente entre períodos quentes e frios. Mas o Século 20 presenciou o maior aquecimento dos últimos 1.000 anos. Tem coisa aí...

O Sol

 

As áreas escuras que se formam na superfície do Sol são causadas por campos magnéticos intensos que se une ao gás solar de uma região específica, que causa este gás esfriar um pouco. Essas regiões mais frias na superfície solar aparecem escuras por contraste com o resto do disco solar - essas áreas mais escuras e mais frias são aquilo que chamamos de manchas solares (sunspots).

De forma simplificada, o número de manchas solares é uma indicação direta da atividade magnética do Sol. Quando maior o número de manchas solares, maiores as perturbações magnéticas que estão ocorrendo na superfície do Sol. Além de nosso Sol estar aumentando o número de manchas solares e de seu fluxo de rádio, ele está também se aquecendo, como os demais planetas deste nosso sistema solar. Um artigo recente da NASA, entitulado "Sun May Be One Reason It's Getting Hotter" (O sol pode ser uma razão para estar ficando mais quente), diz: Uma razão para o aquecimento global poderia ser que a radiação do Sol tem aumentado de 0,05% por década desde os fins dos anos 1970 [5].

Vimos que a diminuição da velocidade de rotação da Terra, faz o campo magnético diminuir de intensidade. Esta diminuição está causando os polos magnéticos do planeta deslocar-se bastante de suas posições normais e pode, eventualmente, levar a uma reversão dos polos magnéticos no futuro.

Em 22 de abril de 2003, a NASA divulgou um artigo onde diz: Três anos atrás, algo estranho aconteceu com o Sol. Normalmente nossa estrela, como a Terra, tem um polo magnético sul e um polo magnético norte (o dipolo solar). Mas por quase um mês, em março de 2000, o polo magnético sul do Sol desapareceu e um polo magnético norte emergiu em seu lugar. O Sol ficou com dois polos nortes... Em 2001 o campo magnético solar trocou completamente de posição: os polos norte e sul trocaram de posição, que é como eles estão até hoje.

Em 19 de junho de 2003 [6], um artigo entitulado "NASA Worried Over Sun's Activity" (NASA preocupada com a atividade do Sol) dizia: Rumores sugerem que a NASA recebeu uma ordem de mordaça emitida pelo DoD (Departamento de Defesa). A razão desta ordem está diretamente relacionada com nossos satélites espiões. Foi recomendado que, em nome da segurança nacional, a NASA não deverá mais confirmar ou negar que a atividade solar recente e atual esteja em níveis perigosos... Outra área de preocupação é nossas redes de distribuição de energia elétrica. Se a Terra for atingida por uma explosão solar (flare) das classes M ou X, isso poderia danificar fortemente toda a infraestrutura global.

Escombros espaciais

Aceita-se a idéia de que se um grande corpo celeste, como uma anã marrom, estiver se aproximando da Terra, um grande campo de escombros constituído de asteróides, cometas e poeira, capturados pelo enorme campo gravitacional desse objeto, iria acompanhá-lo e circundá-lo no espaço. Quando esse objeto começar a se aproximar do sistema solar interior, nós iremos começar a encontrar a "comissão de frente" (numa analogia com as escolas de samba do carnaval) de seu campo de escombros, como um prelúdio da chegada real desse objeto. Em outras palavras, alguns anos antes desse objeto passar próximo da Terra, nós poderemos testemunhar um aumento da chegada de lixo espacial provenientes da "comissão de frente" desse objeto.

Reportagens sobre escombros espaciais atingindo nossa atmosfera, causando explosões, clarões de luz no céu e, inclusive, atingindo o solo, tem se tornado mais comuns nos últimos anos, sugerindo que nosso planeta está entrando cada vez mais no campo de escombros associado à anã marrom que se aproxima.

Em agosto de 2003, várias agências noticiosas informaram que uma enorme 'tempestade de poeira' cósmica estava entrando no nosso sistema solar e que estava se dirigindo em diração à Terra. O efeito final desta aproximação da tempestade de poeira sobre a Terra é desconhecido, mas vários cientistas especulam que isso poderia ser catastrófico.

Em novembro de 2002 informou-se que núvens de poeira e outros escombros espaciais (já dentro do sistema solar interior) era tão espessa, que eles estavam refletindo de volta a luz solar de volta para a Terra, produzindo 'falsas auroras' no céu notorno.

Certamente este campo de escombros espaciais está deixando sua marca nos outros planetas do sistema solar mais externo. Todos nós nos lembramos das fotografias tiradas do planeta Júpiter quando ele foi bombardeado por meteoros gigantes em 2003. Lembram-se?

 

[continua]

 

Referências:

[1] Jaysen Q. Rand, The Return of Planet-X, Futureworld Publ. International, 2007.

[2] www.troubletimes.com

[3] http://www.newscientist.com/news/print.jsp?id=ns99992152 , em 2002.

[4] http://www.yowusa.com/archive/september2002/xkb06/xkb06.htm

[5] http://www.unknowncountry.com/news/print.phtml?id:2600

[6] http://www.rumormillnews.com/cgi-bin/forum.cgi?read=33180

Labels: Planeta X

 

 



História e Pesquisa

ANO II - Nº 58

Publicado em: 08.02.09

Palavras Iniciais

Já que vimos publicando ultimamente algo sobre esse tema, segue mais um para refletirmos um pouco mais a respeito da existência de tais seres e de serem prováveis ou totalmente improváveis o que a matéria abaixo questiona.

Em minhas andanças esotéricas uma coisa que sempre me intrigava era o por quê da literatura védica sempre se referir aos sábios como os "Nagas", que quer dizer serpente. Não bastasse isso, a literatura chinesa sempre se referir aos dragões como os portadores de grande poder e sabedoria. Achava a princípio que era uma questão de migração de mitologia que acabou sendo adotada por uma ou por outra cultura. Achava também, com relação às serpentes, que era porque tinham conseguido sobreviver em um meio tão hostil sem os membros e daí serem consideradas muito inteligentes por tal proeza.

Agora surge essa questão, até então fora de minhas cogitações, onde se admite a possibilidade de termos evoluído a partir dos répteis, assumindo que alienígenas com tais características e inteligência muito superior à nossa, inclusive nos dias de hoje, tivessem feito algum experimento genético usando seu DNA em um primata antropóide, verificando-se assim o famoso elo perdido da evolução do homem, que a seguir a evolução natural desse antropóide ainda levaria mais alguns milhões de anos para que atingissem o estágio em que hoje nos encontramos.

Como se sabe, as mitologias e lendas sempre tem uma verdade embutida que o nosso consciente não consegue captar mas que o subconsciente a entende e consegue processar através de sonhos, visões e intuições. Quem de nós, pelo menos da cultura ocidental nunca ouviu falar de "Adão e Eva e da serpente"? Faz algum sentido serem colocados nesse contexto? Pensemos um pouco a respeito.



http://svmmvmbonvm.org/macrocosmo/reptil.htm



Os Humanos Evoluíram dos Repteis?



por Joe Lewels (*)



Os seres tipo serpente não estavam sozinhos, mas eram parte de um conjunto de super seres que os antigos pensavam serem deuses. Em culturas tão distantes e diversas como aquelas da Suméria, Babilônia, Índia, China, Japão, México, e América Central, os deuses reptilianos tem sido temidos e venerados. Atés este dia o dragão ou a serpente significa a divina herança e realeza de muitos países asiáticos, enquanto que no ocidente a serpente significa sabedoria e conhecimento. O símbolo de duas serpentes enroladas em um bastão (originalmente significando a árvore do conhecimento do mito antigo), conhecida como caduceu, é hoje usado pela American Medical Association como seu logo.

Interessantemente, histórias de seres reptilianos que exercem controle mental sobre cativos humanos enquanto realizam procedimentos médicos neles tem emergido da pesquisa de alguns dos mais conhecidos investigadores UFO, como Budd Hopkins, John Carpenter, Linda Moulton Howe, Yvonne Smith, e outros. Estas histórias, contadas por americanos médios, mentalmente competentes, tem emergido independentemente uma das outras em diferentes partes do país, mas não tem atraído muita atenção pública. Elas falam de encontros humanos com criaturas que têm distintamente caracteristicas reptilianas: mãos com membranas e tipo garra, grandes olhos dourados com pupilas verticais e pele escamosa marrom esverdeado. Estas histórias tem circulado pela comunidade de pesquisa UFO por anos, mas poucos especialistas tem tido qualquer idéia de como interpretar estas "lendas".

Tào amedrantadoras e inacreditáveis elas eram no passado, que muitos pesquisadores meramente as arquivavam em suas mentes para referência futura muito mais que se arriscarem a parecerem tolos ou serem ridicularizados. Pouco a pouco, nas conferências UFO realizadas por todo o país, abduzidos e pesquisadores ouviram uns dos outros experiências similares com criaturas reptilianas, e gradualmente estas histórias vieram a público.

Hoje os pesquisadores concordam que há uma variedade de entidades envolvidas no cenário da alien-abdução, inclusive os familiares greys; louros altos de aparência humana; reptilianos; e híbridos (meio-humano e meio-alien). Além disso, parecem ocorrer variações de cada um destes que implica em cruzamentos e considerável diversidade. Não está claramente compreendido como cada tipo interage com os outros, embora seja relatado que são vistos trabalhando juntos.

Os Achados da MUFON de John Carpenter têm acompanhado intensamente o fenômeno da abdução. Ele é o diretor da pesquisa de abdução da Mutual UFO Network (MUFON), uma das maiores e mais respeitáveis organizações dedicadas aos estudos de UFOs e abduções. Carpenter possui um grau de mestrado em assistência social e é um hipnoterapeuta altamente qualificado que trabalha como um assistente social-psiquiátrico em Springfield, Missouri. Desde o final da década de 80, ele tem trabalhado com mais de cem abduzidos e compilado informaçòes de centenas de outros. Além disto, ele está em contacto com outros pesquisadores no campo. Ele tem estado envolvido em 10 casos onde os vivenciadores têm descrito entidades reptilianas e ele está ciente de pesquisadores em outras partes do país com casos similares. Os abduzidos frequentemente têm distintos cortes como de garras e arranhões em seus corpos após as suas aparentes abduções.

Carpenter sumarizou o que sabe sobre estes seres em sua coluna regular "Abduction Notes," MUFON UFO Journal, April 1993: "Tipicamente, estas criaturas são descritas como tendo entre 6 e 7 pés de altura, eretas, com escamas tipo lagarto, de cor esverdeada ou amarronzada com quatro dedos com membranas e tipo de garras... Suas faces são uma mistura entre um humano e uma serpente com um sulco central vindo descendo do alto da cabeça ao focinho... Acrescente-se a sua aparência tipo serpente os olhos que tem pupilas verticais e são de iris douradas ." Talvez o mais assustador e controverso pedaço desta história sejam as afirmativas de que estas criaturas por vezes fazem sexo com os abduzidos.

Sustentando os achados de Carpenter está um estudo da MUFON que teve ajuda financeira do Fund for UFO Research. Este massivo estudo, conhecido como "Abduction Transcription Project," é uma tentativa de coletar e correlacionar informação sobre centenas de casos de abdução através do uso de um sofisticado sistema de base de dados por computador. Em julho de 1995 no simpósio da organização em Seattle, Washington, Dan Wright apresentou os achados baseado em 142 casos distintos e 560 transcritos. Wright disse, "Uma simples leitura destas sessões indica fortemente que múltiplos grupos de entidades tem estado rotineiramente se introduzindo nas vidas de americanos - tanto crianças quanto adultos... Quando um chamado reptiliano é repetidamente descrito como tendo o mesmo tom de pele escamosa, garras por dedos, e um extremo interesse na sexualidade, devemos prestar atenção."

Os resultados preliminares do estudo indicam que os seres de tipo reptiliano tem sido relatados em uma percentagem relativamente menor (menos de 20%) dos casos que estão sendo estudados.

NÃO DESTA GALÁXIA

Sejam os seres relatados pelos abduzidos Greys, louros, reptilianos ou qualquer outra variedade, o cenário da abdução é simplesmente consistente entre os milhares de casos estudados desde muito longe. Além de haver numerosos procedimentos médicos realizados neles, os abduzidos também relatam que receberem informações na forma de símbolos e de imagens, cujo significado não é claro, mas que tem muita relação com futuros desastres da Terra. Os seres muitas vezes se referem a si mesmos como "Os Observadores" , "que têm a custódia", ou "guardiàes da Humanidade" e todas as coisas vivas da Terra, e dizem que estão preparando para um tempo em futuro próximo quando as mudanças globais irão afetar dramaticamente a vida em nosso planeta. Em alguns casos eles tem indicado que vêm de várias partes do Universo, inclusive de outras galáxias, ou de "um lugar muito distante".

Na certa o que é o aspecto mais perturbador dos procedimentos relatados, tanto por homens como por mulheres abduzidos, mas mais frequentemente mulheres, são os relatos de lhes terem sido mostradas salas cheias com tubos de vidro onde estão se desenvolvendo fetos híbridos, como um jardim hidropônico. Em muitos casos, tem também visto berçários de infantes híbridos ou salas cheias de crianças híbridas de idades variáveis. Às vezes os seres trazem um infante ou uma criança para as mulheres abraçarem e amarem, e lhes dizem que são seus filhos.

Estes eventos foram relatados pela alien-abduzida Betty Andreasson Luca, cujo caso tem sido submetido a investigação por mais de 20 anos e que tem sido assunto para quatro livros do investigador UFO Ray Fowler. Em seu livro The Watchers, Fowler relata uma sessão de hipnose na qual Betty lembrou que os seres que a levaram a bordo da nave tinham lhe dito que "o homem vai se tornar estéril" por causa da poluição meio ambiental. Depois, lhe foi dito que eles eram "bons e maus Observadores," a que Betty se refere como anjos. Ela foi avisada que há alguns que estão "contra o homem, que ferirão o homem e destruirão o homem."

EVIDÊNCIA NOS MANUSCRITOS DO MAR MORTO

Referências a Observadores, anjos bons e maus, e bebês híbridos podem ser encontrados em muitos textos antigos inclusive no Velho Testamento, que tomou muita coisa emprestada de documentos mais antigos, inclusive os livros de Enoch. O profeta Enoch é mencionado no Genesis como o filho de Caim e pai de Methuselah, e se acredita ser um dos patriarcas antediluvianos que, juntamente com Noé, "andou com Deus". (Genesis 5:24; 6:9). Livros escritos por escritores anônimos mas creditados a Enoch davam grande crdibilidade aos iniciais sábios judeus e portanto influenciaram os escritores do Velho Testamento. Partes dos livros de Enoch escritoas em aramaico foram encontradas entre os rolos de pergaminho nas cavernas de Qumran em 1947, tenddo sido colocados lá aproximadamente há 2.000 anos atrás por uma seita judaica conhecida como Essênios. Este de fato são os Pergaminhos do Mar Morto. Uma outra versào existe em etíope.

Segundo os textos em aramaico, "Enoch era o primeiro entre os filhos dos homens nascidos na Terra que tinha aprendido escrita, ciência e sabedoria" dos anjos. Em um escrito, o Book of the Watchers, nós aprendemos que os Watchers (Obeservadores) sâo anjos que são bons ou maus Watchers. Nos é dito que os Watchers são anjos do Senhor, "que vem a Terra para instruir os filhos dos homens e trazer justiça e equidade a Terra." Mas no caso de anjos maus, a ciência que eles ensinam se destina a fins malignos pore causa de seus pecados.

Seu pecado é que eles permitem que seu apetite sexual os domine: " Quandos os maus Watchers desceram e tomaram as filhas do homem, eles começaram a se corromper com elas. Quando os filhos de Deus viram as filhas dos homens, eles não resistiram a sua inclinação."

Estes Watchers cairam da graça de Deus quando Enoch viajou para o céu em forma física para testemunhar contra eles. Ele disse a Deus que os Watchers "tinham ido às filhas dos homens e assim se tornaram impuros". Como punição para os pecados dos maus Watchers contra a Humanidade , Deus destrói a Humanidade, inclusive a raça híbrida de seres que eram o produto dos humanos com os Watchers, causando uma grande inundação. Os maus Watchers são postos em um poço fundo e aprisionados por quatro chefes dos bons Watchers, os arcanjos Miguel, Sariel, Rafael, e Gabriel.

Uma outra referência interessante aos Watchers foi achada na mesma caverna dos livros de Enoch, mas não foi conhecida até 1992, quando dois sábios bíblicos, Robert Eisenman e Michael Wise, publicaram seu livro The Dead Sea Scrolls Uncovered.

Entre 50 documentos liberados pela primeira vez neste livro está uma referência aos Watchers que é única, porque fornece uma das poucos descrições físicas deles. O texto, chamado "O Testamenho de Amram," descreve a experiência de uma pessoa chamada Amram que tinha "um anjo e um demônio disputando a suas alma" : "(eu vi Watchers) em minha visão, a visão do sonho. Dois (homens) estavam lutando sobre mim. Eu perguntei a eles, "quem são vocês que (tem sido) dado o poder sobre mim?" Eles responderam-me, "nós temos o poder sobre toda a Humanidade", eles me disseram, "qual de nós você escolhe para governar sobre você?" Eu levantei meus olhos e olhei. Um deles era aterrorizante em aparência, como uma serpente, seu casaco muito colorido mas muito escuro.... e eu olhei novamente, e.... em sua aparência, sua imagem era como uma víbora.... eu repliquei a ele, "Este (Watcher,) quem é ele? Ele respondeu-me, 'Este Watcher.... (e seus três nomes são Belial e Principe das Trevas) e Rei do Mal".

O que torna este testamento ainda mais intrigante é o fato de que o pouco conhecido personagem Amram de fato é um personagem muito importante. Amram, por sua vez, era o pai de um dos mais famosos contatados da história, o homem que livrou os judeus da escravidão no Egito. Esta pessoa, de fato, não é outra senão Moisés!

DEUSES REPTILIANOS EXTRATERRESTRES

Se as únicas referências aos reptilianos estivessem nos textos antigos isto poderia facilmente ser descartado, mas as histórias destas criaturas datam dos primeiros escritos humanos, aqueles da Suméria (significa "terra dos guardiães"), Babilônia (significa "portão dos deuses"), e outras civilizações da antiga Mesopotamia. Entre milhares de tabletes de argila que têm sido descobertos e traduzidos datando dos mais iniciais registros da história, estão documentos que registram eventos datando de 240.000 anos atrás. Um destes, a lista do "Rei Sumeriano", conta a história de um deus, An, deus-chefe de uma raça extraterrestre chamada Annunaki, e seus filhos, Enki e Enlil. Está claro nos textos e nas ilustrações deixadas pelos sumérios que no mínimo alguns destes "deuses". inclusive Enki (também conhecido como EA), eram reptilianos na aparência. É Enki que primeiramente dá as pessoas o fruto da árvore do conhecimento e que mais tarde salvou a Humanidade ao avisar uma figura do tipo Noé da grande inundação.

Estas histórias são tão similares ao Velho Testamento que pode-se apenas concluir que os autores do Velho Testamento tomaram pesadamente emprestado das histórias sumerianas. Na "lenda" sumeriana, Enki recebe a tarefa de criar uma força de trabalho para ajudar os Annunaki a preparar o solo e minerar os metais que os faziam vir a Terra. Ele fez isto através de consideráveis tentativas e erros, no processo criando estranhas criaturas. A lenda implica em que Enki possuia uma tecnologia altamente avançada que incluia a capacidade de alterar geneticamente as espécies indígenas. Usando um processo misterioso para criar uma substância tipo argila, ele foi capaz de "curvar-se sobre a imagem dos deuses", indicando que ele usou gens Annunaki para criar espécies híbridas . Isto também implica que alguns dos humanos iniciais tinham aparencia reptiliana.

Uma estátua (não mostrada) de uma criatura biologicamente acreditavel, criada por Dr. Dale Russell do Canadian National Museum of Natural Sciences, sugere que a evolução pode ter produzido dinossauros que sobreviveram. Sua aparência é similar aos seres descritos pelos abduzidos. A foto da estátua (não mostrada) foi retirada do livro The Search for Extra Terrestrial Intelligence, de Edward Ashpole, Sterling Publishing Co., Inc.

NOSSOS ANCESTRAIS REPTILIANOS

Tão ridículo quanto repugnante isto sôe, é comumente aceito pela ciência moderna que os ancestrais iniciais da Humanidade podem ter sido répteis. Segundo as explicações Darwinianas das origens da espécie humana, os mamíferos evoluíram de répteis e ganharam domínio sobre a Terra somente depois que um grande desastre de natureza monstruosa destruiu os dinossauros. É teorizado que somente então os mamíferos foram capazes de proliferar e evoluir a seres inteligentes. É ainda mais importante que a antiga história da criação sumeriana deva ser tão paralela a visão de Darwin. Em ambos os casos os humanos são ditos relacionados a uma raça superior reptiliana e, em ambos os casos, um grande cataclisma erradica a espécie anterior. (na bíblia, era uma raça híbrida de gigantes conhecida como Nephilim que Deus quis destruir). Finalmente, em ambas as histórias, os sobreviventes do desastre recomeçam, casualmente evoluindo para humanos.

Em seu livro The Dragons of Eden, o conceituado astrônomo Dr. Carl Sagan especula sobre as origens reptilianas dos humanos e o misterioso salto na evolução do cérebro que pode ser encontrado no registro fóssil. Ele salienta que se as pessoas tivessem evoluído naturalmente de répteis, como afirmam os Darwinistas deveria demorar 200 milhões de anos para os mamíferos primeiramente evoluirem, e então outros 5 a 10 milhões de anos para os humanos evoluirem. Mas ele ressalta com extrema confusão que o registro fóssil simplesmente não sustenta esta conclusão. De fato, a evolução dos mamíferos, e particularmente dos humanos, foi de ocorrência muito rápida, "em um maior impacto da evolução cerebral.". A evidência para isto fica muito clara no fato de que os instrumentos de pedra não aparecem gradualmente, mas sim "aparecem em enorme abundância todos de uma vez". Frustrado, Sagan conclui que "nào há maneira de explicar isto a menos que o Australopithecines tinha instituições educacionais, para ensinar a confecção de instrumentos. De fato há uma outra explicação mas ninguém da corrente científica principal ousaria sequer considerá-la. A alternativa é admitir que Deus ou seres como deuses aceleraram o processo evolucionário."

A PARTE REPTILIANA DO CÉREBRO

Sagan vai para o enigma das similaridades entre o cérebro humano e o cérebro reptiliano. Ele ressalta que no núcleo do cérebro humano reside um vestígio de nosso passado reptiliano. Esta parte do cérebro, conhecida como R-complex (complexo reptiliano), é dito fazer parte do cérebro que realiza as funções do dinossauro - comportamento agressivo, territorialidade, ritual e estabelecimento de hierarquias sociais. A camada do meio é chama de sistema límbico, e pensa-se que gere amor, ódio, compaixão e sentimentalismo - caracteristicas que se acredita serem estritamente mamíferas. A maior parte do cérebro humano, o neo cortex e sua camada externa, acreditar ser a casa da razão e deliberação e "o lugar onde reconhecemos a diferença entre o mal e o bem".

Uma vez mais, a ciência parece concordar com os antigos mitos da criação, foi o conhecimento do bem e do mal (dado a eles pela serpente) que causou a queda do primeiro homem e da primeira mulher da graça do Criador. Se o Criador era um reptiliano, então pode ser que ao tornar-se mamífera - e desenvolver um neo cortex - a Humanidade se tornou menos reptiliana, portanto caindo da graça.

Outros textos antigos sustentam esta perturbadora conclusão. Em 1945, em uma pequena cidade do Egito, um vaso de argila foi encontrado contendo manuscritos antigos similares aqueles do Mar Morto. Eles são conhecidos como textos de Nag Hammadi, assim chamados por causa do nome da cidade onde eles foram encontrados. Eles contam a história da criação humana desta forma: Os corpos de Adão e Eva foram cobertos por uma pele áspera quew era brilhante como a luz do dia, como uma vestimenta luminescente. Portanto, parece, não precisavam usar roupas. Posteriormente, estes textos contam uma história muito diferente sobre a Árvore do Conhecimento daquela que é contada no Genesis:"Ela tomou um pouco desta fruta e comeu, e deu dela a seu marido tambem... então suas mentes se abriram. Após comerem, a luz do conhecimento brilhou para eles. Quando eles viram seus criadores, eles os desprezaram já que eles eram formas bestiais. Eles entenderam demais ."

Em um outro antigo documento judeu, conhecido como Haggadah, fica claro que a serpente não era meramente uma cobra :"Entre os animais , a serpente era o mais notável. De todos eles, ela tinha a maioria das excelentes qualidades, entre as quais aquela que ele semelhava no homem. Como homem, ele ficou eretor sobre os dois pés, e em altura era igual a um camelo... seus superiores dons mentais fizeram com que se tornasse um infiel. O que explica a sua inveja do homem, especialmente as suas visitas conjugais.... Sua punição por tentar Eva foi , como Deus disse: 'Eu criei você para ser o rei dos animais... mas você não ficou satisfeito... eu criei você de postura ereta.... portanto você deve ir se arrastar sobre a sua barriga .'"

Estas tantalizantes pistas do distante passado parecem dar no mínimo alguma sustentação a idéia de que os ocupantes de UFOs de hoje, reptilianos ou não, são exatamente o que dizem ser - os antigos guardiões da Humanidade. Se assim é, então a teoria de que UFOs são pilotados por aliens de outros planetas deve ser cuidadosamente reavaliada. Mas seja qual for a resposta, está claro que os investigadores UFO tem suas mãos cheias para lidar com este duradouro e surpreendente mistério.

NOTA:

(*) Joe Lewels é um pesquisador independente atualmente trabalhando em um livro que lida com UFOs e suas implicações religiosas. Ele está coletando histórias sobre encontros com reptilianos e convida os leitores com experiências deste tipo a escreverem para ele sob os cuidados da revista FATE. Todas as cartas serão repassadas a Lewels . 




ANO II - Nº. - 57

Publicado em:01.02.09

Palavras Iniciais

Recentemente o Governo Britânico resolveu que aos poucos vai liberar os arquivos secretos a respeito de OVNIs, o que significa dizer que o mesmo reconhece a existência de tais objetos voadores, o que para muitos ainda continua sendo uma ficção.
Como Templários, não podemos fechar os olhos aos fatos que vem sendo testemunhados quase toda semana nas mais diversas regiões. Porém, devemos tomar cuidado pois existe muita informação falsa, especialmente fotos. Assim, a respeito desse ssunto selecionei a matéria abaixo por julgar bastante confiável, visto serem relatos extraídos dos arquivos oficiais do Governo dos Estados Unidos.



 

Reagan e os alienígenas

 

http://www.american chronicle. com/articles/ 41939/



Renato A. Azevedo



Steve Hammons

2 de novembro de 2007

Foi postado na Web, no site Serpo.org em 30 de outubro de 2007, o que alegadamente é uma transcrição de uma reunião de inteligência com o presidente Ronald Reagan sobre UFOs e visitas extraterrestres a Terra.

De acordo com o moderador do site em uma lista de discussão relacionada, a reunião ocorreu em Camp David , Maryland, entre sexta feira e domingo, de 6 a 8 de março de 1981.

Entre os presentes, diversos conselheiros do presidente, o diretor da CIA William Casey, e um funcionário da CIA que fazia parte de um grupo dedicado a salvaguardar informações e outros recursos relacionados ao assunto UFO e extraterestres.

Outros presentes foram o secretário da defesa Caspar Weinberg e o conselheiro Michael Deaver. Os nomes dos colaboradores que ainda estão vivos foram omitidos.

O moderador do site e da lista de discussão alega que funcionários do Departamento de Defesa e a Agência de Inteligência da Defesa (DIA) lhe entregaram as informações para serem divulgadas, como parte de um esforço de preparação para o público americano, a fim de maior abertura sobre a situação de UFOs e ETs.

Alega-se que a transcrição é apenas parte dos briefings de Reagan nesta matéria.

Informando Reagan

Na transcrição, Casey começa o briefing: "Sr. Presidente, bom dia. Como discutimos em fevereiro, este briefing contém algumas informações sensacionais e muito, muito secretas. Não estou certo, bem, não irei tomar a decisão de quem o senhor quer na reunião. Esta será sua decisão, Sr. Presidente".

"Será difícil acompanhar os eventos desde que começaram, historicamente falando, até os dias de hoje. Acredito que pudemos preparar uma boa ordem cronológica. Tenho certeza que o senhor, Sr. Presidente, terá muitas perguntas".

Após uma discussão para determinar quem na sala deveria ter acesso a informação, a classificação de segurança, e quem ainda não tivera contato com a matéria, Casey prosseguiu:

"Como vê, Sr. Presidente, este é um assunto de mais alto nível. O consideramos acima de ultra-secreto (ATS, Above Top Secret). Este assunto tem sua própria classificação. Temos arquivos especiais, impressoras e copiadoras especiais, exclusivos para este assunto. Cada palavra é impressa em papel especial, e colocada em arquivos especiais".

"Os funcionários responsáveis tomam medidas extremas para proteger todos os documentos, a fim de não serem divulgados inadvertidamente, nem copiados por pessoas não autorizadas" .

Após discussões sobre o tratamento das informações, alguns conselheiros decidiram deixar a sala. Casey então passa a palavra ao funcionário responsável pelos arquivos.

"Bom dia, Sr. Presidente. Primeiro, eu gostaria de informá-lo sobre minha experiência. Mas antes disso, por favor, Sr. Presidente, se o senhor tiver perguntas durante este briefing, me interrompa, senhor".

"Estou trabalhando na CIA pelos últimos 31 anos. Comecei este projeto em 1960. Temos um grupo especial de pessoas que chamamos Grupo 6, que cuida de toda essa informação".

De acordo com a transcrição, Reagan estava de alguma forma familiarizado com o tópico, tendo antes recebido um briefing de uma hora de Casey no mês de janeiro anterior, e também tivera acesso a outras informações. Ele disse: "Bem, eu já sabia um pouco sobre esta matéria. Ainda em 1970. Nixon me mostrou alguns papéis. Não estou certo de quem os produziu, mas... ahn.. bem, havia algo sobre o Novo México e outros locais".

"Nixon era... ahn... sabe, fascinado pelo assunto. Ele me mostrou uma coisa, algum tipo de objeto ou artefato que veio de uma nave. Algo que foi encontrado no local da queda no Novo México. Não sei se, bem... ahn... sabemos o que era aquilo? Eu não acho que sabíamos, ou talvez agora, após 11 anos, alguém saiba".

Depois de um pequeno intervalo, o funcionário começou o briefing:

"Sr. Presidente, como mencionado antes, devo dizer que este briefing tem a mais alta classificação de sigilo dentro do governo dos Estados Unidos. Começarei com uma apresentação de slides. Muito deste briefing está neles, mas também apresentarei outras informações".

"Os Estados Unidos da América têm sido visitados por extraterrestres desde 1947. Temos provas disso. Entretanto, também temos provas de que a Terra tem sido visitada por muitos milhares de anos por várias raças alienígenas".

"Sr. Presidente, irei me referir a esses visitantes como ETs. Em julho de 1947, um evento extraordinário ocorreu no Novo México. Durante uma tempestade, duas naves alienígenas caíram. Uma ao sudoeste de Corona, no Novo México, e uma próxima a Datil, também no Novo México. O Exército eventualmente encontrou os dois locais e recuperou todos os destroços, e um alien vivo. Irei me referir a este como EBE 1".

"Sr. Presidente, EBE significa Entidade Biológica Extraterrestre. foi o código dado a esta criatura pelo Exército naqueles dias. Esta criatura não era humana, e tivemos que decidir com designá-la. Então, cientistas criaram o termo EBE 1 para o ser".

Reagan perguntou: "Nós temos outros seres? O número 1 parece indicar que existem outros".

O funcionário respondeu: "Sim, temos outros".

"Todos os destroços e EBEs recuperados do primeiro local foram levados a Base Aérea de Roswell, no Novo México (Nota: O funcionário fala de Roswell Army Air Field, ou Campo Aéreo do Exército de Roswell). EBE foi tratado de alguns ferimentos, e então levado ao Laboratório Nacional de Los Alamos, que era o local mais seguro e secreto do mundo. Acomodações especiais foram feitas para ele. Os destroços foram depois transferidos para Dayton, Ohio, onde se localiza a Divisão de Tecnologia Estrangeira da Força Aérea (Air Force Foreign Technology Division).

"O segundo local só foi encontrado em 1949 por alguns fazendeiros. Não havia alienígenas vivos. Todos os destroços foram levados para a Base Sandia (Sandia Army Base), em Albuquerque, Novo México".

Reagan pergunta: "OK, uma pergunta, sobre o primeiro local, quantos alienígenas havia na nave?".

"Cinco seres mortos e um vivo. Os corpos foram transportados para Wright Field em Ohio, e mantidos congelados. Eles foram depois transportados para Los Alamos onde recipientes especiais foram construídos para conservar os corpos".

"Havia quatro alienígenas mortos no segundo local de queda. Esses corpos estavam muito deteriorados. Estiveram no deserto por dois anos. O tempo e os animais os deixaram em péssimo estado. Os restos foram transportados para a Base Sandia e depois para Los Alamos".

"Determinamos que as duas naves tinha design similar e os corpos dos alienígenas eram idênticos. Eles pareciam todos iguais. Tinham o mesmo peso, altura e características físicas. Aqui temos fotografias deles".

"Eles não tem qualquer característica similar a humana, com exceção de olhos, orelhas eboca. Seus órgãos internos são diferentes. Sua pele é diferent, olhos, ouvidos e mesmo respiração é diferente. Seu sangue não é vermelho, e o cérebro é inteiramente diferente do humano".

"Não podemos classificar qualquer parte dos aliens como humana. Eles têm sangue e pele, embora consideravelmente diferente dos humanos. Seus olhos têm duas diferentes pálpebras. Provavelmente porque seu planeta natal é muito brilhante".

"EBE sobreviveu até 1952, quando morreu. Aprendemos muito com ele. Embora EBE não tivesse órgãos vocais como os humanos, era capaz de se comunicar com os médicos militares. EBE era extremamente inteligente. Aprendeu inglês rapidamente, muito por ouvir o pessoal militar responsável por seu cuidado e segurança".

"EBE foi acomodado em uma área especial em Los Alamos e na Base Sandia. Embora muitos diferentes médicos militares, cientistas e um seleto número de civis o estudassem, nunca se mostrou aborrecido ou nervoso".

"EBE nos ajudou a descobrir o que eram os itens recolhidos dos dois locais de queda. Ele nos mostrou como alguns dos itens funcionavam, como por exemplo um dispositivo de comunicação. Também nos mostrou como muitos outros dispositivos operavam".

"EBE nos explicou onde ele vivia no Universo. Nós chamamos esse sistema estelar de Zeta Reticuli, que dista da Terra aproximadamente 40 anos-luz. O planeta de EBE pertence a esse sistema estelar".

"A nave de EBE levou nove de nossos meses para viajar esses 40 anos-luz. Agora, como pode ver, isso significa que a nave de EBE viajou mais depressa que a velocidade da luz. Mas este é o ponto em que o assunto fica bastante técnico".

"Suas espaçonaves podem viajar através de uma forma de 'túneis espaciais', que os levam do ponto A ao ponto B mais depressa que se fizessem a viagem a velocidade da luz. Eu não entendo completamente como eles viajam, mas nós temos muitos cientistas do mais alto nível que podem entender esse conceito".

Presidentes e programas

O funcionário a seguir informou Reagan sobre a história do envolvimento presidencial, e alguns dos programas que por décadas lidaram com a questão de UFOs e ETs:

"Agora trataremos de um pouco de história. O projeto original, iniciado em 1947, era chamado Projeto GLEEM. Esse projeto continua volumes de informação documentada, obtida desde o começo de nossas investigações de UFOs e Naves Alienígenas Identificadas (Identifield Alien Craft, IAC)".

"O projeto foi originalmente estabelecido no começo dos anos 1950, primeiro pelo Presidente Truman, e depois por ordem do Presidente Eisenhower, sob controle do Conselho de Segurança Nacional. O Presidente Truman estabeleceu um grupo de pessoas para comandar o projeto. O grupo era chamado de Majority 12, ou MJ-12".

Nota do Renato: No texto original realmente está escrito Majority 12, podem conferir no link lá no alto.

"Em 1966 o nome do projeto foi mudado para Aquarius. O projeto era financiado por fundos confidenciais vindos do orçamento da comunidade de inteligência. O resgate dessas naves alienígenas levou os Estados Unidos a um programa de investigação intensivo para determinar se esses extraterrestres representavam uma ameaça direta a nossa segurança nacional".

"Como talvez se lembre, Sr. Presidente, nosso país investigava abertamente os UFOs com os projetos Grudge, Sign, e finalmente Blue Book".

"Os Estados Unidos sentiam-se relativamente seguros de que a exploração alienígena na Terra era não agressiva e não hostil. Também ficou estabelecido que a presença dos alienígenas não representava ameaça direta a segurança dos Estados Unidos".

"E o público estava começando a acreditar que os UFOs eram reais. O Conselho de Segurança Nacional (NSC em inglês) considerou que o sentimento público poderia levar a pânico indiscriminado se liberássemos tudo que sabíamos sobre os UFOs e as visitas alienígenas".

"Quando a Força Aérea oficialmente encerrou o Blue Book em dezembro de 1969, o Projeto Aquarius continuou operando sob o controle do NSC/MJ-12. O NSC considerava que a investigação sobre os aviastamentos de UFOs e demais incidentes precisavam continuar em segredo, sem conhecimento do público".

"A razão por trás dessa decisão foi que, se a Força Aérea continuasse sua investigação sobre os UFOs, eventuamente algum funcionário civil da Força Aérea ou do Departamento d Defesa, sem a devida credencial de segurança e sem ter sido informado a respeito, iria chegar aos fatos por trás do Projeto Aquarius".

"Obviamente, por razões de segurança operacional, isso não poderia ser permitido. Para continuar a pesquisa dos incidentes e avistamentos de UFOs, os investigadores da CIA/DCE e MJ-12 eram designados a unidades de investigação militares, com ordens de investigar todos os avistamentos e incidentes relacionados a UFOs e IACs".

"Esses agentes estão no momento operando em diversos locais, nos EUA e Canadá. Todos os informes são enviados direta ou indiretamente ao MJ-12. Estes agentes estão obtendo informes de avistamentos e incidentes UFO/IAC ocorrendo nas proximidades ou sobre instalações sensíveis do governo".

Reagan sugere que façam uma pausa. E a seguir a reunião prossegue.

"No informe de 1976 do MJ-12, foi estimado que a tecnologia alienígena estava muitos milhares de anos a frente da nossa. Nossos cientistas especulavam que, até que nossa tecnologia avance para um nível similar a deles, nós não poderemos entender o grande volume de informações científicas que obtivemos de suas naves. Esse avanço em nossa tecnologia pode levar centenas de anos". 

"...Sr. Presidente, o tempo é bem diferente no planeta de EBE, o qual, por sinal, chamamos de SERPO. Seu dia dura aproximadamente 40 horas. Este é determinado pelo movimento de seus dois sóis. O sistema solar que contém SERPO é um sistema binário, com dois sóis, ao invés de um como o nosso próprio".

Mocinhos e bandidos

Salientando uma implicação de uma declaração de Casey, Reagan pergunta: "Você está me dizendo que há diferentes raças ou espécias, como você disse, visitando a Terra ao mesmo tempo? Pode me dizer quantas espécies diferentes têm nos visitado?".

O funcionário responde: "Ao menos cinco".

Reagan: "Todos são amistosos?".

Um conselheiro cujo nome foi omitido da transcrição diz: "Sr. Presidente, essa é uma questão muito difícil de responder. Há muitos parâmetros que devemos seguir para avaliar a ameaça. Entretanto, temos algumas informações sobre quatro dessas cinco raças".

"Temos muitas informações sobre os EBEs... bem... eles nos deram tudo que pedimos! Eles também nos ajudaram a entender as outras quatro espécies. Temo em dizer, Sr. Presidente, e por favor não interprete mal minhas palavras, mas achamos que uma das espécies é bem hostil".

Reagan é bem claro em sua posição: "Eu sou o Presidente dos Estados Unidos. Eu deveria saber se somos ameaçados por alguma força vinda do espaço. Se vocês têm alguma coisa a dizer sobre uma ameaça, representada por uma dessas espécies de alienígenas, então eu quero ouvi-la".

Casey explica: "Sr. Presidente, temos informações que poderiam indicar que essa espécie de aliens tem abduzido pessoas da Terra. Eles têm feito testes científicos e médicos nesses humanos. Até onde sabemos, nenhum humano foi morto".

"Nós capturamos um desses aliens hostis. Isso afeta algumas áreas muito, muito sensíveis, Sr. Presidente. Eu recomendo fortemente que encerremos esta discussão e passemos a outras questões que o senhor talvez tenha, e então voltemos a esta. Eu não acredito que estejamos preparados para lhe fornecer respostas acuradas para suas perguntas sobre os alienígenas potencialmente hostis neste ponto".

Reagan: "OK, mas espero ser informado o quanto antes. Eu quero saber tudo sobre essas criaturas hostis, então... quero dizer, nós deveríamos começar a formular estratégias para lidar com eles. Nós temos planos operacionais de guerra sobre isto?".

Conselheiro presidencial: "Nós chamamos os aliens hostis simplesmente de HAV, Hostile Alien Visitors (Visitantes Alienígenas Hostis). O MJ-12 criou essa classificação ainda nos anos 1950".

Reagan: "Você quer dizer, estes HAV têm nos visitado e sequestrado pessoas desde os anos 1950?".

Casey: "Sr. Presidente, temos algumas indicações de que talvez eles estejam fazendo isso por algum tempo. Mas realmente temos que considerar todas as evidências, os informes, e comparar tudo com as informações já divulgadas".

Informação e desinformação pública

O funcionário: "Para proteger todas essas informações e o fato de que o governo dos Estados Unidos possui evidências de que nosso planeta tem sido visitado por extraterrestres, desenvolvemos ao longo dos anos um programa bem efetivo para proteger a informação. Nós o chamamos de Projeto DOVE. É uma série complexa de operações de nossas agências de inteligência militar para desinformar o público".

Reagan lembra de histórias de seus dias como ator em Hollywood: "Eu sempre soube que havia alguma forma de cooperação entre nosso governo e a indústria do cinema. Eu ouvia rumores através dos anos... mesmo durante meu tempo como ator".

O funcionário confirma: "Bem, Sr. Presidente, a primeira cooperação ocorreu com o filme O Dia em que a Terra Parou. Cooperaram a Força Aérea Americana e a indústria do cinema".

Reagan: Aquele filme, Contados Imediatos, foi um desses? Acho que nenhum filme Bonzo estava envolvido. (Na transcrição, está escrito que todos riram. O moderador que postou o texto original explica que Ronald Reagan interpretou o personagem Professor Peter Boyd no filme de 1951, Bedtime for Bonzo, onde um chimpanzé chamado Bonzo também atuava).

O funcionário responde: "Sim, Sr. Presidente, nós fornecemos informações básicas para aquele filme".

Reagan: "Foi baseado em um incidente real?".

Funcionário: "Sr. Presidente, em 1964 nós conseguimos fazer nosso primeiro encontro controlado com os EBEs. Deixe-me dizer ao senhor que EBE era um mecânico, não um cientista. Ele foi capaz de nos ensinar um pouco da linguagem de sua raça. Essa língua era muito difícil para nossos linguistas aprenderem, pois consistia de tons, notas, não palavras".

"Entretanto, fomos capaz de traduzir algumas palavras básicas. EBE nos mostrou seu dispositivo de comunicação. Era um aparato de aparência estranha, com três partes. Uma vez montado, ele envia sinais, algo como nosso Código Morse, embora houvesse um problema".

"No acidente de 1947, uma parte desse sistema de comunicação foi quebrada. EBE não foi capaz de repará-lo, até que nossos cientistas encontraram alguns itens que poderiam ser usados no lugar das partes quebradas. Uma vez que o dispositivo de comunicação foi reparado, EBE enviou mensagens. Tínhamos que confiar em EBE quanto ao conteúdo destas".

"O senhor pode imaginar o que alguns de nossos comandantes militares pensaram disso. EBE poderia estar enviando um pedido de socorro que poderia resultar em uma invasão. Mas aquilo, claro, nunca ocorreu. EBE continuou a enviar mensagens até sua morte. Mas depois ficamos por nossa própria conta. Fomos capazes de operar precariamente o dispositivo. Enviamos diversas mensagens em um período de seis meses, em 1953. Mas não recebemos nenhuma resposta".

"Sr. Presidente, EBE enviou seis mensagens. Uma informando a seu planeta natal que ele estava vivo, mas seus companheiros haviam morrido, outra explicando os dois acidentes, a terceira era um pedido de resgate, a quarta sugeria um encontro entre nossos líderes e os deles. A última mensagem sugeria alguma forma de programa de intercâmbio".

Depois de discutir sobre como os linguistas e outros especialistas em comunicação foram capazes de estabelecer comunicações com os EBEs, e os anos de esforços envolvidos, o funcionário chegou a um ponto crucial:

"Por um período de alguns anos, pudemos enviar e receber informações. Nós finalmente recebemos uma incrível mensagem dos EBEs. Eles queriam visitar a Terra, recuperar os corpos dos companheiros e conhecer os terráqueos".

"Eles sugeriram uma data e um local. Imaginamos que os EBEs continuamente visitavam a Terra, e provavelmente a mapearam. Entretanto, a data era em oito anos no futuro".

"Nossos militares pensaram que algo estava errado, e talvez os EBEs confundiam o tempo da Terra com o deles. Depois de uma longa série de mensagens, foi determinado que os EBEs chegariam a Terra em uma sexta, 24 de abril de 1964".

"Nosso governo, especificamente o MJ-12, se reuniu em segredo para planejar o evento. Decisões foram tomadas, e mudadas diversas vezes. Tínhamos cerca de 25 meses desde que recebemos a mensagem deles para preparar sua chegada. Após muitos meses de planejamento, o Presidente Kennedy decidiu aprovar um plano para mudar a equipe especial militar. A USAF (Força Aérea Americana), foi designada como a instituição que comandaria tudo".

"Oficiais da USAF escolheram cientistas civis para ajudar no planejamento e seleção de pessoal. O processo de selecionar os membros foi o mais difícil. Muitos planos foram sugeridos e depois mudados. Levou meses para os planejadores determinarem os critérios para cada membro da equipe. Eles decidiram que cada membro deveria ser militar, solteiro, sem filhos e funcionário de carreira. E deveriam ser treinados em diferentes áreas".

"Sr. Presidente, uma equipe de 12 homens foi selecionada" .

"Quando chegou o momento, estávamos prontos. A aterrissagem ocorreu no Novo México. Tínhamos tudo preparado. Nós preparamos um local de pouso falso para o caso de haver algum vazamento. O pouso ocorreu e saudamos os EBEs. Entretanto, um problema aconteceu. Eles não estavam preparados para aceitar receber nosso pessoal. Tudo foi colocado em espera".

"Finalmente, em 1965, os EBEs aterrissaram em Nevada, nossos 12 representantes foram com eles, e um deles ficou conosco".

"Sr. Presidente, nossa equipe de 12 foi ao planeta dos EBEs por 13 anos. A missão original previa uma estadia de 10 anos, entretanto, por causa do estranho período de tempo de seu planeta, a equipe permaneceu lá por três anos adicionais. Dois morreram no planeta, e outros dois decidiram ficar".

Reagan: "OK, isso é simplesmente incrível! Eu entendo, sobre o filme. O filme foi baseado em um evento real. Eu assisti esse filme. Foram 12 homens, com Richard Dreyfuss".

Nota do Renato: Richard Dreyfuss, o ator que interpreta Roy Neary em Contatos Imediatos do Terceiro Grau.

Casey: "Sr. Presidente, sim, o filme foi similar ao evento real, ao menos a última parte do filme".

Verdade, ficção ou alguma outra coisa?

Esta seção da alegada transcrição de um briefing de inteligência para o Presidente Ronald Reagan pode ser lida em sua totalidade em Serpo.org ( www.serpo.org ?). O moderador do site ainda publicou algumas informações adicionais.

Ele indica que outras informações podem ser liberadas como parte das atividades de preparação das pessoas.

Esta transcrição é real ou uma fraude? Será verídica, completamente falsa, ou combina verdade e desinformação? Não há realmente meios de saber, a este ponto.

Como outras informações em Serpo.org a respeito de um alegado programa de intercãmbio com ETs, e todas as outras informações sobre UFOs, pode ser difícil diferenciar entre fato e ficção.

Entretanto, algumas vezes a verdade pode ser dita em um contexto ficional. Ficção baseada em fatos pode prover boas informações.

Será que Reagan e outros presidentes receberam esse tipo de informações? As circunstâncias descritas na alegada transcrição realmente existiram, ou algo similar a estas? De novo, quem sabe?

Sim, sabemos que essas coisas são possíveis. E, lá no fundo, talvez nossos instintos, ou intuição sobre a situação talvez nos façam imaginar se existe alguma verdade nesse tipo de informação.

Se olharmos dentro de nossos corações e mentes, e para os céus, talvez consigamos algumas respostas.

Nota ao leitor: Para mais informações, vejam o artigo de 1 de novembro de 2007, "Presidencial debate brings UFO issue to the surface". Para maiores informações sobre este e outros tópicos, por favor visite o Joint Recon Study Group e pesquise.

 

 

Seria isso O Dia em que a Terra Parou Original?

Antes de começarmos, vale a pena lembrar de um documentário, Dreamland, exibido no canal GNT no final dos anos 1990. Nessa apresentação produzida na Grã-Bretanha, era documentado tudo que se sabia sobre a Área 51 e os supostos projetos secretos do governo e dos militares norte-americanos para estudar não apenas a presença alienígena na Terra, mas também sua avançada tecnologia.

Dentro do documentário, um trecho foi dedicado a um suposto programa secreto, intitulado Cosmic Journey, destinado a "educar" a população mundial quanto a existência de vida extraterrestre. O programa nada falou a respeito, mas algumas duvidosas fontes fizeram circular pela Internet que um dos participantes de tal projeto seria Steven Spielberg.

Então, não podemos simplesmente assinar embaixo do texto que virá a seguir. Indícios de que muitos dos governos do mundo possuem extensos arquivos sobre o fenômeno ufológico, que pode representar visitas de civilizações alienígenas a nosso planeta, existem a profusão, inclusive no Brasil.

Recentemente, seguindo o exemplo da França, a Inglaterra começou a liberar seus arquivos secretos ufológicos, e os próprios ufólogos brasileiros, agrupados ao redor da revista UFO, pretendem por meio do Dossiê UFO Brasil que o governo brasileiro também abra seus arquivos.

Essa gradual abertura poderia significar que pode ter chegado a hora de a verdade finalmente começar a ser conhecida. Quanto a produções de Ficção Científica fazerem parte desse esforço, para gradualmente ir preparando a humanidade terrestre para conhecer nossos visitantes, não podemos afirmar com absoluta certeza.

Que cada um leia o que vem a seguir, e tire suas próprias conclusões!

O clássico da Ficção Científica de 1951, O Dia em que a Terra Parou, era parte de um programa de preparação para a realidade dos UFOs e das visias extraterrestres, com envolvimento da Força Aérea Norte-Americana, segundo uma alegada transcrição de uma reunião de agentes da inteligência com o presidente Ronald Reagan, em 1981.

A transcrição chegou a Internet em 30 de outubro de 2007, por obra de antigos membros da DIA, sigla em inglês para Agência de Inteligência da Defesa.

Reagan teve essa reunião em Maryland, em Camp David, entre os dias 6 e 8 de março de 1981, ou entre sexta e domingo. Outros altos funcionários e colaboradores do presidente também estavam presentes.

Segundo a alegada informação, o briefing foi apresentado por um empregado da CIA encarregado de cuidar e proteger todos os arquivos relacionados a questão das visitas extraterestres, e suas atividades na Terra. A transcrição inclui os esforços do governo americano para tanto enganar quanto informar o público sobre os ovnis e os alienígenas.

Em determinado ponto, o presidente Reagan relembra histórias de seu tempo de ator em Hollywood:

"Eu sempre soube que havia alguma forma de cooperação entre nosso governo e a indústria do cinema. Eu ouvia esses rumores ao longo dos anos... mesmo durante meu tempo como ator".

O funcionário da CIA então explicou ao presidente:

"Bem, Sr. Presidente, a primeira cooperação foi com o filme The Day the Earth Stood Still (O Dia em que a Terra Parou). Foi uma iniciativa da indústria do cinema e a Força Aérea Americana".

Surpreendentemente, não é esse o primeiro indício de um alegado esforço conjunto do governo americano com Hollywood sobre o assunto dos ovnis.

Muitos alegam que Walt Disney teria sido convocado pela USAF em 1957 para produzir um documentário para educar o público sobre as visitas alienígenas a Terra. Entretanto, supostamente após o começo do projeto, a Força Aérea o cancelou.

Em 1977, outro clássico da Ficção Científica, Close Encounter of the Third Kind (Contatos Imediatos do Terceiro Grau), também teria sido realizado co supervisão de pessoas com extenso conhecimento sobre os UFOs.

Nota do Aumanack: Isso é com certeza verdade quando lembramos que o saudoso pioneiro da ufologia, J. Allen Hynek, serviu como consultor do diretor Steven Spielberg. O próprio Spielberg, inclusive, agradece nos extras do DVD ao inestimável auxílio de Hynek, que também aparece no filme. Quando os primeiros abduzidos saem da imensa nave alienígena, Hyneck é o senhor de cavanhaque e terno azul, de barba e fumando cachimbo, que abre caminho entre os técnicos. Uma bela e justíssima homenagem ao grande pioneiro!

No começo do filme, a cena da perseguição policial aos ovnis em Ohio teria sido baseada em um incidente real.

E aquela misteriosa equipe de 12 pessoas, que aparece em diversas cenas, incluindo pouco antes da partida da nave-mãe, são também baseadas em uma missão real altamente secreta.

De fato, novamente segundo a alegada transcrição da reunião com o presidente Reagan, ele pergunta, baseado no que foi anteriormente dito a respeito de O Dia em que a Terra Parou:

"E aquele filme, Contatos Imediatos, também foi outro desses projetos?".

E o funcionário que fazia a apresentação responde:

"Sim, Sr. Presidente, nós fornecemos as informações básicas para aquele filme".

Reagan então pergunta:

"Foi baseado em um incidente real?".

E o funcionário responde, fornecendo ao presidente informações com uma descrição geral das atividades do governo americano desde o incidente em Roswell. As informações deixam Reagan extasiado:

"OK, é simplesmente incrível! Eu posso ver, sobre aquele filme. O filme foi baseado em um evento real. Eu assisti esse filme. Aqueles doze homens, ao lado de Richard Dreyfuss".

Nota do Aumanack: Como se sabe, o ator Richard Dreyfuss interpreta o técnico Roy Neary, que vem a ser escolhido como embaixador terrestre pelos alienígenas. Talvez os 12 indivíduos venham a ser uma referência ao também suposto e ultra-secreto grupo Majestic 12, um grupo de doze notáveis que literalmente controla todas as informações ufológicas e extraterrestres dos Estados Unidos.

Então o diretor da CIA na época, William Casey, diz a Reagan:

"Sr. Presidente, sim, o filme é similar ao evento real, ao menos a última parte do filme".

Com certeza o trabalho criativo em filmes, programas de TV, livros e outras mídias têm, especialmente nos últimos tempos, misturado mais e mais fatos com ficção.

São vários os exemplos de trabalhos ficcionais que contam com elementos de seu pano de fundo, baseados em parte ou no todo em eventos reais. As fronteiras entre fato e ficção estão cada vez ficando menos nítidas.

Não se pode com certeza afirmar ou negar que o extraordinário O Dia em que a Terra Parou original foi baseado em eventos reais, ou que os militares americanos tiveram qualquer participação no filme.

E possivelmente o mesmo pode ser dito a respeito da versão de 2008, estrelada por Keanu Reeves e Jennifer Connelly.

O mesmo obviamente vale para a extraordinária obra-prima de Spielberg, Contatos Imediatos do Terceiro Grau, com certeza o mais importante e impressionante filme sobre ovnis de todos os tempos.

Finalizando, embora seja um assunto interessantíssimo, é necessário o devido cuidado ao lidar com as informações da suposta reunião do presidente americano Ronald Reagan com agentes da inteligência especialistas em UFOs. A própria transcrição pode muito bem ser um trabalho que mistura fatos e ficção.

Como bem disse certa vez outro inesquecível personagem, "a melhor forma de apresentar uma mentira é ocultá-la entre duas verdades". Misturar verdade e mentira tem sido um efetivo método de desinformação, parte importante do trabalho de guerra psicológica, contra espionagem e atividades deg inteligência em geral. Especialmente no que toca ao alcance do conhecimento da sociedade sobre assuntos sensíveis, incluindo o das visitas alienígenas.

Por isso, em tudo que é pesquisado a respeito, vale usar de extremo cuidado para distinguir entre o que é fato e ficção. É evidente que nosso entendimento e ajustamento a essas surpreendentes situações, no que toca a esses extraordinários fenômenos, pode ser auxiliado por filmes, séries de TV, livros e outros trabalhos que exploram o assunto.

O mais importante é manter a mente aberta a todas as possibilidades, e sempre analisar e questionar as informações recebidas.

A verdade está lá fora, mas as mentiras também!

 

  




ANO II - Nº. 56

Publicado em:25.01.09

Palavras Iniciais

Para aumentar um pouco mais nosso conhecimento sobre a origem das raças, divulgo a matéria abaixo, pedindo notar que muitas das informações estão baseadas em "revelações" e outras na obra de Platão escrita 9.000 anos depois do eventual desaparecimento.



Autor: Eustáquio Andréa Patounas

De Fantastipedia

Atlântida [e a origem das raças]

Atlântida foi um grande continente que existiu e foi civilizado por mais de um milhão de anos e foi destruído pouco a pouco por quatro catástrofes sucessivas. A grande ilha descrita por Platão teria sido apenas seu último resíduo, desaparecido em 9564 a.C. O apogeu dessa civilização teria ocorrido entre 1.000.000 a.C. e 900.000 a.C. e teria sido caracterizado por uma avançada tecnologia mágica, baseada em uma energia psíquica chamada vril, com a qual teriam sido construídos barcos voadores, criadas novas espécies de plantas e animais, evitadas as eras glaciais e transmutados os elementos, inclusive metais comuns em ouro e prata.

A "Cidade dos Portais de Ouro" (no original, City of the Golden Gates) descrita como capital dessa civilização assemelha-se à Atlântida de Platão quanto à disposição em anéis do seu centro, mas supostamente desapareceu muito antes e difere dela em detalhes importantes. A Atlântida de Platão é basicamente plana com uma pequena colina central, enquanto a teosófica é disposta sobre uma ampla elevação. Enquanto em Platão os fossos anulares estão no mesmo plano e são ligados por túneis navegados por trirremes, na versão teosófica estão em diferentes alturas e a água flui de um para outro em cascatas e essa água, em vez de provir de fontes naturais, é obtida de um aqueduto subterrâneo que a retira de um lago sobre montanhas vizinhas. Além disso, o plano geral da cidade de Platão é circular e tem o mar ao Sul, o da "Cidade dos Portais de Ouro" é retangular e tem o mar a Leste.

Descrições detalhadas dessa Atlântida e sua história, obtidas a partir de supostas visões e comunicações de espíritos, foram dadas nos livros teosóficos, principalmente os de Helena Blavatsky, W. Scott-Elliot, Annie Besant e C. W. Leadbeater, escritos no final do século XIX e início do século XX. Os principais pressupostos nos quais se baseavam, inclusive a possibilidade de afundamento dos continentes; as alegações sobre a evolução de plantas, de animais e humanos; as datas remotíssimas para a construção das pirâmides, Stonehenge e Karnak; e a antiguidade extrema das civilizações tolteca e incaica foram refutados até o final do século XX.

Até 800 mil anos a.C.

Há um milhão de anos, o continente da Atlântida estendia-se da latitude da Islândia à do Rio de Janeiro, abrangendo o Texas, o golfo do México, o leste da América do Norte até o Labrador, a Escócia, a Irlanda e parte do Brasil.

Segundo os teósofos, esse continente serviu ao desenvolvimento da "raça atlante" ou "segunda raça-raiz", que se subdividiu em sete sub-raças. Enquanto as três primeiras, rmoahal, tlavatli e toltecas, são chamadas "raças vermelhas", as quatro seguintes são consideradas "amarelas", embora, segundo Scott-Elliot, os turanianos e mongólicos tivessem essa tez enquanto os semitas e acadianos eram brancos. Segundo Scott-Elliot, os primeiros turanianos e os semitas originais, surgiram neste período e as duas seguintes, acadianos e mongólicos, no período seguinte.

Os rmoahal

A primeira "sub-raça" da "raça atlante" teria sido a rmoahal, surgida há 3 milhões de anos em uma parte da Lemúria (já desaparecida neste período) situada na atual Gana. Eram cor de mogno e tinham 3 a 3,6 metros de altura. Migraram para as costas meridionais de Atlântida. Ali, uma parte uniu-se a lemurianos negros, dando origem às "raças" negras que mais tarde se tornariam escravos dos atlantes e outra migrou para o extremo nordeste, onde tomou uma coloração mais clara. No final do período deste mapa era "razoavelmente louro".

Eram, segundo Scott-Elliot, "incapazes de desenvolver um programa de governo fixo" e vivam da caça e da pesca. Os animais que caçavam incluíam mamutes peludos, elefantes, hipopótamos, marsupiais e seres intermediários entre répteis e mamíferos, ou entre répteis e aves.

Sua religião era o culto de Manu, o governante divino que os orientou no início, e dos antepassados. Ele identificou entre seus descendentes o "homem de Furfooz" (crânios braquicéfalos encontrados na Bélgica, do mesolítico, cerca de 11000 a.C.) e os lapões.

Os tlavatli

Em uma ilha ao largo da costa ocidental da Atlântida, no atual México, surgiu a segunda sub-raça, chamada tlavatli, que dali se espalhou para o centro e norte da Atlântida propriamente dita. Eram robustos e de cor vermelho-acastanhad a, menos altos que os rmoahals, a quem impeliram mais para o norte. Seus principais povoados situavam-se nas regiões montanhosas do interior, que mais tarde formariam a ilha de Poseidônis, mas também ocupavam as costas setentrionais. Suas tribos ou nações eram governadas por chefes ou reis aclamados pelo povo, normalmente os mais vigorosos e destemidos.

Além da caça e da pesca, os tlavatli praticavam um sistema de cultivo aldeão. Além de Manu, cultuavam um Ser Supremo cujo símbolo era o Sol, em círculos de monolitos aprumados no alto dos morros, semelhantes a Stonehenge, que representavam as estações e serviam de observatório. Chegaram a estabelecer um império considerável, com um rei como chefe nominal, ainda que sua autoridade fosse mais honorária do que real.

Seus descendentes incluiriam o homem de Cro-Magnon, os índios patagões e algumas "tribos pardas de índios da América do Sul" Ao se miscigenarem com lemurianos, também deram origem aos drávidas do sul da Índia. Birmaneses e siameses também possuem sangue tlavatli, misturado com uma das "sub-raças árias".

Os toltecas

A seguir, surgiu na costa ocidental a sub-raça tolteca, que governaria todo o continente de Atlântida por milênios. Era vermelho-acastanhad a, mas mais vermelha ou acobreada que a dos tlavatli. Possuía uma "feição séria, bem parecida com a dos antigos gregos". Sua estatura era em torno de 2,4 metros em seu período de apogeu. Desenvolveu o mais alto grau de divilização e organizou o mais poderoso império de todos os povos atlantes. Inicialmente dividida em vários pequenos reinos independentes, uniram-se em uma grande federação há um milhão de anos, com um imperador hereditário como chefe.

Por milhares de anos, essa sub-raça governou todos os reinos da Atlântida e também as ilhas ocidentais e a porção meridional do território adjacente a leste. Depois de 100 mil anos, iniciou-se a degeneração, desviando seus poderes psíquicos dos objetivos lícitos para propósitos egoístas e malévolos, conduzindo à chamada bruxaria.

No apogeu da era tolteca, a densidade demográfica na Atlântida era comparável à da Inglaterra ou da Bélgica da época de Scott-Elliot (1896), ou seja, cerca de 200 habitantes por quilômetro quadrado e a população mundial era de 2 bilhões de habitantes. O idioma tolteca era falado em todo o império, embora vestígios dos idiomas rmoahal e tlavatli sobrevivesssem em regiões remotas.

A Cidade dos Portais de Ouro

A capital era a chamada "Cidade dos Portais de Ouro", (no original, City of the Golden Gates), situada na costa oriental do continente, próxima do mar, a cerca de 15º ao norte do Equador (ao largo de Cabo Verde, aproximadamente a meio caminho entre a atual costa do Senegal e as Pequenas Antilhas). Abrigava cerca de dois milhões de habitantes em cerca de 200 km². Um parque circundava a cidade, onde ficavam as casas de campo dos abastados. A oeste, estendia-se uma cadeia de montanhas, entre as quais, a uma altitude de 792 m, se localizava o lago de onde vinha a água. O aqueduto principal era de seção oval, de 15 m por 9 m e levava a água, através do subsolo, a um enorme reservatório em forma de coração na base da colina onde se erguiam a cide e o palácio. A partir desse reservatório, um poço perpendicular, de 152 m de altura, atravessava a rocha maciça e levava a água a jorrar nos jardins do palácio.

A cidade foi construída nas enconstas de uma colina que se erguia cerca de 152 m acima da planície. No topo da colina ficava o palacio e os jardins do imperador, de cujo centro jorrava um fluxo incessante de água que, depois de abastecer o palácio e as fontes dos jardins, fluía em todas as direções, despencando em forma de cachoeiras e formando um canal ou fosso que circundava as terras adjacentes ao palácio, separando-as da cidade que se estendia mais abaixo, em cada face da colina. A partir desse canal, quatro regos conduziam a água, passando pelas quatro zonas da cidade, até as cachoeiras que, por sua vez, formavam outro canal circundante num nível mais baixo. Havia três desses canais em círculos concêntricos. Um quarto canal, de traçado retangular, recebia os fluxos e despejava-os no mar. A cidade estedia-se até a margem do fosso exterior.

A zona mais alta, abaixo dos jardins do palácio, caracterizava- se por uma pista circular de corridas e jardins públicos. A maioria das casas de funcionários da corte também ficavam nessa zona, bem como a Casa dos Estrangeiros, que hospedava os viajantes à custa do governo. As casas separadas dos habitantes e os templos ocupavam as outras duas zonas. As famílias mais pobres moravam no norte da zona mais baixa e além do canal mais exterior, perto do mar e dedicavam-se, na maioria, à navegação.

Tecnologia

Segundo Scott-Elliot, os toltecas da Atlântida foram inferiores à "raça árica" na maioria dos campos de atividade, mas excederam os europeus do seu tempo (1896) nas conquistas científicas. Os ricos usavam uma espécie de veículo voador, barcos aéreos com capacidade para dois a oito passageiros. Os primeiros foram construídos de tábuas finíssimas de madeira, nas quais se injetava uma substância que lhes fornecia maior resistência. Mais tarde, foi usada uma liga de dois metais brancos e um vermelho, resultando em um metal branco semelhante ao alumínio, mas mais leve, que /era soldado eletricamente. De madeira ou metal, eram perfeitamente lisos por fora e brilhavam no escuro. Assemelhavam- se a um barco, mas eram cobertos. No princípio, eram movidos pelo vril (energia psíquica), depois por meios mecânicos. A velocidade máxima era de 160 km/h e não podiam transpor morros de mais de 300 metros de altura. Seu percurso era em forma de longas ondulações, aproximando- se e afastando-se do solo. Os atlantes também usavam a mesma energia para levitar grandes blocos de pedra e realizar suas grandes construções.

No período de decadência, navios de guerra aéreos, planejados para transportar 50 a 100 combatentes, substituíram os tradicionais. Usavam como arma tubos que emitiam o mesmo jato de ar que servia como propulsão, de maneira a destruir o equilíbrio do navio inimigo e virá-lo de borco, para depois ser atacado com esporão. Embarcações marítimas eram impulsionadas por meios análogos. Usavam-se também explosivos e, nos últimos tempos de Atlântida, companhias inteiras eram destruídas em combate pelo gás nocivo roduzido pela explosão de uma bomba acima de suas cabeças, lançadas por alguma espécie de alavanca.

Por outro lado, a música era rudimentar e os instrumentos, primitivos. Gostavam de cores e afrescos ou desenhos decorativos em matizes brilhantes decoravam as casas por dentro e por fora, mas a pintura nunca se firmou como arte pura. A escultura, por outro lado, era de qualidade excepcional. O material de escrita consistia em finas lâminas de metal com uma superfície branca semelhante à porcelana. Havia uma técnica para reprodução de texto, colocando-se sobre a lâmina escrita outra chapa fina, previamente mergulhada em um líquido especial.

Mesmo nas cidades, as casas eram cercadas por jardins ou separadas por terrenos comuns, mas sempre estruturas isoladas. Nos casos dos edifícios mais importantes, quatro blocos circundavam um pátio central, no meio do qual geralmente erguia-se uma fonte, cuja quantidade na "Cidade dos Portais de Ouro", fez com que esta fosse chamada também "Cidade das Águas". Uma torre se erguia em um dos cantos ou no centro de um dos blocos e uma escada espiral conduzia a uma cúpula pontiaguda usada como observatório. As janelas eram preenchidas com algo semelhante ao vidro, mas menos transparente. Escravos em grande número (na maioria, "rmoahal-lemurianos", capturados no sul do continente) estavam à disposição de quase todas as famílias, mas alimentavam- se e vestiam-se bem.

Templos e religião  

Os templos eram edifícios enormes, assemelhando- se às gigantescas construções egípcias, mas em estilo ainda mais prodigioso. As colunas eram, na maioria quadradas. Tinham também torres encimadas por domos, proporcionais em tamanho e magnificência, que eram usadas como observatórios e para o culto do Sol. Os interiores eram freqüentemente chapeados de ouro. Ouro e prata, fabricados em enorme quantidade por alquimistas, eram usados apenas para fins decorativos e não monetários. No início, um disco solar dourado, considerado o único emblema apropriado de Deus, era usado em todos os templos e captava os primeiros raios do sol nascente durante o equinócio da primavera ou o solstício do verão. Mais tarde, a imagem de um homem arquetípico foi adorada como representação do divino, retornando ao culto rmoahal do Manu.

Na época da decadência, os corredores dos templos foram rodeados por inúmeras capelas, às vezes de tamanho considerável, onde se encontravam as estátuas dos habitantes mais importantes, que tinham a seu serviço toda uma comitiva de sacerdotes para o culto cerimonial de sua imagem. Os mais ricos esculpiam-nas em oricalco, ouro ou prata; outros as faziam de madeira ou de uma pedra resistente e escura, semelhante ao basalto.

Economia, usos e costumes

Não havia mercadorias expostas nas ruas para venda: todas as transações eram efetuadas em particular, exceto nas datas estabelecidas para as grandes feiras públicas. Não havia sistema monetário oficial, mas pequenas peças estampadas de metal ou couro eram usadas como fichas. Perfuradas no centro, eram amarradas para formar um cinto, usado à cintura. Cada um cunhava seu próprio "dinheiro", que valia como reconhecimento de dívida, na medida dos bens com que pudesse garanti-lo. O portador da ficha tinha meios de avaliar os recursos do devedor por meio da clarividência.

Geralmente, a carne dos animais era posta de lado, mas comiam as partes que "nós" (ingleses vitorianos como Scott-Elliot, presume-se) nos abstemos de comer. Também bebiam o sangue e preparavam cozidos. Comiam também peixes, às vezes em grau adiantado de decomposição. Faziam pães e bolos de cereais bebiam leite e comiam frutas e vegetais. Os Iniciados, porém, eram totalmente vegetarianos. Uma bebida alcoólica fermentada esteve em voga, mas provocava uma excitação tão perigosa que foi proibida.

A lei permitia que um homem tivesse duas esposas, mas um grande número tinha apenas uma. A posição social das muleres era igual à dos homens e, se tivessem aptidão para adquirir a energia vril, podiam elevar-se acima do outro sexo. Participavam do governo e podiam ser escolhidas pelo imperador para representá-lo nas províncias como soberanas regionais.

As escolas e faculdades eram mantidas pelo Estado. Todas as crianças de ambos os sexos, passavam pela escola primária, na qual aprendiam a ler e escrever. As que mostrassem aptidão, junto com as crianças das classes dominantes, eram escolhidas aos doze anos para as escolas superiores, onde aprendiam medicina (herbologia e cura magnética), alquimia, matemátia e astronomia e a desenvolver o poder mental chamado de vril. As demais eram conduzidas às escolas técnicas: agrícolas, mecânicas ou de caça e pesca. Na época da decadência, as classes dominantes se tornaram mais exclusivistas, permitindo apenas a seus filhos o acesso à educação superior.

As escolas agrícolas de Atlântida criaram a aveia e outros cereais a partir do cruzamento do trigo (trazido de outro planeta) com ervas nativas e também desenvolveram a bananeira a partir de um melão alongado. Entre os animais domesticados, havia uma espécie semelhante a uma anta pequena, que era criado como os porcos de hoje. Grandes felinos, ancestrais do leopardo e do jaguar, e ancestrais dos cães, parecidos com lobos, também eram encontrados ao redor das habitações. Os carros eram puxados por pequenos camelos, ancestrais dos lhamas. Os ancestrais do alce irlandês vagavam pelas encostas dos morros como um gado montanhês semi-selvagem.

A terra e seus produtos, inclusive rebanhos e animais, eram considerados propriedades do imperador. Cada província tinha à sua frente, um vice-rei nomeado pelo imperador. O cultivo, a colheita e a pastagem dos rebanhos eram de sua alçada, bem como a administração das experiências agrícolas. Cada vice-rei tinha um conselho de consultores, versados em astronomia, pois tirava-se proveito das influências ocultas sobre a vida vegetal e animal. Era também comum o poder de produzir chuva e chegava-se a neutralizar as eras glaciais pelas ciências ocultas. Depois que se separava uma pequena porção para o governo central, os produtos eram divididos entre todos os habitantes. O vice-rei e seus funcioários recebiam as maiores porções, mas até os mais inferiores deviam receber o necessário para a subsistêcia e o bem-estar. Alguns produtos eram trocados com os de outras regiões.

Os "primeiros turanianos"

A sub-raça turaniana originou-se do lado oriental da Atlântida, ao sul da região montanhosa dos tlavatlis, migrando depois para as regiões setentrionais das terras a leste da Atlântida. Sua língua era baseada no tlavatli, da qual gradualmente se diferenciou. Essa sub-raça desenvolveu uma espécie de sistema feudal. Cada chefe era supremo e seu próprio território e o rei era apenas o primus inter pares. Os chefes que compunham o conselho de Estado ocasionalmente assassinavam o rei, substituindo- o por um deles. Eram uma raça violenta e bárbara, brutal e cruel, "como indica o fato de que uma grande quantidade de mulheres participavam de suas guerras", diz Scott-Elliot.

Como sofriam constantes derrotas nas batalhas com seus vizinhos toltecas, muito mais numerosos, tiveram como meta principal o aumento da população. Para isso, retiraram dos homens a responsabilidade por sustentar a família. O Estado cuidava e provia a subsistência das crianças, consideradas propriedade sua. Mas o sistema, por destruir os laços familiares, fracassou e foi abandonado.

Cultuavam uma trindade que personificava os poderes cósmicos do Universo como Criador, Preservador e Destruidor. Com a prática da bruxaria, alguns deles tornaram-se conscientes de elementais de poder e malignidade que animavam por sua vontade maléfica e pssaram a adorá-las em rituais manchados de sangue. Os descendentes dos turanianos incluem os chineses do interior e os astecas, que continuaram a praticar os rituais de sacrifícios humanos repudiados por seus predecessores toltecas.

Os "semitas originais"

A quinta sub-raça, os "semitas originais", surgiu na pouco atraente região montanhosa da península nordeste, correspondentes às atuais Escócia e Irlanda. Manteve-se durante séculos independente dos agressivos reis sulistas, até que começaram a se espalhar em várias direções. Os judeus e os "cabilas menos escuros das montanhas argelinas" seriam seus últimos descendentes relativamente puros.

Cultuavam uma Trindade antropomórfica, de pai, mãe e filho. Caracterizaram- se pelo desenvolvimento do pensamento racional, à custa da clarividência e de outros poderes psíquicos.

A decadência final

Cerca de 50 mil anos antes da primeira grande catástrofe, os seguidores da "magia negra" sublevaram-se e elegeram um imperador rival que, depois de muitas lutas e conflitos, assumiu o trono depois de expulsar o imperador "branco" de sua capital. Este reinstalou-se numa cidade fundada originalmente pelos tlavatlis, na extremidade sul da região montanhosa que, nessa época, era a sede de um dos reis tributários toltecas. Este colocou sua cidade à disposição do imperador, mas a maioria dos demais reis tributários transferiu sua vassalagem ao novo imperador. Contínuas batalhas foram travadas em diferentes pontos do império, recorrendo-se amplamente à bruxaria para suplementar o poder de destruição dos exércitos.

De 800 mil a 200 mil a.C.

Há 800 mil anos, uma primeira catástrofe reduziu a extensão da Atlântida e separou-a das Américas, enquanto Europa e África ganhavam extensão. As ondas precipitaram- se sobre a "Cidade dos Portais de Ouro" e exterminaram seus habitantes, o imperador "negro" e sua dinastia. Mesmo regiões que não afundaram foram varridas pelos vagalhões e transformadas em pântanos, permanecendo desertas e sem plantações por muitas gerações.

Passou-se um longo período antes que se estabelecesse um novo governo eficaz. Por fim, segundo Scott-Elliot, uma dinastia semita de bruxos entronizou-se na "Cidade dos Portais de Ouro", mas nenhuma autoridade tolteca destacou-se neste período. Pouco restava de seu puro sangue no continente de origem. As costas próximas do continente americano estavam, porém, povoadas por toltecas "puros".

Os tlavatlis estavam instalados nas costas ocidentais das Américas (Califórnia) e nas costas do extremo sul (Rio de Janeiro). Também eram encontrados nas regiões litorâneas orientais da ilha escandinava e na Índia.

Os turanianos ocupam as regiões litorâneas meridionais das terras a leste de Atlântida, no atual Marrocos e Argélia e também vagam em direção ao Oriente, povoando as costas ocidentais e orientais do mar asiático central.

Os "semitas" ocupam a oeste as terras que hoje formam os EUA e a leste, as costas setentrionais do continente vizinho.

Acadianos

Neste período, surge a sub-raça acadiana, numa terra a leste de Atlântida, a 42º de latitude norte e 10º de longitude oeste (ou seja, no atual Mar Tirreno, perto da atual Sardenha), que inicialmente se espalha para o leste, ocupando o atual Levante (Síria e Palestina) e chegando à Pérsia e Arábia. Mais tarde, invadiram Atlântida, travando inúmeras batalhas terrestres e navais com os semitas.

Os descendentes dos acadianos incluíram os antigos etruscos, os fenícios (inclusive os cartagineses) e os sumério-acadianos, mas os mais "puros" seriam os bascos.

Mongólicos

Surgiu também, a sub-raça mongólica, nas planícies da Tartária (Sibéria Oriental, a 63º de latitude norte e 140º de longitude leste), a partir de descendentes da sub-raça turaniana. Foi a única sub-raça "atlante" a jamais ter contato com seu continente materno.

Seus descendentes mais ou menos misturados com outras "sub-raças" incluiriam a maior parte dos povos do Extremo Oriente, inclusive japoneses e também alguns indígenas da América do Norte, pois alguns deles atravessariam o estreito de Bering.

Os malaios seriam resultado do cruzamento de mongólicos com lemurianos e os húngaros, de mongólicos com "árias".

Índia

A Índia foi ocupada por uma civilização atlante, que se estendia do sul até o mar que a limitava ao norte.

Egito

Cerca de 210 mil anos atrás, a degradação de Atlântida levou a "grande Loja Branca" a transferir-se para o Egito, então isolado e de população escassa. Ali fundou um império, a primeira "Dinastia Divina" do Egito.

Em alguma época dos dez mil anos seguintes foram constuídas as duas grandes pirâmides de Gizé, para proporcionar salas de iniciação permanentes e atuar como casa do tesouro e santuário de algum grande talismã durante a submersão que se sabia iminente (na verdade, essas pirâmides foram construídas na IV Dinastia, entre 2580 a.C. e 2480 a.C.). A "grande Loja Branca" continuaria a ter sua sede no Egito até cerca de 10.000 a.C., quando foi transferida para Shambhala.

De 200 mil a 75.025 a.C.

Há 200 mil anos, uma segunda catástrofe, causada pela difusão da magia negra entre os atlantes, dividiu o restante da Atlântida em duas grandes ilhas, Ruta e Daitya.

O Egito foi submerso, mas muitos de seus habitantes se refugiaram nas montanhas abissínias, transformadas em ilha. Quando tornou a emergir, foi povoado pelos descendentes desses refugiados, bem como por novos grupos de colonos atlantes e uma considerável imigração de acadianos alterou o tipo físico egípcio. Esta é a era da segunda "Dinastia Divina" do Egito, na qual os Adeptos Iniciados voltaram a governar o país.

Ruta

Em Ruta, uma dinastia tolteca devotada à magia negra ascendeu ao poder e governou, através de seus reis tributários, uma grande porção da ilha. Um imperador ou rei iniciado - ou pelo menos alguém que conhecia a "boa lei" -, governou em alguma parte da ilha a fim de refrear os bruxos malignos na medida do possível e orientar e instruir a minoria disposta a levar uma vida pura e saudável.  

Segundo Scott-Elliot, por volta de 100.000 a.C., o futuro espírito de Gautama Buda encarnou-se para ensinar uma nova religião a um grupo de semitas das montanhas setentrionais de Ruta, isolando-os, proibindo-os de se casar com outras tribos e preparando-os para uma futura migração para uma "terra prometida", onde estariam livres do futuro cataclisma. Seus seguidores trouxeram também prosélitos de outras terras. Isto contradiz Blavatsky e Besant, que em outras obras dizem que a "semente da raça ariana" foi separada há um milhão de anos.

Daitya

Em Daitya, segundo Scott-Elliot, foi retomada a luta entre semitas e acadianos. Também há cem mil anos, os acadianos venceram e estabeleceram sua dinastia na antiga capital semita, que governaram com sabedoria. Tornaram-se grandes comerciantes, navegadores e colonizadores, establecendo muitos núcleos que serviam de pontos de ligação com terras distantes. Também avançaram para o Oriente, ocupando as futuras costas da Síria e Palestina e chegaram à Pérsia e Arábia. Viviam em comunidades sedentárias e criaram uma forma oligárquica de governo. Uma de suas características era o sistema dual de governo, onde dois reis governam a mesma cidade. Em conseqüência de sua aptidão naval, o estudo das estrelas tornou-se uma atividade característica e realizaram grandes progressos na astronomia e astrologia.

Annie Besant e Leadbeater contam uma história diferente e peculiar sobre o que aconteceu em Daitya nesse período. Por volta de 100.000 a.C., as nações cultas da Atlântida se dividiram em dois campos opostos. Um deles, liderado pelo Imperador Branco, tinha por metrópole sagrada a antiga "Cidade dos Portais de Ouro" e conservava o tradicional culto do Sol. Mas reinos distantes, governados por vice-reis, se declararam independentes e estabelecerm uma confederação liderada por um homem chamado Oduarpa, cujos exércitos o aclamaram como "Imperador do Sol da Meia-Noite".

Para fazer oposição ao Imperador Branco, Oduarpa recorreu às artes negras, pactuou com os moradores do mundo inferior - sombrios espíritos da Terra, que formam o "Reino de Pã" - e estabeleceu um culto que atraísse o povo por meio dos prazeres sensuais e dos impios poderes mágicos colocados em mãos de seus adeptos. Graças a seu pacto com as potestades tenebrosas, prolongou sua vida além do término normal e tornou seu corpo invulnerável por meio da materialização de uma couraça metálica que o escudava dos pés à cabeça como uma cota de malha. Nos ritos mágicos celebrados em criptas subterrâneas para adorar Oduarpa, os adeptos se vestiam de peles de animais, tocavam címbalos, bebiam licores ardentes e praticavam orgias, às quais se uniam bípedes peludos de braços longos e garras nos pés e mãos, com cabeça de bruto e cobertos de crinas que lhes caím sobre os ombros. Levavam caixas com ungüentos com que lambuzavam os dissolutos e redomas com uma bebida. Os orgiastas então caíam ao solo em mistura, e de cada monte surgia uma forma animal que desaparecia da cripta para sumir na noite. Essas materializações astrais, ferozes e inconscientes, tomavam a forma de fantasmas (ghosts), duendes (goblins) e outras entidades malignas que davam rédeas soltas à luxúria e crueldade ocultas nos humanos. Com as queixadas jorrando sangue e a pele enlameada de imundícies, voltava antes que apontasse o dia e, agachando-se sobre os corpos amontoados, neles se fundiam e desapareciam.

Por fim, Oduarpa reuniu um grande exército e marchou para a "Cidade dos Portais de Ouro", contando com as armas e com o terror infundido por seus magos negros em figuras de animais que, materializados em corpos físicos, devoravam seus iimigos. Quando era incerto o êxito da batalha, Oduarpa soltava seus diabólicos aliados, que semeavam o pânico a dentadas e rasgões e perseguiam o inimigo em fuga, com o acréscimo de que a tropa de feiticeiros criava também formas animais para se infundirem nos cadáveres. O conquistador venceu e tomou o título de "Rei Divino".

Mais tarde, o Manu marcou contra ele com um poderoso exército. Sua presença pôs em fuga os "súditos do reino de Pã" e desvaneceu as formas mentais plasmadas pela magia negra. O exército de Oduarpa foi desbaratado e seu líder derrotado voou para uma torre que foi incendiada, queimando-o dentro de sua couraça metália materializada.

O Manu purificou a cidade e restabeleceu o governo do Imperador Branco por algum tempo, mas a malignidade readquiriu poderio e tomou novo incremento no centro meridional. Por último, o mesmo "Senhor da Face Tenebrosa" apareceu reencarnado e se pôs outra vez em luta contra o Imperador. Então a Hierarquia Oculta pronunciou a sentença que resultou na catástrofe de 75.025 a.C, na qual a "Cidade dos Portais de Ouro" desapareceu definitivamente. O Imperador Branco avisou seu povo e alguns escaparam em vimanas (veículos aéreos) para o Oriente e o Norte.

Uma obra anterior de Annie Besant, The Pedigree of Man, de 1903, descreve aparentemente o mesmo episódio em termos algo diferentes. O rei-demônio do sul é chamado Thevatat e seus seguidores são os Asuras, cujos chefes esculpiram figuras gigantescas de si mesmos e fizeram-se adorar como deuses. Também fundaram o culto do falo. Com seus poderes mágicos sobre-humanos, impuseram um reino de terror. Ajudados por animalescas mulheres lemurianas e "processos mágicos de repugnância inexprimível" produziram poderosos monstros com a força dos brutos e a astúcia dos selvagens e lhes deram como almas os piores tipos de elementais. Tratam-se, presumivelmente, dos ancestrais dos símios antropóides. Segundo outras obras teosóficas, as mais semelhantes aos humanos dentre essas criaturas foram implacavelmente caçadas até a extinção por humanos posteriores, que deixaram sobreviver apenas as mais animalescas, que hoje conhecemos como chimpanzés, gorilas e orangotangos.

Stonehenge

Stonehenge teria sido construída por acadianos descontentes, segundo Scott-Elliot

Ainda há cerca de 100 mil anos, uma colônia de Iniciados acadianos - "mais altos, mais bonitos e mais espertos do que os aborígines da região, remanescentes degenerados dos rmoahal" -, fundou Stonehenge (na realidade, construído a partir de 3100 a.C., sendo que os monólitos hoje visíveis são de 2200 a.C.). Sua rude simplicidade, similar à dos antigos templos tlavatli do sol, foi planejada para servir de protesto contra os ornamentos extravagantes e a exagerada decoração dos templos existentes na Atlântida, onde os habitantes prosseguiam com o degradante culto de suas próprias imagens.

Arábia

Em 79.797 a.C., o Manu reuniu no litoral o povo segregado por Gautama para levá-los ao Oriente, formado, à época, por 7.500 semitas, 750 acadianos e 750 toltecas. Atravessaram o mar do Saara em 33 navios e prosseguiram a pé pelos sul do Egito até a Arábia. Levaram consigo "rebanhos dum animal que parecia um cruzamento de búfalo e elefante com algo de porco", que lhes servia de alimento quando faltavam provisões, embora normalmente fosse considerado valioso demais para tal emprego. O monarca egípcio, seguindo as tradições toltecas de que outras raças existiam para serem exploradas por eles, seduziu alguns deles a ficar no Baixo Egito.

Os demais foram estabelecidos em vales dos planaltos árabes. Alguns deles se tornaram fanáticos e prepararam-se para atacar os desertores estabelecidos no Egito. Os egípcios exterminaram os fanáticos, mas foram vencidos ao tentar atacar os vales onde viviam os demais. Ali produziram frutos insípidos semelhantes à maçã, colhiam uma fruta grande como uma cabeça de homem e viscosa e pegajosa como uma tâmara, e uma fruta do tamanho do coco que deixava farinha e açúcar ao ser fervida.

Ao fim de cerca de dois mil anos (77.800 a.C.), tornaram-se uma nação de vários milhões, isolados do resto do mundo por um cinturão de areia que as caravanas podiam alcançar por um só caminho de oásis, perto da atual Meca. Os menos desejáveis eram encorajados a migrar para o sul da Palestina ou o sul do Egito e numa dessas colônias se desenvolveu o cavalo. Ao cabo de três mil anos (76.800 a.C.), a meseta estava tão densamente povoada que parecia uma enorme cidade. Um grande número foi enviado à África para fundar uma colônia, mais tarde exterminada.

Mar de Gobi

Pouco antes da catástrofe de 75.025 a.C., o Manu escolheu 700 de seus próprios descendentes, educados em uma seita particularmente austera e os conduziu para o norte. Passaram por um império sumero-acadiano que compreendia a atual Turquia, Pérsia e adjacências e por uma confederação de turanianos feudatários desse império, em cujo território estava compreendido o atual Tibete. Após alguns anos, chegou às costas do mar de Gobi, que então se abria para o Pólo Norte. Instalou alguns de seus seguidores num promontório de frente para o nodeste e a maioria mais para o interior, em uma baixada entre colinas.

Do promontório, que era muito elevado, se distinguiam o mar de Gobi e a terra que teriam de habitar depois de passado o cataclisma iminente. A Ilha Branca, ainda invisível do promontório, estava no sudeste.

Outros povos

Os mongólicos tornaram-se um povo nômade. Mais psíquicos e mais religiosos que os turanianos dos quais descendiam, tenderam a uma forma de governo teocrático, no qual o governante territorial era também sumo-sacerdote.

De 75.025 a.C. a 9.564 a.C.

Na terceira catástrofe, de há 80 mil anos (75.025 a.C, segundo Leadbeater), Daitya quase desapareceu e Ruta reduziu-se em extensão para algo comparável à França e Espanha juntas (cerca de 1 milhão de km²). Nessa etapa, é conhecida como Poseidônis e corresponde à Atlântida de Platão, que desaparece totalmente com a quarta e última catástrofe, em 9.564 a.C.

Nesse período, segundo Scott-Elliot, a população de toda a ilha era mais ou menos mesclada. Dois reinos e uma pequena república, localizada a oeste, dividiam a ilha entre si. A região norte era governada por um rei Iniciado (na teosofia). No sul, o príncípio hereditário fora substituído pela eleição popular. As dinastias raciais aristocráticas estavam acabando, mas reis de linhagem tolteca ocasionalmente subiam ao poder, tanto no norte quanto no sul. O reino setentrional era constantemente invadido pelo seu rival sulista, que conquistava para si uma parte cada vez maior de seu território. Nos últimos dias, o rei "branco" do norte era, via de regra, eleito pelos sacerdotes - ou seja, pelos poucos que ainda seguiam a "boa lei". No afundamento desta última Atlântida, teriam perecido 64 milhões de pessoas.

Neste período, foi adotado em Atlântida um sistema semelhante à circulação monetária do século XIX e a montanha tríplice, que podia ser avistada da grande capital meridional (a Atlântida de Platão) era a imagem favorita na cunhagem oficial. O sistema coletivo de propriedade e cultivo da terra foi também substituído por um sistema de propriedade particular semelhante ao da Inglaterra do século XIX.

Algum tempo depois de 10.000 a.C., o imperador de Poseidônis começou a anexar os pequenos Estados das costas e ilhas do Mediterrâneo, na maioria acadianas (etruscas) e semitas. Apoderou-se se dificuldade da vasta ilha da Argélia e submeteu a Península Ibérica e a Itália. Marchou depois contra o Egito, que não era potência naval considerável e já estava prestes a se render, quando os atlantes foram desafiados pelos gregos. Metade da frota de Poseidônis foi lançada contra eles, mas os navios gregos, menores e mais ágeis, derrotou completamente a armada atlante. Os atlantes repetiram o ataque com a segunda metade, mas foram novamente derrotados. O imperador atlante teve de fugir e desembarcou na Sicília, onde dispunha de tropas, mas assim que se soube de sua derrota, os povos do Mediterrâneo se levantaram e ele teve de fugir pela Itália, seguir disfarçado pelo sul da França e voltar a seu reino num navio mercante. Tentou organizar outra expedição, mas então sublevaram-se tribos descontentes de sua própria ilha e, por todo o resto de seu reinado, não esteve de novo em condições de guerrear no estrangeiro.

Os "Árias"

Quando veio o cataclismo de 75.025 a.C., que consistiu em dois anos de convulsões e terremotos, o mar de Gobi foi fechado. Aterrorizada pelas convulsões e passando privações, a comunidade, que chegara a mil pessoas, ficou reduzida aos trezentos mais robustos.  

O Manu conduziu os sobreviventes à Ilha Branca, onde permaneceram e se multiplicaram até 70.000 a.C., quando famílias escolhidas foram estabelecidas em quatro vales no continente vizinho, que se estendiam por 32 km, para desenvolver ali quatro distintas sub-raças e enviá-las mais tarde a diferentes partes do mundo. A comunidade consistia então em sete mil habitantes e a Ilha Branca era agora conhecida como Shambhala (ou Shamballa, como grafam os livros teosóficos). Os turanianos vizinhos invadiram freqüentemente as vilas, mas poupavam a Ilha Branca, que consideravam sagrada. Grupos de crianças era escolhidos de tempos em tempos para serem enviadas a Shambhala para serem educadas como sacerdotes.

Em 60.000 a.C., a comunidade recebeu imigrantes toltecas de Poseidônis e formou-se então a "raça ária", que não sofreu mais extermínios. Uma centena de descendentes do Manu começaram a construir sua futura capital no continente, apesar de ainda não haver população para habitá-la. A construção durou mil anos e a capital veio a ser chamada de Manova (cidade do Manu) ou "Cidade da Ponte" (no original, City of the Bridge), devido à enorme ponte que a ligava à Ilha Branca.

Essa cidade atingiu seu zênite em 45.000 a.C., como capital de um império que incluía toda a Ásia Oriental e Central, do Tibete ao litoral e da Mandchúria ao Sião, além de dominar as ilhas do Japão, Taiwan, Filipinas e Indonésia até a Austrália.

Em 40.000 a.C., começou a decadência desse império. As ilhas e províncias mais afastadas "se declararam em bárbara independência". O reino central manteve-se satisfeito e tranqüilo por mais 25 mil anos, quando seus habitantes começaram a abandoná-lo e migrar para a Índia. A capital foi completamente abandonada em 9.700 a.C. Em 9.564 a.C., a mesma catástrofe que afundou Poseidônis reduziu a cidade a ruínas e alterou a geografia da Ásia Central, transformando o antigo mar em deserto. Continua, porém a ser a residência dos quatro Kumaras (os guardiões da Terra) e nesse lugar secreto se reúnem os Iniciados a cada sete anos. Suas ruínas ainda despertam admiração e a ponte continua de pé, conquanto só fluam por baixo dela as areias do deserto.

Arábes e Judeus

Scott-Elliot, em 1896, referia-se despectivamente aos supostos descendentes de "lemurianos" e "atlantes" e descrevia os judeus como um "elo anormal e antinatural entre a quarta e a quinta raças-raízes", mas o capítulo de Besant e Leadbeater (de 1910) sobre os árabes "árias" (ou "semitas arianos", segundo Jinarajadasa) deixou especialmente à mostra o racismo e o anti-semitismo latentes na Teosofia. Caricaturam a história lendária do povo judeu e justificam a imposição de um análogo do colonialismo inglês à África e até mesmo do apartheid à África do Sul.

Segundo Besant e Leadbeater, em 40.000 a.C., o Manu liderou uma das comunidades dos quatro vales, a que originou o povo árabe (que os teósofos consideram "árias") para retornar à Arábia e "arianizar" o povo deixado nos planaltos árabes e na costa somali no período anterior. Cerca de 150 mil combatentes e 100 mil mulheres e crianças atravessaram o império amigo da Pérsia e Mesopotâmia e o deserto. Foram inicialmente repelidos pelos locais, mas um chefe os autorizou a estabelecer- se em um vale despovoado, contando com sua ajuda para derrotar uma tribo vizinha. Depois de três anos, porém, os recém-chegados se recusaram a apoiar esse ataque e o chefe local se aliou com seu inimigo tradicional contra os recém-chegados. Foi depois derrotado, e o Manu passou a governar a ambos. Quarenta anos depois, a metade setentrional da Arábia lhe estava sujeita e podia considerar-se definitivamente "ária".

No Sul, porém, um fanático chamado Alastor (nome de um gênio maligno do paganismo romano, depois incorporado à demonologia cristã) pregou ao povo que pertenciam a uma raça escolhida e não podiam misturar seu sangue ao de estrangeiros. Uniu as tribos do sul e se opuseram ao Manu em nome de seu próprio mandamento original.

Alguns séculos depois, um monarca do norte aproveitou-se de discórdias internas do Sul e conquistou-o, tornando-se imperador de toda a Arábia. Entretanto, um grupo de fanáticos, liderados por um profeta, abandonaram a pátria conquistada e se estabeleceram na fronteiriça costa somali, onde subsistiram por alguns séculos sob o governo do profeta e seus sucessores, até que um destes, que continuava a pregar a pureza da raça, "amancebou-se" com uma jovem negra do interior, alegando que estas deviam ser consideradas como escravas, mercadorias ou gado, não como esposas.

Alguns aceitaram o pronunciamento e o imitaram, enquanto uma significativa minoria se rebelou. Estes, liderados por um ambicioso pregador, rodearam o golfo de Aden, chegaram à costa do Mar Vermelho e se encaminharam para o Egito, onde o faraó, lhes ofereceu um distrito fronteiriço. Ali viveram e prosperaram por séculos, sem se misturar com os egípcios. Mas veio um tempo em que um faraó quis tributá-los e forçá-los ao trabalho em obras públicas. Em conseqüência, migraram para a Palestina, onde se estabeleceram e vieram a ser o povo judeu.

Os que ficaram na Somália acabaram expulsos pelos africanos e tiveram de voltar à Arábia, onde foram absorvidos na massa da população, mas mantêm os sinais de mistura com os negros.

Os árabes "árias" vieram a estender seu domínio por quase toda a África, exceto o Egito. Governaram a grande ilha de Argélia. Fundaram também colônias na costa ocidental da África, mas ali foram derrotados e repelidos pelos guerreiros de Poseidônis.

Ao longo da costa oriental, chegaram ao Cabo da Boa Esperança, onde fundaram um reino que abrangia a Matabelelândia (Zimbábue), Transvaal (África do Sul) e Lourenço Marques (Moçambique), onde edificaram grandes cidades e templos (Besant e Leadbeater referem-se às ruínas de Zimbábue, construídas por povos bantus a partir do século XI, embora a oligarquia branca local tenha negado e mesmo censurado as evidências até 1980, quando foi obrigada a entregar o poder). "Mas entre o atraso dos africanos e a cultura dos árabes se abria um abismo impossível de transpor, e por isso os africanos ficaram em completa sujeição, como lavradores e criados". Esse império invadiu a ilha de Madagascar, mas conseguiu apenas manter colônias em sua costa.

Um rei árabe lançou-se em conquista do império sumero-acadiano da Pérsia, Mesopotâmia e Turquestão, que havia se desmembrado. Dominou a Mesopotâmia e a Pérsia, mas foi derrotado pelas tribos do Curdistão. O governador da Pérsia depois se separou, mantendo ali uma dinastia árabe que durou dois séculos. Outro monarca árabe tentou conquistar a Índia, mas foi derrotado.

Iranianos

Em 30.000 a.C., um grupo de "árias" do segundo vale, ao qual havia se unido um grupo de acadianos, deu origem a uma outra sub-raça, mais pastoril que agricultora. Depois de multiplicar- se por dois mil anos, reuniram um exército de 300 mil combatentes, que conquistou uma grande parte da Ásia depois dividida em dois reinos, um da Ásia Central, outro da Pérsia e Mesopotâmia, estabelecendo- se com um milhão de pessoas. Em 29.700 a.C., o "primeiro Zaratustra" fundou a religião do fogo. O culto dos astros permaneceu, porém, na Mesopotâmia, ou Caldéia.

Caldéia

Na Mesopotâmia, viviam tribos rivais de turanianos semi-selvagens que se mantinham do cultivo rudimentar da terra até 30.000 a.C., quando lhes chegou do Oriente um grande chefe de raça "ária", nomeado governador pelo rei da Pérsia. Este teria fundado uma civilização que os autores descrevem, em 19.000 a.C., como devotada à astrologia e ao culto dos planetas do Sistema Solar.

O povo era dividido em dez classes de acordo com seus planetas regentes, cada uma com suas escolas separadas, seus ritos e seus preceitos próprios. Os templos dos planetas, representados por cúpulas coloridas, se erguiam a distâncias progressivas do grande Templo do Sol, representando um sistema solar heliocêntrico (com o Templo da Lua no lugar da Terra). Além do Sol, eram cultuados Vulcano (planeta inexistente, mas sobre o qual ainda se especulava em 1910, quando Besant e Leadbeater publicaram sua obra), Mercúrio, Vênus, Lua, Marte, Júpiter, Saturno, Urano e Netuno. Mais tarde, a Caldéia foi invadida por hordas de bárbaros fanáticos, que destruíram esses templos e foram, por sua vez, expulsas por acadianos das montanhas setentrionais que, ao se misturar com os turanianos, constituiu a nação sumero-acadiana (ou a segunda com este nome: neste ponto, Besant e Leadbeater aparentemente se esqueceram do povo com o mesmo nome mencionado no período anterior).

Celtas

No terceiro vale, o Manu desenvolvera uma elite de grande beleza física e especializada em imaginação, sensibilidade artística, poesia, oratória, música e pintura, servida por agricultores e trabalhadores devotados por seus líderes. Criou-se uma sub-raça presunçosa e vaidosa, que considerava os demais habitantes do reiino como filisteus, que Besant e Leadbeater chamaram de "celtas", embora supostamente incluam os ancestrais de muitos outros povos. Em 20.000 a.C., o Manu os enviou para se instalarem no Cáucaso, Frígia e Ásia Menor, formando uma poderosa federação de tribos.

Pelo ano 10.000 a.C., retomaram a marcha para o Ocidente. O primeiro grupo a se estabelecer na Europa foi o dos gregos antigos, os que, segundo Platão, repeliram mais tarde os invasores da Atlântida, chamada aqui de Poseidônis.

O segundo grupo foi o dos albaneses, o terceiro o dos itálicos e o quarto o dos celtas propriamente ditos, que ocupou a França, Bélgica, Ilhas Britânicas, norte da Itália e Alemanha a oeste do Reno. O quinto foi para o norte da África, onde se misturou aos semitas e para a Península Ibérica, onde se misturou com o quarto grupo. Um sexto grupo foi para a Escandinávia e de lá desceu, misturada com os teutônicos, para a Irlanda, onde foram conhecidos como os Tuatha de Danaan.

Teutões

No quarto vale, mais apartado da capital, na costa norte do Mar de Gobi, o Manu preparou a quarta sub-raça, à qual acrescentou os melhores exemplares das sub-raças persa e árabe, resultando em um tipo de estatura elevada, cabeça longa, cabelos claros e olhos azuis. Predominava nela a aspereza e a persistência, com menos audácia que a sub-raça celta e qualidades mais adequadas aos negócios e ao senso prático, com tonalidades de brusca sinceridade e retidão, visando mais o concreto do que o poético. Em 20.000 a.C., a enviou, ao mesmo tempo que os celtas, pela costa do Mar Cáspio até o Daguestão, onde permaneceu por milhares de anos, estendendo-se pelas encostas setentrionais do Cáucaso e ali permaneceu até mil anos depois da catástrofe de 9.564 a.C., quando "empreenderam a marcha para o domínio do mundo".

No início do período, a Índia foi ocupada, assim que ficou suficientemente seca, por hostes atlantes que penetraram pelos desfiladeiros do Himalaia e criaram uma esplêndida civilização.

Por volta de 20.000 a.C., os mongóis e turanianos, por tanto tempo submetidos aos "ários", recuperaramdê ncia e o reino cuja capital era a "Cidade da Ponte" ficou sumamente reduzido. Em 18.875 a.C., o Manu voltou sua atenção para o que restava da sub-raça raiz e para a Índia, povoada por uma civilização tolteca decadente, visando isolar Shambhala (por que a "raça ária" tinha que crescer sem vigilância externa) e "arianizar" a Índia. Uma das tribos periféricas migou até a Índia, onde aliou-se ao rei Podishpar da Índia setentrional.

O rei da Índia do sul considerou os migrantes do norte especialmente aptos para o ofício sacerdotal e o ofereceu a eles em caráter hereditário. Os que aceitaram se tornaram os ancestrais dos brâmanes do sul da Índia. Outros casaram-se com a aristocracia tolteca e arianizaram pouco a pouco as classes superiores, até que, com a morte do herdeiro, foi escolhido um monarca "ária" e o sul da Índia passou para seu domínio.

Em 17.520 a.C., uma segunda massa migratória partiu do centro da Ásia para o Punjab. Em 17.455 a.C., uma terceira chegou à atual Delhi, onde fundou uma cidade chamada Ravipur ou Cidade do Sol. Em 15.950 a.C., três exércitos foram enviados a Bengala por três rotas diferentes, numa marcha que durou quarenta anos. Daquela época em diante, houve seguidas ondas migratórias.

Alguns "árias" de talento estudaram a filosofia dos toltecas, aos quais deram o nome de nagas. Às classes inferiores da povoação atlante, compostas em sua maioria dos morenos tlavatlis, as chamara dasyas, enquanto que aos negros, descendentes de lemurianos, apelidavam de daityas e takshakas.

Pelo ano 13.500 a.C., o reino ário da Índia meridional enviou uma expedição ao Egito. O faraó os acolheu, deu sua filha em casamento ao chefe da expedição e o nomeou herdeiro, estabelecendo também no Egito uma dinastia "ária", que permaneceu até o afundamento de Poseidônis e sob a qual as escolas do Egito grangearam sua maior fama lideraram o saber do mundo ocidental. Do sul da Índia também foram enviados colonos a Java, Ausrália e Polinésia.

As contínuas emigrações despovoaram completamente o reino da Ásia Central pelo ano 9.700 a.C. As convulsões provocadas pelo cataclisma de 9.564 a.C. arruinaram a Cidade da Ponte e os templos da Ilha Branca. Os últimos bandos ficaram retidos no Afeganistão e Baluquistão por dois mil anos e muitos morreram nas mãos dos mongóis.

Mais tarde, por volta de 8.000 a.C., seria estabelecido o regime de castas. Os "árias" puros ("brancos") constituíram a casta brâmane; os mestiços de "árias" e "toltecas" ("avermelhados", a rajana; os de "árias" e mongólicos ("amarelos"), a vaishyas; e os sem qualquer sangue "ária", a shudra.

Américas

O sistema comunitário desaparecido de Atlântida se manteve nos grandes reinos toltecas se ergueram no México e Peru (na realidade, a civilização tolteca existiu do século X ao XII d.C., e a inca, de 1200 a 1532). Embora os toltecas do México tenham sido poderosos, nunca atingiram o apogeu alcançado pelos peruanos de 12000 a.C., sob o governo dos incas.

No tocante ao bem-estar, à justiça, à divisão igualitária da terra, à vida simples e religiosa dos habitantes e ao culto ao Sol, os teósofos consideraram o império peruano dessa época similar à idade de ouro dos toltecas na Atlântida. Annie Besant e Leadbeater descreveram vários detalhes sobre a vida desses "toltecas peruanos", muitos deles incompatíveis com as civilizações andinas reais ou mesmo com a flora e fauna das Américas.

Por exemplo, o uso de ferro e bronze, literatura escrita (em folhas de "porcelana flexível" ou "metal sílico"), quadros pintados em perspectiva, uso de arroz, inhame e leite na alimentação, tortas de milho coloridas e aromatizadas com romã (originária do Oriente Médio), goiaba (centro-americana) , baunilha e laranja (asiáticas). Fala-se também da criação de gatos de pelagem azul e do uso de roupas semelhantes às indianas, mas muito coloridas (azul para as mulheres), feitos de algodão, lã de vicunha ou fibras de agave (mexicana).

Os tlavatlis, neste período, são encontrados no extremo sul das Américas. Seus descendentes incluiriam os patagões.

Egito

No início do período, o Egito foi outra vez submerso, mas apenas por uma onda temporária. Quando esta refluiu, a terceira "Dinastia Divina" começou seu governo, durante o qual, segundo Scott-Elliot, foi erigido o templo de Karnak e uma grande parte das construções mais antigas do país (na realidade, os primórdios de Karnak são da 11ª dinastia, cerca de 2000 a.C. e as construções mais impressionantes são da 18ª e 19ª dinastias, de 1500 a.C. a 1200 a.C.).

Segundo Annie Besant e Leadbeater, porém, os primeiros a se estabelecerem nas terras pantanosas, mas já habitáveis, foram de "um povo de raça negra que permaneceu ali por algum tempo, deixando bárbaros vestígios de sua ocupação". Sucedeu-o então um novo império atlante-egípcio, com sua dinastia de reis divinos e muitos dos heróis que a Grécia honrou como semideuses, entre eles Héracles, o dos doze trabalhos. Também viveu neste período Tehuti ou Toth, chamado depois Hermes pelos gregos, que ensinou o culto de Osíris e Ísis e da "luz interna", antes de ir à Arábia, ensinar os chefes da sub-raça ali estabelecida.

No final do período, com a submersão definitiva de Poseidônis, outro tsunami atingiu o Egito. A calamidade foi temporária, mas pôs fim às "Dinastias Divinas", pois a Loja de Iniciados transferira suas sedes para outras terras.

A Atlântida Teosófica na ficção

Muitos leitores e críticos da obra de Edgar Rice Burroughs, a começar por L. Sprague de Camp, em 1948, e Fritz Leiber, em 1959, notaram semelhanças entre sua descrição ficcional de Marte (Barsoom, para os nativos) nas suas "Crônicas Marcianas", cuja publicação se iniciou em 1911 com a Princesa de Marte o mundo pré-histórico da teosofia, tal como descrito nas obras publicadas até 1910 por Blavatsky, Scott-Elliot, Besant e Leadbeater.

Os "marcianos vermelhos", heróis de suas sagas marcianas, parecem ter sido diretamente inspirados nos toltecas da Atlântida teosófica, com sua cor de cobre, traços gregos e ciência avançada. Já os "marcianos verdes" ou tharks, primitivos de estatura gigantesca e comportamento bárbaro, mas que que sabem usar armas modernas e domesticam animais monstruosos, teriam sido inspirados nos lemurianos.

Referências

L. Sprague de Camp, Continentes Perdidos. Lisboa, Livros do Brasil, s/d

W. Scott-Elliot, Atlântida e Lemúria, Continentes Desaparecidos. São Paulo: Pensamento, 1995

Annie Besant e C. W. Leadbeater, O Homem: donde e como veio, e para onde vai? São Paulo: Pensamento, 1995.

Annie Besant, The Pedigree of Man [1]

Dale R. Broadhurst, "John Carter Beginnings?" [2]  




ANO II - Nº. 55

Publicado em:18.01.09

Palavras Iniciais

Pena que não foi possível introduzir as fotografias e gravuras desta matéria, mas realmente de pouco ajudaria já que até os dias de hoje os nossos cientistas ainda não conseguiram desvendar o mistério de como conseguiam movimentar e trabalhar em blocos de granito de até 100 toneladas; deslocar esses blocos da pedreira até as pirâmides. Pelas técnicas de engenharia aplicadas, os cientistas chegaram a conclusão que a humanidade de hoje ainda não detem a tecnologia dos antigos egípcios. Mesmo assim vale a pena ler e questionarmo-nos se não tiveram uma "ajudazinha" de fora.



Como foram construidas as Piramides.

 

Por Davidovits.

 

Pedras Artificiais

 

Os inúmeros fatos sem explicação que envolvem a construção das pirâmides levaram muitos estudiosos a buscarem respostas totalmente diferenciadas para a maneira pela qual elas foram erguidas. Um de tais pesquisadores é o químico Joseph Davidovits, professor da Universidade de Toronto, no Canadá, diretor do Instituto de Ciências Arqueológicas Aplicadas (IAPAS), da Barry University, na Flórida, e que ficou famoso por ter sido o criador da química dos geopolímeros, a qual revolucionou a construção civil e a ciência dos materiais. Na obra que escreveu defendendo sua tese — que veremos mais adiante — ele resume as objeções aos conceitos da arqueologia clássica ao dizer que com serras de cobre, é possível cortar madeira, mas não o tipo de granito duro encontrado na Grande Pirâmide. Implementos de cobre, além disso, não poderiam cortar 2,5 milhões de blocos de calcário em 20 anos. Ele informa, também, que a arte de trabalhar o bronze surgiu no Egito cerca de 800 anos depois da construção das pirâmides de Gizé e que o ferro só chegou mais tarde àquele país e continuou raro, mesmo durante o Império Novo.

Para começar sua discussão esse autor pondera que a própria existência das pirâmides já fornece a prova mais evidente de uma tecnologia sofisticada muito diferente da nossa. Ele informa que em 1987 foi feita uma datação da idade de diversas pirâmides pelo método do radiocarbono e que os resultados indicaram que a Grande Pirâmide era até 450 anos mais antiga do que a egiptologia clássica havia determinado. Tais resultados foram altamente contestados.

O autor observa que, ao contrário do que geralmente se afirma, o tamanho dos blocos não diminui invariavelmente à medida em que a pirâmide sobe. Existem centenas de blocos enormes, só superados em tamanho pelas pedras da base, pesando de 15 a 30 toneladas, mais ou menos no nível da câmara do rei. Eles são tão grandes que ocupam o espaço de dois degraus do monumento. De modo geral, as alturas dos degraus aumentam e diminuem subitamente em 19 nítidas flutuações ao passo que os comprimentos — que o autor mediu em cerca de 10% da área da pirâmide — enquadram-se dentro de 10 medidas perfeitamente uniformes. Elimina-se, assim, — afirma Davidovits — qualquer possibilidade de que os blocos houvessem sido cortados em tamanhos aleatórios, determinados por rachadura e outras características do leito rochoso. Tentativas de explicar a preparação e uso de blocos de dimensões tão uniformes, baseadas na hipótese de corte, deparariam com grandes dificuldades. Este grau de uniformidade exclui inteiramente a possibilidade de corte com instrumentos primitivos.

Dois arqueólogos e arquitetos, George Perrot e Charles Chipiez, referindo-se às esculturas do Império Antigo perguntaram: De que maneira conseguiram os escultores cinzelar essas rochas tão duras? Ainda hoje isto é muito difícil, mesmo usando os melhores cinzéis de aço temperado. O trabalho é muito lento e difícil, e o artista se vê obrigado a parar com frequência para afiar o gume do cinzel, que se torna rombudo em contato com a pedra, e, em seguida, retemperá-lo. Mas os contemporâneos de Kéfren, e todos concordam com isto, não possuíam cinzéis de aço. Acontece, entretanto, que no decorrer do Império Novo e nas épocas posteriores, os egípcios não conseguiram realizar trabalhos semelhantes, mesmo dispondo, então, de ferramentas de bronze. Isso estarrece os estudiosos e o próprio Champollion se mostrou surpreso com a qualidade medíocre das estruturas erquidas no Império Novo. E diga-se ainda que, segundo estimativas do geólogo de Roziere, um dos 150 cientistas que acompanharam Napoleão ao Egito, há mais pedras nas pirâmides de Gizé do que em todas as obras erguidas durante o Império Novo, o Período Tardio e o Período Ptolomaico juntos, uma época que totaliza cerca de 1500 anos.

Além disso, os monumentos erguidos a partir do Império Novo, em sua grande maioria, foram construídos com variedades mais macias de pedra e não com material rochoso duro. Um dos materiais empregado é o arenito psamite que se desagrega facilmente sob pressão muito leve e frequentemente pode ser arranhado com a unha. Com ele foram construídos os templos de Luxor, Karnak, Edfu, Esna e Dendera, sendo que esse último é de época em que o ferro já era conhecido no Egito e mesmo assim optou-se pelo emprego de uma pedra macia. O templo de Abu Simbel também foi escavado em uma montanha de arenito muito macio. Quando se usou o calcário no Império Novo, ele era proveniente de Tura, uma variedade macia muito diferente daquela empregada nos blocos do miolo das pirâmides do Império Antigo, o qual era duro e difícil de cortar. Mais um detalhe: os blocos empregados nas construções do Império Novo e épocas posteriores, com raras exceções, eram de pequenas dimensões, como se pode notar na foto do templo de Luxor acima, ao passo que no Império Antigo eram empregados blocos gigantescos. Os templos de Karnak têm pilones imensos, mas todos formados por blocos pequenos. Por sua vez, vigas monolíticas de algumas pirâmides do Império Antigo pesam 80 toneladas e o Templo do Vale da pirâmide de Kéfren exibe blocos que pesam pelo menos 500 toneladas.

As pirâmides do Império Antigo — resume Davidovits — consistem fundamentalmente em calcário abundante e carcaças fósseis, um material heterogêneo, de corte extremamente difícil. Templos de fins da XVIII dinastia (1400 anos a.C.) são encontrados por todo o Egito. Foram construídos com calcário branco muito macio, mesmo quando erigidos em regiões inteiramente graníticas, como no sul. Após a XVIII dinastia, o emprego de calcário macio cedeu finalmente lugar ao arenito mole. Arenito de Silsilis, no sul do Egito, foi usado para construir os templos de Karnak, Luxor e Edfu, no tempo do Império Novo. O material é homogêneo, mole e fácil de esculpir. E a seguir o autor enfatiza: Aí reside o grande paradoxo tecnológico do Egito: numa ocasião em que as ferramentas eram de pedra e cobre, utilizou-se um volume imenso de variedades duras de pedra, mas logo que foram adotados o bronze e o ferro, os egípcios usaram apenas os materiais mais frágeis. E conclui: Há mais do que prova abundante para confirmar a existência de dois diferentes métodos de construção em alvenaria, usados em épocas diferentes e com resultados muito diversos.

Ao analisar a hipótese clássica da egiptologia que explica a construção das pirâmides, esse autor considera que problemas permanecem sem solução a despeito de numerosos estudos, e fatos importantes foram ignorados. No que se refere ao conceito de que os blocos foram extraídos das pedreiras, ele cita o estudo de uma equipe de geoquímicos da Universidade de Munique, Alemanha, que tinha por objetivo datar os vários métodos de exploração das pedreiras usados no Egito ao longo da história. A conclusão a que chegaram foi a de que não há absolutamente vestígios de extração de blocos das pedreiras em época anterior a 1600 a.C. De que modo teriam então os egípcios retirado pedra em tempos mais antigos para erguer as pirâmides? O estudo concluiu também que o método de extrair pedras com o uso de cunhas de madeira jamais foi empregado pelos egípcios, mas sim exclusivamente pelos romanos quando ocuparam o Egito. Se esse tosco método houvesse sido empregado na construção das pirâmides, como se alega, — comenta o autor — o volume de detritos em Gizé seria espantoso, incluindo incontáveis milhões de blocos rachados e inaproveitáveis.

Outro item que Davidovits analisa refere-se ao uso de rampas. Ele pondera que uma vez que as polias só foram conhecidas no Egito durante a ocupação romana e que a roda foi introduzida pelos hicsos somente no final do Império Médio, a única opção que a evidência arqueológica oferece para erguer blocos é a rampa. No caso da Grande Pirâmide, calculou-se que qualquer rampa reta teria o comprimento de cerca de 1600 metros e que conteria uma quantidade imensa de material. Sua grande largura e comprimento teriam coberto a pedreira. Quanto a possíveis rampas helicoidais, lembra que nenhuma delas jamais foi encontrada. Cita também uma rampa de barro que foi achada em Saqqara no sítio da pirâmide de Sekhemkhet, da III dinastia, mas alerta que essa pequena pirâmide não contém grandes blocos e pondera que transportar blocos pequenos rampa acima era a maneira mais sensata e óbvia para construir esse tipo de pirâmide. Já com relação ao fato de existirem restos de rampas em Gizé, o autor considera que o volume tremendo de material exigido pela teoria padrão não foi encontrado, e embora se possa esperar que um material constituído na maior parte de terra se degrade com o tempo, um pequeno volume de restos sugere apenas o uso de pequenas rampas destinadas a escalar as pirâmides.

 

O faraó Amósis, da XVIII dinastia, ordenou que extraíssem das pedreiras de Tura a pedra mole para a construção do templo do deus Ptah, em Mênfis. É daquela época e local uma estela encontrada por arqueólogos e que se perdeu no século XIX. Ela mostrava, como se vê acima, um bloco de pedra sobre um trenó sendo puxado por parelhas de bois. A estela de Tura — diz Davidovits — não constitui prova aceitável em apoio à teoria tradicional de construção, uma vez que foi erigida quase mil anos após a construção da Grande Pirâmide. A estela de Tura e outros documentos usados para apoiar a teoria tradicional são produtos de uma sociedade que explorava tecnologia diferente da de seus ancestrais. Todas as civilizações duradouras e bem-sucedidas forçosamente tiveram tecnologias novas e outras que declinaram. Depois de lembrar que historiadores, com pouquíssimas exceções, consideram as civilizações antigas como tecnologicamente inferiores à nossa em todos os sentidos, o autor cita vários fatores que causaram a destruição geral do repositório de informações tecnológicas egípcias. Dentre eles, os períodos de anarquia da história egípcia, as invasões de povos estrangeiros, o incêndio da biblioteca de Alexandria, os saques dos túmulos, inclusive com emprego de pólvora e aríetes, tudo contribuíndo para que os conhecimentos científicos não fossem transmitidos com perfeição da antiguidade até os nossos tempos. (...) Na literatura erudita prevalece um complexo de superioridade moderno, a despeito da prova de que uma grande tecnologia esquecida foi usada na construção das pirâmides.

E qual seria essa grande tecnologia esquecida? Entendendo tecnologia como um conjunto de princípios científicos que se aplicam a um determinado ramo de atividade, Davidovitz afirma que a ciência que tornou possível as pirâmides foi a química, ou mais exatamente, sua precursora, a alquimia. Em épocas tão remotas quanto o ano pré-histórico de 3800 a.C. os alquimistas egípcios criaram um esmalte azul vibrante. Um experimentador qualquer misturou pó de crisocola com natrão e aplicou uma chama. Obteve um esmalte duro, lustroso, azul, que era em seguida derretido e aplicado em contas e pedras. Os antigos egípcios são bem conhecidos por usarem minerais como crisocola e lápis-lazúli a fim de produzir esmaltes, que para eles constituíam imitações desses minerais ou pedras. Possuíam, inclusive, uma palavra para esses produtos, ari-kat, significando feitos pelo homem ou sintéticos. (...) Esta velhíssima tradição revela o próprio núcleo de uma notável invenção alquímica relevante para a solução do enigma da construção das pirâmides: os sacerdotes de Khnum há muito eram peritos na arte de fabricação de cimentos extraordinários. Cimento encontrado em várias partes da Grande Pirâmide tem cerca de 4500 anos de idade, mas ainda está em boas condições. Essa argamassa antiga é muito superior aos cimentos hoje usados em construção civil. O moderno cimento Portland, usado para reparar antigos monumentos egípcios, rachou e degradou-se em apenas 50 anos.

 

Depois dessas considerações, o químico e — lembramos mais uma vez — criador de um novo ramo da química, a geopolimerização, Joseph Davidovits, finalmente apresenta a sua tese: Se os egípcios antigos possuíam capacidade de produzir cimento de qualidade excepcionalmente alta, o que os impediria de adicionar ao mesmo carcaças fósseis a fim de produzir concreto calcário de primeiríssima classe? A resposta é que nada os impediu. Demonstrarei adiante que os blocos da pirâmide não são pedra natural, mas, na verdade, concreto de calcário de qualidade excepcionalmente alta — pedras sintéticas — moldadas diretamente no local. Os blocos consistem de cerca de 95% de pedregulho de calcário e de 5 a 10% de cimento. Constituem imitações de calcário natural, fabricados segundo a antiquíssima tradição de produção alquímica de pedras. Nenhum corte de pedra ou exaustivas operações de arrastamento ou içamento foram jamais necessárias à construção das pirâmides.

 

Para provar que sua tese é viável, aquele autor arrola uma série de argumentos. Segundo ele, com as ferramentas de cobre então disponíveis era perfeitamente possível serrar e aplainar troncos de árvores para transformá-los em tábuas e com elas construir moldes. A madeira era provavelmente trazida do Líbano. É sabido que os antigos egípcios eram mestres na arte da carpintaria. Já na I dinastia os carpinteiros juntavam pranchas em ângulos retos perfeitos. Na ilustração acima, de uma mastaba da IV dinastia, vemos carpinteiros serrando tábuas e preparando encaixes. Os ajustamentos exatos conseguidos entre os blocos de revestimento da Grande Pirâmide, difíceis ou até impossíveis de conseguir pela movimentação de enormes blocos pesando toneladas, poderiam ser facilmente obtidos pela moldagem dos mesmos no lugar.

O produto mais importante na fabricação do cimento necessário era a cal. Para obtê-la bastava calcinar calcário, dolomita ou magnesita em fornos e tal prática já era conhecida há dez mil anos atrás. A enorme quantidade de cascalho de calcário necessário para fabricação dos blocos podia ser facilmente obtida e Davidovits explica como: Água, provavelmente trazida tão perto quanto possível por um canal, era usada para inundar o leito rochoso de Gizé e saturá-lo para produzir fácil desagregação. O calcário de Gizé torna-se tão macio quando saturado, que pode ser facilmente quebrado em pedaços quando inserido nele um tarugo de madeira. O corpo da Grande Esfinge foi esculpido, à medida que o calcário lamacento era apanhado em baldes para a fabricação dos blocos da pirâmide. Homens chapinhando em calcário molhado, lamacento, enquanto trabalham sob o calor do deserto, fazem muito mais sentido do que quebrando pedra nas pedreiras em um deserto quente e poeirento, como exigido pela teoria tradicional. Para que o endurecimento da massa se desse em algumas horas, seria necessário o emprego de minerais arsenicais. Outros tipos de minerais como turquesa e crisocola também eram exigidos para que as reações químicas se processassem. Tais minerais foram escavados nas minas do Sinai em imensas quantidades, em época que corresponde exatamente à da construção das pirâmides, e isso é um dos argumentos apresentados em defesa dessa tese. Finalmente, outros produtos químicos necessários ao processo, segundo aquele autor, seriam a alumina, existente na lama do Nilo, e o natrão, abundante nos desertos e nos lagos salgados e usado largamente na mumificação.

Ao analisar cientificamente algumas amostras de pedras das pirâmides, através de análise química de raios X, Davidovits descobriu que elas continham elementos minerais raríssimos em calcário natural, mas que podem surgir durante o processo de produção da rocha artificial. Um desses minerais era a bruxita, material orgânico presente em fezes de aves, ossos e dentes, mas que dificilmente seria encontrado em calcário natural. Ele também analisou mais de 30 amostras de pedras provenientes das pedreiras das quais se acredita que tenham vindo os blocos de revestimento da pirâmide de Kéops e em nenhuma de tais amostras encontrou os minerais raros que detectou nas amostras das pirâmides.

Na sua procura por sinais que revelassem a natureza artificial das pedras das pirâmides, Davidovits descobriu, por exemplo, que as carcaças fósseis existentes no interior das mesmas estão dispostas em todas as direções, de forma embaralhada. Elas não se acamam horizontalmente, como seria natural em um calcário que vai se formando ao longo de milhões de anos criando, assim, as camadas sedimentares da rocha. A ilustração ao lado, tirada do livro Description de l'Egypte, mostra conchas desarrumadas nos blocos do miolo da pirâmide. Por sua vez, em qualquer concreto os agregados estão na maior parte embaralhados e sem acamamento sedimentar. Outros indícios do artificialismo das pedras seriam a existência de bolhas de ar, de fibras orgânicas semelhantes a cabelo e de uma camada vermelha artificial encontradas em amostra de pedra retirada do corredor ascendente da Grande Pirâmide.

 

As bolhas de ar não são esféricas, mas ovais, semelhantes às que surgem durante a manipulação de argila. Com relação às fibras orgânicas, o autor esclarece que cabelos nunca foram encontrados em rochas com 50 milhões de anos e que ele também não os encontrou nas amostras de pedreiras que examinou. Finalmente, a camada vermelha é, segundo o autor, uma tinta aplicada sobre uma camada branca subjacente também artificial. Essa última é, na verdade, um cimento mais sofisticado do que o cimento simples de gesso e cal que os estudiosos descrevem como sendo a tecnologia egípcia daquela época nessa área. A camada e a coloração — diz Davidovits — constituem realmente notáveis produtos alquímicos, não demonstrando empolamento ou outro tipo de deterioração apreciável, mesmo depois de 4500 anos.

Em 1974 uma equipe de pesquisadores tentou encontrar câmaras ocultas na pirâmide de Kéops. Não puderam levar o projeto avante porque a umidade do monumento era tão grande que impossibilitava a transmissão das ondas eletromagnéticas, as quais eram absorvidas pelas pedras. Surpreendentemente, porém, o leito rochoso calcário natural de Gizé é relativamente seco. Apenas concreto poderia estar saturado de umidade, assevera Davidovits. Segundo ele, o conteúdo de umidade tão elevado é suficiente para convencer a qualquer profissional da indústria de concreto de que a pedra da pirâmide é algum tipo desse material. Hoje, estruturas de concreto recentemente construídas são inteiramente úmidas. A umidade na pedra da pirâmide resulta, ao que tudo indica, da migração do lençol freático. É comum, aliás, que estruturas de concreto absorvam água subterrânea em ambientes desérticos.

Quando esteve pesquisando em Gizé, Davidovits observou que todos os blocos que formam as três famosas pirâmides possuem sua camada superior, de cerca de 20 a 30 centímetros, mais fraca, de densidade mais leve e com mais sinais de erosão que o resto da pedra. Isso ocorre, segundo ele, porque os blocos foram produzidos da mesma maneira como era preparada a argamassa, a saber: os agregados eram despejados diretamente no molde, que se encontrava parcialmente cheio de água e aglutinante. Combinando-se a mistura com a água, os materiais mais pesados acamavam-se no fundo. Bolhas de ar e o excesso molhado do aglutinante subiam, disto resultando uma matriz mais leve e mais fraca. A camada superior é a que exibe também o menor número de carcaças fósseis, não tão acumuladas no interior da pasta densa e, por conseguinte, depositaram-se orientadas no sentido horizontal. A produção desse concreto dispensou mistura, e medições precisas resultaram em camadas perfeitamente planas. O autor argumenta que caso os blocos fossem de calcário natural, esse padrão antinatural de densidade não se explicaria, pois ele é quase sempre do mesmo tamanho, independentemente da altura do bloco.

Conforme já foi dito, Davidovits constatou que os comprimentos dos blocos da pirâmide enquadram-se dentro de 10 medidas perfeitamente uniformes. Além disso, eles devem ter sido produzidos em moldes de apenas cinco tamanhos, pois alguns blocos foram moldados com comprimentos perpendiculares ao plano da face da pirâmide. O fato de os blocos mais longos terem sempre o mesmo comprimento — afirma aquele pesquisador — constitui evidência extremamente forte em favor do uso de pedra moldada. Mostra que cada bloco foi produzido de acordo com especificações exatas, imediatas, do arquiteto durante a construção. Os blocos longos aparecem imediatamente acima ou abaixo de blocos de comprimento menor, o que torna visível o plano de construção. Qualquer dimensão requerida podia ser determinada rapidamente pelo arquiteto, uma vez que seria relativa ao comprimento do bloco na fileira imediatamente abaixo. Pensa o autor que seria difícil explicar essa uniformidade do comprimento dos blocos baseando-se na hipótese de corte e escultura das pedras: Blocos jamais poderiam ter sido cortados, armazenados e selecionados na escala necessária.

As faces sul e oeste da pirâmide de Kéfren são reproduçoes idênticas recíprocas, indicando isto que todo o intrincado desenho é tridimensional. Camadas sucessivas são feitas segundo o mesmo padrão, ao passo que outras são de padrões diferentes, inter-relacionados. Alguns apresentam padrões que são quase os mesmos que os das camadas vizinhas. Os padrões de outras são o contrário das que as cercam. Todos os blocos foram vazados de acordo com um plano mestre excepcional, que eliminou a formação de juntas verticais, o que ocasionaria o aparecimento de pontos de fraqueza. A pirâmide lembra um complicado quebra-cabeça tridimensional, eficazmente formulado para criar uma superestrutura incrivelmente forte e estável.

Ao analisar a visão de Heródoto a respeito da maneira pela qual as pirâmides foram construídas, Davidovits encontra mais um ponto de apoio para alavancar sua teoria. Afirma ele que as referências que Heródoto faz ao arrastamento de pedras devem referir-se não ao arrastamento de blocos, mas ao de pedregulho, pois o calcário usado nos blocos de revestimento foi, com toda probalilidade, transportado das pedreiras das montanhas arábicas. Ressalta, ainda, que o historiador grego jamais declara que os blocos da pirâmide haviam sido talhados. No que se refere a um canal formado pelas águas do Nilo, o pesquisador entende que tais canais realmente deviam existir para trazer, ao platô de Gizé, a água necessária para desagregar o calcário e à produção de enormes quantidades de cimento.

E o que dizer das "máquinas" citadas por Heródoto em seu relato? Davidovits acredita que elas eram moldes e sugere que se leia o referido trecho substituindo a palavra máquina por molde e a palavra pedra por cascalho, obtendo-se, então, o seguinte:

 

"Foi um trabalho realmente complexo o da construção da pirâmide. Para levar o cascalho aos diversos planos empregavam-se moldes feitos de pequenos pedaços de madeira e situados em diferentes alturas. Ao chegar o cascalho ao primeiro plano, era colocado em outro molde, que o levava para o segundo, onde outro molde o transportava para o terceiro, e assim sucessivamente, até o alto do monumento."

 

O pesquisador explica que a palavra grega usada por Heródoto foi mechane e que este é um termo genérico, que indica algo inventado ou fabricado. Não é uma palavra específica, mas uma ampla generalização e a falta de conhecimento sobre o método de construção das pirâmides influenciou a maneira pela qual os tradutores a interpretaram. Não só o relato de Heródoto não confirma o corte da pedra, — afirma o químico — mas tampouco implica que os blocos foram içados pirâmide acima. O que existe é uma descrição relativa ao empilhamento de uma pirâmide, fileira após fileira. A descrição em parte alguma afirma que os blocos foram elevados por meio de rampas ou, a partir do solo, por uma máquina, diretamente a grandes alturas.

 

A afirmativa do historiador grego de que os operários que construíram a Grande Pirâmide foram alimentados com rábanos, cebolas e alhos, que custaram aos cofres do faraó o equivalente a 1600 talentos de prata, foi considerada ridícula por egiptólogos notáveis. Davidovits acredita que aqui as informações foram transmitidas de forma distorcida a Heródoto. Ele esclarece que minerais empregados no processo de fabricação da pedra sintética podem emitir, quando aquecidos, odores semelhantes ao do rábano, da cebola e do alho. Aquela importância citada, correspondente a mais de 100 milhões de dólares, deve representar, isso sim, o custo de mineração de minerais arsenicais usados na construção da pirâmide de Kéops. Comenta o autor que não é difícil compreender por que não conseguiram explicar bem o método de construção a Heródoto, se é que o conheciam. Ao que parece, não há uma palavra apropriada grega a respeito de tal tipo de pedra, a mais aproximada é polida (xeston). Comunicar a idéia de pedra artificial ou de alguma outra maneira preparada ou manipulada pelo homem, podia facilmente ser entendido mal, especialmente numa conversa com um viajante que desconhecia a tecnologia, através de um intérprete. Além disso, conclui, tradutores modernos obscureceram, por descuido, o texto, ao interpretar mal algumas palavras-chave.

 

Idéias preconcebidas sobre a construção das pirâmides desempenharam um papel importante nas traduções do texto para línguas modernas.

 

Tendo em mente o fato de que as ferramentas usadas na construção das pirâmides foram tão ou mais primitivas do que esse malho de madeira, esses cinzéis de bronze ou essas pedras de dolerito, usadas para trabalhar os blocos mais duros, Davidovits pondera que as teorias tradicionais de construção daqueles monumentos por meio de corte e içamento de pedras suscitam questões que nunca foram respondidas devidamente. Por exemplo: se os blocos da Grande Pirâmide tivessem sido cortados e fossem levados em conta os restos, resíduos e aparas desse trabalho, o peso total da pedra usada teria chegado a quase 15 milhões de toneladas — o que seria um enorme fardo para a teoria tradicional.

E pergunta ainda o autor: Utilizando pedra e ferramentas de cobre, de que modo teriam os trabalhadores conseguido tornar inteiramente lisas as faces da pirâmide? Como conseguiram que os lados se encontrassem em um ponto perfeito no topo? Como tornaram tão planas as camadas? De que modo poderia o número necessário de trabalhadores manobrar e mover-se no canteiro de obras? Como tornaram tão uniformes os blocos? De que modo alguns dos blocos mais pesados foram colocados a grandes alturas? De que modo puderam dar a 10,5 hectares de blocos de revestimento um ajustamento que tem a espessura de um fio de cabelo ou ainda menos? De que maneira pôde todo este trabalho ser realizado em cerca de 20 anos?

Os especialistas só podem dar palpites. E egiptólogo algum nega que os problemas não foram resolvidos.

Levando-se em conta o tempo gasto para edificação de uma pirâmide e o número de trabalhadores envolvidos na tarefa, é óbvio que uma enorme quantidade de pessoas conhecia, ou pelo menos via, o método realmente usado na construção. Esses métodos, por conseguinte, — afirma Davidovits — não podem ter sido secretos e provavelmente devem ter sido documentados. No século XIX, procedeu-se à decifração da maioria dos textos hieroglíficos e cuneiformes, que não foram atualizados de modo a refletir achados arqueológicos correntes ou progressos científicos. Todos eles refletem as limitações dos conhecimentos científicos da época. Não podem, por isto, ser inteiramente exatos, e tampouco conclusões precisas sobre a tecnologia antiga podem ser alcançadas com base neles.

 

Davidovits acredita ter encontrado explicação para a existência dos entalhes verticais e encaixes existentes no interior da grande galeria da pirâmide de Kéops. Segundo o autor, eles foram necessários para a moldagem dos blocos. Conforme explica, os blocos retangulares empregados na grande galeria tinham que ser produzidos com os moldes na posição horizontal, pois caso fossem moldados inclinados sua forma ficaria desigual. O mecanismo de sustentação foi uma prancha de madeira presa ao sulco apropriado na parede. O topo de cada sulco é horizontal em relação ao entalhe seguinte, que fica em cima. A prancha foi talvez compensada com um saco de areia. A remoção do peso soltava a estrutura de madeira, e o bloco acabado podia ser descido e empurrado para a posição que ocuparia.

No ano de 1987 dois arquitetos franceses realizaram medições na Grande Pirâmide em busca de câmaras secretas. Nada encontraram mas, usando equipamentos especiais, mediram toda a densidade do monumento e constataram uma densidade total 20% mais baixa do que a esperada do calcário. A densidade mais baixa — esclarece Davidovits — é uma consequência da agregação. Blocos moldados são sempre 20 a 25% mais leves do que a rocha natural, porque se encontram cheios de bolhas de ar.

As portas levadiças encontradas nos subterrâneos da pirâmide de Kéfren pesam duas toneladas e exigem a força de pelo menos 40 homens para movê-las. Entretanto, o recinto no qual elas se encontram não comportam mais do que oito homens em seu interior. Faz sentido dizer — afirma Davidovits — que as pesadas portas levadiças dessa e de outras pirâmides foram moldadas no local. Além disso, certos aspectos, como a largura uniforme dos blocos dessa pirâmide, constituem prova esmagadora da moldagem de pedra, e, tal como no caso dos blocos da Grande Pirâmide, as alturas dos mesmos na pirâmide de Kéfren são alternadas.

A partir da V dinastia as pirâmides construídas foram de qualidade muito inferior àquelas das dinastias anteriores. Apesar disso, apresentam alguns aspectos notáveis como, por exemplo, belíssimos altos relevos nas paredes dos templos funerários. Os egiptólogos — esclarece Davidovits — não conseguem explicar por que os egípcios desse período concentraram-se em abundantes decorações de paredes de templos e não na construção de grandes pirâmides e tampouco por que os trabalhadores passaram a retirar blocos de monumentos mais antigos para completar suas obras. A explicação não pode ser procurada na situação política da época, porque no decorrer da V dinastia os tempos eram prósperos, apesar do poder do faraó ter enfraquecido. Para Davidovits o declínio na edificação dos grandes monumentos ocorreu pelo esgotamento dos recursos minerais. O conjunto dos minerais azuis ou azuis-esverdeados empregados nesse processo de criação da pedra sintética recebeu, desde os períodos mais remotos, a denominação genérica de mafkat. Trata-se de um grupo de 11 minerais que inclui a turquesa, a malaquita e a crisocola, entre outros. No decorrer da III e da IV dinastias houve extração de mafkat em escala industrial das minas do Sinai e de Wadi Maghara. As quantidades extraídas foram enormes.

Não há explicação — afirma Davidovits — para a quantidade imensa de mafkat extraído. Teria desaparecido em comércio com outras nações? Não há dúvida de que o número de peças de joalheria, amuletos e outros objetos feitos ou que incluíam turquesas e outros minerais azuis ou azuis-esverdeados remanescentes é desproporcional ao mafkat que se sabe ter sido escavado. E os artefatos encontrados em regiões que se sabe tiveram antigos laços de comércio com o Egito não pode explicar o volume inusitadamente alto de mafkat extraído.

Calculou-se — prossegue o autor — que atingiu aproximadamente mais de cem mil toneladas a quantidade de mafkat minerado, cerca do mesmo volume de minério de cobre. Supondo que o mafkat entrou com 10% do cimento usado, então cem mil toneladas teriam produzido um milhão de toneladas de cimento. Supondo ainda que até 10% do concreto de calcário da pirâmide é constituído de cimento, então um milhão de toneladas de cimento teria produzido dez milhões de toneladas de concreto de calcário. Mas uma vez que o mafkat era necessário apenas à pedra de alta qualidade, como a usada nos blocos de revestimento, os minerais extraídos das minas do Sinai teriam sido suficientes para construir todas as pirâmides e obras de alvenaria correlatas, tais como pedras de revestimento internas e externas, templos, cimalhas e obras de estatuária.

No decorrer da VI dinastia o Egito tornou-se uma nação menos poderosa e os faraós perderam seu poder absoluto. A arquitetura e as obras de arte entraram em declínio. São raras as estátuas da V e da VI dinastia, sendo que as melhores desse período datam do início da V dinastia. Os faraós da VI dinastia, ao erguerem suas pirâmides, seguiram os métodos construtivos empregados no decorrer da V dinastia, mas os conjuntos funerários circundantes e seus altos-relevos foram menos refinados. Sabe-se que nessa época foram promovidas expedições mineradoras ao exterior e Pepi II, o último faraó da VI dinastia, parece ter mantido comércio longo e ininterrupto com o Líbano, de onde pode ter sido trazida a madeira apropriada à preparação de moldes. Alguns anos depois da morte de Pepi II, o Egito deixou de ser uma nação unificada e mergulhou em um estado de anarquia que durou mais de 200 anos. Davidovits entende que embora possa ter havido má administração e escassez de alimentos causada por mudanças climáticas, como querem alguns estudiosos, há a possibilidade de que a economia tenha ficado cada vez mais deprimida devido à decadência da outrora imensa indústria de construção de obras públicas, o que, com o tempo, abalaria a fé no governo. Em vez de a decadência da civilização ter ocasionado a decadência da indústria de construção, é mais provável que tenha ocorrido justamente o oposto.

Na VII e VIII dinastias houve numerosos faraós efêmeros e nos raros monumentos construídos durante essa época foram empregados apenas materiais de baixa qualidade. Nos recipientes, o barro substitui a pedra, o metal e a faiança. As estruturas nunca alcançaram mais de dez metros de altura, e a maioria sequer chegou a ser completada ou desapareceu.

No decorrer da IX e X dinastias houve luta intermitente e sangrenta entre os egípcios de Heracleópolis e os de Tebas e o país foi novamente unificado durante a XI dinastia pelo faraó Nebhepetre Mentuhotepe, iniciando-se o período que hoje denominamos de Império Médio, tendo Tebas como capital do Egito. Dos faraós da XI dinastia só a tumba de Mentuhotepe foi completada.

Pouca pedra foi usada nas pirâmides da XII dinastia. Seu primeiro faraó, Amenemhet I, economizou no volume de pedra necessário colocando sua pirâmide em terreno elevado. Sesóstris I reinou por 35 anos e enviou expedições às minas de Wadi Kharit no Sinai. Ergueu sua pirâmide em el-Lisht e mandou construir monumentos em profusão por todo o Egito. Estudos para determinar que monumentos foram de pedra cortada e quais de pedra aglomerada proporcionariam importantes introvisões sobre esse período político — pensa Davidovits. Por sua vez, a pirâmide de seu filho e sucessor, Amenemhet II, parece ter sido construída quase que inteiramente com tijolos de barro.

E aquele autor comenta:

É notável que mil anos após Imhotep, Amenemhet II, durante uma época de prosperidade, tenha julgado necessário recorrer a um método de construção que empregou quase exclusivamente tijolos de barro.

A pirâmide do faraó seguinte, Sesóstris II, também era de tijolos de barro, mas o sarcófago encontrado em seu interior é considerado um dos trabalhos mais perfeitos executados em granito pelos egípcios. Seu filho, Sesóstris III, foi um dos maiores faraós do Império Médio, mas sua pirâmide foi erguida com tijolos, enquanto que na câmara funerária e no sarcófago foi usado granito. Ele explorou com empenho as minas do Sinai, mas obteve menores resultados no que se refere a extração de mafkat. Embora já se usasse nessa época ferramentas de metal, ao invés das de sílex, para esse trabalho, os documentos falam do fracasso de várias dessas expedições. Amenemhet III mandou construir em pedra calcária um monumento que ficou conhecido como O Labirinto, mas, ao que parece, os blocos foram removidos de estruturas mais antigas. A pirâmide desse faraó foi erguida em Hawara com tijolos de barro e, dentre as feitas com tal material, é a que apresenta o melhor acabamento. Isso é devido, em parte, segundo esclarece Davidovits, à composição mineralógica dos tijolos que foram feitos com a mistura de soda cáustica (natrão, cal e água) com o barro do lago Moeris. Entretanto, no interior desse monumento existe uma câmara mortuária feita de uma única peça de quartzito. Se essa câmara foi cortada, — afiança Davidovits — o trabalho teria exigido usinagem de precisão por dentro e por fora em uma massa sólida de quartzito duro, o tipo mais duro de pedra. (...) Arriar a estrutura enorme no espaço confinado teria sido o menor dos difíceis problemas. Se a massa fora extraída, o local da pedreira devia ter continuado a existir. As pedreiras de quartzito do Egito não mostram sinais de extração de blocos ou de estátuas, segundo os membros da expedição napoleônica, que fizeram um exame completo das reservas de quartzito do Egito. Por outro lado, quartzito solto, alterado pelo intemperismo, abunda nas proximidades de quase todas as pedreiras dessa rocha e se encontrava em condições de aglomeração. 

Na XIII dinastia a câmara funerária da pirâmide do faraó Khendjer, feita de um único bloco de quartzito, pesava cerca de 70 toneladas, mas o monumento em si foi erguido com tijolos. Portanto, durante o Império Médio, embora as pirâmides passassem a ser construídas com tijolos, continuam sendo soberbos os sarcófagos monolíticos e as câmaras de calcário, granito e outras variedades de pedra encontradas no interior das mesmas.

Do período em que perdurou a invasão dos hicsos só se tem notícias em papiros e escassas evidências materiais sobre construção de pirâmides. Quando, após o Segundo Período Intermediário, o poderio egípcio se firmou novamente, pela mão do fundador da XVIII dinastia, Amósis, esse faraó construiu um cenotáfio em Abido com forma piramidal. Ele colocou o povo vencido a cortar pedra nas pedreiras de Tura e a estela de Amósis é o primeiro documento conhecido que se refere a extração de pedra com instrumentos de bronze. Todos os faraós do Império Novo, entretanto, foram enterrados em túmulos escavados na rocha e no território do Egito não mais se ergueram pirâmides. A grande verdade é que o fim da construção das pirâmides marca o encerramento das extrações de minerais em grande escala no Sinai.

O autor que analisamos até aqui conclui afirmando: Entendemos agora a evolução da construção das pirâmides e o motivo pelo qual essas grandes estruturas nunca mais foram erigidas. O emprego de pedra artificial explica por que, à medida que se aprimoravam as ferramentas, as dimensões dos blocos tornam-se cada vez maiores, embora o oposto devesse ter ocorrido, se os blocos tivessem sido cortados. Na ampla perspectiva, compreendemos o que continuou a ser o paradoxo tecnológico do Egito.

http://www.geocities.com/tioisma2002/pedrarti.htm

http://www.geocities.com/tioisma2002/pedrart2.htm

http://www.geocities.com/tioisma2002/pedrart3.htm

 

O Uso de Maquinaria Avançada

 

Por Christopher Dunn

 

Christopher Dunn é um engenheiro mecânico inglês que desde 1977 vem se questionando sobre a maneira pela qual a pirâmide de Kéops foi construída. Tendo iniciado sua vida profissional como aprendiz em uma companhia de engenharia de Manchester, sua cidade natal, ele se transferiu em 1969 para os Estados Unidos. Iniciando como habilidoso ferramenteiro e especialista em máquinas e ferramentas mecânicas, trabalhou em quase todos os níveis de produção de alta tecnologia, da construção à operação de lasers industriais de grande potência, e chegou ao posto de Engenheiro de Projetos e Gerente de Processos a Laser de uma empresa aeroespacial norte-americana, da qual, atualmente, ele é Gerente Senior.

 

Em visitas que fez ao Egito, esse pesquisador entrou em contato com arqueólogos e perguntou-lhes sobre o método que os antigos egípcios usavam para cortar o granito. Eles explicaram o método das cunhas com água que permitiam rachar a pedra. Rachar a rocha — afirma Dunn — é muito diferente de trabalhá-la e eles não me explicaram como as ferramentas de cobre foram capazes de cortar o granito. Por sugestão dos arqueólogos ele foi até Assuão para ver de perto as marcas deixadas nas pedreiras pelos operários, como essas que vemos na foto ao lado, e o obelisco inacabado que lá se encontra. Depois escreveu: As marcas da pedreira que eu vi lá não me convenceram de que os métodos descritos foram os únicos meios pelos quais os construtores das pirâmides extraíram suas rochas. (...) Na maioria das vezes, as ferramentas primitivas que são descobertas são consideradas contemporâneas dos artefatos do mesmo período. Além disso, durante este período da história egípcia, os artefatos eram produzidos abundantemente, sem que tivessem sobrevivido ferramentas que explicassem sua criação. Os antigos egípcios criaram artefatos que não podem ser explicados em termos simples. As ferramentas não representam integralmente o "estado da arte" que se evidencia nos artefatos. Há alguns objetos intrigantes que sobreviveram ao término daquela civilização e a despeito de seus monumentos mais visíveis e impressionantes, temos apenas um fraco entendimento da total extensão da sua tecnologia. As ferramentas exibidas pelos egiptólogos como instrumentos para a criação de muitos desses artefatos incríveis são fisicamente incapazes de reproduzi-los. Depois de permanecer em reverência diante dessas maravilhas da engenharia, ao nos defrontarmos com uma desprezível coleção de implementos de cobre do Museu do Cairo, de lá saímos pensativos e frustrados.

Um método que tem sido proposto pelos egiptólogos, por exemplo, consiste no emprego de pequenas bolas de diorito, outra pedra ígnea extremamente dura, com as quais os artesãos golpeavam o granito.

Como — pergunta o engenheiro — é possível que qualquer um que tenha visitado o Egito e visto os maravilhosos hieróglicos com seus intrincados detalhes, cortados com precisão surpreendente em estátuas de granito e de diorito, que se elevam quatro metros acima de uma pessoa, proponha que tal trabalho tenha sido feito golpeando-se o granito com uma bola?

Ele destaca que os hieróglifos são incrivelmente precisos, com sulcos quadrados, mais profundos do que largos. Eles seguem contornos exatos e alguns têm sulcos que correm paralelos entre si com distanciamento de menos de um centímetro entre eles. Tais sulcos só podem ter sido cortados com uma ferramenta especial capaz de fender completamente o granito sem lascar a pedra.

Christopher Dunn não é o primeiro a fazer tais questionamentos. Já no século XIX o renomado egiptólogo britânico William Flinders Petrie reconheceu que essas ferramentas eram insuficientes e expressou assombro quanto aos métodos que os antigos egípcios usavam para cortar rochas ígneas tão duras. Ele atribuiu-lhes métodos que nós estamos apenas começando a entender. Dunn afirma que, indubitavelmente, alguns dos artefatos que Petrie estudou foram produzidos usando torno. Há também evidência de marcas de ferramentas de torno claramente definidas em algumas tampas de sarcófagos. O Museu do Cairo contem evidências suficientes, desde que sejam adequadamente analisadas, provando que os antigos egípcios usavam métodos industriais altamente sofisticados.

 

Dunn nos explica que as marcas deixadas nas pedras da Grande Pirâmide permitem que delas se deduzam quais os métodos usados para cortar o material empregado. E, segundo ele, não apenas as pedras da pirâmide, mas também vários outros artefatos indicam, quase indubitavelmente, que foram usadas máquinas pelos construtores daqueles monumentos. Tais artefatos foram estudados por Flinders Petrie e são todos fragmentos de rochas ígneas extremamente duras. Trata-se de peças de diorito e granito, como essa vasilha que Petrie desenhou, as quais exibem marcas que são as mesmas daquelas resultantes do corte de duras rochas ígneas com maquinário moderno. Petrie levantou evidências mostrando que havia tornos sendo usados pelos antigos egípcios.

Também mostrou que eles realizavam tarefas que seriam, pelos padrões atuais, consideradas impossíveis sem técnicas especializadas altamente desenvolvidas. Foi o caso, por exemplo, de terem conseguido criar utensílios côncavos e convexos sem danificar o material.

Apesar dos trabalhos de Petrie, há uma persistente crença entre alguns egiptólogos de que o granito usado na Grande Pirâmide foi cortado usando cinzéis de cobre.

Dunn explica que a liga de cobre mais dura existente hoje em dia é o cobre berílio, não havendo evidência de que os antigos egípcios possuíssem tal liga.

Mas, mesmo que a tivessem, essa liga não é suficientemente dura para cortar granito.

Segundo ele, identificar cobre como o metal usado para cortar granito é como dizer que o alumínio pudesse ser cortado usando-se um cinzel feito de manteiga e, em outro trecho, acrescenta que nós podemos estar inteiramente enganados até mesmo na crença fundamental de que o cobre era o único metal disponível para os antigos egípcios.

Métodos atuais do corte do granito incluem o uso de serras de fita e um abrasivo que tem uma dureza comparável à do diamante e, portanto, é duro o bastante para cortar o cristal de quartzo do granito. A serra não corta o granito, mas é projetada para agarrar o pó do abrasivo, que é o que verdadeiramente faz o corte. Examinando as formas dos cortes feitos em duas peças de basalto examinados por Petrie, Dunn concluiu que é possível que uma serra de fita tenha sido usada, pois parece que deixou sua impressão na pedra. O sulco no fundo do corte tem exatamente a forma do sulco que uma serra desse tipo deixaria. Dunn se pergunta: Se os antigos egípcios realmente usaram serras de fita para cortar pedras duras, elas foram impulsionadas à mão ou à máquina? E responde: Com minha experiência em estabelecimentos metalúrgicos e no número incontável de vezes em que tive que usar serras, tanto manuais quanto elétricas, me parece haver forte evidência de que, pelo menos em alguns casos, foi usado o segundo método.

Ao examinar o sarcófago encontrado dentro da Câmara do Rei na Grande Pirâmide, Petrie observou que em uma de suas extremidades há um lugar onde a serra penetrou muito fundo no granito e foi retirada de volta pelos operários. Ao reiniciarem o trabalho, entretanto, eles ainda o fizeram muito fundamente e duas polegadas abaixo eles retiraram a ferramenta uma segunda vez, depois de terem recortado mais de um décimo de polegada mais profundamente do que pretendiam. Foi também Petrie quem estimou que teria sido necessário aplicar pressão de cerca de uma a duas toneladas sobre serras de bronze com pontas de pedras preciosas para cortar o granito extremamente duro. Se nós concordarmos com estas estimativas — afirma Dunn —, como também com os métodos propostos pelos egiptólogos com relação à construção das pirâmides, então uma forte incongruência existiria entre os dois. Até hoje os egiptólogos não deram crédito a qualquer especulação que sugira que os construtores da pirâmide poderiam ter usado máquinas ao invés de energia humana neste grandioso projeto de construção.

Petrie acreditava que a lógica aponta para o fato de que os cofres de granito achados nas pirâmides de Gizé precisavam ser marcados antes de serem cortados. Era necessário que hovesse uma linha guia para orientar os trabalhadores. É a precisão exibida nas dimensões dos cofres que aponta em tal direção. Além do mais, guias de algum tipo seriam necessárias para alertar os operários de seus erros. Christopher Dunn comenta que as marcas da serra no granito têm certas características que sugerem que elas não eram o resultado de serragem manual. (...)

É extremamente improvável que um grupo de trabalhadores operando uma serra manual de quase três metros de comprimento cortassem através do duro granito tão rapidamente que passassem a linha guia antes de notar o erro. E menos provável ainda que, então, retirassem a serra e repetissem o mesmo erro, como fizeram no sarcófago da Câmara do Rei. Não há nada que confirme a especulação de que este objeto foi o resultado de trabalho puramente manual.

O engenheiro explica que a velocidade com que é operada uma serra manual permite que seu desvio em relação ao curso planejado possa ser detectado e evitado rapidamente. Por outro lado, sendo a serra mecanizada ela pode cortar o material e ultrapassar a linha guia tão rapidamente que o erro é cometido antes que a condição possa ser corrigida. Ele esclarece ainda que no sarcófago de Kéops a serra entrou muito profundamente, foi retirada, e então reintroduzida para que o corte fosse reiniciado em um só lado da incisão. Nesse caso, a pressão excessiva na serra de lâmina iria forçá-la de volta para o corte original. Para se fazer um reinicio deste tipo seria necessário que fosse exercida muito pouca pressão sobre a lâmina. Nessas circunstâncias, é duvidoso que as deduções de Petrie de que duas a três toneladas de pressão seriam necessárias para cortar o granito pudessem ser atendidas.

 

O reinicio no meio de um corte — prossegue o autor —, especialmente num de tais dimensões como o cofre de granito, seria realizado mais facilmente com uma serra mecanizada do que com uma serra manual. Com uma serra manual há pouco controle sobre a lâmina em uma situação como essa, e seria difícil de avaliar precisamente a quantia de pressão necessária. Além disso, a lâmina da serra manual iria se mover bastante lentamente; um fato que questionaria ainda mais a idéia do emprego de uma serra manual. A uma velocidade tão lenta e com muito pouca pressão, a realização do objetivo seria quase, se não totalmente, impossível. Com uma serra mecanizada, por outro lado, a lâmina move-se rapidamente, e seu controle é possível. A lâmina pode ser mantida em uma posição fixa, com pressão uniforme por todo o comprimento da lâmina, e na direção necessária ao reinicio. Esta pressão dianteira e lateral pode ser mantida com precisão até que material suficiente tenha sido removido da peça trabalhada para permitir a continuação na velocidade de corte normal. O fato que uma velocidade normal de corte foi atingida logo após a retificação do engano pode ser deduzido notando-se que no cofre da Grande Pirâmide o engano se repetiu duas polegadas mais adiante. Este é outro exemplo da lâmina cortando o granito no lugar errado mais rapidamente do que foi possível aos homens detectar e interromper.

Existe um outro método para corrigir um engano quando se usa uma serra manual, desde que o erro ocorra apenas em uma área pequena do corte. Consiste em inclinar a lâmina e continuar cortando na área não estragada, de forma que quando a lâmina atinge a área que precisa ser corrigida ela passa a ser sustentada pelo novo corte inclinado e tem força suficiente para combater qualquer tendência em seguir o corte reto original. Esse método poderia ter sido utilizado no cofre da pirâmide de Kéops. Mas caso isso tivesse realmente ocorrido, as linhas da serra que nele aparecem após o ponto em que foi cometido o engano seriam diferentes das linhas da serra antes do erro, porque elas estariam em ângulo. Entretanto isso não ocorre e todas as marcas deixadas pela serra antes e após o erro são horizontais. Qualquer argumento propondo que o engano foi superado inclinando-se a lâmina, o qual, provavelmente, seria o único método eficaz usando-se uma serra manual, fica invalidado. Esta evidência aponta para a probabilidade totalmente diferente de que os construtores das pirâmides possuíam maquinaria motorizada quando cortaram o granito encontrado dentro da Grande Pirâmide e da pirâmide de Kéfren — conclui Dunn.

 

A parte interna do cofre de granito da Câmara do Rei foi escavada com uso de métodos semelhantes aos que são empregados atualmente para moldar o interior de determinados objetos. As marcas das ferramentas indicam que primeiro foram feitos cortes grosseiros perfurando buracos no granito ao redor da área que seria removida. Segundo Petrie, os buracos foram feitos com brocas de tubo, as quais deixam um miolo central, semelhante a este cujo desenho vemos acima, que precisa ser retirado depois do buraco ter sido feito. Só depois que todos os buracos foram feitos e todos os miolos removidos é que o cofre deve ter sido trabalhado manualmente para atingir a dimensão desejada. Aqui também foram cometidos erros e num dos pontos se nota que o orifício não foi feito de forma perfeitamente vertical e que "comeu" a lateral do cofre além daquilo que estava previsto. Isso significa que mais uma vez, enquanto trabalhavam com a broca no granito, os operadores cometeram um erro antes de terem tempo para corrigi-lo, sendo que nesse caso o erro se estendeu até cerca de 20 centímetros abaixo do topo original do cofre.

 

A especulação então é a de que se a broca fosse manual seria necessário retirá-la periodicamente para permitir a limpeza do miolo central do orifício. Dificilmente os operadores poderiam ter perfurado cerca de 20 centímetros granito adentro sem precisar remover suas brocas. É possível, então, que retiradas freqüentes da broca mostrassem o erro cometido e que eles notassem a direção errada que a broca estava tomando antes que fizessem um talho no lado do cofre e, assim, não teriam mantido a broca no caminho errado até uma profundidade de cerca de 20 centímetros. Aqui parece que se repetiu a mesma situação que ocorrera com a serra, ou seja, duas operações de alta velocidade nas quais foram cometidos erros antes que os operadores tivessem tempo de corrigi-los.

 

Embora não se dê aos antigos egípcios o crédito de terem usado uma simples roda — afirma Christopher Dunn —, a evidência prova que eles não só usaram a roda, como deram a ela um uso mais sofisticado. A evidência de trabalho com torno mecânico é claramente observável em alguns dos artefatos existentes no Museu do Cairo, como também naqueles que foram estudados por Petrie. Dois pedaços de diorito na coleção de Petrie foram identificados por ele como sendo

o resultado de verdadeiro torneamento em um torno mecânico. Dunn esclarece que podem ser criados objetos complicados sem a ajuda de maquinaria: basta simplesmente esfregar o material com um abrasivo como areia e usar um pedaço de osso ou madeira para aplicar pressão. Entretanto, Petrie afirmou que as relíquias que ele examinara, como algumas dessas que vemos acima, não poderiam ser produzidas por qualquer processo de abrasão ou fricção exercido sobre a superfície.

Petrie examinou uma prosaica tijela de pedra. Observando-a detalhadamente percebeu que nela havia um vértice afiado onde dois raios se cruzavam. Isso indicava que os raios tinham sido cortados em dois eixos separados de rotação. Ao examinar outras peças de Gizé, Petrie achou outro fragmento de tigela que tinha as marcas de verdadeiro torneamento em torno mecânico. Dunn afirma que ao visitar o Museu do Cairo também encontrou evidência do uso do torno mecânico em larga escala como, por exemplo, numa tampa de sarcófago cuja foto vemos acima. Examinando-a detalhadamente e baseado em sua experiência como metalúrgico, concluiu que as marcas das ferramentas deixadas na peça correspondem ao formato e localizam-se exatamente onde se poderia esperar que estivessem caso o sarcófago tivesse sido moldado com uso de tornos.

Para fazer orifícios existe uma técnica que é chamada de trepanação. Ela deixa como resíduo um miolo central do material que está sendo perfurado. Os construtores das pirâmides usaram essa técnica. Uma das peças que Petrie estudou foi um desses miolos, que aparece como a oitava figura do desenho acima. Examinando as marcas de ferramenta que deixaram um sulco helicoidal simétrico nesse artefato tirado de um orifício perfurado em um pedaço de granito, Petrie concluiu que o ferramental egípcio penetrava a uma taxa de um centésimo de polegada a cada revolução da broca.

As brocas modernas, por sua vez, só conseguem penetrar a uma taxa de dois milésimos de polegada por revolução. Isso significa que os antigos egípcios conseguiam cortar granito com uma taxa de alimentação que era 500 vezes maior ou mais profunda por revolução da broca do que as brocas modernas.

Duas outras características das peças examinadas por Petrie também chamaram a atenção. A primeira foi que tanto o orifício quanto o miolo dele extraído têm uma forma cônica que se afunila em direção à extremidade. A outra é que o sulco helicoidal entrou nos componentes do granito de forma estranha, ou seja, penetrou mais produndamente no quartzo, material mais duro, do que no feldspato, mais macio. Christopher Dunn comenta que o afunilamento indica um aumento na superfície da área de corte da broca à medida em que ela ia cortanto mais profundamente, conseqüentemente um aumento na resistência. Uma alimentação uniforme sob tais condições, usando método manual, seria impossível. Petrie teorizou que foram aplicadas uma tonelada ou duas de pressão a uma broca tubular feita de bronze incrustada com jóias. Porém, isto não leva em conta que sob centenas e centenas de quilos de pressão as jóias iriam, indubitavelmente, abrir seu caminho na substância mais macia, deixando o granito relativamente incólume depois do ataque. Nem este método explica como o sulco poderia ser mais fundo através do quartzo.

Nem todos os egiptólogos concordam com Petrie, pois consideram muito improvável que os egípcios tivessem conhecimento tecnológico suficiente para cortar pedras preciosas formando dentes e prendê-las no metal de tal maneira que elas suportassem a tensão do uso pesado, fabricando assim a broca sugerida. O que esses estudiosos sugerem é que foi usado um pó abrasivo em conjunto com serras e brocas de cobre macio. Então, provavelmente, pedaços do abrasivo penetraram no metal da broca, permanecendo ali por algum tempo e formando dentes acidentais e temporários, criando assim o mesmo efeito que dentes intencionais e permanentes criariam e foi a retirada da broca de tubo para remover o miolo e inserir abrasivo novo no orifício que criou os sulcos na peça.

Dunn também discorda dessa opinião: É duvidoso que uma ferramenta simples que está sendo rotacionada à mão permaneça virando enquanto os artesãos a retiram do orifício. Igualmente, colocando a ferramenta de volta em um orifício limpo com abrasivo novo não seria necessário fazê-la girar até que estivesse no lugar. Também há a questão do afunilamento no orifício e no miolo. Ambos proveriam efetivamente a liberação entre a ferramenta e o granito, tornando impossível sob tais condições o estabelecimento de contato suficiente para criar os sulcos.

Christopher Dunn acredita que tem a explicação de como os orifícios e os miolos achados em Gizé podem ter sido cortados. Segundo ele, o único método que satisfaz a lógica, do ponto de vista técnico, e explica todos os fenômenos observados é a aplicação de maquinaria ultra-sônica. Essa maquinaria produz o movimento oscilatório de uma ferramenta que lasca o material e o arremessa para longe, como um britadeira que lança para longe um pedaço de pavimento de concreto. A diferença é que ela é muito mais rápida, vibrando entre 19 mil e 25 mil ciclos por segundo. Um abrasivo aquoso ou em pasta é usado para apressar a ação cortante. Em síntese, a maquinaria ultra-sônica usa um processo de desagregação abrasivo-oscilatório.

O estranho detalhe de que o sulco helicoidal penetrou mais produndamente no quartzo, material mais duro, do que no feldspato, mais macio, também pode ser explicado por sua teoria — acredita Christopher Dunn. Ele esclarece que são empregados cristais de quartzo na produção do ultra-som e, reciprocamente, são suscetíveis à influência de vibrações nas gamas ultra-sônicas e podem ser induzidos a vibrar em alta freqüência. Ao trabalhar o granito usando ultra-sonografia, o material mais duro (quartzo) não ofereceria necessariamente maior resistência, como aconteceria durante práticas de emprego de maquinarias convencionais. Uma ferramenta de corte vibrando ultra-sonicamente encontraria numerosos sócios simpatizantes enquanto cortasse o granito, embutidos diretamente no próprio granito! Em vez de resistir à ação cortante, o quartzo seria induzido a responder e vibrar em consonância com as ondas de alta freqüência e ampliaria a ação abrasiva à medida em que a ferramenta cortasse através dele.

Embora a formação de sulcos não fosse esperada nas peças trabalhadas com ultra-som, já que esse atua mais por um processo de trituração do que por ação rotacional, o pesquisador acredita que eles podem ter sido criados por várias razões: um fluxo desigual de energia pode ter feito a ferramenta oscilar mais em um lado do que no outro; a ferramenta pode ter sido impropriamente montada, ou um acúmulo de abrasivo em um lado da ferramenta pode ter cortado o sulco à medida em que a ferramenta se movia no granito. Por outro lado, é preciso que se entenda que a ferramenta pode ter sofrido não apenas movimento oscilatório, mas também giratório, visando forçá-la através do granito, o que teria causado os sulcos.

  

O formato cônico do orifício e do miolo são normais porque no emprego dequalquer ferramenta cortante é necessário que ela possa ser liberada da superfície da peça que está sendo trabalhada. Nesse caso, ao invés de termos um tubo contínuo, teríamos um tubo cuja espessura da parede ficaria gradualmente mais fina ao longo de seu comprimento. O diâmetro externo ficando gradualmente menor criaria a liberação entre a ferramenta e o orifício e o diâmetro interno, ficando maior, criaria a liberação entre a ferramenta e o miolo central. Isto permitiria que um fluxo livre da pasta fluída usada como abrasivo pudesse alcançar a área cortante. Uma broca tubular com tal feitio também explicaria o afunilamento das laterais do orifício e do miolo. Usando uma broca desse tipo feita de material mais macio do que o abrasivo, a extremidade cortante iria se desgastando gradualmente. As dimensões do orifício, portanto, corresponderiam às dimensões da ferramenta no instante do corte. Na medida em que a ferramenta ia se desgastando, o orifício e o miolo iam refletindo esse desgaste na forma de um cone. É isso o que ilustra a figura acima. Nela vemos o progresso da perfuração em granito com o emprego de uma broca ultra-sônica (vibratória). A broca avança um centésimo de polegada mais o desgaste da própria ferramenta para cada rotação da manivela "A".

Christopher Dunn afiança que a ultra-sonografia soluciona todas as perguntas sem resposta que as demais teorias não conseguiram responder com relação a todos os aspectos da existência das marcas no material examinado por Petrie. É quando procuramos um único método que possa dar resposta para todos os dados — diz ele —, que nos afastamos daqueles mais primitivos e até mesmo da maquinaria convencional e somos forçados a considerar métodos que são um pouco anômalos para aquele período da história. Estudos adicionais precisam ser feitos dos miolos; realmente já foi sugerido que se reproduza os miolos usando-se os métodos que eu proponho e aqueles propostos por alguns egiptólogos usando métodos primitivos. Após essa reprodução, uma comparação dos miolos deveria ser feita usando equipamento de metrologia e um microscópio de escaneamento eletrônico. Mudanças microscópicas na estrutura do granito podem acontecer devido a pressão e calor enquanto está sendo trabalhado. É duvidoso que egiptólogos compartilhem minhas conclusões referentes aos métodos de perfuração dos construtores da pirâmide e seria benéfico executar esses testes para provar conclusivamente os verdadeiros métodos usados pelos construtores da pirâmide para cortar pedra.

 

Em fevereiro de 1995 Christopher Dunn esteve no Cairo e aproveitou a oportunidade para medir alguns dos artefatos produzidos pelos construtores das pirâmides. Segundo ele, tais medições provaram, sem sombra de dúvida, que ferramentas e métodos altamente avançados e sofisticados foram empregados por essa antiga civilização. Dunn examinou três peças usando alguns instrumentos especiais que adquirira. Um deles visava determinar a precisão com a qual os artefatos haviam sido confeccionados. O primeiro objeto que inspecionou foi o sarcófago do interior da pirâmide de Kéfren, que vemos na foto acima. Ele se surpreendeu ao verificar que a superfície do interior da caixa era perfeitamente lisa e plana. Também lhe pareceu que os cantos internos arredondados do sarcófago tinham um raio uniforme em toda sua extensão, sem variação da precisão da superfície no ponto de tangenciamento.

As perguntas que lhe vieram à mente foram: Por que o interior de uma enorme caixa de granito foi acabada com a exatidão que usamos em placas de revestimento de precisão? Como fizeram isso? E por que fizeram isso? Por que consideraram essa peça tão importante que se deram a tão grande trabalho? Seria impossível fazer esse tipo de trabalho no interior de um objeto manualmente. Mesmo com a maquinaria moderna, seria uma tarefa muito difícil e complicada.

Seria uma tarefa grandemente problemática a de polir o interior da caixa com a precisão que se observa no sarcófago, a qual resultou numa superfície completamente plana no ponto onde as laterais encontram os cantos curvos. Há problemas físicos e técnicos associados com uma tarefa como essa que não são fáceis de resolver. Poderiam ser usadas brocas para desbastar o interior, mas quando se trata de terminar uma caixa deste tamanho com uma profundidade interior de 75,15 centímetros enquanto se mantém um raio no canto de menos de 1/2 polegada, há alguns desafios significativos para superar.

 

O pesquisador também teve oportunidade de examinar os túneis cavados narocha no Serapeum, em Saqqara. Lá se encontram 21 enormes sarcófagos de granito, como este que vemos acima, que pesam, juntamente com suas respectivas tampas, cerca de 100 toneladas cada um. A matéria-prima foi extraída a cerca de 800 quilômetros de distância, nas pedreiras de Assuão. Cada peça tem, aproximadamente, quatro metros de comprimento, dois metros e 28 centímetros de largura e 3 metros e 35 centímetros de altura. Estão instalados em criptas escavadas na pedra calcária em intervalos regulares ao longo dos túneis. O piso das criptas fica cerca de um metro e 20 centímetros abaixo do piso do túnel e os sarcófagos estão colocados em recessos centrais. Ao examinar esse conjunto, Christopher Dunn se questionou sobre os problemas de engenharia existentes para instalar tais caixas enormes em espaços confinados e com a última cripta localizada próximo ao fim do túnel. Como colocá-las no lugar se ali não havia espaço para que centenas de escravos puxando cordas pudessem posicionar os sarcófagos?

Ao examinar o lado externo de um desses sarcófagos, Dunn constatou que era uma superfície perfeitamente plana, sem qualquer desvio. Examinou ainda o interior de outro sarcófago desses e constatou, novamente, que a superfície era absolutamente plana. Ele também checou uma tampa e a superfície sobre a qual ela se apoiava e constatou, pela terceira vez, que ambas eram perfeitamente planas. Isso produzia um fechamento hermético no caixão, já que duas superfícies absolutamente planas entravam em contato e o peso de uma delas expulsava o ar existente entre ambas.

 

Finalmente, usando um esquadro de altíssima precisão, inspecionou o ângulo formado entre essa tampa de 27 toneladas e a superfície interior do sarcófago sobre o qual ela se apoiava. Verificou que o lado inferior da tampa e a parede interior da caixa formavam um ângulo reto absolutamente perfeito e que o fato se dava não apenas num lado da caixa, mas em ambos, o que aumenta o nível de dificuldade para realizar esse feito.

Pense nisso como uma realidade geométrica — comentou Chistopher Dunn. Para que a tampa fique no esquadro com as duas paredes internas, estas têm que ser paralelas entre si ao longo do eixo vertical. E ainda mais, a parte superior da caixa precisa formar um plano que esteja no esquadro com as laterais. Isso torna o acabamento do interior exponencialmente mais dificil. Os fabricantes desses sarcófagos do Serapeum não apenas criaram superfícies internas que são planas quando medidas vertical e horizontalmente, mas também se certificaram de que as superfícies que estavam criando estivessem no esquadro e paralelas umas com as outras, com uma superfície, o topo, tendo laterais que estão afastadas entre si entre 1,5 e 3 metros. Mas sem tal paralelismo e sem o perfeito esquadro da superície do topo, o perfeito esquadro notado em ambas as laterais não poderia existir.

 

Realizando seu trabalho, Chistopher Dunn sentia a atmosfera carregada de poeira do interior daqueles túneis, o que tornava difícil a respiração. Ficou então imaginando o desconforto e quão insalubre seria dar acabamento a qualquer uma daquelas enormes peças de granito, seja lá qual fosse o método empregado. Uma melhor alternativa seria executar o trabalho fora daquele ambiente. Eu estava tão surpreso com este achado — escreveu ele — que não me ocorreu, a não ser mais tarde, que os construtores destas relíquias, por alguma razão esotérica, desejavam que elas fossem extremamente precisas. Eles tinham se dado ao trabalho de trazer para o túnel o produto inacabado e terminaram-no no subterrâneo por uma boa razão! Essa é a coisa lógica a fazer se você requer um alto grau de precisão na peça em que está trabalhando. Terminar a peça com tal precisão em um local que mantivesse uma atmosfera diferente e uma temperatura diferente, como ao ar livre debaixo do sol quente, significaria que quando ela fosse finalmente instalada dentro do túnel frio, numa temperatura semelhante à de uma caverna, aquela precisão seria perdida. O granito mudaria sua forma por expansão e contração térmica. A solução, naquela época como hoje em dia, é claro, é preparar superfícies de precisão no local no qual elas deverão ser utilizadas.

Com que propósito os egípcios extraíram de suas minas blocos de granito de 90 toneladas, escavaram seu interior e o fizeram com tão alto nível de precisão? Por que acharam necessário trabalhar a superfície no topo desta caixa de maneira a torná-la perfeitamente plana de forma que uma tampa, com uma superfície no seu lado inferior igualmente plana, se assentasse perfeitamente no esquadro com relação às paredes interiores do sarcófago? Dunn comenta que ninguém faz esse tipo de trabalho a menos que haja um elevado propósito para o artefato. Até mesmo a idéia deste tipo de precisão não ocorreria a um artesão, a menos que não houvesse nenhum outro meio para atingir aquilo que se pretendia que o artefato fizesse.

A única outra razão pela qual tal precisão poderia ser implantada em um objeto seria a de que as ferramentas usadas para criá-lo fossem tão precisas que fossem incapazes de produzir qualquer coisa menos exata. Em qualquer dos dois cenários, estamos olhando para uma civilização de um nível mais alto do que aquele que é normalmente aceito hoje em dia. Para ele as implicações desse fato são surpreendentes e enfatiza: É por isso que acredito que estes artefatos que examinei no Egito são a evidência incontestável que prova, sem sombra de dúvida, que uma civilização mais adiantada do que aquela que aprendemos existiu no antigo Egito. A evidência está gravada na pedra. Pode-se argumentar que a falta de maquinaria refuta a existência de uma sociedade avançada entre os antigos egípcios. Mas Dunn contesta tal argumento dizendo que uma falta de evidência não é evidência. É falacioso negar ou ignorar o que existe argumentando com aquilo que não existe. O autor sugere que sejam feitos estudos mais aprofundados nesses sarcófagos para que se descubra que finalidade levou os artífices egípcios a buscarem tão alto grau de precisão, já que a intenção nesse sentido está bastante clara. Talvez as superfícies das caixas até estejam acabadas com precisão ótica. Se assim for, por quê? Entretanto, não era o objetivo de Christopher Dunn analisar esse tipo de detalhe.

Quando retornou aos Estados Unidos, Dunn contatou quatro fabricantes de granito de precisão e não encontrou ninguém que pudesse fazer um artefato semelhante. Um deles informou que um pedaço de granito daquele tamanho deve pesar cerca de 90.000 quilos e, se uma peça daquele tamanho estivesse disponível, seu custo seria enorme. O pedaço do granito bruto valeria algo em torno de 115 mil dólares. Este preço não incluiria o corte do bloco no tamanho adequado ou qualquer custo de frete. O próximo problema óbvio seria o transporte. Seriam necessárias muitas licenças especiais a serem emitidas pelos órgãos competentes que custariam outros milhares de dólares. E, entretanto, os egípcios moveram esses pedaços de granito por quase 800 quilômetros. O mesmo fabricante informou que sua empresa não tinha o equipamento ou a capacidade técnica para produzir caixas semelhantes. O que poderiam fazer seria produzir as caixas em cinco pedaços, transportá-los até o cliente e juntá-los no local.

O terceiro objeto que Chistopher Dunn examinou, e que vemos na foto acima, foi um pedaço de granito encontrado nas proximidades do planalto de Gizé e sobre o qual concluiu que os construtores das pirâmides tiveram que usar uma máquina capaz de executar contornos precisos em três eixos de movimentação (X-Y-Z) para guiar a ferramenta num espaço tridimensional e criar a peça. Ainda que sejam inacreditavelmente precisas, superfícies planas normais, simples geometricamente, podem ter sua fabricação explicada através de métodos simples. Entretanto, a peça encontrada suscitou na mente de Dunn não apenas a pergunta: Que ferramenta foi usada para cortá-la?, mas também outra indagação muito mais complexa: O que guiou a ferramenta de corte? 

Como introdução para a resposta, o autor explica que muitos dos artefatos que a civilização moderna criou seriam impossíveis de produzir usando-se trabalho puramente manual. Estamos rodeados por artefatos que são o resultado da criação de ferramentas que superam nossas limitações físicas. Nós desenvolvemos máquinas ferramentas para criar os moldes que produzem os contornos estéticos dos carros que dirigimos, dos rádios que escutamos e dos eletrodomésticos que usamos. Para criar os moldes que produzem tais artigos, uma ferramenta cortante tem que seguir com precisão um contorno predeterminado em três dimensões. Em algumas aplicações ela irá se mover em três dimensões usando, simultaneamente, três ou mais eixos de movimentação. O artefato que ele examinou exigiria um mínimo de três eixos de movimentação para sua confecção.

Quando a indústria de ferramentas elétricas era relativamente jovem, foram empregadas técnicas onde a forma final era dada à mão, usando modelos como guia. Hoje, com o uso de máquinas controladas por computador, pouco se usa o trabalho manual. Um pequeno polimento para remover marcas indesejáveis da ferramenta talvez seja o único trabalho manual requerido. Então, para descobrir que um artefato foi produzido em tal máquina, precisamos encontrar uma superfície precisa com sinais das marcas de ferramenta que mostrem o caminho da ferramenta em si. Isto foi o que Chistopher Dunn encontrou em Gizé, aproximadamente dez metros a leste da segunda pirâmide. Eram dois pedaços de granito que tinham sido originalmente um único pedaço, mas que se quebrara. O pesquisador teve sua atenção despertada pela precisão do contorno e sua simetria. Os dois objetos encontrados, quando juntos, assemelhavam-se a um pequeno sofá. O assento é um contorno que se funde com as paredes dos braços e com o encosto. O autor examinou-o e considerou-o extremamente preciso. A conclusão a que chegou é a de que houve uso de maquinaria motorizada de alta velocidade e que técnicas modernas de mecânica não convencional foram empregadas na fabricação dos artefatos de granito achados em Gizé e em outros locais no Egito. Dunn advoga que se faça um estudo sério e oficial por pessoas qualificadas, de mente aberta, que poderiam abordar o assunto sem noções preconcebidas.

Em termos de um entendimento mais amplo do nível de tecnologia empregado pelos antigos construtores das pirâmides — ele comenta, as implicações dessas descobertas são tremendas. Nós não só estamos diante de fortes evidências que parecem nos ter escapado durante décadas, e que oferecem indícios adicionais que provam que os antigos egípcios estavam bem avançados, mas também temos oportunidade de reanalisar tudo de uma perspectiva diferente. Entender como algo é feito abre uma dimensão diferente na tentativa de determinar porque foi feito. A precisão nestes artefatos é irrefutável. Até mesmo se nós ignorarmos a pergunta de como eles foram produzidos, estaremos ainda face à questão do porque tal precisão foi necessária.

Ainda que possamos admitir que máquinas avançadas realmente tenham sido empregadas, fica a pergunta: onde estão as máquinas? Quanto a tal assunto o pesquisador inglês pondera que máquinas são ferramentas e que nenhuma ferramenta foi encontrada para explicar qualquer teoria sobre como as mais de 80 pirâmides foram construídas ou caixas de granito foram cortadas. Até mesmo se nós aceitássemos a noção de que ferramentas de cobre são capazes de produzir esses artefatos incríveis, os poucos instrumentos de cobre que foram descobertos não representam o número de tais ferramentas que teriam que ter sido usadas se cada canteiro que trabalhou nas pirâmides, apenas em Gizé, possuísse uma ou duas delas.

Depois de garantir existirem poucas dúvidas de que subestimamos seriamente as capacitações dos antigos construtores das pirâmides, Christopher Dunn escreve: A interpretação e o entendimento de um nível de tecnologia de uma civilização não deveriam depender da preservação de um registro escrito de toda a técnica que eles tenham desenvolvido. Os fatos básicos de nossa sociedade nem sempre merecem elogios e uma pedra testamento mural, muito provavelmente, seria erigida para transmitir uma mensagem ideológica, ao invés da técnica empregada para entalhá-la. Registros da tecnologia desenvolvidos pela nossa moderna civilização permanecem em mídia vulnerável e poderiam deixar de existir no caso de uma catástrofe mundial, tais como uma guerra nuclear ou uma nova idade do gelo. Por conseguinte, depois de vários milhares de anos, uma interpretação dos métodos usados por um artesão poderia ser mais precisa do que uma interpretação do seu idioma. O idioma da ciência e da tecnologia não tem a mesma liberdade da fala. Assim, embora as ferramentas e máquinas não tenham sobrevivido milhares de anos após seu uso, nós temos que assumir, por análise objetiva da evidência, que elas existiram.

 

A teoria de Christopher Dunn de que os antigos egípcios perfuravam granito usando maquinaria ultra-sônica baseia-se no livro do famoso egiptólogo britânico William Flinders Petrie, intitulado "Pyramids and Temples of Gizeh". Nessa obra, Petrie descreve um artefato, que vemos na foto acima, com marcas de um processo de perfuração que deixa um sulco helicoidal no granito, indicando que a ferramenta penetrou naquele material a uma taxa de um centésimo de polegada a cada revolução da broca, uma porcentagem excessivamente alta para os métodos convencionais. Entretanto, após um exame físico desse artefato, dois pesquisadores, um engenheiro acústico e um especialista em pedras de cantaria, concluíram que os sulcos não eram espirais, mas círculos individuais e informaram que isso é comum em qualquer miolo produzido em qualquer pedreira inglesa, sem uso de máquinas de ultra-som. Ao ler a respeito, Christopher Dunn, considerando que o sulco helicoidal era a principal característica da peça que o levou a sugerir o emprego de ultra-som, fez em seu site na Internet uma declaração de que suspendia todas as afirmações que fizera sobre o uso de maquinaria ultra-sônica pelos antigos egípcios nos processos de perfuração do granito.

Para tirar suas dúvidas e confirmar ou não sua teoria, Dunn viajou até a Inglaterra e visitou o Museu Petrie, no qual se encontra guardado o artefato que deu origem à polêmica, conhecido como miolo N.º 7. Ao pegar a peça que nunca vira nas mãos, o pesquisador sentiu-se desapontado com sua insignificância. Mais desapontado ainda ficou por achar que o grande egiptólogo Petrie havia cometido um engano ao avaliá-la. Os sulcos pareciam realmente ser circulares e não helicoidais. Ainda que decepcionado, já que estava lá, resolveu fazer as medições que programara.

Para verificar se os sulcos formavam uma helicóide ou não, Dunn usou um método primitivo, porém eficaz: encaixou no sulco uma linha de algodão branca e acompanhou sua trajetória com a linha. O sulco variava em profundidade à medida em que circulava a peça e em alguns pontos era apenas um fraco arranhão imperceptível a olho nu. O que Petrie escreveu sobre esse miolo não estava totalmente correto. Ele se refere a um único sulco helicoidal, mas na realidade existem dois sulcos helicoidais paralelos. Dunn repetiu o teste em aproximadamente sete locais diferentes da peça, obtendo sempre os mesmos resultados. Os sulcos estão cortados no sentido dos ponteiros do relógio, partindo da extremidade mais fina do miolo para sua extremidade mais grossa, o que significa do topo para a base. Eles chegam visivelmente até o ponto em que a peça foi quebrada para ser retirada do orifício onde foi gerada. Os sulcos têm a mesma profundidade tanto no topo quanto na base do miolo e o passo circunferencial também é uniforme nos dois extremos.

A constatação mais importante para provar a tese de Christopher Dunn foi a de que não há estriamentos horizontais ou anéis, mas sim sulcos helicoidais que descem em espiral pelo miolo como um filete de rosca com duplo ponto de partida.

Os estudos de Christopher Dunn levaram-no a se convencer de que ainda temos muito a aprender com nossos antepassados distantes e que para tanto basta que possamos abrir nossas mentes e aceitar que outra civilização de uma época longínqua possa ter desenvolvido técnicas industriais que são tão grandes ou talvez até maiores que as nossas. (...)

Com uma tão convincente coleção de artefatos que provam a existência de maquinaria de precisão no Egito antigo, a idéia que a Grande Pirâmide foi construída por uma civilização avançada que habitou a Terra a milhares de anos atrás fica mais admissível. Eu não estou propondo que esta civilização estivesse tecnologicamente mais avançada que a nossa em todos os níveis, mas me parece que no que se refere ao trabalho de alvenaria e construção eles excediam as capacitações e especificações atuais. Depois de informar que muitos profissionais ao redor do mundo pesquisam para achar respostas aos vários mistérios não solucionados que indicam que nosso planeta Terra abrigou outras sociedades avançadas no passado distante, o autor conclui que seria ilógico, dogmaticamente, aderir a qualquer visão teórica relativa às civilizações antigas.

http://www.geocities.com/tioisma2002/maquinaria.htm

http://www.geocities.com/tioisma2002/maquinaria2.htm

http://www.geocities.com/tioisma2002/maquinaria3.htm

 

Magnetismo

 

Muito se tem discutido sobre as técnicas que eventualmente poderiam ter sido usadas pelos antigos egípcios para cortar os enormes blocos que formam as grandes pirâmides de Gizé. Menor atenção tem sido destinada aos métodos que podem ter sido usados para transportar e levantar blocos ciclópicos de pedra. A solução proposta pela visão clássica é a de que os blocos foram movidos e colocados em seus lugares apenas com o uso da força braçal. Entretando, especialistas em movimentação de grandes pesos com emprego de modernos guindastes levantam dúvidas a respeito. Christopher Dunn, um engenheiro mecânico inglês que trabalha nos Estados Unidos e que desde 1977 vem se questionando sobre a maneira pela qual as pirâmides foram construídas, escreveu um artigo para uma revista americana no qual debate a questão.

 

Minha empresa instalou recentemente uma prensa hidráulica pesando 65 toneladas — ele escreveu. Para erguê-la e depois baixá-la pelo telhado, foi necessário um guindaste especial. O guindaste foi trazido para o local desmontado e foi transportado de uma distância de 128 quilômetros, consumindo cinco dias de viagem. Depois de 15 descarregamentos terem sido feitos, o guindaste foi finalmente montado e ficou pronto para uso. Um dos manobristas que executou a tarefa informou que o maior peso que ele havia erguido tinha sido uma peça de 110 toneladas de uma usina nuclear. Quando eu falei a ele sobre os pesos de 70 e 200 toneladas dos blocos de pedra usados no interior da Grande Pirâmide e do Templo do Vale, ele expressou assombro e descrença quanto aos métodos primitivos que são propostos pelos egiptólogos.

A seguir Christopher Dunn faz referência ao único homem no mundo que, baseado em experiência própria, afirmou com todas as letras conhecer o segredo de como foram construídas as pirâmides do Egito, mas que morreu sem revelá-lo. Esse homem foi um imigrante da Letônia, um eremita excêntrico chamado Edward Leedskalnin, que construiu sozinho, no interior dos Estados Unidos, um Castelo de Coral com pedras que chegam a pesar até 30 toneladas, como é o caso da que aparece apoiada no chão na foto acima formando um muro. Ele descobriu uma maneira de erguer e manobrar blocos de coral dessa envergadura usando apenas meios manuais. Seria possível para um homem de um metro e meio de altura e 50 quilos de peso realizar tal feito sem conhecer técnicas estranhas ao nosso entendimento contemporâneo de física e mecânica? As realizações desse homem surpreenderam muitos engenheiros e tecnólogos que procuraram compará-las com aquelas conseguidas por trabalhadores que manuseiam pesos semelhantes na indústria atual.

De acordo com o raciocínio do engenheiro inglês, se nós assumirmos que Leedskalnin e os antigos construtores das pirâmides usaram técnicas semelhantes, teremos um enfoque diferente no que diz respeito a quantidade de homens necessários para construir a Grande Pirâmide. As estimativas do número de trabalhadores que ergueram aquela obra oscilam entre 20.000 e 100.000. Mesmo levando-se em conta que a precisão com a qual Leedskalnin trabalhou não foi a mesma usada no Egito, com base naquilo que ele conseguiu, extraindo e erguendo um total de 1.100 toneladas de pedra num espaço de tempo de 28 anos, as 5.273.834 toneladas de pedra usadas na Grande Pirâmide poderiam ter sido postas no lugar por apenas 4.794 trabalhadores.

Eu visitei o Castelo de Coral pela primeira vez em 1992 — afirma Christopher Dunn. Logo ficou claro para mim que a afirmação de Ed era exata. Ele realmente conhecia os segredos dos antigos egípcios. (...) Leedskalnin discordava da maneira pela qual a ciência moderna está entendendo a natureza. Ele afirmava enfaticamente que eles estão errados. Seu conceito de natureza é simples. Toda matéria é constituída por ímãs individuais e é o movimento destes ímãs dentro dos materiais e através do espaço que produz os fenômenos mensuráveis, isto é, magnetismo e eletricidade. Dunn acredita que Leedskalnin a partir dessa premissa, quer ela seja correta ou não, pode ter descoberto meios de elevar e manobrar grandes pesos manualmente, o que seria impossível usando métodos convencionais. Especula-se que ele teria usado eletromagnetismo para eliminar ou reduzir a força gravitacional da Terra. Nem todos concordam com esse ponto de vista.

Prosseguindo seu artigo, Dunn faz uma especulação que tenta levar a premissa básica de Leedskalnin relativa à natureza da eletricidade e do magnetismo a uma conclusão que tenha algum contato com a lógica. Ele pondera que talvez aquilo que aprendemos sobre o assunto não se aplique necessariamente à busca e à descoberta de uma solução verdadeira. A pergunta a ser respondida nesse caso é a seguinte: O que é anti-gravidade?

E a resposta é: meios pelos quais os objetos podem ser erguidos, superando a força gravitacional da Terra. Nós aplicamos técnicas anti-gravitacionais em nossa vida cotidiana. Quando saímos da cama pela manhã, nós empregamos a anti-gravidade. Um avião e um elevador, por exemplo, são tecnologias inventadas para superar os efeitos da gravidade. Estamos trabalhando sob a suposição de que para criar um dispositivo anti-gravitacional a gravidade já seja um fenômeno totalmente conhecido e compreendido e que a tecnologia tem condições de anulá-la. Mas, não é bem assim. A verdade é que ainda nos escampam a natureza da gravidade e a maneira de produzir ondas que possam interferir sobre ela.

E se na realidade não existe essa coisa chamada gravidade? E se as forças naturais que nós já conhecemos forem suficientes para explicar os fenômenos visíveis que nós etiquetamos como gravidade? E se, como reivindica Leedskalnin, tudo se reduz a ímãs individuais, as propriedades conhecidas de um ímã não seriam suficientes? Nós sabemos que polos semelhantes se repelem e que polos opostos se atraem. Nós também sabemos que podemos suspender um ímã sobre outro, contanto que não permitamos que os polos opostos se atraiam. Ímãs procuram se atrair e, entregues a si mesmos, alinharão seus polos opostos uns aos outros. Se um ímã grande for suspenso por cima de um ímã menor, dependendo da proporção entre eles, a distância entre os ímãs será diminuída até o ponto em que o ímã menor não seja capaz de exercer força suficiente para se elevar. A terra, sendo o ímã maior, emite fluxos de energia magnética que segue linhas de força que há séculos sabemos que existem. Se nós assumirmos, como fez Leedskalnin, que todos os objetos são ímãs individuais, nós também podemos assumir que uma atração existe entre estes objetos devido à natureza inerente de um ímã que busca alinhar um polo oposto a outro. Talvez os meios que Leedskalnin tenha encontrado para trabalhar com a força gravitacional da Terra não tenha sido nada mais complicado do que inventar meios pelos quais o alinhamento dos elementos magnéticos dentro de seus blocos de coral pudesse ser ajustado para resistir aos fluxos do magnetismo terrestre.

É bem sabido que Leedskalnin trabalhava sozinho e, portanto, seus métodos tinham que ser necessariamente simples. Christopher Dunn prossegue esclarecendo que um método conhecido para criar magnetismo em uma barra de ferro consiste em alinhá-la com o campo magnético da Terra e golpeá-la com um martelo. Isso faz vibrar os elementos na barra e lhes permite serem influenciados pelo campo magnético dentro do qual se encontram. O resultado é que quando a vibração cessa, um número significativo dos átomos se alinharam dentro deste campo magnético. Numa oficina dentro do castelo, existe um mecanismo que dispõe de uma espécie de volante e o qual se afirma serviria para gerar eletricidade, mas é duvidoso que fosse possível conseguir tal objetivo apenas girando a roda com as mãos. O conjunto todo é formado por um velho carter de um veículo de quatro cilindros e barras magnéticas que foram intercaladas entre duas placas. Na parte superior há uma engrenagem circular. Para dar peso e solidificar todo o conjunto, Leedskalnin envolveu as barras magnéticas com cimento.

 

Uma foto antiga, que vemos acima, mostra Leedskalnin com a mão na manivela existente no conjunto, dando a impressão de que para fazê-lo funcionar seria necessário girar o artefato. É possível, entretanto, que Leedskalnin usasse a manivela apenas para dar partida a um motor de movimento alternado, atualmente perdido, que se fixava em uma das extensões do eixo. Ele poderia, então, afastar-se e deixar a máquina funcionando.

Ao examinar esse mecanismo, Christopher Dunn imaginou que as barras magnéticas eram usadas na realidade para provocar vibração na peça que Leedskalnin estivesse tentando erguer. O cárter estava firmemente preso a um bloco de coral na oficina, e dificilmente se movimentaria. Dunn testou as barras magnéticas com um canivete. Ele foi atraído por todas elas. Para saber com certeza qual o arranjo dos polos na roda e confirmar se realmente o conjunto seria capaz de gerar eletricidade, Dunn usou uma barra magnética. Ele segurou a barra a uma curta distância da roda ao mesmo tempo em que a fazia girar. O ímã movimentou-se nas mãos do engenheiro enquanto a roda girava. Olhando ao redor ele viu uma parafernália de vários dispositivos movimentando-se, inclinando-se, elevando-se dentro do quarto. Havia bobinas de sintonia de aparelhos de rádio, garrafas com arame de cobre enrolado nelas, carretéis de arame de cobre e outras várias peças de metal e plástico que pareciam ter saído de um velho aparelho de rádio. Dunn sugere que o letônio pode ter descoberto alguma maneira de reverter, localmente, os efeitos da gravidade. Ele poderia ter gerado um sinal de rádio que fizesse com que o coral vibrasse na sua frequência de ressonância e então usaria um campo eletromagnético para inverter os polos magnéticos dos átomos, de maneira a que ficassem em oposição ao campo magnético da Terra.

Na oficina do castelo podem ser vistas correntes, roldanas, talhas e outras materiais que parecem saídos de um ferro-velho. Toda essa tralha não está dimensionada e não é adequada para levantar os pesos com os quais Ed lidava. Fotos que foram tiradas mostrando Leedskalnin trabalhando exibem um tripé formado por postes telefônicos, sustentando uma caixa em seu topo. Esse material não se encontra mais no castelo. Mas existem ainda lá carretéis de arame de cobre e afirma-se que, em determinado período, o inventor teve uma grade de arame de cobre suspensa no ar sobre a propriedade. As fotos mostram um cabo preso ao redor do tripé que corre diretamente para o solo, o que leva a concluir que talvez o arranjo de tripés esteja relacionado mais com a suspensão da grade de cobre do que com a suspensão dos blocos ou equipamentos.

Eu não tenho nenhuma dúvida — conclui Christopher Dunn em seu artigo — que Leedskalnin contou a verdade quando disse que conhecia os segredos dos antigos egípcios. Ao contrário daqueles que têm buscado publicidade para suas próprias teorias inadequadas, embora politicamente corretas, ele provou a sua pela ação. Eu acredito, também, que estas técnicas podem ser redescobertas e postas em uso para o benefício do gênero humano. Dunn acredita que no castelo há indícios e material suficientes que podem ser reunidos a ponto de se redescobrir a técnica que Leedskalnin utilizou.

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ANO II – Nº 54

Publicado em: 11.01.09

Palavras Iniciais

Para ampliar um pouco mais nosso conhecimento sobre os primeiros Templarios, abaixo publico uma cronica de um dos maiores pesquisadores do Templarismo - Antonio Galera Gracia.



SOBRE A HISTÓRIA DO TEMPLO
( crônica tirada do livro “O último segredo dos cavaleiros templários”)

de Antonio Galera Gracia

Materia extraida da Revista Hermética
Tradução autorizada para publicação nos sites:
Cavaleiro Templário e TempleLucis


 

A Ordem do Templo nasceu lá pelo ano de 1118 para, desinteressadamente, acompanhar, proteger e defender os peregrinos cristãos que se dirigiam à Terra Santa contra os latrocínios, vexações e ataques fora de controle dos infiéis sarracenos. Depois, no ano de 1129, quando a Ordem começou a crescer, foram ampliadas essas faculdades e seus membros já não se dedicavam unicamente à proteção dos peregrinos cristãos e à defesa dos Santos Lugares, senão que começaram a tomar parte junto com os reis em todas as expedições e batalhas que se travavam contra os infiéis sarracenos em qualquer lugar do mundo cristão.

O regime anterior era de comunidade e recolhimento. Faziam voto de pobreza, de castidade, de obediência, de humildade e de combater a serviço de Jesus Cristo...E, apesar do que contrariamente vem se dizendo, os templários levavam a tal extremo seus deveres que quando algum cometia uma falta grave ou leve, ou deixava de cumprir algum de seus votos, ele mesmo se impunha uma penitência, independentemente da pena que pudesse lhe corresponder no Capítulo a juízo do Conselho Capitular. Por isso não era raro nem ninguém estranhava ver frequentemente no interior das muralhas das possessões templárias, cavaleiros seminus de pé sobre as almedinas, onde ficavam, às vezes, até cinco dias e cinco noites, sem comer, sem beber e sem se mover...Nem tampouco era raro ver a outros açoitarem-se até sangrar, ou atarem-se pelos pés aos rabos de seus cavalos e deixarem-se arrastar a galope, suportando os golpes contra o pátio empedrado em seus corpos e cabeças...

Hierarquicamente a Ordem do Templo era composta da seguinte maneira: Grão Mestre, era tratado como príncipe e tinha seu séquito como se o fosse na realidade. Era responsável pelo tesouro, promovia os ofícios inferiores, nomeava os cavaleiros que seriam admitidos no Conselho, inspecionava as comendadorias e ‘bailias’ e só estava subordinado à autoridade do Papa; o Senescal, que ocupava o segundo lugar no mando e era o representante do Grão Mestre e, em sua ausência, possuía as mais amplas faculdades para governar; o Mariscal, que ficava à frente das tropas; Grande Preceptor do Reino de Jerusalem (nas províncias era chamado: Comtur). Era o tesoureiro e administrador dos bens da Ordem, e o depositário da Santa Cruz durante a guerra; o Drapier, que cuidava e era o responsável pelo vestuário; o Turcopoliero, que era o comandante da cavalaria ligeira; os cavaleiros professos; os cavaleiros seculares; os cavaleiros da Ordem terceira; o Vicemariscal, que era ajudante do Mariscal; o Gonfalonero, que mandava nas duas seções dos irmãos serventes (escudeiros e serviçais); os mestres de Ofício: mestre cozinheiro, mestre moleiro, mestre ferreiro, etc., (cada um deles tinha um grupo de ajudantes); os armigueros, que formavam, junto aos cavaleiros, o corpo do exército nas batalhas. Havia, segundo suas atitudes, diferentes graus entre eles. Os de grau mais alto tinham voz e voto nas reuniões gerais, e os de grau mais baixo ajudavam a administrar as comendadorias; e por último, os fâmulos, que se encarregavam dos serviços industriais e da economia doméstica, sob a direção de seus mestres de ofício.

O supremo poder da Ordem residia no Capítulo Geral. Era convocado pelo Grão Mestre e se compunha do Convento de Jerusalém completo e os mestres e irmãos mais destacados de cada demarcação territorial. Nele se decidiam os assuntos mais graves que diziam respeito à Ordem e se nomeavam os dignitários que deviam de reger as diferentes casas que estavam sem comando. Esse Capítulo Geral se reunia uma vez por ano.

A eleição das milícias e serviços que compunham a Ordem do Templo, assim como a confissão de culpas e imposição de penas e disciplina, e as transações financeiras que se faziam principalmente com civis, se celebravam em Capítulo Ordinário. Esse Capítulo era presidido na Casa Geral por: o Grão Mestre, como presidente, com dois ajudantes eleitos pessoalmente pelo mesmo; o Senescal, como secretário; o Mariscal, como assessor militar; o Grande Preceptor do Reino (nas províncias o Comtur), como assessor financeiro; o Turcopoliero, como assessor de montaria e templo;o Vicemariscal como assessor jurídico; o Gonfalonero como assessor de contingentes menores e serviços domésticos; e um Capelão militar, como assessor da fé cristã.

Os conventos da península ibérica, dependentes do Convento de Jerusalém, tinham plena liberdade para celebrar seus capítulos ordinários particulares tantas vezes quanto necessário, desde que observassem as regras, a solenidade e a ordem hierárquica de assessoria estabelecidos pela Casa Principal ou Convento de Jerusalém. Desta mesma liberdade desfrutavam por sua vez os conventos territoriais dependentes dos conventos peninsulares, e da mesma forma, os conventos jurídicos dependentes dos conventos territoriais. Na península ibérica havia dois conventos que dependiam diretamente da Casa Principal e eram constituídos da seguinte maneira: Portugal-Castilla e Aragón-Cataluña. Ambos eram mandados por dois mestres peninsulares. Dentro dos peninsulares existiam conventos territoriais mandados por mestres territoriais; e dentro desses existiam conventos Jurídicos que eram mandados por comendadores jurídicos.

Embora a península ibérica fosse dividida em duas autoridades, havia um só mando hierárquico para toda ela sujeito à autoridade da Casa Principal ou Convento de Jerusalém: o mestre que mandava na casa de Aragón-Cataluña era o mestre peninsular, e o mestre que mandava na casa de Castilla-Portugal era o vice-mestre peninsular.

No que concerne à nomeação das milicias e serviços que compunham a Ordem, em todas as casas – Principal, peninsular, territoriais e jurídicas – eram exigidos os mesmos requisitos que desde a fundação da mesma vinham sendo exigidos. Quer dizer, para ser Cavaleiro Professo tinha que reunir as seguintes condições: ser de família ilustre, demonstrar perícia com as armas, ser cristão antigo, comprometer-se sob juramento a cumprir as Santas Regras da Ordem e não haver sido expulso antes de outra ordem religiosa. Tinham, ainda, a cristã obrigação, aqueles que soubessem fazê-lo, de ensinar aos escudeiros e serviçais a ler e escrever, assim como instruí-los na religião da Santa Madre Igreja. Vestiam hábito branco com uma cruz oitavada no centro do peito, em sinal de pureza e limpeza de coração; e se cobriam com um manto da mesma cor com a cruz bordada no ombro direito, como sinal de triunfo que devia servir-lhes como escudo para não voltar jamais as costas a nenhum infiel e derramar seu sangue, se preciso fosse, pela causa da fé. A cruz vermelha oitavada, bordada no ombro direito do manto, foi um privilégio concedido em 1147 pelo Papa Eugenio III pelo grande zelo e empenho demonstrados na defesa dos Santos Lugares.

Para ser Cavaleiro Secular: os mesmos requisitos que de seus companheiros os cavaleiros professos. A única diferença era que os primeiros professavam por tempo indefinido e os segundos só por um período de tempo determinado. Esses tinham que comprar da Ordem os cavalos e as armas que haviam de usar, e quando cumpriam o tempo de permanência na Ordem recebiam dela a metade do dinheiro que haviam depositado pela compra. Vestiam o mesmo hábito e capa que os cavaleiros professos, posto que em tudo, menos no tempo de profissão, eram iguais.

Os que pertenciam à Ordem Terceira: ser honestos, elaborar informes sócio-religiosos de todos os habitantes da demarcação territorial a que eles estavam adstritos e fazer promoção da Ordem em todos os lugares e rincões do reino. Em troca, participavam dos benefícios da Ordem, a qual tinham que deixar como legado todos seus bens. Podiam entrar casados ou se casar uma vez dentro da Ordem, embora que para isso tinham que pedir e obter a permissão do mestre que estava à frente da comendadoria. Se eram casados, viviam fora da comendadoria e se eram solteiros podiam viver, indistintamente, dentro ou fora dela. Vestiam o mesmo hábito que os outros cavaleiros, embora não pudessem usar o manto branco, já que este simbolizava o estado de castidade de quem os portava...

Talvez tenha que se abrir aqui um pequeno parênteses para explicar porque a Ordem do Templo se viu na necessidade de criar a Ordem Terceira e admitir cavaleiros casados: a Ordem, como todos sabemos, começou unicamente com cavaleiros professos que faziam voto de castidade e professavam para sempre. Eram muito poucos os que se comprometiam a professar para sempre e jurassem o voto de castidade, daí que, ante a dificuldade de recrutar cavaleiros que engrossassem as filas dos monges, a Ordem não teve outro remédio que abrir mão e criar duas classes a mais de cavaleiros: os cavaleiros seculares, que entravam solteiros e se comprometiam a não se casar e a ser castos enquanto durasse o tempo que eles mesmos haviam estabelecido para servir, e o cavaleiros da Ordem Terceira, que podiam entrar indistintamente casados ou solteiros, e inclusive, casarem-se uma vez dentro da Ordem. O artigo LV, que neste momento tenho sobre a mesa de trabalho, diz:

“Da maneira que se tenham ou recebam irmãos casados. – Permitimos ter irmãos casados deste modo - : uma vez que pedem o benefício e participação de vossa irmandade, a porção dos bens que tiverem ambos, e os demais que forem adquiridos, os deixem à unidade comum do capítulo depois da morte e, entretanto, levem vida honesta e procurem fazer o bem aos irmãos; mas não usem o manto branco: se o marido morre antes, deixe aos irmãos a sua parte e a outra fique para a subsistência da mulher; isto consideramos justo: que havendo os irmãos prometido a castidade a Deus, que semelhantes irmãos vivam fora da Comendadoria”.

Este artigo, que acabo de copiar do livro de artigos e regras templárias, motivou que no ano de 1288, as mulheres ou os herdeiros dos cavaleiros templários da Ordem Terceira que haviam morrido, levassem suas queixas ao rei Don Sancho IV, por intermédio do Conselho de Sevilha. As viúvas dos ditos cavaleiros aduziam que havia sido seus maridos que tinham se comprometido com a Ordem e não elas, e que, embora não se negassem a dar o cavalo ou o dinheiro à Ordem do Templo à morte de seus maridos, não era justo que se medissem a todas com a mesma medida, já que entre elas havia ricas, remediadas e pobres. Por causa dessas queixas, o rei Sancho dirigiu a todos os prefeitos e oficias de justiça do Arcebispado de Sevilha a seguinte carta que copio literalmente:

“Carta em razão dos cavalos que demandam os da Ordem do Templo.

“Don Sancho pela graça de Deus, Rei de Castilla, de Toledo, de Leion, de Galicia, de Sevilha, de Córdoba, de Múrcia, de Jahen e do Algarve. A todos os prefeitos e oficiais de justiça do Arcebispado de Sevilha que esta minha carta verem, saudações e graças. Faço-vos saber que de origem do Conselho da mui nobre cidade de Sevilha me enviaram despacho dizendo que os da Ordem do Templo demandam um cavalo às mulheres e aos filhos e aos herdeiros que permanecem de cada um dos cavaleiros que morreram, e que se não lhes derem cavalo tem que dar-lhes em troca seiscentos ‘maravedis’. Em razão da pobreza de algumas, pediram-me elas a mercê para que se baixasse o preço, sabendo que não foi intenção dos reis anteriores, nem do Rei Don Alfonso meu pai, nem minha, que tivessem elas que dar o cavalo ou o que tivessem por bem. Para que não fiquem muito pobres as mulheres nem os herdeiros dos cavaleiros meus vassalos, que moravam na fronteira a serviço de Deus e na defesa da terra até que morreram e que perderam muitas vezes nas guerras mais do que eu lhes mandava, concordo sobre isso, acato bem e mando que os da Ordem do Templo recebam os cavalos dos cavaleiros de minha guarda vizinha e moradores em Sevilha e em todo seu Arcebispado que os tivessem ao tempo de sua morte, mas que se seus herdeiros não os quiserem dar que lhes dêem cem ‘maravedis’ por cada um deles. Os que não tivessem cavalos à época de sua morte, que sua mulher e seus herdeiros não sejam obrigados a dar nenhuma outra coisa por eles. Por esta razão mando a cada um de vós em vossos lugares que façais cumprir isto, que não consintais que aos religiosos do Templo nem a nenhum outro se vá contra isso que eu mando daqui em diante e que nada vá contra isso. A carta deveis considerá-la como lida. Dada em Vitória aos treze dias de Agosto Era de mil e CCCXXVI anos. Eu Augustin Perez a escrevo na mesma forma dada pelo Rei”.

Como o leitor poderá comprovar, o ano que figura nesta carta é o de 1326 e não 1288, ano em que as mulheres levaram suas queixas ao rei. Assim, para aqueles que não o saibam, devo dizer que bastante tempo depois de haver sido adotada por toda a Europa cristã a Era de Jesus Cristo, na península ibérica continuaram usando um modo muito particular de contar os anos. Esse modo de contar os anos foi conhecido como: Era Espanhola ou Era Hispânica, e também foi conhecida embora menos, como: Era de Augusto, Era de Cesar e Era Gótica.

Esse modo particular de contar os anos tem seu ponto de partida o dia primeiro de janeiro do ano de 716 de Roma, ano em que se situa o fim da conquista pelos romanos, e que é, portanto, coincidente com o ano 38 antes de J.C., e, por conseguinte, o primeiro ano da Era Cristã coincide com o 39 da Era Hispânica; donde se deduz que para reduzir a nossa contagem a um ano qualquer expresso com ajuste à Era, bastará diminuir desta cifra 38. Daí, que para saber a data exata da carta de Don Sancho, que acabamos de ver expressa com a ajuste à Era, tenhamos que efetuar a seguinte operação: (Era) 1326, menos 38, igual a 1288.

Uma vez dada essa pequena explicação, que eu acreditei necessária para um melhor conhecimento e entendimento do tema, continuo com a descrição das milícias e serviços que compunham a Ordem:

Para ser armiguero (escudeiro ou pajem): ter disposição para o serviço, ser filho de cristãos, ser submisso e demonstrar, senão destreza no combate, pelo menos gana de entrar nele. Embora os armigueros fossem, quase sempre, soldados mercenários vindos de outros exércitos, a Ordem preferia escolhe-los entre os meninos que às casas templárias eram levados por seus familiares para servir nelas. As famílias dos meninos que eram selecionados para ficar a serviço dos templários, recebiam, em troca de renunciar a posse do menino, casa grátis para viver ou terra para cultivar. O armiguero vestia hábito negro com uma cruz vermelha no centro. A cruz era das mesmas dimensões que a dos cavaleiros.

Para ser fâmulo (servente em trabalho doméstico): ser forte, ser submisso a seus chefes, entender e saber cuidar de cavalos, ser cristão e demonstrar perícia em seu ofício. Esta seção era composta de carpinteiros, físicos, cozinheiros, barbeiros, ferreiros, camareiros, moleiros, cavalariços, astrólogos, açougueiros...Vestiam o mesmo hábito que os armigueros, mas sem as correias nem armas de guerra, só as armas usuais para sua defesa pessoal.

Para ser capelão castrense (capelão militar): o único requisito imprescindível era não usar barba uma vez que entrassem na Ordem. A Ordem recebia e acatava os sacerdotes que lhes eram enviados pelos bispados, e os bispos costumavam nomeá-los dentre aqueles que demonstravam mais simpatias pelas armas de guerra. Sobre seu traje de sacerdote, fechado por cima, vestiam um manto negro com a cruz oitavada no ombro direito. Naturalmente, sem as correias nem armas. Embora a maioria deles levasse escondido sob sua negra batina, uma adaga ou punhal que lhes dava, não por segurança porque eram muito poucos os malfeitores e ladrões que atacavam os clérigos, e sim, pelo menos, para tranqüilidade para andar pelas ruas e caminhos. Só no caso de serem bispos podiam usar o manto branco dos cavaleiros.

Os templários consideravam como faltas muito graves a compra ou venda ilícita de coisas espirituais (simonia), a violação de qualquer segredo que previamente se tivesse concordado como tal, matar cristãos que observassem e acatassem as regras e diretrizes da Santa Madre Igreja, a sodomia, o motim, a covardia, a heresia, a traição e o roubo.

Algumas de suas regras (não as dou a conhecer todas porque esta introdução se alargaria muito), que lhes foram dadas no Concílio de Troyes no ano de 1128, e redigidas por São Bernardo de Claraval, que interveio no Concílio a pedido de um sobrinho seu chamado Andrés de Montbard que era Cavaleiro da Ordem do Templo, dizem:

“O Cavaleiro há de rezar as horas canônicas ou, em caso de impedimento, um certo número de Pai-Nossos. Sua alimentação será simples; a mesa, comum e acompanhada de leitura espiritual. A vestimenta, de uma só cor; os cavaleiros usarão um manto branco como sinal de castidade e limpeza de coração; os de serviço, uma vestimenta negra. Não poderão usar cabelos longos. Todo cavaleiro, por causa da pobreza da Ordem, no máximo poderá ter três cavalos e um servente; para ter mais necessitará a permissão do Mestre; é proibido, sob qualquer pretexto, pegar os de serviço. Ao Mestre se obedecerá prontamente. Os cavaleiros não podem procurar o que necessitam, antes devem pedir ao Mestre ou ao Senescal. Em geral, os presentes que se recebam serão para uso comum, e só com permissão do mestre poderão ser aceitos donativos particulares. É proibida a caça, exceto a de leões”. Essa regra excetua a caça de leões em observância a S. Pedro I, capítulo 5, versículo 8, que diz: “Sede sóbrios e vigiai, que vosso adversário, como leão rugidor, anda rondando e busca a quem devorar...”). Há que evitar o trato com mulheres. As faltas graves trarão por castigo a separação do trato com os irmãos, a obstinação no erro, a expulsão da Ordem”.

UM POUQUINHO MAIS DE HISTÓRIA (tirado de documentos templários da época)

Suas cores eram o branco e o negro, denotando a primeira cor a candidez e a confiança para os amigos e a segunda a ferocidade com que deviam infundir o terror entre seus inimigos. No ano de 1130, os templários já constituíam um verdadeiro Exército e assim o faz constar São Bernardo quando manifesta: “Apareceu uma nova cavalaria na terra da Encarnação. É nova e ainda não foi provada no mundo, no que se desempenha um duplo combate tanto contra seus adversários de carne e de sangue, como contra o espírito do mal. E aos que combatem contra os vícios e os demônios, eu os chamo maravilhosos e dignos de todos os elogios devidos aos religiosos”. Mas São Bernardo disse neste mesmo documento além dos templários algo que foi aproveitado pelos detratores do templarismo para dizer que eram um pouco mais do que uns porcos, sem levar em conta que naqueles tempos o asseio pessoal não era precisamente algo que se pudesse efetuar diariamente, seja pela ausência de duchas, seja belas longas viagens, seja pelas grandes concentrações nos campos de batalha, por isso era necessário incensar os ambientes das igrejas e das ermidas para suprimir o mal cheiro que os assistentes exalavam. São Bernardo disse: “Aparam seus cabelos, jamais são vistos penteados, raramente lavados, a barba hirsuta, empoeirados, sujos por causa do arreios e do calor. Nisso há uma dupla vantagem. A partida dessa gente é uma liberação para o país e o Oriente se alegrará de sua chegada por causa dos serviços que lá poderão realizar”.

Mais de vinte vezes, as milícias do Templo salvaram a Terra Santa da invasão dos sarracenos e seis de seus grãos mestres morreram em combate. No Oriente tiram proveito das ações bélicas, pilhagem inclusive. E no Ocidente aumentam as doações para o Templo. Os grandes senhores fazem do Templo seu herdeiro. Até o próprio rei de Aragón querer doar seu reino aos templários. O clero secular se opôs a isso, e se não fosse isso se teria produzido uma curiosa experiência. Um país inteiro dirigido por uma cavalaria religiosa. No Oriente, a Ordem é um exército em combate; no Ocidente, uma organização monacal cujos membros são armados para a defesa.

O apoio que São Bernardo deu à Ordem a fez que fosse favorecida pelos senhores feudais e que seus cavaleiros se espalhassem por toda a Europa e que em numerosos monastérios chegassem as generosas doações continuamente até o ponto de converter a Ordem do Templo na comunidade mais rica e poderosa do Ocidente. Na França teve sua principal base ultrapassando em poder e riqueza a quantos até então se tinha conhecimento, rivalizando seus grãos mestres com os reis. Certamente, o Templo teve muitos amigos, mas tampouco lhes faltaram encarniçados adversários. Guillermo de Nacy, dois após a morte de São Bernardo, conta da Ordem fatos atrozes, chega a acusar seus membros de sodomitas afirmando que um dos ritos se baseava no beijo que aquele que pretendia entrar na Ordem devia dar no membro viril do grão mestre. Eduardo de Vitry, no século XIII disse dos templários: “Instruídos nas delícias e vícios do Oriente, seu orgulho não tem limites. Eu sei e o sei de boa fonte que alguns sultões foram recebidos na ordem permitindo que celebrassem seus ritos supersticiosos e prestassem sua adoração ao falso profeta Maomé”. “Beber como um templário” era um dito comum naquela época e no século XV se afirmava que casa de templário e casa de prostituição era a mesma coisa pois a Ordem mantinha bordéis abertos para se beneficiar com a receita que obtinham de tal negócio... Nada se pôde provar documentalmente de todas essas críticas que cremos foram proferidas mais por despeito que por rigor histórico, já que se algo disso tivesse sido verdadeiro, o Papa, que era no fim das contas seu Rei, acima dos reis, teria intervindo no assunto.

Na Espanha, os reis Alfonso “o Imperador” e Alfonso “o Batalhador” em Castilla e Aragón respectivamente, protegeram os templários outorgando à Ordem vultosas dádivas e recompensas. Houve um momento em que a Ordem do Templo sobrepujou as Ordens de Cavalaria, de Calatrava e Alcântara até o ponto de que quando os outros tinham um convento, os templários possuíam dez. Mas também é certo que os cavaleiros do Templo participavam em todas as batalhas contra os mouros, o que ocasionou que os reis, agradecidos por sua inestimável ajuda, lhes fossem outorgando cada vez maior número de vilas, castelos, terras e riquezas. Sob tais auspícios, o número de indivíduos que compunham a Ordem aumentava sem cessar sendo o grão mestre da Ordem o maior senhor de toda a Cristandade, depois do Papa, os imperadores e os reis.

Seu final se encontra rodeado da violência, sangue, tortura e a morte. E um dos acontecimentos mais graves da Idade Média é a dissolução da Ordem por decisão do Papa, assim como o processo contra os principais cavaleiros do Templo, sua prisão, e sua tortura para obrigá-los a confessar os atrozes delitos de que foram acusados. Sua queda originou uma dúvida que ainda hoje se mantém. Era a Ordem do Templo culpável dos atrozes delitos de que foi acusada ou, ao contrário, tudo se deveu a uma baixa e rasteira política de Estado por parte de Felipe o Belo da França, ou tudo se deveu à inveja do dito soberano para com a Ordem e seu desejo de se apoderar de suas riquezas?

Aqueles tempos resultam algo difíceis de compreender hoje, com uns monarcas que não se detinham ante os meios mais baixos e vituperáveis quando se obstinavam ao logro de seus caprichos e à satisfação de sua inesgotável sede de riquezas. À época, a opinião pública não contava nada, era como se não existisse e a justiça era burlada vez por outra precisamente por aqueles que mais obrigação tinham de respeitá-la e fazê-la cumprir.

Jacques de Molay, seu último Grão Mestre, viajou para a França, encabeçando um grande cortejo; levavam dois mulos carregados de ouro e prata.

O Grão Mestre havia sido padrinho de um dos filhos do Rei Felipe o Belo. O templo havia servido de asilo a esse monarca em numerosas ocasiões. A Ordem era católica e subordinada ao sumo pontífice. E, não obstante, o rei da França e o Papa francês Clemente V conspiraram contra a ordem com o objetivo de despojá-la de todos os seus bens.

Todo mundo conhece o falso processo dos templários, e as calúnias empregadas contra eles por homens que haviam vestido seu hábito e ajudado em outros tempos a fazer justiça.

Em 18 de março do ano de 1314 foram queimados publicamente Jacques de Molay e seus cavaleiros. A ordem do templo foi dissolvida e seus bens confiscados.

A Hugues de Payns, sucederam-lhe os seguintes mestres: Robert de Bourguiñon, Everardo de Barres, Bernardo de Tremelay, Beltrán de Blancaflort, Felipe de Naplouse, Odon de San de Saint-Amard, Arnaldo de la Torre-Roja, Juan de Terri, Gerardo de Ridefort, Roberto de Sablé, Gilberto Eral, Felipe du Plessis, Guillermo de Chartres, Pedro de Montagú, Armand de Grospierre, Hernan de Perigord, Guillermo de Sonnac, Renaud de Vichy, Tomás de Beraud, Guillermo de Beaujeu, Teobaldo Gaudini e Jacques de Molay...

O JOGO ENTRE OS TEMPLÁRIOS (do livro "El último secreto de los caballeros templarios", de Antonio Galera Gracia)

Aos templários eram proibidos todos os jogos, exceto o Alquerque. Esse jogo lhes servia para aprender enquanto jogavam, para se entreterem e para acalmar os nervos enquanto esperavam para irem para as batalhas. Existiam muitas variantes desse jogo, mas as mais populares entre eles eram o Alquerque de 12, de 9 e as três em fila.

No tabuleiro, como se pode observar na figura mais abaixo, havia nove desenhos. Cada desenho era uma pergunta que o jogador devia responder antes de por a ficha na casa. Se não sabia responder a pergunta que o desenho representava ou o respondia errado, não podia colocar a ficha na casa que havia escolhido para alinhar o quanto antes suas três fichas. Assim, como se pode deduzir disso, o que era mais instruído mais possibilidades tinha de ganhar. Por isso, existia entre os jogadores uma grande rivalidade que lhes obrigava a estar em dia, a tomar conhecimento dos documentos, a estudar e a perguntar a seus superiores. Num mundo em que o saber ler e escrever era indigno a cavaleiros, os Templários foram pioneiros na arte de aprender e no domínio de todas as ciências.

Os sinais não eram sempre os mesmos. Aqui foram escolhidos nove desenhos para dar um exemplo de como se desenvolvia o jogo. Os sinais eram sempre desenhados em cada uma das casas por um mestre supervisor que durante o jogo servia como árbitro. Mediante este jogo , os mestres templários despertavam nos cavaleiros a necessidade de saber tudo quanto dizia respeito à Ordem e a ânsia de conhecer e dominar as ciências.

ALQUERQUE OU TRES EM FILA


image

Significado de cada um dos desenhos que ocupavam as casas.

1. A Santíssima Trindade: Quem é o Pai?, Quem é o Filho?, Quem é o Espírito Santo?

2. Pergunta relacionada com a Comendadoria onde professavam.

3. Os números significavam sempre as regras da Ordem. Neste caso tinha que recitar de memória e sem se equivocar a regra número II.

4. No caso de ser soldado e não cavaleiro o que jogava, tinha que lançar duas flechas e acertar o alvo com, pelo menos, uma.

5. Recitar de memória e sem se equivocar a regra número XI.

6. Três braços, três perguntas escolhidas pelo supervisor.

7. Sinal pertencente a uma linguagem que os Templários usavam. A expressavam com as mãos. Significa: «No campo de batalha»

8. Rezar, sem se equivocar, um Pai-Nosso.

9. Sinal pertencente à linguagem que expressavam com as mãos. Significa: «Morto» 




ANO II - Nº. 53

Publicado em:04.01.09

Palavras Iniciais

O texto abaixo, gentilmente cedido pela Loja Jinarajadasa da Sociedade Teosófica no Brasil, mostra-nos claramente que nem tudo foram flores no início do Cristianismo, a começar pelas desavenças entre Pedro e Paulo; o que renega seu Mestre por tres vezes, outro que o segue sem te-lo conhecido pessoalmente; o que segue a parte exotérica da Doutrina e o que segue a parte esotérica; enfim, o que é rude e inculto, e o que é refinado e letrado em filosofia. Como verão, a pesquisa foi muito bem fundamentada.



O CRISTIANISMO DO PRIMEIRO SÉCULO

A TEOSOFIA é a antiga Religião-Sabedoria, tão velha quanto o homem pensante, e parte do trabalho do Movimento Teosófico é manter estas idéias imemoriais vivas no mundo, de forma que homens e mulheres possam viver inteligentemente e com um propósito.

Jesus, o Cristo era um membro daquela grande Fraternidade de Adeptos que se elevava por trás do Movimento Teosófico. Sua meta e propósito era promulgar os princípios fundamentais da antiga Religião-Sabedoria, exemplificar esses princípios na prática, dar ao mundo uma verdadeira realização do EGO e uma profunda convicção da Fraternidade Universal. Jesus não veio fundar uma nova religião, mas purificar a velha religião de suas impurezas. Ele não veio trazer novos dogmas, mas substituir com princípios universais o dogmatismo estreito que tinha se introduzido na religião judaica. Ele não veio estabelecer uma nova forma de sacerdotalismo, mas eliminar o poder dos sacerdotes e dar conhecimento direto às pessoas. Porém, a natureza humana daquela época era a mesma de agora, e o Profeta Galileu encontrou o mesmo destino da maioria dos representantes do Movimento Teosófico, que encarnaram apenas com um propósito – beneficiar o gênero humano. As doutrinas impessoais que ele ensinou foram logo pervertidas pelos seguidores pessoais dele, e o laço de Fraternidade que ele tentou estabelecer logo foi quebrado por credos e seitas.

Apolônio de Tiana era um membro desta mesma Fraternidade. A meta e propósito dele eram idênticos aos de Jesus. Ele promulgou as mesmas verdades impessoais, ensinou a mesma ética nobre, levou a mesma vida de abnegação e altruísmo que Jesus tinha vivido. Não há nenhum registro de que Jesus e Apolônio alguma vez se encontraram. Porém, isto pode ser explicado facilmente. Pois Jesus, como foi mostrado, viveu no primeiro século A.C., enquanto Apolônio viveu no primeiro século D.C., e até mesmo se a vida de Jesus se estendeu na assim chamada Era Cristã, ele deve ter gasto esses anos ensinando na Judéia, enquanto Apolônio estava ocupado em Aegea e Antióquia.

Quando Apolônio voltou da Índia depois de passar treze anos com os Sábios da Caxemira, ele voltou para a cidade de Antióquia onde tinha residido anteriormente. De acordo com a estória da Igreja, Pedro e Paulo estavam nesta ocasião em Antióquia, e havia uma grande comunidade Cristã na cidade. Mas, estranho como possa parecer, Apolônio não fez nenhum esforço para contatar os Apóstolos ou os cristãos. Por que isso?

No primeiro capítulo do livro Oceano de Teosofia, o Sr. Judge faz uma declaração, cuja importância é as vezes negligenciada. Ele fala de Apolônio como um Adepto que apareceu em um ciclo descendente, e apenas com a finalidade de haver uma testemunha em cena para gerações futuras.

Se parece estranho que a era Cristã seja descrita como descendente, em lugar de um ciclo ascendente, nós temos apenas que comparar a condição religiosa, filosófica e intelectual do mundo ao redor 500-600 A.C. com sua condição ao redor 500-600 D.C., para perceber a verdade da declaração do Sr. Judge.

Por que então era necessário uma testemunha neste primeiro século da era Cristã? Para que a Religião Sabedoria pudesse ser mantida viva e a linha do Movimento Teosófico permanecesse ininterrupta. Se os seguidores de Jesus tivessem sido capazes de executar esta tarefa, nenhuma outra "testemunha" teria sido necessária. O fato de Apolônio aparecer para executar sua missão neste momento especial deveria dar ao mundo muito o que pensar; mas nós olharemos agora para o outro lado do quadro e veremos como os primeiros cristãos executaram a sua missão.

Os primeiros cristãos pertenciam a três seitas. Alguns deles eram Essênios e Terapeutas, membros daquela mesma seita mística na qual Jesus tinha estudado no Egito; outros eram Nazarenos; e os outros eram Ebionitas. A primeira comunidade Cristã estava composta de grupos pequenos, reunidos e organizados em sociedades secretas, com suas próprias contra-senhas, apertos e sinais de reconhecimento. Todos eles eram, com pequenas diferenças, seguidores dos Mistérios Teúrgicos antigos. Todos eles eram em maior ou menor grau cabalísticos. E, apesar de Jesus ter adquirido seu conhecimento deles, todos eles estavam condenados a ser, dentro dos próximos duzentos anos, denunciados como "hereges" pela Igreja. Destas três seitas originais, apenas uma sobreviveu em sua integridade, e porque ainda existe, inalterada, pode ser interessante localizar sua gênese e crescimento.

Depois que Jesus voltou do Egito, ele morou na cidade de Nazaré, "de forma que pudesse ser cumprido o que foi ditp pelo profeta: 'Ele será chamado um Nazareno'". Os Nazarenos eram os descendentes dos antigos Iniciados caldeus. Eles eram uma seita filosófica, e naturalmente eram opostos à adoração do Deus pessoal Jeová que era então prevalecente na Judea. Em lugar da idéia do deus pessoal, os Nazarenos o substituíram pelo Princípio Impessoal que os Teósofos atuais chamam Absoluto. Em lugar da teoria da criação do mundo eles substituíram pela doutrina de Emanações. Eles devem ser considerados então como uma das primeiras seitas Gnósticas.

Na época da qual nós estamos falando, os Nazarenos estavam divididos em várias seitas diferentes, uma delas sendo conhecida como Ebionitas. Os Ebionitas eram os discípulos e seguidores dos primeiros Nazarenos, e naquela época João Batista era o Profeta deles. Enquanto Jesus estava morando no Egito, seu João tinha se afiliado aos Ebionitas, e tinha realizado tanto do antigo rito caldeu de batismo que os Ebionitas praticavam, que ficou conhecido como "João Batista" em vez de "João, o Ebionita". De acordo com o Codex Nazaraeus, João tinha estado batizando durante quarenta e dois anos quando Jesus chegou e foi batizado por ele no rio Jordão. Isto faria Jesus ter cerca de sessenta anos na época do seu batismo.

Muitos dos parentes imediatos de Jesus pertenciam a esta seita dos Ebionitas. Depois de morte de Jesus eles foram expulsos da terra natal deles por causa de acirradas perseguições, e finalmente acharam refúgio na Pérsia. E lá atualmente o viajante pode conversar com os descendentes diretos destes "Discípulos de S. João", que escutaram ao "homem enviado de Deus" e que foram batizados por ele no rio Jordão. Estes "Discípulos de São João" e os descendentes modernos deles, os Mendeanos, não acreditam na divindade ou a singularidade de Jesus, mas o consideram somente como um dos grandes Profetas. Eles não lêem a Bíblia dos Cristãos, mas se limitam ao documento que contém muitos dos ensinos esotéricos de Jesus – o Evangelho original de Mateus.

Jesus, como todos os outros grandes reformadores espirituais, dividiu os ensinamentos dele em duas partes: exotérico e esotérico. Os ensinos exotéricos dele eram dados à multidão em forma de parábolas, e consistiam em sua maior parte nas mesmas regras éticas que tinham sido ensinadas pelo antecessor dele, Gautama, o Buda. Os ensinos esotéricos eram reservados para os poucos. Como o Evangelho de S. Marcos registra:

"A você é dado conhecer o mistério do Reino de Deus; mas para aqueles que estão fora, todas estas coisas são ditas em parábolas. Para que vendo, eles vejam e não percebam; e ouvindo eles ouçam e não entendam”. Marcos, iv:11-12.

Embora Jesus não pareça ter estabelecido uma escola esotérica regular própria, como fez Apolônio, havia um documento que continha muitos dos segredos, ou ensinamentos esotéricos dele. Era o Evangelho original de Mateus, escrito no idioma caldeu, mas com letras hebraicas, por um Evangelista que era amigo íntimo e companheiro de Jesus. Esta Logia de Mateus que contém as "Declarações de Jesus" mencionadas por Papias, é o único documento semi-original que chegou a nós desses dias iniciais. Estas "Declarações" eram da mesma natureza que os pequenos manuscritos postos nas mãos de neófitos que estavam se preparando para a iniciação nos Mistérios, e continham a revelação de muitos ritos e símbolos importantes. Como o Aporrheta, ou discursos secretos dos Mistérios, esta Logia só poderia ser entendida com uma chave.

Os modernos estudiosos geralmente concordam sobre a autenticidade deste documento, fundamentando suas conclusões nas muitas referências a ele que são encontradas nos trabalhos dos escritores iniciais. No ano 140 D.C. Papias, Bispo de Hierápolis, escreveu:

“Mateus, porém, compôs o Logia no dialeto hebraico, mas cada um o interpretou como era capaz".

Quarenta anos depois, a declaração de Papias foi confirmada pelo aluno dele, Ireneu. No segundo século partes deste Evangelho iluminaram os trabalhos de Basílides, o Gnóstico Cristão que reivindicou que tinha sido instruído pelo próprio Mateus. No quarto século uma cópia deste documento caiu nas mãos do Padre da Igreja Jerônimo, que o encontrou na Biblioteca reunida por Pamphilus em Caesaréia, e foi encomendado para traduzi-lo pelos dois Bispos Chromatius e Heliodorus. Ele fez a tradução sob protesto, porque reconheceu seu caráter esotérico. Escrevendo sob o nome de Hieronymus, Jerônimo diz:

"É ordenado um trabalho difícil, desde que esta tradução é comandada por Vossas Senhorias, a qual S. Mateus, o Apóstolo e Evangelista, não desejava que fosse abertamente escrita. Pois se não fosse secreto, ele (Mateus) teria acrescentado ao Evangelho que ele deu como dele. Mas ele compôs o livro, velado com caracteres hebraicos, que ele colocou de tal maneira que o livro só deveria ser possuído por homens muito religiosos".

Por sua própria confissão, Jerônimo admite que este Evangelho continha os reais ensinamentos de Jesus. Ele deve ter percebido que dos dois Evangelhos de Mateus – um escrito em hebraico e o outro em grego – um devia ser espúrio. Por que a Igreja escolheu perpetuar o grego, em vez do Evangelho hebraico original, então? A resposta não é difícil de encontrar. Se tivesse adotado o Evangelho original, teriam sido quebradas as próprias fundações da Igreja. Pois naquele Evangelho não era a divindade do homem Jesus que foi proclamada, mas a divindade do princípio Crístico latente em todo homem. E assim, de acordo com a própria confissão dele encontrada no Livro II de seu Comentário ao Evangelho de Mateus, Jerônimo substituiu o Evangelho grego deliberadamente pelo hebraico, e o que está em nosso Cânon atual evidentemente foi escrito pelo próprio Jerônimo. E assim, devido aos esforços deste tão zeloso Padre da Igreja, o próprio significado dos termos Chrestos e Christos se tornou uma letra morta agora para o mundo Cristão.

A unidade da comunidade Cristã primitiva foi de duração curta, pois ela logo foi divida em dois ramos distintos. O primeiro pode ser chamado Cabalistas Cristãos da Escola Tanäim judaica; o segundo, os Cabalistas Cristãos da Gnose Platônica. O primeiro grupo representou a facção judaica do Cristianismo; o segundo, os gentios, ou o grupo pagão. O primeiro foi representado pelos seguidores de Pedro; o segundo pelos seguidores de Paulo.

História secular é da mesma forma reticente sobre Pedro como é sobre Jesus, e a história da Igreja é também cheia de contradições. E assim também, como no caso de Jesus, nós devemos retornar àquela seção do Talmud conhecida como Sepher Toldos Jeshu em busca de informações que sejam ao menos consistentes. Este livro descreve Pedro como um judeu, “um criado fiel do Deus vivo", um homem dado a austeridades e meditação, que morava na Babilônia no topo de uma torre. Também atribui a Pedro ter inventado um inferno ardente e ameaçar a todos com isto, e fala dele como um homem que prometeu milagres, mas não executou nenhum.

Era afirmado pelos judeus que Pedro era um dos seus próprios irmãos, fiel à velha Lei, defensor do Velho Testamento, e um apóstolo da circuncisão. Assim, Pedro representa a facção judaica da primitiva Igreja Cristã. As tendências judaicas desta facção são admitidas por todos os historiadores Cristãos. O eminente historiador católico, Reverendo Padre George Stebbing, C.SS.R. diz na sua História da Igreja Católica:

"A Igreja em Jerusalém era de fato completamente judaica, e estava composta principalmente daqueles que eram muito zelosos para com a Lei, e seus membros estavam em grande parte ainda agarrados a sua observância; alguns foram tão longe a ponto de pensar que qualquer gentio que abraçasse o Cristianismo deveria por esse fato mesmo estar ligado a Lei Mosaica a qual haviam sido treinados para manter todos os primeiros discípulos de Nosso Senhor. E, vindo da Judéia para Antióquia, eles fizeram pressão nos cristãos de lá para que eles fizessem da mesma forma, pelo menos quanto ao assunto circuncisão".  

Considerando o fato de que Pedro, o Fundador da Igreja de Roma, era um judeu circuncidado, que (de acordo com Eusébio) os primeiros quinze Bispos Cristãos também foram judeus circuncidados, e que "todos os primeiros discípulos do Nosso Senhor” tinham sido treinados para manter a Lei Mosaica, por que então a Igreja fez tal esforço para se afastar daquela Lei? Mas o Reverendo Padre Stebbing continua:

"Paulo e Barnabás avançaram como porta-vozes da visão oposta. Este fato, que era uma vitória sobre as tendências judaizantes de alguns dos primeiros cristãos, deve ter ajudado e afiançado Paulo no seu Apostolado.”

Em outras palavras, Paulo assegurou o seu Apostolado indo contra a mesma Lei em que "tinham sido treinados para manter todos os primeiros discípulos de Nosso Deus". Este problema da circuncisão parece ter sido um assunto importante para os primeiros cristãos, pois Paulo diz:

"O evangelho do não-circumcidamento me foi entregue, assim como o evangelho da circuncisão foi entregue a Pedro". – Galatans ii:7.

Nestes mesmas palavras são encontradas muitas razões pelas quais uma testemunha "externa" era necessária na cena. Porque elas mostram que, até mesmo nestes momentos iniciais, os cristãos não estavam se interessando principalmente e completamente com os preceitos filosóficos e éticos do grande Instrutor deles, mas com assuntos secundários. O que tem circuncisão a ver com vida espiritual? Se fosse tão importante quanto os primitivos cristãos consideraram que foi, qual dos dois "evangelhos" estava correto: o evangelho de circuncisão entregue a Pedro, ou o evangelho do não-circumcidamento entregue a Paulo? A Igreja de Roma deve ter considerado o primeiro "evangelho" como o correto, pois reconhece que os doze discípulos circuncidados foram escolhidos para serem as fundações da Nova Cidade de Deus, e Pedro, o judeu circuncidado e o apóstolo da circuncisão, foi escolhido como a Rocha na qual a Igreja seria construída. Como o Reverendo Padre Stebbing diz:

"Os doze discípulos foram escolhidos para serem os doze fundamentos da Nova Cidade de Deus. Um deles foi escolhido, dado o novo nome de Pedro, e declarado ser a Rocha na qual a Igreja iria repousar. Dadas a ele as chaves do Reino do Céu, ele abriria e fecharia seus portões com missão cheia de autoridade em nome de seu Rei".

Se Jesus usou a palavra "Pedro", o que quis dizer ele com isto? Era Pedro, o homem? Poderia qualquer grande Adepto como Jesus escolher uma personalidade como o fundamento de seu trabalho? Ele escolheria deliberadamente para aquela posição responsável o único discípulo, exceto Judas, que o negou no momento de perigo, o único além disso, a quem ele se dirigiu como Satanás?

"E Pedro o levou, e começou a reprová-lo. Mas quando ele tinha se virado e olhado seus discípulos, ele reprovou Pedro, enquanto dizia: Fique atrás de mim, Satanás: porque você saboreia não as coisas que são de Deus, mas as coisas que são dos homens.” – Marcos viii:32.

Há uma tradição na Igreja Grega que nunca encontrou favorecimento no Vaticano. Mostra o reconhecimento de Jesus da cadeia de causas que estavam sendo forjadas naquele momento. Esta tradição declara que Pedro, amedrontado com a acusação do Alto Sacerdote, negou seu Mestre três vezes antes do galo cantar. Jesus, que estava atravessando o corredor na custódia dos soldados virou-se para Pedro e disse:

"Em verdade eu vos digo, Pedro, tu me renegarás pelas idades, e nunca parará até que tu estejas velho, e estendas tuas mãos, e outro o cingirá e o levará onde tu não podes".

Nós podemos então acreditar que foi a este Pedro, o discípulo infiel, que Jesus escolheu para ser o sucessor dele? Se não, o que então Jesus queria dizer com a palavra Pedro?

Jesus havia sido iniciado nos Mistérios caldeus e egípcios. A palavra Pedro vem dos Mistérios. Era o título caldeu do Supremo Hierofante, e significava um intérprete. Como Professor Alexander Wilder mostra na Introdução de seu livro Os Mistérios Báquico e Eleusino:

"Nos países Orientais a designação Pedro (em fenício e caldeu, intérprete) parece ter sido o título do Hierofante".

Então se Jesus usou a palavra Pedro, ele deve ter tido a intenção de dizer que para que alguém fosse capaz de continuar o trabalho dele, deveria ser intérprete dos Mistérios. Se Pedro, o discípulo, nunca havia sido iniciado nos Mistérios, como Jesus poderia tê-lo escolhido para ser o intérprete dele?

Há outra palavra nos Mistérios que lançam uma luz adicional na declaração de Jesus: "Sobre esta Rocha eu fundarei minha Igreja". Essa palavra é Petra, significando uma Rocha e referindo a Rocha do Templo, e por metáfora, aos Mistérios. Assim, a Rocha sobre a qual o trabalho de Jesus foi fundamentado deve ter sido os Mistérios mesmos.

Durante as iniciações finais nos Mistérios, um duplo jogo de tabletes de pedra, chamado Petroma, era usado pelo Hierofante. A combinação das duas palavras Pedro e Roma, formando a palavra Petroma, deu ainda a Igreja outra oportunidade para tirar proveito do nome do discípulo. A idéia das Chaves dadas a Pedro para destrancar os portões de Céu também vem dos Mistérios. Lá a Chave era usada para simbolizar o voto de segredo dado pelo candidato, que fecharia os lábios dele para sempre. Também simbolizava o descerramento dos até aqui impenetráveis mistérios para os quais a iniciação o autorizava. E assim nos próprios Mistérios nós achamos a solução para o mistério de Pedro.

Embora Pedro seja reivindicado pela Igreja de Roma como seu fundador titular, a história da vida dele, até mesmo de fontes católicas, parece ser fundada sobre suposição. O Reverendo Padre Stebbing diz:

"É suposto que S. Pedro foi primeiro para Roma. O período aceito de vinte e cinco anos para o episcopado dele na cidade de Roma é datado desta época. Nós perdemos Pedro de vista nos Atos dos Apóstolos, e é deixado à conjeturas os detalhes da sua carreira suplementar.

Muitos críticos modernos são da opinião que Pedro nunca esteve em Roma. Justiniano, o Martir, o grande campeão do Cristianismo a quem o Reverendo Padre Stebbing chama "a mais valiosa testemunha da Fé," escreveu extensivamente de Roma durante o segundo século. E, estranho como possa parecer, Justiniano parece ignorar a existência de Pedro. E também nenhum outro escritor de importância faz qualquer menção a Pedro com relação à Igreja de Roma antes da época de Irineu.

A razão para a primeira divisão no Cristianismo ainda fica mais aparente quando nós observarmos a diferença entre Pedro e Paulo. Enquanto Pedro era um "homem inculto e ignorante" (Atos iv:13), Paulo era instruído, um estudioso grego, um estudante da Gnose. Não há nenhuma dúvida de que Paulo tenha sido parcialmente, se não completamente, iniciado nos Mistérios. A escolha do idioma, e a fraseologia tão peculiar aos filósofos gregos, certas expressões só usadas por Iniciados, tudo indica a posição que ele tinha atingido. O nome dele é uma indicação adicional do mesmo fato.

O real nome de Paulo era Elisha Ben Abuiah. O nome de Saul que quer dizer "uma visão do Paraíso" denotou a posição dele como um Chrestos, ou discípulo em provação. Quando ele foi iniciado e se tornou um Christos, o nome dele foi mudado para Paulo que quer dizer "o homem pequeno". Como os Iniciados nesses dias eram chamados "Os Pequenos", o nome de Paulo conta sua própria história.

Paulo era um estudante da Gnose Platônica; em outras palavras, da antiga Religião-Sabedoria, como esta fora dada por Platão. Este estudo tinha lhe dado um conceito impessoal de Deus e Cristo. O Deus que Paulo adorou nunca foi o Deus pessoal Jeová, mas o Princípio Impessoal que é indicado pela própria palavra Deus em si mesma. Pois esta palavra vem da antiga palavra Persa Goda, significando Si mesmo, ou aquilo que emana do Princípio Absoluto. O conceito impessoal de Deus foi considerado como uma "heresia" pelos judeus adoradores de Jeová, e em outro século foi a "heresia" mais duramente combatida pela Igreja. E Paulo ainda disse:

"Eu confesso a ti, que do modo que eles chamam heresia, assim adoro eu o Deus de meus Pais.” – Atos xxiv:14.

A visão herética que Paulo tinha de Deus incluía uma visão igualmente herética de Cristo. Ele nunca considerou o Cristo como um homem, mas como um Princípio. "Se qualquer homem está em Cristo," disse "ele é uma criatura nova”. E novamente: "Eu estou crucificado em Cristo, não obstante eu vivo; não eu, mas Cristo vive em mim".

Pedro era um conservador, fiel à velha Lei, defensor do Velho Testamento. Paulo era um radical que exortou os seguidores dele a se livrarem das finas redes do dogmatismo judeu. "Expulse a mulher cativa e seu filho" (a velha Lei e a Sinagoga) ele gritou. "O filho da mulher cativa não será herdeiro com o filho da mulher livre. Então, permaneça firme na liberdade que Cristo nos deu; não fique novamente emaranhado com o jugo da escravidão". Pedro era um judeu ortodoxo, Paulo um herege. Pedro era um apóstolo da circuncisão, Paulo um apóstolo da não-circumcisão. E ainda, apesar das diferenças fundamentais entre estes dois Apóstolos, Pedro e Paulo são reivindicados pela Igreja romana como os "gêmeos-fundadores" da Sé Apostólica.

A pessoa comum que quer conhecer a história do primeiro século de Cristianismo naturalmente busca por informação nos livros escritos por historiadores Cristãos modernos, católico ou protestante, conforme for o caso. O Teósofo, seguindo o método sugerido no segundo objetivo da Sociedade Teosófica, faz um estudo comparativo dos trabalhos de escritores diferentes, indo quando for possível, às fontes originais.

O Reverendo Padre Stebbing, no prefacio de seu livro, nos dá as suas razões por que a história da Igreja deveria ser estudada do ponto de vista católico. Ele diz:

"Isto tem a intenção de ser história; mas história do ponto de vista católico. E se houver um tom elegante quando o católico conta a história do Reino de Deus sobre a terra, é uma tonalidade de triunfo em vez de qualquer outra coisa. Pois o católico que conta a história da Igreja sabe que ela veio de Deus; sabe que ela tem uma presença permanente nele sob sol e sob tempestade; sabe que ela vencerá completamente no final.”

Este eminente historiador católico nos informa que os cristãos do primeiro século "apresentaram um exemplo luminoso da vida Cristã idealmente perfeita. Todos tinham apenas um coração, uma mente, uma alma". Mas por incrível que pareça, os escritos de Pedro e Paulo contam uma história completamente diferente, e mostra que os "gêmeo-fundadores da Sé Apostólica", estavam longe daquela condição. Paulo diz:

"Quando Pedro chegou a Antióquia, eu resisti a ele pessoalmente, porque ele deveria ser censurado. Pois antes daqueles certos homens virem de Jaime, ele comeu com os gentios; mas quando eles se foram, ele se retirou e se separou com medo, pois eles eram da circuncisão. Mas quando eu vi que eles não andavam corretamente de acordo com a verdade do Evangelho, eu disse a Pedro diante de todos: 'Se tu, sendo um judeu, vives da maneira dos gentios, por que tu compeles os gentios a viver como fazem os judeus?’” Galatas ii:11-14.

Paulo era um homem valente, honesto, destemido e franco. A repreensão dele a Pedro não era pessoal, mas foi feita contra a hipocrisia das ações dele, e além disso foi feita na presença dele. Quando Pedro respondeu à acusação de Paulo, ele não teve a coragem de falar corajosa e abertamente, como tinha feito Paulo, mas se dirigiu a ele sob outro nome, chamando-o de um inimigo e um rival pessoal. Mas, diz Canon Westcott (On The Canon: página 252): “Não pode haver nenhuma dúvida de que S. Paulo é chamado de 'inimigo'”. A resposta de Pedro é encontrada nas Homílias de Clemente de Alexandria:

"Alguns entre os gentios rejeitaram meu ensinamento da lei, e aceitaram certos ensinamentos infundados e tolos do inimigo. Eu o segui como a luz sobre a escuridão, como o conhecimento sobre a ignorância, como saúde sobre a doença".

E então se dirigindo diretamente a Paulo, embora ainda anonimamente, Pedro continua:

"Você agora se lança contra mim, que sou uma pedra firme, o fundamento da Igreja. Se você não fosse um oponente, você não me caluniaria, você não insultaria meus ensinos, como se eu estivesse condenado.”

A primeira divisão no Cristianismo começou com as dissensões entre Pedro e Paulo. Em pouco tempo estas dissensões estava entre os seguidores deles. Os Judeus Cristãos estavam pressionando aos Pagãos Cristãos, tentando força-los a adotar os ritos e cerimônias Mosaicos. Os Pagãos Cristãos retaliaram excluindo os Judeus Cristãos de toda esperança de salvação. Quando Justino o Mártir foi pressionado a declarar os sentimentos da Igreja sobre este assunto, ele confessou que havia muitos entre os Cristãos ortodoxos que não só excluíram seus irmãos Judeus Cristãos de toda a esperança de salvação, mas que também recusavam qualquer relacionamento com eles nos laços comuns de amizade, hospitalidade ou vida social. Então, se são acreditadas as declarações dos dois Apóstolos e a "mais valiosa testemunha para a Fé", o Cristianismo do primeiro século não era a expressão de amor fraterno que o historiador Cristão moderno quer que acreditemos.

As sementes de dissensão que foram semeadas no primeiro século floresceram plenamente no segundo. Pois naquela época a própria Igreja era dividida em duas facções adversárias. Num lado estava a Igreja ortodoxa de Roma; no outro o movimento conhecido como "Gnosticismo Cristão”.



Referência a “O Oceano da Teosofia”, Willian Judge

“A estória de Apolônio de Tiana é sobre um membro de uma das mesmas antigas ordens, surgindo entre aos homens num ciclo descendente, e apenas com o propósito de haver uma testemunha em cena para as gerações futuras.” http://www.theosociety.org/pasadena/ocean/oce-1.htm



ANO II, No.52

Publicado em:28.12.08

Palavras Iniciais

Com o intuito de aprofundar um pouco mais nosso conhecimento a respeito de outras tradições para podermos alcançar uma dimensão maior na espiritualidade é que, volta e meia, publico uma matéria fora do contexto das tradições já consagradas pelo Ocidente, no caso o xamanismo Tolteca e Maia. Como já tive a oportunidade de dizer aqui por algumas vezes, considero o xamanismo o berço da religiosidade da humanidade, pois foi a primeira manifestação do homem no sentido de agradar e dominar as forças da natureza sobre as quais não tinha poder, daí derivando todas as outras formas de contato com o desconhecido e temido.



Xamã e os Males do Espírito entre os Nahuas e os Maias

Mercedes de La Garza

Publicação original: Revista de la Universidad Nacional Autonoma de Mexico.
Tradução: Jan Duarte.

Os Xamãs

No pensamento indígena, a realidade visível e tangível não é a única que existe; por trás dela existem outras esferas onde residem inúmeros poderes que determinam a existência do cosmos. O homem, para o indígena, tem uma natureza dual, composta de corpo e espírito, pela qual é um ser capaz de transitar por essas esferas misteriosas, transpondo os umbrais de acesso a elas, mas apenas conseguem fazê-lo em certos estados especiais, quando o espírito se desprende do corpo. Isso pode ocorrer por diversas causas e em diferentes circuntâncias da vida, e pode ser voluntário ou involuntário.

Entre as formas de separação do corpo e do espírito, destacam-se o sonho e o transe extático. O primeiro é uma das maneiras normais, involuntárias e comuns a todos os homens, de desprender o espírito do corpo; o segundo é voluntário e excepcional, pois apenas o conseguem aqueles que tenham sido eleitos pelos seres sagrados, tenham passado por um período iniciático de aprendizagem e manejo das forças divinas e possam crontrolar suas potencialidades anímicas, das quais obtêm poderes sobrehumanos. Esses homens poderosos, especializados em práticas de exteriorização do espírito, são os Naguais, assim chamados tanto entre os Nahuas (dos quais procede o termo) como entre os Maias, ainda que recebam diversos outros nomes segundo os diversos idiomas. De qualquer maneira, como a palavra nagual sofreu várias mudanças de sentido através dos séculos, começando pela tergiversação que dela fizeram os frades espanhóis na colônias, aqui os chamaremos xamãs, palavra siberiana que adquiriu significado universal.

Desde a época pré-hispânica até a atualidade, têm existido xamãs no mundo nahuatl e maia, entendidos como homens dotados de qualidades sobrenaturais derivadas de seu manejo do transe extático. Este é alcançado mediante rigorosas práticas ascéticas, como jejum, insônia, abstinência e autosacrifício, acompanhadas de meditação, danças e cantos rítmicos e ingestão ou aplicação de substâncias psicoativas - tanto cogumelos e plantas alucinógenos como bebidas embriagantes. O transe consiste em desprender o espírito do corpo em estado de vigília e controlar todas as suas ações; assim, o xamã pode "ver" tudo que os demais não vêem, o que é sinônimo de conhecer; é capaz de subir ao céu, descer ao submundo e percorrer longas distâncias em poucos segundos; da mesma forma, de comunicar-se com os deuses, com os mortos, com os espíritos de outros homens vivos e com seu próprio alter-ego animal. Também tem a faculdade de transformar-se em animais, em líquidos vitais (como o sangue) e em fenômenos naturais (como raios, bolas de fogo e cometas). Pode dominar as forças da natureza (como o granizo) e, sobretudo, pode "ver" a causa das enfermidades e propiciar magicamente a cura.

Os xamãs foram e são os conhecedores e intérpretes de sonhos e aqueles que manejam os produtos psicoativos (plantas sagradas e bebidas embriagantes) para comunicar-se com o sagrado e para as práticas curativas e de adivinhação. Aqui, falaremos apenas da função médica do xamã.

Entre os Nahuas e os Maias, privilegiaremos uma visão histórica geral, desde a época pré-hispânica até a atualidade. Por enfermidades do espírito entendemos aquelas predominantemente psicossomáticas que atingem os indígenas. Antes de mencioná-las, é necessário advertir que a maior parte das enfermidades, como reconhecem muitos médicos, têm um caráter psicossomático. Por isso, para compreender qualquer sistema médico é necessário conhecer o seu contexto cultural, a concepção do mundo e da vida, as idéias sobre o corpo humano, que explicam os conceitos de saúde e enfermidade e as práticas curativas. Cada cultura tem as suas próprias doenças e suas próprias terapias correspondentes; um homem da cultura ocidental não adoeçe de flato, de barajusto, de pochitoque ou de mal de aranha, nem se cura com fórmulas mágicas, incenso e orações, assim como para um tojolabal ou um ch'ol não serviriam, seguramente, os placebos utilizados pelos médicos ocidentais. Não queremos dizer com isso que não existam enfermidades biológicas, físicas, nem uma medicina científica, ou seja, um conhecimento objetivo e universal do corpo humano e seus males, mas apenas que evidentemente existe um alto percentual de enfermidades de caráter psicossomático, o que foi bem compreendido pela xamã mazateca Maria Sabina, quando dizia que o que adoece é o espírito, dessa forma era preciso curá-lo para curar o corpo.

Época Pré-Hispânica

Entre os Nahuas pré-hispânicos haviam diversos tipos de xamãs especializados tanto em causar enfermidades como em curá-las; dizia-se que o mesmo xamã podia ser "bom ou mal", entendendo-se por isso que seus poderes podiam ser direcionados para o bem e para a saúde dos outros ou para a sua destruição. Um dos xamãs nahuas mais importantes era o nahualli, considerado um sábio com poderes sobrehumanos para transformar-se em diversos animais; era um conselheiro sério e respeitado. O bom era curandeiro e guardião; o mal, encantador e feiticeiro, causador de enfermidades. De forma geral, todo xamã com poderes de transformar-se era denominado nahualli; assim, converter-se em um animal era fazer dele o seu nahualli. Por exemplo, o tlacatecolotl, "homem-coruja" (que também se transformava em cachorro), era um nagual maléfico, pois causava enfermidades ao queimar figuras de madeira de suas vítimas, verter o próprio sangue sobre estas ou dar-lhes para beber poções venenosas. Ele e outros naguais malignos eram tecotzquani, "come-panturrilhas" e teyolloquani, "come-corações", porque enfeitiçavam as pessoas. Fazxiam magia, como fazer uma imagem de madeira de uma pessoa, adorná-la como se costumava fazê-lo com um defunto e em seguida queimá-la para ocasionar a morte. Todos esses xamãs malignos tinham como protetor Nahualpilli, um aspecto de Tezcatlipoca.

Entre os naguais benéficos estava o teciuhtlazqui ou "granizeiro", que podia produzir granizo e conjurá-lo. O xamã especializado em medicina era chamado Ticitl, "o que pratica a medicina". Diz-se que era um curandeiro com experiência em ervas e todo tipo de poções, assim como em incisões, e também podia provocar enfermidades e seduzir mulheres para enfeitiçá-las. Tinha muitas especilidades, entre as quais estavam as do Paini, um xamã adivinho, especializado em uso de alucinógenos e propriamente um médico de enfermidades do espírito.

Esses curandeiros passavam por iniciações religiosas, que consistiam em morrer e descer ao submundo, onde recebiam a instrução médica, o conhecimento dos diagnósticos, dos instrumentos para curar e das ervas sagradas. Para diagnosticar usavam a adivinhação, que se realizava de formas distintas: mediante nós e cordas, grãos de maiz, água, o calendário ritual, interpretações de sonhos e ingestão de plantas alucinógenas e psicoativas em geral: cogumelos, peyote, ololiuhqui, tlapatl, toloache, estafiate e, sobretudo, picietl ou tabaco.

O intérprete de alucinações foi o Paini - "o que ingere uma beberagem". Ele usava os alucinógenos e logo diagnosticava, ou então fazia o paciente beber a erva sagrada. As enfermidades que levavam a consultar o Paini eram aquelas muito longas e penosas, que eram atrib uídas a feitiço. Os textos mencionam, por exemplo, susto, angústia e "náusea no coração". O próprio enfermo, ao beber o alucinógeno, dava sinal de onde estava a enfermidade.

Outro Ticitl diagnosticava interpretando sonhos: trata-se do Temiquiximati - "o conhecedor de sonhos" - que tinha livros especiais sobre o significado dos sonhos, ainda que fizessem sua interpretação principalmente graças aos seus poderes sobrenaturais e por sua habilidade para controlar o espírito fora do corpo. Devido ao seu ofício, chamavam-nos "filhos da noite, como Tezcatlipoca e como Malinalxochitl, a irmã feiticeira de Huitzilopochitl, que era uma grande nagual maligna, "puxadora de pernas, desencaminhadora de pessoas, adormecedora de pessoas, que come cobras, pois chama todas as centopéias, aranhas e se torna feiticeira... muito grande velhaca - disse Tezemococ" (1975, p.28).

Entre os antigos maias também haviam vários tipos de xamãs, começando pelos próprios governantes, que foram retratados nas estelas com seus atributos sacerdotais e portando insígnias do deus celeste supremo, em nome do qual governavam. Os textos coloniais quiches e cakchiqueles os chamavam de Nawal Winak, "homens naguais", e descrevem seus poderes sobrenaturais, como a transformação em jaguares e outros animais, a capacidade de subir ao céu, descer ao submundo, a posse de uma grande força física e uma visão tão aguda e penetrante que lhes permitia adivinhar. Os textos não mencionam suas habilidades curativas nem o uso de plantas sagradas, mas podemos inferir que eram também médicos e que empregavam os alucinógensos, como os nahuas. Em compensação, mencionam-se suas rigorosas práticas ascéticas e sua bolsa ritual que era, ao mesmo tempo, insígnia de seu poder. Essa bolsa continha ossos de águia, de jaguar e de puma, cabeças e patas de veado, pedras negras e amarelas - seguramente para adivinhação - penas de garça, quetzal e azulejo, cogumelos e sangrador para o autosacrifício. Mencionam-se també "ervas para refrescar-se", que eram seguramente as plantas curativas.

Entre os maias de Yucatan, na época da conquista, os xamãs eram sacerdotes especializados: o Uaiaghon, "bruxo"; o Ah Pul Yaah, "bruxo tirador de enfermidades"; o H'men, "mago que se transformava em animal", que é o que tem sobrevivido até hoje, e os Chilames, que profetizavam em estado de transe. Os xamãs eram médicos e feiticeiros, que curavam com sangrias e tiravam a sorte. Celebravam suas festas durante o mês Zip; durante elas, usavam suas sacolas, que continham pequenos ídolos das divindades da medicina Ixchel e Itzamna, pedras para tirar a sorte e muitos outros objetos.

Época Colonial

Durante a época colonial, o nagualismo ou xamanismo foi identificado com a bruxaria européia por apresentar várias idéias afins a ela, entre as quais estava a transformação do bruxo em animal. Foi considerado uma prática de uma seita perversa e demoníaca importada do Egito e, assim, os conceitos de magia negra e pacto com o diabo se integraram às crenças indígenas, na mentalidade dos conquistadores e depois na dos próprios índios.

Mas os ritos xamânicos continuaram realizando-se na clandestinidade, do que há muitos testemunhos, graças a perseguição de que foram objeto. Assim, Jacinto de La Sierna, Ruiz de Alarcon, Margil de Jesus e Nunes De La Vega, no século XVII, formulam descrições precisas dos poderes dos naguais no altiplano central e em Chiapas. Neste lugar eram chamados Poxlom, de "pox medicina", o que confirma que praticavam principalmente curas. Nunez disse: "contaram-nos que é o demônio, que como bola de fogo anda no ar em figura de estrela, com cauda como um cometa".

Os textos afirmam que praticavam a medicina e empregavam para as curas a confissão dos pecados e "medicinas hediondas". Por exemplo: algumas bruxas yacotecas punham taplatl debajo do travesseiro ou o davam para cheirar para fazer perder o juízo. Também eram nigromantes, faziam magia amorosa e sabiam transladar-se ao que Margil chama de "Paraísos Fingidos", sitios onde participavam de festins.

Época Atual

Nas comunidades indígenas nahuas e maias de hoje encontramos a sobrevivência do xamanismo com suas idéias básicas da capacidade transformadora do xamã e seus poderes de adivinhação e cura. Nos estados do México, Morelos, Puebla e Veracruz, principalmente, sobrevive a tradição xamânica nahuatl.

Existem diversas especialidades, como os "granizeiros", e os xamãs continuam sendo os médicos das enfermidades do espírito. Nas comunidades mayances, os xamãs ocupam um lugar de destaque,k pois além de curar enfermidades cumprem um importante papel político-social. Os xamãs de hoje também são escolhidos através de um sonho ou de uma doença, e nesse estado aprendem o ofício de curandeiros e adivinhos; pode-se dizer que a iniciação se produz com o espírito separado do corpo.

Os maias e os nahuas continuam considerando que há um bom número de doenças que são causadas por energias e seres sobrenaturais. Sobrevive também a idéia que as patologias dependem da conduta dos homens, os quais, ao transgredir as normas sociais ou morais ocasionam a raiva dos deuses. Por outro lado, os deuses do submundo aparecem aos homens em forma de seres maléficos, como serpentes, formigas, o "Sombreron", a "Xtabay" e o "Moo-tancaz", que deambulam à noite para causar aos homens graves doenças. Também são causas de doenças as influências do signo do calendário ritual, as alterações do equilíbrio corporal e as emoções fortes, como o medo, o ódio, a tristeza e a inveja.

Quando o espírito se separa do corpo, como durante o sono ou durante o orgasmo, é muito mais suscetível de se contrair enfermidades, pois se encontra a mercê de forças noturnas e maléficas. Por exemplo, um morto pode aparecer no sono de seu inimigo e adoecê-lo de medo.

Os males do espírito chegam a manifestar-se como delírios, afasias, melancolia, irritabilidade, depressão e loucura, entre outras formas, Mas também afetam o corpo, que sofre febres, inchações, dores, urticárias, etc., capazes de provocar inclusive a morte. A mais comum das enfermidades do espírito é a "perda da alma". É possivel perder-se a alma de diversas maneiras, mas sobretudo por "susto" ou "medo", por um acidente ou por "mau-olhado" de um inimigo. Acredita-se que a alma sai e é capturada pelos espíritos guardiães da terra, dos rios, dos bosques, pelos seres do submundo ou pelos "maus aires", que são entidades maléficas com vontade própria.

Em tepoztlan, por exemplo, acredita-se que os "aires" habitam nos barrancos e nos formigueiros - palavras que se usam indistintamente para indicar sítios maus e perigosos - já que atacam preferencialmente nesses lugares. Nos barrancos habita também o "arcoiris", identificado com serpentes malignas. Também um feto pode perder sua alma se sua mãe sofre um susto. Os bebês a perdem com mais facilidade, por ainda não terem sua "moleira" fechada. As almas que se perdem ficam no local da perda, ou em poder do "aire", ou ainda se vão para o submundo "Tlalocan".

Quando se perde a alma, o corpo adoece. Os sintomas são falta de apetite, debilidade, depressão, excesso de sono ou sono agitado. Outro grupo de sofrimentos do espírito são aqueles ocasionados por seres humanos, que se contam entre os piores. O mais frequente é o "mau-olhado" de um bruxo, que tem várias manifestações. Em geral, os bruxos enviam a doença com fórmulas mágicas e, além disso, preparam poções venenosas e têm como aliados os "aires", que introduzem pelos orifícios naturais de suas vítimas. O "mau-olhado" inclui toda classe de desordens psíquicas e loucura.

O bruxo pode por cabelos na garganta ou no estômago de sua vítima, o que lhe causa a morte por asfixia ou dor aguda, e pode introduzir em seu abdomem animais, como ratos, sapos, cobras ou insetos. Os enfeitiçados experimentam dores terríveis e finalmente morrem.

Os bruxos também podem produzir esterilidade por "esfriamento" dos órgãos genitais, que se cura com vapores de ervas aplicados diretamente nesses órgãos. Os bruxos podem, por fim, "cortar la hora", ou seja, provocar a morte após uma lenta agonia, através dos seus aliados, os deuses da terra, que aprisionam o animal de poder da vítima e o mantém sem alimentos. A pessoa vai se debilitando, sofre vômitos, dores, inchações e, por último, morre.

Há outras alterações causadas por homens com poderes sobrenaturais, ainda que involuntariamente, como as que sobrevêm pela "vista forte" ou por execesso de "calor". Esta é uma energia peculiar que se acumula com os anos e com a sabedoria; entre os antigos nahuas, fazia parte do "tonal". Quando uma mulher está menstruada, por exemplo, tem excesso de calor que pode prejudicar outros, sobretudo as crianças.

As enfermidades produzidas por seres humanos, seja voluntária ou involuntariamente, são em geral graves. E precisamente essas enfermidades do espírito são atendidas pelos xamãs, pois seu diagnóstico e tratamento ultrapassa a capacidade e os conhecimentos dos curandeiros comuns.

Os xamãs diagnosticam primariamente por adivinhação, da mesma forma e usando as mesmas técnicas de seus antepassados pré-hispânicos. A adivinhação realizada mediante a ingestão de substâncias alucinógenas já não é tão comum como na época pré-hispânica (se conserva entre os nahuas de Serra de Puebla, por exemplo). Os bruxos, causadores de enfermidades, tambésm curam, sobretudo dos padecimentos que eles mesmo ocasionam, como a loucura. Inclusive têm a proteção do mesmo santo que protege os bons xamãs: São Pedro, tanto entre os nahuas como entre os maias. Eles conhecem os ritos, as fórmulas mágicas e as "contra-ervas".

Quando um xamã falha, consulta-se o bruxo, que possui mais recursos. As cerimônias curativas são diversas e complexas, mas incluem sempre a queima de copal, que é um dos alimentos dos deuses, orações onde se pede a devolução da saúde ou da alma perdida, exortações para que o corpo enfermo se cure ou a alma regresse e o uso de velas, flores e alimentos. Muitas vezes se mata uma galinha ou galo negro, que se entrega aos deuses em troca da alma. Os ritos se realizam na casa do paciente, no lugar onde se perdeu a alma, visitando em peregrinação diversos altares nas montanhas sagradas ou nos campos. Além das orações e conjuros, se fazem varreduras, banhos e sangrias; também se chupa o mal, como se fazia na época pré-hispânica, e se aplicam ou se dão a beber medicamentos.

As vezes a cura so se atinge com a alma separada do corpo, ou seja, durante o sono ou estado de trase extático. Para alcançar esse último, se dá um alucinógeno para o paciente beber, como se faz em Tetela del Volcan. Todas essas crenças e práticas mágicas, ainda que incluam orações cristãs e muitos elementos novos, são em essência de tradição pré-hispânica e estão de acordo com a concepção indígena do mundo e da vida, que de uma forma ou de outra sobreviveram.

Mercedes de la Garza é ex-diretora do Museu de Antropologia e História do México.

http://www.mitoemagia.com.br




Publicado em:21.12.08

Palavras Iniciais

Abaixo repasso mais uma pesquisa a respeito de Jesus de Nazaré bastante rica em detalhes e fundamentada na opinião de diversos clérigos e estudiosos de diversas confissões cristãs. É sempre bom estarmos inteirados das diversas opiniões e estudos atualizados, isso porque a Bíblia, infelizmente, não é um documento único e sim um compêndio de vários escritos, traduções, relatos de diversos autores escritos em épocas posteriores.



Quem foi Jesus?

Ele não nasceu em Belém, teve vários irmãos e sua morte passou quase despercebida no Império Romano. A história e a arqueologia desencavam o Jesus histórico - um homem bem diferente daquele descrito nos evangelhos

Texto Rodrigo Cavalcante

Foi um dia de trabalho como outro qualquer. Depois da festa da Páscoa do ano 3790 do calendário hebraico, a maioria dos camponeses seguia sua rotina normalmente, assim como os coletores de impostos, os pescadores, os soldados romanos, os carpinteiros, os sacerdotes e as prostitutas. Em Jerusalém, contudo, algumas pessoas deviam estar comentando o tumulto do dia anterior, que resultou na morte de um judeu. Nada que não estivessem acostumados a ouvir. Naquele tempo, a cidade já era palco de conflitos político-religiosos sangrentos e quase sempre algum agitador morria por incitar a rebelião contra os romanos, que governavam a região com o apoio da elite judaica do Templo de Jerusalém. Dessa vez, o fuzuê foi causado por um judeu camponês chamado Yeshua (Jesus em hebraico), que foi aprisionado e condenado à morte por ter desafiado o poder romano e o templo em plena Páscoa. "Se você quisesse chamar a atenção de multidões para as suas idéias, essa era a data ideal", afirma Richard Horsley, professor de ciências da religião na Universidade de Massachusetts e autor do livro Bandidos, Profetas e Messias – Movimentos Populares no Tempo de Jesus. "A festa tinha um forte conteúdo político, já que comemorava a libertação dos hebreus do Egito, que agora estavam sob o domínio dos romanos."

No meio da multidão (imagine a cidade paulista de Aparecida do Norte em dia de peregrinação), pouca gente deve ter se comovido com a prisão e morte de mais um judeu agitador – a não ser um punhado de parentes e amigos pobres. Mas nem eles poderiam imaginar que a cruz em que Jesus pagou sua sentença seria, no futuro, o símbolo mais venerado do mundo. Da Basílica de São Pedro, no Vaticano, à igrejinha da Assembléia de Deus encravada no interior da floresta Amazônica, a cruz se tornou o símbolo de fé para mais de 2 bilhões de pessoas em todo o planeta. Sua morte dividiu, literalmente, a história em antes e depois dele. Mas, afinal, quem foi Jesus?

Pode parecer estranho, mas para os estudiosos há pelo menos dois Jesus. O primeiro, que dispensa apresentações, é o Cristo (o ungido, em grego), cuja história contada pelos 4 evangelistas deixa claro que ele é o enviado de Deus para salvar os homens com a sua morte. Os judeus costumavam sacrificar animais como cordeiros no templo para se purificarem. Ao morrer na cruz, Cristo torna-se o símbolo do cordeiro enviado por Deus para tirar o pecado dos homens e do mundo.

O outro Jesus, já citado no início da matéria, é Yeshua, o homem que morreu sem chamar muita atenção dos cidadãos do Império Romano. Além dos evangelhos – que não podem ser considerados fontes imparciais de sua vida, já que foram escritos por seus seguidores – há apenas uma menção direta a ele citada pelo historiador judeu Flávio Josefo, que escreve sobre sua morte no livro Antiguidades Judaicas, feito provavelmente no fim do século 1.

Para os pesquisadores, essa falta de citações seria um indício da pouca repercussão que Jesus teria tido para os cronistas da época. "Se existisse um grande jornal em Israel no tempo de Jesus, sua morte provavelmente seria noticiada no caderno de polícia, e não na primeira página", diz John Dominic Crossan, professor de estudos religiosos da Universidade de Paulo, em Chicago, EUA. Autor dos livros O Jesus Histórico – A Vida de um Camponês Judeu no Mediterrâneo e Excavating Jesus – Beneath the Stones, Behind the Texts ("Escavando Jesus – Por Baixo das Pedras, por Trás dos Textos", inédito no Brasil), ele diz que a escassez de fontes diretas sobre Jesus não significa que seja impossível recompor a vida do homem de carne e osso – e não apenas do mito – que morreu em Jerusalém. "A interpretação correta dos textos históricos e a arqueologia estão trazendo surpreendentes revelações sobre o Jesus histórico", afirma Crossan.

Uma dessas revelações pode estar contida numa pequena caixa de pedra cor de areia encontrada em Jerusalém com uma inscrição feita em língua e caligrafia de 2 mil anos atrás. Ao lê-la em aramaico, da direita para esquerda, como a maioria das línguas semitas, está escrito inicialmente "Yaákov, bar Yosef", ou seja: Tiago, filho de José. E continua, mais desgastada, "akhui di..." irmão de "Yeshua", Jesus. Isso mesmo. Segundo André Lemaire, especialista em inscrições do período bíblico da Universidade de Sorbonne, em Paris, há uma alta probabilidade de que essa pequena caixa tenha sido usada para guardar os ossos de Tiago (são Tiago, para os católicos), o mesmo do Novo Testamento, já que a possibilidade de que a associação entre esses 3 nomes seja uma referência a outras pessoas é estatisticamente baixa.

Apesar de não ter sido encontrada num sítio arqueológico (como foi comprada por um colecionador num antiquário, os riscos de fraude seriam maiores), ela poderá se tornar a primeira evidência material associada a Jesus. "Caso fique provado que a inscrição é verdadeira, a descoberta levantará uma série de novas questões", diz Crossan. "Vamos ter que nos perguntar, por exemplo, se termos como irmão e pai significam exatamente o mesmo que hoje: pai e irmão de sangue.

Apesar de o Evangelho de São Mateus, no capítulo 13, versículos 55-56, citar: "Porventura não é este o filho do carpinteiro? Não se chamava sua mãe Maria, e seus irmãos Tiago, e José, e Simão, e Judas: e suas irmãs não vivem elas todas entre nós?", a Igreja sempre pregou aos fiéis que irmão e irmã, nesse caso, significavam apenas primos ou um forte vínculo de amizade e companheirismo entre todos os que faziam parte de um grupo. "Como esse é um campo cheio de fé e paixões, a busca do Jesus histórico sempre foi um desafio", diz André Chevitarese, professor de história antiga da Universidade Federal do Rio de Janeiro e um dos maiores especialistas sobre o tema no país. "Enquanto um religioso conservador ressalta a dimensão espiritual da figura de Jesus, um teólogo da libertação vai buscar nele sua atuação como um revolucionário político."

Mesmo que a diversidade de visões de Jesus seja proporcional ao número de igrejas, correntes e seitas que existem em seu nome, historiadores e arqueólogos estão conseguindo reconstituir como era o mundo em que ele vivia: um retrato fascinante da política, da religião, da economia, da arquitetura e dos hábitos cotidianos que devem ter moldado a vida de um homem bem diferente daquele retratado pelas imagens renascentistas que povoam a imaginação da maioria dos cristãos. A começar pela aparência. Baseados no estudo de crânios de judeus que viviam na região na época, os pesquisadores dizem que a fisionomia de Jesus deveria ser mais próxima da de um árabe moderno. "Em tempos turbulentos como o de hoje, ele provavelmente teria dificuldades de passar pela alfândega de um aeroporto europeu ou americano", diz Chevitarese.

 

Um presépio diferente

Imagine que neste Natal você pudesse entrar numa máquina do tempo para visitar Jesus recém-nascido. Se isso fosse possível, você teria algumas surpresas. Ao programar a engenhoca para o ano zero, provavelmente você iria se deparar com um menino de 4 anos. É que Jesus deve ter nascido no ano 4 a.C. – o calendário romano-cristão teria um erro de cerca de 4 anos. Tampouco adiantaria chegar a Belém no dia 25 de dezembro. Em primeiro lugar, porque ninguém sabe o dia e a data em que Jesus nasceu. O mês de dezembro foi fixado pela Igreja no ano 525 porque era a mesma época das festas pagãs de Roma. E o segundo problema é que provavelmente Jesus não nasceu em Belém. "Há quase um consenso entre os historiadores de que Jesus nasceu em Nazaré", diz o padre Jaldemir Vitório, pesquisador do Centro de Estudos Superiores da Companhia de Jesus, em Belo Horizonte.

Então por que o evangelho de Mateus diz que o nascimento foi em Belém? Vitório explica que o texto segue o gênero literário conhecido por midrash. Basicamente, o midrash é um forma de contar a história da vida de alguém usando como pano de fundo a biografia de outras personalidades históricas. No caso de Jesus, ele explica, a referência a Belém é feita para associá-lo ao rei Davi do Antigo Testamento – que, segundo a tradição, teria nascido lá. Mas as associações não parariam por aí. Assim como o nascimento em Belém, a terrível execução de recém-nascidos ordenada por Herodes e a fuga de Maria e José para o Egito também teriam sido uma "licença poética do texto", dessa vez para simbolizar que Jesus é o novo Moisés – já que essa narrativa é bem semelhante ao que se contava da vida do patriarca bíblico. "Isso não foi uma criação maquiavélica para glorificar Jesus, era apenas o estilo literário da época", diz Vitório.

Mas se essas passagens são representações e não fatos históricos, o que um viajante no tempo encontraria de semelhante às imagens estampadas nos cartões de Natal de hoje? "Jesus deve ter nascido numa casa de camponeses extremamente pobres, cercada de animais", diz Gabriele Cornelli, professor de teologia e filosofia da Universidade Metodista de São Paulo. "Cresceu numa das regiões mais pobres e turbulentas daquela época."

 

Um judeu pobre da Galiléia

Um vilarejo de trabalhadores rurais numa encosta de serra com, no máximo, 400 habitantes. Segundo os arqueólogos, essa era a cidade de Nazaré no tempo de Jesus. De tão pequena, a vila praticamente não é citada nos documentos da época. "As escavações arqueológicas na cidade não encontraram nenhuma construção importante que datasse do tempo de Jesus", diz o historiador John Dominic Crossan. "Em compensação, foram encontradas pequenas prensas de azeitonas para a fabricação de azeite, prensas de uvas para vinho, cisternas de água, porões para armazenar grãos e outros indícios de uma vida agrária de subsistência."

A casa em que Jesus cresceu devia ter chão de terra batida, teto de estrados de madeira cobertos com palha e muros de pedras empilhadas com barro, lama ou até uma mistura de esterco e palha para fazer o isolamento. Ao entrar na casa, talvez alguém lhe oferecesse água tirada de uma cisterna servida num dos muitos vasilhames de pedra e barro achados pelos arqueólogos na região – a água era preciosa, já que a chuva era escassa. Para comer, havia pão, azeitona, azeite e vinho e um pouco de lentilhas refogadas com alguns outros vegetais sazonais, servido às vezes no pão (que você deve conhecer como pão árabe). Com sorte, nozes, frutas, queijo e iogurte eram complementos bem-vindos, além de um peixe salgado vez ou outra. Segundo os arqueólogos, a carne era rara, reservada apenas para celebrações especiais.

Para garantir o sustento, as famílias precisavam ter vários filhos que ajudassem no duro trabalho no campo. "É pouco provável que Jesus tenha sido filho único", diz o historiador Gabriele Cornelli. "Assim como um menino de roça que vive em comunidades pobres no interior, ele deve ter crescido cercado de irmãos." Mesmo pesquisadores católicos como o padre John P. Meier, autor dos 4 volumes da série Um Judeu Marginal, sobre o Jesus histórico, dizem que é praticamente insustentável o argumento de que, no Novo Testamento, "irmão" poderia significar "primo". "A palavra grega adelphos, usada para designar irmão, provavelmente foi usada no sentido literal", diz Meier. Sua conclusão reforça ainda mais as chances de que o ossário atribuído a são Tiago, suposto irmão de Jesus, possa ser verdadeiro.

E quanto à profissão de Jesus? O historiador Gabriele Cornelli diz que, baseado nas parábolas atribuídas a ele, é muito provável que Jesus tenha sido um camponês. Mas José não era carpinteiro e seu filho não o teria seguido na profissão? O professor de ciências da religião Pedro Lima Vasconcellos, da PUC de São Paulo, diz que a palavra carpinteiro (tekton) usada no Novo Testamento pode significar também "biscateiro", no sentido de uma classe inferior que faz serviços manuais diversos. Uma das hipóteses é a de que Jesus pode ter trabalhado no campo e, eventualmente, atuado em algumas obras de construção civil. Os arqueólogos descobriram que, a apenas 6 quilômetros de Nazaré, vários edifícios em estilo greco-romano estavam sendo construídos na cidade de Séforis. "É possível que Jesus tenha trabalhado lá", diz Vasconcellos. A construção era apenas uma das várias obras que estavam sendo erguidas por Herodes Antipas, governante da Galiléia.

Além das intervenções em Séforis, os edifícios construídos nas cidades de Tiberíades e Cesaréia Marítima (o nome foi dado em homenagem ao imperador Júlio César) tornavam a região cada vez mais parecida com as cidades romanas. "O problema é que todas essas obras representavam um fardo a mais aos camponeses pobres, que já pagavam muitos impostos", diz o historiador Richard Horsley. "Não é à toa que surgiram nesse período vários movimentos populares de contestação ao poder romano, do qual Jesus era mais um representante."

 

Messias de um novo reino

No governo de Herodes Antipas (4 a.C. a 39 d.C.), enormes palácios foram construídos na Galiléia, muitos para abrigar a elite judaica que dominava os judeus pobres na região. O esquema de poder na Galiléia, assim como em outras regiões de Israel, funcionava num sistema de clientela: para reinar, Herodes contava com o apoio precioso dos romanos. Estes, por sua vez, exigiam que ele recolhesse impostos para Roma e se responsabilizasse pela repressão de qualquer contestação ao poder imperial. Sob essas condições, Roma permitia que os judeus cultuassem o seu Deus único, Javé, em vez de celebrarem as várias divindades que povoavam o panteão romano. Estando bom para ambas as partes, o equilíbrio de poder era mantido. "O problema é que apenas os romanos e uma elite sacerdotal judaica eram beneficiados", diz André Chevitarese. "A maioria dos judeus tinha que trabalhar cada vez mais para sustentar essas duas classes."

Ninguém sabe ao certo até que ponto Jesus começou a sua pregação motivado por esse sentimento de injustiça social. Até mesmo porque a tentativa de retratá-lo como um revolucionário político (e não um líder espiritual) parece fazer pouco sentido considerando-se a época em que ele viveu. "Essa distinção de uma consciência política separada da espiritualidade é uma invenção dos pensadores ocidentais modernos, como Maquiavel", diz Chevitarese. "Para os movimentos apocalípticos de então, o modelo de sociedade perfeita é o Reino de Deus, algo que para essas pessoas estava prestes a se concretizar."

Os estudiosos dizem que há uma dificuldade natural de quem vive nas sociedades modernas de entender a verdadeira dimensão da palavra apocalipse na época de Jesus. "Algumas pessoas hoje entendem o apocalipse como um futuro distante, o fim dos tempos que chegará somente quando todos estiverem mortos", diz Paulo Nogueira, professor de literatura do cristianismo primitivo da Universidade Metodista de São Paulo. "Na época de Jesus, os movimentos apocalípticos viam esse futuro como algo para daqui a alguns dias, quando o Reino dos Céus fosse se sobrepor ao Reino da Terra." Era preciso se preparar logo.

Para os judeus pobres, estava claro que o tal reino terrestre prestes a ruir era aquele formado por Roma, pelos governantes locais e pela elite judaica representada pelo suntuoso Templo de Jerusalém. E como as pessoas deveriam se preparar para o advento do novo reino? Um bom começo era ouvir as profecias de um dos mais conhecidos pregadores da época: João Batista. "Naquele tempo, a figura de João era mais importante do que a de Jesus, que somente se tornou uma ameaça a Roma depois da crucificação", diz o historiador John Dominic Crossan. Depois de ouvir suas profecias, as pessoas podiam se preparar para a chegada da nova era submetendo-se a um ritual de imersão na água. Esse ritual é o famoso batismo. "Ao entrar e sair da água, as pessoas sentiam-se como se estivessem deixando para trás os pecados e renascendo purificadas para o novo reino de Deus", diz Nogueira.

A maioria dos historiadores acredita que João Batista, de fato, deve ter batizado Jesus adulto. "Não deve ter sido fácil para os evangelistas explicar por que o messias foi batizado, já que, como enviado de Deus, ele é que devia batizar os outros", diz André Chevitarese. Mas ele explica que o evangelho logo "resolve" a polêmica ao narrar que, precisamente na hora do batismo, a pomba do Espírito Santo aparece sobre Jesus e João Batista diz que ele é que deveria ser batizado.

"As fontes que estão nos ajudando a compreender esses movimentos apocalípticos são os Manuscritos do Mar Morto", diz Paulo Nogueira. Descobertos em 1947, os manuscritos foram encontrados no convento de Qumran, uma espécie de condomínio de cavernas habitado pelos essênios, grupos de judeus que viviam como monges seguindo uma rígida disciplina de orações e uma dieta rigorosa. "Apesar de não revelarem nada diretamente sobre Jesus, eles mostram como os cultos apocalípticos já estavam disseminados nessa época", diz Nogueira. Há até quem defenda a hipótese de que Jesus tenha tido uma ligação direta com os essênios. Do que os crentes e céticos parecem não ter dúvida é que o batismo de João Batista foi um divisor de águas na vida de Jesus. A partir dali, ele teria se retirado para o deserto para depois dar início à trajetória de sermões e milagres que o levaria à cruz.

 

Milagres subversivos

Se os historiadores e arqueólogos estão conseguindo reconstituir o ambiente em que Jesus viveu, tudo muda da água para o vinho quando o assunto são os milagres. Afinal, como um pesquisador pode estudar objetivamente feitos considerados sobrenaturais? Uma moda no passado (que até hoje tem adeptos nos EUA) foi a tentativa de explicar a origem de alguns desses fenômenos como tendo causas naturais. Você provavelmente conhece algumas dessas teses: a estrela de Davi no nascimento de Jesus era na verdade o cometa Halley, Lázaro foi ressuscitado por Cristo porque estava em coma... "Explicações desse tipo conseguem às vezes ser mais absurdas do que o próprio milagre", diz André Chevitarese.

Os pesquisadores sabem que no tempo de Jesus a doença estava associada à impureza. "A grande preocupação da lei judaica, já prevista em textos como o Levítico, era demarcar o que é puro e o que não é puro", diz Manuel Fernando Queiroz dos Santos Júnior, professor da Faculdade de Saúde Pública da USP. "E as doenças de pele, as mais visíveis, logo eram associadas à impureza espiritual." Especialista em hanseníase, o professor diz que o que a Bíblia chama de lepra servia para nomear, na verdade, todas as doenças de pele na época, de eczemas a micoses. "Quem lê a Bíblia sem atentar para esse detalhe tem a impressão errônea de que existia uma verdadeira epidemia da doença na época de Jesus." Por causa desse erro, os leprosos foram segregados por séculos como portadores de uma doença impura e terrível. Segundo os historiadores, essa associação perversa entre doença e impureza (ou pecado) terminava favorecendo a elite judaica do Templo de Jerusalém. "Afinal, para se curar, o doente tinha que pagar mais taxas e oferecer mais sacrifícios no templo", diz Crossan. "Isso gerava para o doente um ciclo interminável de sofrimento e dívidas." O templo era comandado por uma casta sacerdotal que detinha o monopólio de conduzir os fiéis aos rituais de purificação – que, na época, incluíam o sacrifício de animais como cordeiros (quem não tinha posses para tanto podia sacrificar uma pomba branca comprada no mercado do templo, o que garantia uns trocados aos sacerdotes).

Imagine agora o mal-estar que os sacerdotes deviam sentir ao ouvir relatos de que, com um simples toque, um judeu pobre da Galiléia andava curando doentes, declarando, com esse gesto, que a pessoa estava livre dos pecados. "Hoje é difícil de entender como um ato desses era radicalmente subversivo", diz Richard Horsley. Ele diz que Jesus não estava só. "Uma série de outros curandeiros também usavam esse ritual para desafiar o poder do templo naquela época", diz o historiador.

Como Jesus conseguia curar as pessoas? Poucos se arriscam a dar palpites. O certo é que, ao se misturar com doentes, mendigos, gentios, prostitutas, enfim, toda classe de pessoas que eram consideradas impuras, Jesus incomodou a maioria dos grupos judaicos da época. Entre esses incomodados se incluíam os fariseus, membros de uma escola religiosa que insistia na completa separação entre os judeus e os gentios (fariseu quer dizer "o que está separado"). Eram provavelmente hostis a Jesus e não deviam entender por que ele comia na mesma mesa dos "impuros". Jesus provavelmente também não agradou aos saduceus, judeus que não acreditavam na imortalidade da alma nem nos anjos, muito menos nos milagres de Jesus. "Seu estilo de ensinar e de viver desagradou muitos judeus, que o colocaram à margem do judaísmo palestino", diz John P. Meier, no livro Um Judeu Marginal.

A escolaridade de Jesus é outro ponto polêmico. Para muitos, ele era analfabeto. "Somente uma ínfima parcela da população que trabalhava para os governantes sabia ler e escrever", diz Richard Horsley. "Não acredito que ele fizesse parte dessa parcela." Então, como explicar o trecho do evangelho que o retrata lendo numa sinagoga? "A palavra ler no evangelho pode significar recitar", diz Horsley. Juan Arias, autor do livro Jesus, Esse Grande Desconhecido, discorda. "Apesar de ter vindo de uma família muito pobre, é difícil imaginar que as discussões polêmicas que ele teve com seus contemporâneos possam ter sido feitas por um homem que não sabia ler", diz Arias. Mesmo que não tenha sido analfabeto, o judeu pobre da Galiléia não deve ter chamado a atenção da elite intelectual que vivia na época. A não ser, talvez, pelos tumultos que ele deve ter causado quando resolveu pregar diretamente na cidade de Jerusalém.

 

De Jesus a Cristo

Imagine Nova York como o centro espiritual do mundo muçulmano. Ou mesmo a Basílica de São Pedro, no Vaticano, transformada numa mesquita dedicada ao profeta Maomé. Improvável, não? "Foi algo dessas proporções que aconteceu com a expansão do cristianismo", diz André Chevitarese. "Em cerca de 3 séculos, a crença de uns poucos seguidores se tornou a religião oficial do Império Romano, o mesmo império que havia ordenado a sua morte." Como isso ocorreu?

Para os cristãos, a resposta é bastante simples: Jesus ressuscitou. Essa seria a evidência de que o homem crucificado não era, afinal, apenas um homem, e sim Cristo, o Messias esperado havia muito tempo pelos judeus. Mas como entender a ressurreição? "Nenhum outro tipo de milagre se choca mais com a mentalidade cética da moderna cultura ocidental", diz John Meier. Para ele, ficar especulando sobre o que aconteceu com o corpo de Jesus é inútil. "A essência da crença na ressurreição é que, ao morrer, Jesus ascendeu em sua humanidade à presença de Deus", diz Meier. "Descobrir qual a ligação dessa humanidade com o seu corpo físico não é matéria dos historiadores."

Mas, se a ressurreição é uma questão de fé e não de história, os estudiosos estão pelo menos conseguindo esclarecer detalhes sobre o terrível momento que a teria antecedido: a crucificação. Tudo começou em 1968, quando foi descoberto na região de Giv’at há-Mivtar, no nordeste de Jerusalém, o único esqueleto de um crucificado conhecido pela ciência. Após a análise do corpo, concluiu-se que os braços não foram pregados, mas amarrados na cruz. Já as pernas foram colocadas em ambos os lados da base vertical de madeira, com pregos segurando os calcanhares. "Uma revelação surpreendente sobre a morte na cruz não surgiu da descoberta de esqueletos, mas da falta deles", diz Pedro Lima Vasconcellos, da PUC de São Paulo. "Afinal, se centenas e até milhares de pessoas foram crucificadas na época, por que apenas um esqueleto foi encontrado?"

O historiador John Dominic Crossan diz que há uma razão terrível para isso: "As 3 penas romanas supremas eram morrer na cruz, no fogo e entregue às feras", diz Crossan. "O que as tornava supremas não era a sua crueldade desumana ou sua desonra pública, mas o fato de que não podia restar nada para ser enterrado no final." No caso da crucificação, o corpo era exposto aos abutres e aos cães comedores de carniça. Como um ato de terrorismo de Estado, a extinção do cadáver também tinha como vantagem para as autoridades evitar que o túmulo do condenado se tornasse local de culto e resistência.

Mesmo que ninguém saiba o que ocorreu após a morte de Jesus (alguns historiadores acham razoável que a família e os amigos pudessem ter reivindicado o seu corpo), o fato é que seus seguidores passaram a relatar suas aparições. "Não se deve subestimar o poder dessas experiências em nome do racionalismo", diz Paulo Nogueira, professor da Universidade Metodista de São Paulo. "Afinal, as pessoas tinham visões, entravam em transe. É uma simplificação, por exemplo, ficar tentando encontrar razões sociológicas para explicar a experiência mística responsável pela conversão de Paulo."

Nascido na cidade de Tarso, na atual Turquia, Paulo (são Paulo, para os católicos) talvez seja o homem que, sozinho, fez mais pela expansão do cristianismo que qualquer outro dos seguidores de Jesus. O curioso é que, antes de se converter, ele era uma espécie de agente policial encarregado de perseguir os cristãos. "Sua conversão foi tão surpreendente na época como seria hoje ver um embaixador israelense se converter à causa palestina", diz Monica Selvatici, historiadora da Universidade Metodista de São Paulo. "Suas idéias terminaram afastando o cristianismo do judaísmo da época."

Ela explica que, depois da morte de Jesus, não havia uma distinção clara entre judeus e cristãos. "Os seguidores de Jesus eram apenas judeus que defendiam a tese de que ele era o Messias, ao contrário daqueles que não o reconheciam como tal", diz Mônica. Como falava grego muito bem e foi um dos cristãos que mais viajaram, ele discordava dos judeus-cristãos que defendiam a tese de que os gentios convertidos tinham que seguir rigorosamente a lei judaica. Em suas cartas (epístolas), são famosas as polêmicas travadas com Tiago (são Tiago, para os católicos), suposto irmão de Jesus, que teria sido um defensor de um cristianismo mais fiel ao judaísmo. Mas a idéia central de Paulo, resumida na frase de que "o verdadeiro cristão se justifica pela fé e não pelos trabalhos da lei", acabou prevalecendo. Os gentios podiam agora se converter sem tantos empecilhos e o cristianismo ganhou novas fronteiras. "Paulo ajudou a tirar de Jesus a imagem de um Messias para o povo hebreu, transformando-o num salvador de todos os povos", diz Mônica. "Jesus deixou de ser um fenômeno regional para ganhar um caráter universal."

Mas o que levaria um cidadão romano a trocar os seus deuses para cultuar um judeu da Galiléia? "O cristianismo trouxe uma idéia de salvação da alma que não existia na religião romana", diz Pedro Paulo Funari, professor de história e arqueologia da Unicamp. "A religião romana tinha um aspecto formal, público, pouco ligado às inquietações da vida depois da morte". Mas Funari explica que, apesar do formalismo das crenças romanas, a idéia de salvação da alma já estava difundida na população pela influência de algumas religiões orientais, como o culto a Íris e Osíris, do Egito. "Isso deve ter facilitado ainda mais a expansão do cristianismo em Roma", diz Funari.

O ápice dessa expansão se deu quando o imperador romano Constantino converteu-se ao cristianismo, no século 4. Ninguém sabe ao certo se ele foi motivado mais por dilemas espirituais do que razões políticas (afinal, ao se converter, ele pôde contar com o apoio dos cristãos e com a estrutura de uma Igreja já bem organizada.)

O certo é que, alguns séculos depois, a cruz, imagem brutal da sua crucificação, foi usada para invocar a guerra e a paz entre os povos. E Yeshua, o judeu pobre que morreu praticamente despercebido durante a Páscoa em Jerusalém, já era conhecido por boa parte do mundo como o Cristo. O mesmo Cristo cujo nascimento passou a ser celebrado todos os anos, no mês de dezembro, no dia de Natal.

 

O Jesus Histórico - John Dominic Crossan, Imago, 1994

Excavating Jesus - John Dominic Crossan & Jonathan L. Reed, Harper San Francisco, 2001

Jesus, uma Biografia Revolucionária - John Dominic Crossan, Imago, 1995

Jesus As a Figure in History - Mark Allan Powell, Westminster John Knox Press, 1998

Um Judeu Marginal - John P. Meier, Imago,1993 (série em 4 volumes)

Bandidos, Profetas e Messias - Movimentos Populares no Tempo de Jesus Richar A. Horsley, John S. Hanson, Paulus, 1995

Jesus, Esse Grande Desconhecido - Juan Arias, Objetiva, 2001

Cristo – Uma Crise na Vida de Deus - Jack Miles, Companhia das Letras, 2002

Os Homens da Bíblia - André Chouraqui, Companhia das Letras, 1990

História da Vida Privada – Do Império Romano ao Ano Mil - Philippe Ariès e Georges Duby (org.), Companhia das Letras, 1992

Bíblia de Jerusalém - Paulus, 2002




Publicado em:14.12.08

Palavras Iniciais

Será que os Templários tiveram acesso às cartas náuticas dos Fenícios, das quais se valeram para elaborar novas que deram origem aos descobrimentos da América e do Brasil? Vale a pena ler a Pesquisa conduzida por Roberto Benedetti.



Brasil - A terra de Ophir

 

(Trechos extraídos de Arthur Franco em "A Idade das Luzes".)

Se parece estranho o conhecimento de terras a Ocidente antes de Colombo, é por pura desinformação histórica. O historiador brasileiro Cândido Costa escreveu em 1900:

"Diodoro de Sicília (90-21 ac) , 45 anos antes da Era Cristã, escreveu grande número de livros sobre os diversos povos do mundo; em seus escritos , designa claramente a América com o nome de ilha, porque ignorava sua extensão e configuração. Essa expressão de ilha é muitas vezes empregada por escritores da antigüidade para designarem um território qualquer. Assim vimos que Sileno chama ilhas a Europa, Ásia e África. Na narração de Diodoro, não é possível o engano quando descreve a ilha de que falamos: "Está distante da Líbia (ou seja, da África) muitos dias de navegação , e situada no Ocidente.

Seu solo é fértil, de grande beleza e regado de rios navegáveis". Esta circunstância de rios navegáveis não se pode aplicar senão a um continente, pois nenhuma ilha do oceano tem rios navegáveis.

Diodoro continua dizendo:

"Ali, vêem -se casas suntuosamente construídas"; sabemos que a América possui belos edifícios em ruínas e da mais alta antigüidade. "A região montanhosa é coberta de arvoredos espessos e de árvores frutíferas de toda espécie. A caça fornece aos habitantes grande número de vários animais; enfim, o ar é de tal modo temperado que os frutos da árvores e outros produtos ali brotam em abundância durante quase todo o ano."

Esta pintura do país e do clima por Diodoro se refere de todo o ponto à América equatorial. Este historiador conta depois como os Fenícios descobriram aquela região:

"Os Fenícios tinham-se feito à vela para explorarem o litoral situado além das colunas de Hércules; e, enquanto costeavam a margem da Líbia (África) foram lançados por ventos violentos mui longe do oceano. Batidos pela tempestade por muitos dias, abordaram enfim na ilha de que falamos. Tendo conhecido a riqueza do solo, comunicaram sua descoberta a todo o mundo. Portanto os Tyrrhenios (outra tradução chamam aos Fenícios de Tyrios)

Nota: os Fenícios são oriundos da Síria , poderosos no mar, quiseram também mandar uma colônia ; porém foram impedidos pelos Cartagineses, que receavam que um demasiado número de seus concidadãos , atraídos pelas belezas desta ilha, desertasse da praia."

("Cândido Costa , As Duas Américas, 1900 (pp.108 - 109, citado em Arthur Franco, A Idade das Luzes, Wodan, 1997, p. 113").

Esta descrição coincide com os relatos do que ocorreu com a frota de Cabral 2500 anos depois, desviada pelas mesmas correntes até o continente do Brasil. Na descrição mais completa do texto do historiador romano vemos com exatidão a descrição do continente americano há 2000 anos atrás:

"No mais profundo da Líbia, há uma ilha de considerável tamanho que, situada como está no oceano, se acha a vários dias de viagem a oeste da Líbia. Seu solo é fértil pois, ainda que montanhosa, conta com uma grande planície. Percorrem-na rios navegáveis que se utilizam para a irrigação , e possui muitas plantações de árvores de todos os tipos e jardins em abundância, atravessados por correntes de água doce e também há mansões de dispendiosa construção, e nos jardins construíram-se refeitórios entre as flores.

Ali passam o tempo seus habitantes durante o verão, já que a terra proporciona uma abundância de tudo quanto contribui para a felicidade e o luxo. A parte montanhosa da ilha está coberta de densos matagais de grande extensão e de árvores frutíferas de todas as classes, e para convidar os homens a viverem entre as montanhas. Há grande número de acolhedores , vales e fontes. Em poucas palavras, esta ilha está bem provida de poços de água doce que não só se convertem num deleite para quem ali reside senão também para a saúde e vigor de seu corpo. Há igualmente excelente caça de animais ferozes e selvagens de todo o tipo e os habitantes, com toda essa caça para as suas festas, não carecem de nenhum luxo nem extravagancia. Pois o mar que banha as costas da ilha contém uma multidão de peixes , e o caráter do oceano é tal que tem em toda sua extensão peixes em abundância, de todas as classes.

Falando em geral, o clima desta ilha é tão benigno que produz grande quantidade de frutos nas árvores e todos os demais frutos da estação durante a maior parte do ano, de modo que parece que a ilha, dada sua condição excepcional , é um lugar para uma raça divina , não humana.

Na antigüidade , esta ilha estava descoberta devido à sua distância do mundo habitado, mas foi descoberta mais tarde pela seguinte razão:

"Os fenícios comerciavam desde muito tempo com toda Líbia, , e muito o fizeram também com a parte Ocidental da Europa. E como suas aventuras resultaram exatamente de acordo com suas esperanças , acumularam uma grande fortuna e planejaram viajar além da coluna de Hércules, para o mar que os homens chamam oceano. E, em primeiro lugar , à saída do estreito, junto às colunas , fundaram uma cidade nas costas da Europa, e como a terra formava uma península chamaram à cidade Gadeira (Cádiz). Nelas construíram muitas obras adequadas à natureza da região , entre as quais se destacava um rico templo de Hércules (Melkarth), e ofereceram magníficos sacrifícios que eram conduzidos segundo o ritual fenício..."(p.114).

Quanto ao porte dos navios para semelhantes viagens nessa época , as trirremes fenícias em nada deviam às caravelas de vinte cinco séculos mais tarde. Seu comprimento podia atingir de sessenta a setenta metros , comportando até cento e oitenta remadores e uma tripulação de duzentos a trezentos soldados. Pouco se comenta do esplendor das naus gregas ou romanas , mas não se pode negar que Erik, o vermelho , e seu filho, Leif Erikson, seguiram estes antigos passos até mesmo no estilo de seus Knerrir (transatlânticos) e Knorr (navios menores que comportavam as colônias ), no século X d.C. , vencendo mares tão perigosos como os do Atlântico norte para at6ingir a Vinland, na América.

Segundo Cândido Costa, em sua obra de 1900:

"Num escrito de Aristóteles (De Mirab. Auscult. Cap. 84) diz-se que foi o receio de ver os colonos sacudirem o jugo da metrópole cartaginesa e prejudicarem o comércio da mãe pátria que levou o senado de Cartago a decretar pena de morte contra quem tentasse navegar para esta ilha. Aristóteles descreve também uma região fértil, abundantemente regada e coberta de floresta, que fora descoberta pelos cartagineses além do Atlântico (p. 115)

A participação ampla dos fenícios no conhecimento das terras ocidentais explica a grande participação dos judeus nas grandes navegações. Desde o tempo de Salomão, as casas de Hiram e do grande soberano judeu se uniu de tal forma que a construção do Templo de Jerusalém foi feita por arquitetos e pedreiros fenícios, e as misteriosas viagens para descobrir ouro e madeiras para a construção do templo foram feitos conjuntamente.

Este vasto conhecimento dos judeus sobre a ciência da navegação não passou desapercebido por alguns soberanos à época da diaspora, especialmente D. Manuel.

Em 1412 foi fundada a escola de Sagres, primeira academia portuguesa da navegação. Portugal, nesta época, tonara-se o último reduto dos judeus na Europa. A proteção concedida pelos soberanos portugueses aos judeus visava declaradamente atrair os largos conhecimentos hebreus nas matemáticas, na geografia e na astronomia, para calcar os grandes desenvolvimentos levados a cabo nas pesquisas náuticas para lançar Portugal como potência mundial.

O conhecimento das terras do Brasil por Salomão e por Hiram (rei da Fenícia) , conforme a explanação feita por Cândido Costa , é difícil de ser refutada.Inscrições Fenícias na Bahia e Paraíba.

Entre 1000 aC a 700 aC, período da colonização fenícia no Ocidente, na direção de Cartago, Malta, Sardenha e Espanha. Vários documentos em pedra encontradas no Brasil e EUA, por exemplo, atestam a expansão Fenícia no Ocidente.

No Brasil há registros como os feitos numa memória, do ano de 1753. Seu autor dá notícia de uma cidade abandonada no interior da Bahia, na qual constatou a existência de um palácio, inscrições, templo, colunas, aquedutos, ruas, arcos etc. As inscrições foram encontradas na cidade abandonada no interior da Bahia, de que trata o manuscrito existente

na biblioteca pública do Rio de Janeiro.

Em várias localizações da Américas encontram-se as mesmas inscrições.

As inscrições no Estado da Paraíba, são constantes, de pedra lavrada, segundo Cândido Costa, foi submetida ao juízo do sábio orientalista francês Ernesto Renam, sendo por ele considerada de origem fenícia. Outros detalhes sobre a vinda dos semitas para o Ocidente no ano 2000 aC a 970 aC.

Assume Hiram, o grande rei de Tiro (970 - 936) , aliado de Davi e Salomão.

Em 965 aC, Salomão assume o trono de Israel. No seu reinado um fato extraordinário originou concretamente a ligação perene que teria o Ocidente com os mistérios Bíblicos; a construção do Templo de Jerusalém. Salomão começou oficialmente , na linhagem bíblica, a arte da construção como grande arquiteto do templo. Sua ligação com a casa de Hiram , da Fenícia, abriu os caminhos para a vinda dos mistérios, séculos mais tarde, através da Ordem dos Construtores e da Franco Maçonaria.

Curiosamente , tudo indica ter ido da América do Sul que saíram os materiais exóticos, necessários à construção do templo. Como se não bastasse o acesso físico dos materiais - ouro, pedras, madeiras, além de animais exóticos. Os fenícios foram os próprios construtores do templo, contratado por Salomão. Quanto ao conhecimento do continente americano, os antigos já davam notícias há muito tempo da existência desse continente , para o qual ocorreriam se lhes fosse facilitada a navegação. Tal como ocorreu no início do século XX com as grandes migrações de italianos e alemães para a América, a população que tinha notícia da existência deste paraíso terrestre facilmente se via tentada a emigrar das desoladas e assoladas regiões em que viviam.

"David, quando morreu , deixou a Salomão para a construção do templo 7000 talentos de prata e 3000 de ouro de Ophir. O velho rei não possuía nenhum navio que navegasse nos mares exteriores. Recebia, pois , o ouro de Ophir pelo tráfico com os fenícios, os quais , segundo a Bíblia, conheciam todos os mares. Salomão, para por em execução seus grandes projetos, recorreu a Hiram. Chegou a interessá-lo nas suas empresas e a contratar com ele aliança sólida.

O receio de excitar a susceptibilidade dos povos do Mediterrâneo foi sem dúvida o motivo que decidiu Salomão a construir em Esion-Gaber, no Mar Vermelho, os navios que destinava às viagens de Ophir (pois as colunas de Hércules estavam fechadas aos gregos pelos Cartagineses e o comércio para o Atlântico era muito vigiado". (Cândido Costa , op., cit., p. 113)

Cândido Costa Prossegue sua explanação lembrando que Hiram enviou a Salomão Marinheiros experimentados.

Como se verá mais tarde, a frota de Ophir nunca voltaria ao Mar Vermelho. Passando pelo Cabo africano, ela se reunira no oceano Atlântico com a frota de Hiram , que saíra do Mediterrâneo. Entre os trabalhos que tentam retirar o véu sobre a verdadeira identidade das ricas localidades bíblicas de Ophir, Parvaim e Tarschisch destacamos este do senhor Cândido Costa , publicado em 1900. Ele baseou-se no estudo filológico das antigas línguas européias e asiáticas , bem como a língua quichua ou dos Antis, do Peru , a qual ainda se falava, pelo menos em 1900, na Bacia superior do Rio Amazonas.

"Nos Paralípomenos, liv. 2, cap. 3, v.6, conta-se que Salomão adornou sua casa com belas pedras preciosas, e que o ouro era de Parvaim (...) Parvaim é pronuncia alterada de Paruim. A terminação im nos dá o plural em hebráico; vem acrescentado a Paru porque efetivamente existem, na bacia superior de Amazonas, no território Oriental do Peru, dois rios auríferos, um com o nome de Paru, outro com o de Apu-Paru, o rico Paru, e que unem suas águas para se confundirem no Ucuayli. Os dois rios Paru e Apu-Paru fazem , no plural Paru-im.

Outro nome hebraico é o de um antigo império de nome Inin (crente ou de fé) , também no Peru.

O rio Amazonas, desde a embocadura do Ucaially até a foz do Rio Negro, se chama ainda Solimões: não é nem mais nem menos que o nome viciado de Salomão, dado ao rio Amazonas pela frota do grande rei, que dela tomou posse, em hebraico Solima e em árabe Soliman.

Os cronistas da conquista do rio das Amazonas contam que a oeste da província do Pará existia uma grande tribo como nome de Soliman, que era o do rio ; pois na América as correntes d´água tiram seus nomes das tribos que as habitam. Daí também os portugueses fizeram solimão por hábito de lingüística.

Essa colônia fenícia teve uma duração temporária assaz longa, pois as viagens trienais dos navios de Salomão e de Hiram se renovaram várias vezes. Provavelmente não foi abandonada à própria sorte senão no reinado de Josaphat, rei de Judá , no tempo em que os cartagineses todo-poderosos não permitiam a nação alguma sair do mediterrâneo. Eis porque Josaphat quis mandar sair do Mar Vermelho para essas mesmas regiões uma frota equipada, conjuntamente com Ochozias, rei de Israel. Porém um temporal hediondo a destruiu completamente (p.116).

"Passamos a Ophir, lugar tão celebrado por suas riquezas.

Devemos lembrar aqui que filólogos acreditaram poder fazer que prevalecesse o nome de Abiria, por ter sido a Ophir da Bíblia. Todavia, levaremos em consideração os seguintes fatos : Primeiro, o nome da Abiria é a tradução latina do vocábulo grego sabeiria, tomado da geografia de Ptolomeu, livro 7, cap. 1. A licença do tradutor é tão grande quanto censurável. Em segundo lugar, sabeiria achava-se localizada na parte ocidental da Índia, Que chamavam Indo-Scitia. Porém é reconhecido que a Índia , mormente na parte Ocidental, nunca produziu ouro para o comércio; pelo contrário , os egípcios e os árabes ali o traziam , para o trocar por tecidos de lã e de algodão. Assim a hipótese de que sabeiria fosse o Ophir da Bíblia cai por si. Estevão Quatremere também não admite que Ophir tenha sido colocado no Golfo Arábico, na Arábia feliz, nem em parte alguma da Índia, Ceilão, Sumatra, Borneo ou ponto algum do extremo oriente, pela razão muito simples de que os navios de salomão e de Hiram gastavam 3 anos em cada viagem dessas. Porém Quatremere cai no próprio erro dos que combate, pois que coloca Ophir em Soplah , na costa oriental da África. Para fortalecer sua hipótese, Quatremere não hesita na escolha dos meios: assim é que, por não achar pavões na África, quer que os pássaros chamados Tulens na Bíblia sejam periquitos ou picotas". (Cândido Costa, op. Cit. p. 117)

No cap I do livro I dos Reis , v.11, acha-se escrito Ophir em língua hebraica de dois modos Apir e Aypir, e no cap. 9 , v. 28 lê-se Aypira da Bíblia. Em resumo, nada se opõe que o Aypira da Bíblia tenha vindo do nome do rio Yapur: onde o Y significa água, ou seja, "água ou rio de Apir ou Ophir". Eis porque a região de Ophir é essa que atravessa o rio Yapurá.

"A desaparição das frotas de Salomão e Hiram por 3 anos, a cada viagem que faziam, se acha agora explicada, pois elas estacionavam no rio que tinha o nome do Grande Rei. Se estas compridas estações, várias vezes repetidas, houvera sido feitas em qualquer ponto do antigo continente, a tradição ou a história não teriam deixado de no-la transmitir. As várias viagens trienais com exceção de uma só, não se referem a Ophir, pois todas se fizeram para Tarschisch. David recebia pelos fenícios o ouro de Ophir, e a frota construída no tempo de Salomão para o mesmo destino saiu do Mar Vermelho, onde nunca mais entrou. Fez sua junção no oceano Atlântico com a de Hiram, a qual saiu do Mediterrâneo; e ambas tomaram depois, da única viagem em que foram juntamente a Ophir, o nome da frota de Tarschisch (Alta Amazônia), segundo o texto hebraico, e o da frota da África, segundo o texto caldáico"

(Cândido Costa p.120 a 124)

(I Reis 9,10,11,22, Paralipomenos liv2, cap.9 v.21 v. 10,11.

Segundo a Bíblia, "Salomão conhecia todas as sabedorias do Egito. Em 960 a.C., Salomão constrói o templo.

Patrocinados por Salomão, os fenícios se tornaram os primeiros dominantes do mar, abrindo agências comerciais por toda parte: Creta, Malta, Sicília, Cartago, Cádiz, Marselha, Inglaterra e Países Nórdicos.

Salomão tornou-se o homem mais rico do mundo. Tinha 700 mulheres e 300 concubinas.

Em 930 a.C. ocorreu a cisão dos reinos Judá e Israel. Foi um período de constantes lutas internas entre Judá e as tribos do Norte. A situação chegou a tal ponto que Jeroboam, Ben-Nebat, seu filho, tentou um Golpe de Estado.

Em 928 a.C. morre Salomão e assume Rehoboam, seu filho, que, por falta de tato político, fracassa o acordo com as tribos de Israel.

Jeroboan refugia-se no Egito (Delta do Nilo), onde Sesonki o recebe na corte dando como esposa uma de suas filhas.

O ambiente torna-se propício para o retorna de Jeroboam, apoiado pelo Faraó que retorna e é aclamado Rei de Israel. A Rehoboam fica as tribos de Judá e Benjamim, com as quais Rehoboam funda o Reino de Judá, tomando por capital, Jerusalém.




Publicado em:07.12.08

Palavras Iniciais

Repasso o estudo comparado entre duas tradições esotéricas efetuado por Léo Artése.



Cabala e Xamanismo

Repassando...de Léo Artese..Gr. xamanismouniversal
Organizado por João Baptista Neto (MST), para:
http://br.groups.yahoo.com/group/mahavayumarga

A relação se estabelece través da tradição cabalística conhecida como Merkava. As crenças incluem a reencarnação, e na crença que a alma devia atravessar seu ciclo de reencarnação nas "Sete Moradas Celestiais", para ascender à mais alta de todas.

A Cabala segundo os místicos, foi fundada pelo próprio Moisés. Veja como Moisés tinha traços xamânicos : utilizava um bastão para oração e fazer prodígios, mexia com forças da natureza, subia na montanha para falar com Deus, etc.

A àrvore da Vida e a Montanha ( Sinai, por exemplo) são metáforas comuns para descrever as jornadas xamânicas. Como a montanha dos xamãs, a Cabala une os Tres Mundos, como se demonstra no sonho de Jacó. Os temas que dão origem na cabala aos "lugares sagradas feitos com pedras", onde os profetas iam buscar a sua visão (Vision Quest).

Podemos ver o Rabino como uma versão judaica equivalente ao xamã. Um curador, um homem de conheciomento, um guia espiritual.por Rabbi Gershon Winkler.

A Cabala é tão rica quanto a maioria das tradições xamânicas, compartilhando a terra, os elementos, a opinião que toda a criação é viva e consciente,que os planetas, as pedras, o sol e lua, são seres conscientes vivendo com sabedoria e alma (por exemplo salmos 8:7-8; 145:10; 148:3-4 e 7-11; Isaiah 55:12; Trabalho 12:7-8; Midrash Heichalot Rabati 24:3).

No segundo-século Rabino Me'ir chamou o sol "meu irmão" (Midrash B'reishis Rabbah 92:6), "todas as árvores," ensinam os rabinos antigos, o e todos os seres vivos" (Midrash B'reishis Rabbah 13:2). Os planetas e as estrelas têm suas próprias canções (Sefer Ha'Zohar, Vol. 1, 231b in-folio).

Os Hebreus não tinham ainda o Torah, eles aprendiam tudo que necessitaram saber dos animais (Talmud, Eruvin babylonian 100b).

Pergunte aos animais e ensiná-lo-ão; e os pássaros do céu, e informá-lo-ão. Ou fale à terra e mostrá-lo-á; e os peixes do mar declarar-lhe-ão.

-- livro do trabalho 12:7-9

Este xamanismo judeu atribui importância enorme aos quatro sentidos, chamando-os ru'chot do ar'ba, ou "quatro ventos," também hebreu para "quatro espíritos," forçando a natureza orgânica, viva dos quatro sentidos (Sefer Ha'Zohar, Vol. 4, 118b in-folio).

Cada vento ou sentido são designados um animal (Sefer Ha'Zohar, Vol. 4, 18b in-folio; Midrash Bamid'bar Rabbah 2:9): a águia no norte, no búfalo no oeste, no ser humano no sul, e no leão no leste (13th-century Rabbi Yitzchak de Akko em Sefer M'irat Einayim, Bamidbar, parágrafo. 2). Cada vento tem também guarda do espírito (Midrash Bamidbar Rabbah 2:10) que, quando invocado por vários invocações hebreu e aramaico, traz o presente desse vento particular.

Os atributos destes guardiãos dos quatro espíritos são cura, reflexão, contrapeso, e visão. Os quatro enrolam-se são tsafon (norte), literalmente: escondido, como no lugar do mistério; meezrach (leste), literalmente: [ o lugar de ] de brilhar; nehggev (sul), literalmente: limpar ou purificar; e maarav (oeste), literalmente: [ o lugar de ] de misturar-se. Um outro nome para o sul é o darom, que significa o lugar de se levantar, e um outro nome para o leste é o kehdem, que significa o começo ou antes.

Os quatro ventos são dados também cores: vermelho no norte, preto no ocidental, branco no sul, e no amarelo no leste (Gaon de Vilna em Sefer Yetsirah, Ch. 4). Dizem muitas tradições que o ser humano nos primórdios, podiam se comunicar com animais e que havia um estado de confiança e amizade entre o homem e a fera. Algumas lendas judaicas afirmam que em todos os sentidos o mundo animal tinha uma relação com Adão diferente da relação que tinha com seus descendentes. Não somente conhecia a linguagem do homem, mas também respeitava a imagem de Deus, e tinha medo do primeiro casal humano, e tudo isso mudou para o seu contrário depois da queda do homem.

Na Cabala existem os Caminhos que vão para o Céu (Arvore da Vida). Cada caminho é simbolizado por um animal. O primeiro grupo de caminhos são chamados de Caminhos da Personalidade e os símbolos animais são: o crocodilo, o golfinho, o leão, o gavião, o pavão, o urso e o lobo. No Caminho Da Individualidade ou do Eu Superior tem: o cavalo e o cachorro, o bode e o burro, o escorpião e o lobo. No Caminho do Adeptado: o elefante, rinoceronte, leão, a águia e o escorpião. Nos Caminhos do Espírito: o cachorro, castor, carneiro e coruja, o caranguejo e a tartaruga, o touro. Nos Caminhos da Divindade: o pardal, o pombo e o cisne, a andorinha e o macaco, a águia e o homem. São essas as vinte e duas estradas que correspondem aos arcanos maiores.



Publicado em:30.11.08

Palavras Iniciais

Abaixo reproduzo a pesquisa de Mirian Giannella a respeito de um conjunto de temas que nos dizem muito respeito. Embora um pouco extenso, é de grande valor pois inclui temas bastante diversificados, procurando dar sentido a uma história bastante complexa e confusa, não só pela extensão de sua abrangência, como também pela imensidão de interesses e personagens envolvidos.




JESUS ERA CASADO? O QUE DIZ A BÍBLIA?

mailto:elijah11maquedes@yahoo.com.br

A LINHAGEM SAGRADA E O CÁLICE SAGRADO

DAGOBERT II E O FIM DA DINASTIA MEROVÍNGEA

Após a morte de Clóvis em 511, o Império se dividiu por seus quatro filhos
que enfraqueceram o reino pois os príncipes eram jovens.

Dagobert II tinha 5 anos (nasceu em 651) e se tornou herdeiro do trono em
656. Foi raptado pelo Majors do palácio , um homem chamado Grimoald que
colocou seu filho em seu lugar.

Afirmou que era o desejo do rei. Grimoald confiou-o ao bispo de Poitiers
que, parece , relutou em matar a criança , finalmente exilada na Irlanda, no
Monastério de Sloane. Casou-se com Matilde, princesa celta que morreu ao dar
a luz de seu terceiro filho em 670.

Casou-se pela segunda vez com Giselle de Razès, visigoda. Seu casamento foi
celebrado em Rennes Le Chatêau na igreja de Maria Madalena , onde Berenger
Saunière erigiu a estrutura no século XIX. DAGOBERT II restituiu seu trono
em 679. Tinha vários inimigos , entre eles Pepino , o gordo que se aliou à
outros inimigos políticos de DAGOBERT II.

Em 23 de dezembro de 679, foi assassinado. Na época , a igreja canonizou-o
como São Dagoberto (1159).

Talvez como uma tentativa de desagravo por parte da igreja.Em 1609, o Duque
de Lorraine , avô de Godfroi de Bouillon concedeu proteção especial,
defendendo-a e , em 1093 Godfroi de Bouillon também defendeu a igreja-túmulo
de DAGOBERT II.

Na revolução francesa, a igreja foi destruída e as relíquias foram
dispersas. Atualmente , um cérebro contendo um incisão ritual, que teria
sido de DAGOBERT II , está sob custódia de um convento em Mons. Todas as
outras relíquias desapareceram.

Para todos os efeitos, a morte de DAGOBERT II foi o marco final da dinastia
Merovíngea.

DINASTIA CAROLÍNGEA -

Passou a reinar pois, Pepino , o gordo , pai de Charles Martel que nunca
subiu no trono, porém, seus descendentes procuraram casar com princesas
Merovíngeas , para Ter o direito ao trono. Charles Martel morreu em 741 e
dez anos depois, Pepino III foi coroado rei dos francos. Apoiado pelo Papa
que usou sua autoridade baseando-se na "doação de Constantino".

Nota: A doação de Constantino ocorreu em 312 d. C. , quando doou
oficialmente ao bispo de Roma, seus símbolos e regalias imperiais,
conferindo ao Bispo o título Vigário de Cristo que dava poderes de
imperador.

De acordo com esse documento, o bispo de Roma exerceria sobre a cristandade
a suprema autoridade secular , além da espiritual. Seria, na verdade, um
Papa imperador, que disporia quando quisesse da coroa Imperial, podendo
delegar seu poder.

Em outras palavras ele possuía , através de Cristo, o direito de criar ou
depor reis. Da doação de Constantino deriva o subsequente poder do Vaticano,
em assuntos seculares.

Enfim, Pepino III fez um pacto com a igreja.

O RITUAL DE UNÇÃO

Passou a significar que os monarcas tornavam-se subservientes do Papa e não
o gesto simbólico de santificar o sangue real. Em 754, Pepino III recebeu a
unção, inaugurando a dinastia Carolíngia. (o nome provém de Carlos Martel ,
embora depois tenha sido associado com Carlos Magno , imperador em 800 , do
sacro império romano que seria um título Merovíngeo exclusivo da linhagem
Merovíngea.

A igreja traiu sua ligação perpétua aos Merovíngeos.

Talvez por isso, Pepino III, Carlos Magno , etc, casaram -se com princesas
Merovíngeas. " E todas as investigações indicam que essa traição , embora
ocorrida a 1100 anos , continua a exasperar o MONASTÉRIO DO SINAI. Para eles
, exceto a Merovíngea - Visigótica, todos são usurpadores".

Segundo a história tradicional, a dinastia Merovíngea desapareceu com a
morte de Childeric III em 755; segundo o MONASTÉRIO DO SINAI , contudo , a
linhagem Merovíngea sobreviveu tendo sido perpetuada até hoje a partir do
infante Sigisbert I filho de DAGOBERT II . Só que não se sabe o que
aconteceu com ele.

Segundo alguns cronistas , ele morreu numa caçada por acidente; só que ele
não tinha mais que 3 anos na época. Além de não existir registro de sua
morte.

Por que um tema tão desinteressante pode suprir uma sociedade secreta como o
MONASTÉRIO DO SINAI? Por que as tentativas de apagar da história o próprio
DAGOBERT II ? Ele só ressurgiu só ressurgiu nas enciclopédias a partir de
1646. Só em 1655 , Dagobert II foi reintegrado a lista se reis franceses. O
que estaria sendo ocultado? Esquecer Dagobert e Sigisbert seria interessante
à igreja e aos reis franceses. Mas por que o assunto continuaria a Ter
importância na época de Luis XIV?

A menos que houvesse algo de muito especial no sangue Merovíngeo. Segundo
os documentos do MONASTÉRIO DO SINAI , Sigisbert foi salvo pela irmã e foi
para o Sul da França , para o domínio de sua mãe, Giselle de Razès, em 681 e
adotando os títulos de seu tio, Duque de Razès e Conde de Rhèdae. Teria
adotado também o sobrenome ou apelido de Plantard (botão de flor ardente) da
linha Meronvíngea.

Entre 759 e 768, houve um Estado independente no Sul da França que incluía
Razès e Rennes le Chatêau , oficialmente reconhecido por Carlos Magno ,
Califa de Bagdá, do Mundo Islâmico e pela igreja.

Seu governante Thierry ou Theodoric. A maioria dos intelectuais modernos o
considera como um descendente Merovíngeo. Seu filho , conde de Razès era
Guillem de Gellone tomou Barcelona , dobrando seu próprio território e
estendendo sua influência para além dos Pirineus.

O MONASTÉRIO DO SINAI também declara que Sigisbert IV era conhecido como
príncipe "Ursus" e informa que ele morreu na Bretanha , enquanto sua
linhagem se teria unido por casamento à casa Ducal Bretã. No final do século
IX , o sangue Merovíngeo fluía nos ducados da Bretanha e da Aquitãnia. Essa
família procurou refúgio na Bretanha estabelecendo um ramo inglês chamado
Planta. Desse trono gerou Bera VI (o arquiteto). Nesse ponto questiona-se se
a palavra "arquiteto e arte de construção" não estariam de algum modo ligado
à maçonaria.

GODFROI DE BOUILLON

Fora sem dúvida um herói popular supremo ; líder da primeira cruzada ,
capturou Jerusalém dos muçulmanos , salvou o sepulcro de Jesus das mãos
infiéis. Reconciliou , na imaginação do povo , os ideais de cavalheirismo e
a piedade cristã fervorosa - personagem ligada a lenda da "família do
Cálice" que transbordou no medievalismo e - descendentes Merovíngeos , da
família Plantard, Duque de Lorraine, dos reis perdidos.

Essa revelação lança luz sobre as cruzadas, o motivo pela qual ele reclamou
o sepulcro de Cristo em Jerusalém. Mas mesmo assim, não dá para supor, por
que a linhagem merovíngea seria importante hoje.

Como conseguiu a lealdade de tantos homens importantes?

A tribo exilada

Os merovíngeos diziam descender da antiga Tróia, mas segundo o MONASTÉRIO DO
SINAI ela era anterior e podia ser rastreada até o Velho Testamento. Nos
Dossiers secrets há referência da tribo de Benjamim e enfatiza três
passagens bíblicas: Deut.33, Josué 18, Juízes 20 e 21.

Moisés declara uma benção muito especial e exaltada; Em Josué, a
distribuição da terra prometida, Benjamim ficou com Jerusalém (Sefa, Efef e
Jehus) e em Juízes, quando os benjamitas guerreiam com onze tribos e não
permitiram mais que um benjamita tocasse em mulheres das outras tribos.
Muitos deixaram seu país e partiram para o exílio. Há uma nota nos dossiers
secrets.

"Um dia os descendentes de Benjamim deixaram seu país, alguns permaneceram.
Dois mil anos mais tarde, Godfroi de Bouillon, tornou-se rei de Jerusalém e
fundou a Ordem do Sinai!

Realmente os benjamitas partiram para a Grécia, Arcádia, em suma, onde eles
teriam alinhado com a família real arcadiana. Com o advento da era cristã,
migraram para a França gerando finalmente os merovíngeos.

De acordo com o MONASTÉRIO DO SINAI então, os merovíngeos descendiam, via
Arcádia com os benjamitas, ou seja, eram de origem semita, ou Israelita e se
Jerusalém era, por direito hereditário por nascimento dos benjamitas,
GODFROI DE BOUILLON, ao marchar sobre a Terra Santa, estaria de fato,
reclamando sua antiga herança.

Os benjamitas cultuavam Belial e Astarte, a rainha do paraíso. Na Grécia
associaram a deusa a Artemis e seu totem era a Ursa Kallisto, filho de
Arkas, o filho urso e patrono da Arcádia. Seu nome era Arcas e ,
transportado para o céu tornou-se a constelação da Ursa maior. O rei Ursus
deve Ter relação com a antiga cultura arcadiana. Os cabelos longos lembrava
força e vigor físico, tornou-se um símbolo sagrado.

Muitos judeus em comunidades viviam na Europa. Cidades francesas com nomes
judeus como Avioth, Barlon e a montanha do Sinai em Lorraine - La Colline
Inspireé (a colina inspirada) chamava-se Monte Semita.

Mesmo assim, por que a tribo de Benjamim constituiria um segredo tão
explosivo? E por que a descendência de Benjamim constituiria um problema
hoje? Como poderia ela esclarecer as atividades e os objetivos atuais do
Monastério do Sinai?

A LINHAGEM SAGRADA

O CÁLICE SAGRADO - Para Baigent, Leigh e Lincoln havia um detalhe. Um
misterioso objeto conhecido como cálice sagrado que, segundo os
contemporâneos, seus possuidores eram os Cátaros; também os templários
estavam relacionados e até com a fundação da Ordem. Os cálice é geralmente
relacionado a Jesus. De acordo com algumas tradições, foi o copo utilizado
por Jesus e seus discípulos durante a última ceia.

De acordo com outras , foi o copo na qual José de Arimatéia colheu o sangue
de Jesus quando este estava na cruz, o que lhe confere uma qualidade mágica
, simbólica. E se existiu? Onde estaria ele durante todo esse tempo? Outros
diziam que o cálice foi levado a Inglaterra por José de Arimatéia. E também
que fora levado por Maria Madalena à França. No século IV , lendas
descreviam Maria Madalena partindo da Terra Santa e atracando em Marselha,
onde suas supostas relíquias são ainda veneradas.

Por volta do século XV , a lenda de que Madalena levara o cálice para
Marselha, tinha assumido imensa importância para pessoas como o rei Renné d’
Anjou que chegou a colecionar taças. Entretanto lendas mais antigas dizem
que Madalena trouxe o Graal, e não uma taça, para a França.

Robert de Boron cristianizou o cálice informando além dos fatos , que após a
crucificação a família de José de Arimatéia foi a guardiã do cálice.

Quando submetido à análise cuidadosa, os romances sobre o cálice se revelam
crucialmente baseados em assuntos de linhagem e genealogia , herança e
hereditariedade. Nós nos perguntamos se isso seria relevante. Enfim, havia
alguma importância no fato de a linhagem em questão imbricar , em certos
pontos chaves, como aquela que aparecia de forma tão saliente em nossa
investigação - a casa d’Anjou , por exemplo, Guilhem de Gellone e Godfroi de
Bouillon?

Poderia o mistério ligado a Renné Le Chateau e ao Monastério do Sinai estar
ligado , de algum modo, ainda obscuro ao misterioso objeto chamado cálice
sagrado? Em alguns manuscritos, o cálice é chamado Sangraal ou Sangreal.
Sangraal ou Sangreal talvez não devessem dividir-se em san graal ou sang
real. Ou, para empregar a grafia moderna, "sangue real".

Esse jogo de palavras pode ser provocante , mas não é , por si só,
conclusivo. Tomado em conjunto com a ênfase dada a genealogia e linhagem,
contudo, não deixa margem a dúvidas.

A esse respeito, associações tradicionais - copo que colheu o sangue de
Jesus por exemplo - pareceu reforçar sua posição. O cálice parece
relacionado , de algum modo a sangue e a linhagem , o que , obviamente,
levanta algumas perguntas: qual sangue? Qual linhagem?

OS REIS PERDIDOS E O CÁLICE

Apoiados nos romances do rei Arthur da Távola Redonda , que viveu no século
V e/ ou no início do século VI, no ápice da descendência Merovíngea na Gália
e contemporâneo de Clóvis. Se o termos Ursus era aplicado a linhagem
Merovíngea , o nome Arthur, que também significa Ursus , pode ser uma
tentativa de conferir a um chefe britânico uma dignidade incomparável por
outro lado, muitos autores insistem em que a corte de Arthur era em Nantes
(na região da atual bretanha francesa) e as tradições medievais confirmam
que o cálice não foi levado para a Inglaterra por José de Arimatéia, mas
para a França, por Madalena.

Começa-se então a suspeitar que o próprio cálice, o sangue real, se referia
na realidade ao sangue real da dinastia Merovíngea, um sangue que era
considerado sagrado e possuidor de propriedades mágicas e miraculosas.
Talvez isso explique porque o templários, criados pelo Monastério do Sinai
para serem guardiães da linhagem Merovíngea foram declarados também
guardiães do cálice e da família do cálice.

Os romances ligados ao cálice e aos Merovíngeos se ligam, de forma bastante
explícita às origens da cristandade, a Jesus, a José de Arimatéia, a
Madalena. Nos romances também, os heróis são sempre herdeiros da casa de
Davi, sendo identificado como próprio Jesus. Então , qual seria a conexão do
cálice e dos Merovíngeos a Jesus? Como pode o cálice se referir, por um lado
, a época Merovíngea e , por outro a alguma coisa levada por José de
Arimatéia à Inglaterra ou por Madalena à França?

Se o cálice foi o receptáculo do sangue de Jesus (sangraal ou sangue
sagrado) qual a relação com os Merovíngeos? E porque deveriam estas duas
coisas serem relacionadas na época em que foram, durante as cruzadas, quando
as cabeças Merovíngeas usavam a coroa do reino de Jerusalém, protegida pela
Ordem do Tempo (Templários) e o Monastério do Sinai? Poderia a linhagem
relacionada com o cálice, levado à Europa Ocidental logo após a
crucificação, ser interligada com a linhagem dos Merovíngeos?

Por outro lado, sabemos que o povo semita escreveu o velho testamento
obedecendo rigorosamente as linhagens , a partir de Adão. Teria esse povo
esquecido de dar prosseguimento a genealogia de Abraão, Isaac, Jacó, Davi,
Salomão e , quando chega Jesus, eles simplesmente se omitirem! Os judeus
ortodoxos ainda esperam um Messias , considerando Jesus como um profeta
tradicionalistas que são , mesmo nos dias de hoje, teriam se esquecido
disso? Ou o mundo Ocidental desconhece?

O próprio Jesus anuncia seu advento no final dos tempos e ele obedecia as
escrituras e sempre as mencionava.

(Trechos extraídos de Baigent, Leigh e Lincoln)

É bem possível que Madalena fosse a esposa de Jesus e , após a crucificação,
grávida de 3 meses tivesse sido levada a Gália, onde comunidades judias já
existiam e essa linhagem se perpetuou incógnita por séculos , além de haver
casamentos dinásticos, não só com outras famílias judias , mas também com
romanos e visigodos e , que se aliaram à linhagem real dos tronos ,
engendrando assim a dinastia Merovíngea.

Isso explicaria a extraordinária posição de Madalena e a importância do
culto a ela dedicado durante as cruzadas. Explicaria a condição sagrada
atribuída aos Merovíngeos. Explicaria o pacto entre a igreja romana e a
linhagem sangüínea de Clóvis (um pacto com os descendentes de Jesus não
seriam um pacto óbvio para uma igreja fundada em seu nome?). Explicaria a
ênfase dada ao assassinato de Dagobert II , pois a igreja , tomando partido
dessa morte , teria sido culpada não somente de um assassinato real mas,
segundo sua própria doutrina de uma forma de assassinato de Deus.

Explicaria a tentativa de erradicar Dagobert da História. Explicaria a
obsessão dos Carolíngeos em legitimar-se, como chefes do Sacro Império
Romano , ao clamarem por uma genealogia Merovíngea. Também explicaria os
romances da família do cálice.

Nós já tínhamos adivinhado que as referencias à vinicultura, que apareciam
durante nossa pesquisa, simbolizava alianças dinásticas. A vinicultura agora
parecia simbolizar o processo pelo qual Jesus - que se identifica
repetidamente com a vinha - perpetuou sua linhagem. Como se numa confirmação
disso , descobrimos uma porta esculpida representando Jesus com uma porção
de uvas. Esta porta se encontra no Sinai, na Suíça.

Obs: a doutrina espírita , consolidada pelo Francês Leon Hipollite Denizard
Rivail (Allan Kardec) , no século XIX, também estudou na Suíça e usava como
símbolo de Jesus, a vinicultura.

O REI SACERDOTE QUE NUNCA REINOU

No que diz respeito à tradição popular , a origem e o nascimento de Jesus
são bem conhecidos. Mas os Evangelhos, nos quais essa tradição é baseada,
são consideravelmente mais vagas sobre esse assunto. Somente Marcos e Lucas
dizem alguma coisa sobre a origem do nascimento de Jesus e se contestam
flagrantemente.

De acordo com Mateus , por exemplo Jesus era um aristocrata, se não um rei
legítimo e de direito - descendente de Davi, via Salomão; de acordo com
Lucas, a família de Jesus, embora descendente da casa de Davi, era de uma
classe menos elevada.

De acordo com Lucas , Jesus , recém nascido , foi visitado por pastores; de
acordo com Mateus, foi visitado por reis. Segundo Lucas a família de Jesus
vivia em Nazaré e depois viajaram à Belém (a história refere que esse censo
não ocorreu). Mateus dizia que a família de Jesus era rica , abastada e
residira em Belém todo o tempo; Jesus havia nascido em casa.

Nessa versão, a perseguição de Herodes aos inocentes impele a família a
partir pelo Egito, e só depois de seu retorno eles vivem em Nazaré.

Os Evangelhos não podem ser incontestáveis ; ou um dos Evangelhos está
errado ou ambos estão.

Quanto mais se estudam os Evangelhos mais claras se tornam as contradições
entre eles. Não concordam entre si nem mesmo quanto a data da crucificação.
De acordo com João, ela ocorreu no dia anterior ao da celebração da
libertação dos escravos judeus do Egito. Já Marcos, Lucas e Mateus ela
ocorreu um dia depois.

Tampouco os Evangelhos estão de acordo em relação à personalidade e ao
caráter de Jesus: "um salvador humilde como um cordeiro" (Lucas), Um
poderoso e majestoso soberano, que veio "trazer a espada e não a
paz"(Mateus). Existem outras discordâncias sobre as últimas palavras de
Jesus na cruz.

Em Mateus e em Marcos essas palavras foram: "meu Deus , meu Deus, porque me
abandonastes?". Em Lucas, foram: "Pai, perdoai-os pois eles não sabem o que
fazem." Em João, simplesmente: "Está consumado."

Nestas circunstâncias , os Evangelhos são questionáveis e não definitivos.
Não representam a palavra perfeita de nenhum Deus, ou, se o fazem , as
palavras de Deus têm sido censuradas , editadas , revisadas, glosadas e
reescritas de forma muito liberal , por mãos humanas.

A Bíblia, deve ser lembrado, e isso se aplica ao velho e novo testamento - é
uma seleção de trabalhos e , em muitos aspectos , uma seleção arbitrária. Na
realidade, ela poderia conter muito mais livros que tenham sido perdidos.
Pelo contrário. Foram deliberadamente excluídos. Em 367 d.C. , o bispo
Athanasius de Alexandria compilou uma série de trabalhos para serem
incluídos no NT.

Esta lista foi ratificada pelo Conselho da Igreja de Hippo, em 393, e
novamente pelo Concílio de Cartago , 4 anos depois, nesses conselhos uma
seleção foi aceita. Alguns trabalhos foram reunidos para formar o NT como
nós o conhecemos hoje , outros foram rudemente ignorados. Como tal processo
de seleção pode ser considerado definitivo? Como poderia um conclave de
clérigos decidir infalivelmente que alguns livros pertenceriam à Bíblia e
outros não? Especialmente quando alguns dos livros excluídos possuem uma
aspiração, perfeitamente válida à veracidade histórica.

Em 1958, o professor Norton Smith, da Universidade de Colúmbia, descobriu em
um Monastério próximo a Jerusalém, uma carta que continha um fragmento
inédito do Evangelho de Marcos.

O Fragmento não tinha sido perdido, mas aparentemente suprimido, sob a
instigação se não pedido expresso , do bispo Clemente de Alexandria, um dos
mais venerados antigos padres da igreja. Ele reconhece livremente que existe
um autêntico evangelho secreto de Marcos. E instruiu Theodore a negá-lo
alegando " que nem todas as verdadeiras (coisas) devem ser ditas a todos os
homens" e inclui a transcrição do texto, palavra por palavra, em sua carta:

(Smith, Secret Gospel, p. 14 a 16)

"E eles chegaram a Betânia, e uma mulher cujo irmão havia morrido, estava
lá. E , vindo , ela se prostrou ante Jesus e lhe disse: Filho de Davi, tenha
piedade de mim. Mas os discípulos a empurraram. E Jesus, ficando com raiva,
foi com ela até o jardim onde estava a tumba. E imediatamente, um grande
grito foi ouvido na tumba. E imediatamente, indo na direção de onde estava o
jovem, ele estendeu sua mão e o levantou, segurando-o pela mão. Mas o jovem,
olhando para ele, o amou e começou a implorar que pudesse segui-lo.

E saindo da tumba eles foram para a casa do jovem, pois ele era rico. E
depois de 6 dias, Jesus lhe disse o que fazer e à noite o jovem foi Ter com
ele, usando uma roupa de linho sobre seu corpo nu. E ele permaneceu com ele
aquela noite, pois Jesus ensinou-lhe o mistério do reino de Deus. E então,
se levantando, ele retornou ao outro lado do Jordão".

Embora esta episódio não esteja em Marcos, ele é bastante familiar, na cura
de Lázaro no quarto Evangelho (João). Contudo, existem algumas variações
significativas.

Em primeiro lugar, existe um "grande grito" na tumba antes que Jesus afaste
a rocha ou instrua seu ocupante a levantar-se. Isto sugere que o ocupante
não estava morto, negando assim qualquer elemento miraculoso. Em segundo
lugar, no episódio de Lázaro, parece haver algo mais do que as narrativas
aceitas nos levam a acreditar.

Como argumenta o professor Smith, é na realidade muito mais provável que
todo o episódio se refira a uma iniciação , uma morte e renascimento ,
rituais e simbólicos , de um tipo muito comum no Oriente Médio na época. Na
realidade, as únicas referencias a Lázaro estão nos Evangelhos de João.

Se o Evangelho de Marcos foi tão dramaticamente expurgado, ele foi também
carregado com adições espúrias. Em sua versão original ele termina com a
crucificação , o enterro e a tumba vazia. Não existe a cena da ressurreição
, ou a reunião com os discípulos. Algumas Bíblias mais modernas contém um
final mais convencional para o Evangelho de Marcos incluindo a ressurreição.

Mas praticamente todos os estudiosos da Bíblia concordam em que este final
expandido é uma adição posterior , datada do final do século II e anexada ao
documento original. (Segundo o Codex Vaticanus e o Codex Sinaiticus, o
Evangelho de Marcos termina em 16,8).

Se o Evangelho de Marcos foi tão prontamente manuseado, é razoável assumir
que os outros Evangelhos foram tratados de forma similar.

De acordo com a tradição teria, a mãe de Jesus veio a morar no exílio, em
Éfeso, onde o quarto Evangelho teria surgido depois.

Não há qualquer indicação de que o "discípulo amado" tenha cuidado da mãe de
Jesus durante todo o resto da vida. Segundo o professor Schonfield , o
quarto Evangelho provavelmente não foi composto em Éfeso, mas somente
retrabalhado, revisado e editado lá por um grego idoso, que trabalhou
segundo as próprias idéias. (Schonfield, Passover Plot, p. 119,134)

Se o discípulo amado não foi para Éfeso, o que aconteceu com ele? Se ele e
Lázaro são a mesma pessoa, esta pergunta pode ser respondida, pois a
tradição é bastante explícita sobre o que aconteceu com Lázaro. Segundo a
tradição e segundo alguns escritores antigos da Igreja, Lázaro e Madalena,
Martha, José de Arimatéia e alguns outros, foram transportados por um navio
até Marselha (Sul da França).

(ref. De William de Malmesbury, The Antiquities of Glastonbury)

Lá, José teria se consagrado por São Felipe e enviado à Inglaterra, onde
estabeleceria a Igreja de Glastonbury. Lázaro e Madalena teriam permanecido
na Gália.

A tradição afirma que Madalena morreu em Axien - Provence ou em Saint-Baume,
e Lázaro em Marselha, após haver fundado o primeiro Bispado.

Se Lázaro e o Discípulo amado forem a mesma pessoa, haverá uma explicação
para o desaparecimento conjunto de ambos.

Lázaro, parece Ter sido levado à Marselha juntamente com sua irmã - que,
como afirma a tradição posterior, carregou com ela o cálice sagrado, o
sangue real.

A dinastia de Jesus

O Evangelho de Mateus afirma que Jesus era de sangue real, descendente de
Salomão e Davi.

Ele poderia Ter a pretensão legítima ao trono da Palestina unida. Ele teria
enfrentado a oposição que enfrentou, precisamente em virtude de seu papel, o
papel de um rei-sacerdote que poderia unificar o seu país e o povo judeu,
representando assim uma séria ameaça tanto a Herodes quanto à Roma.

Sugerir que Jesus tivesse tal pretensão é desafiar a imagem do "pobre
carpinteiro de Nazaré".

Em primeiro lugar, existem dúvidas à respeito da cidade de Nazaré no tempo
de Jesus.

Ela não aparece nos mapas romanos, documentos ou registros. Não é mencionada
no Talmud nem nos textos de Paulo. Nem mesmo o historiador Flavius
Josephus - Que comandou tropas na Galiléia e listou as cidades da
província - mencionou Nazaré.

Em suma, parece que Nazaré não surgiu como cidade até algum tempo depois da
revolta de 68-74 d.C., e que o nome de Jesus se tornou associado a ela em
virtude da confusão semântica.

Sendo de Nazaré ou não, não há tampouco alguma indicação de que Jesus tenha
sido um "pobre carpinteiro". ( Vermes, Jesus the Jew, p. 21, menciona que
nos provérbios do Talmud o nome aramaico denotando carpinteiro ou artesão
(naggar) significa homem culto ou intelectual)

Nenhum dos quatro Evangelhos o descreve como tal. Na verdade, as evidências
nelas contidas sugerem o contrário. Ele parece Ter sido bem educado. Parece
Ter recebido treinamento para rabino e Ter conversado tão freqüentemente com
pessoas ricas e influentes quanto com os pobres.

Nicodemus, José de Arimathéia, o casamento de Canaã , sugere que Jesus e sua
mãe eram membros de uma casta.

Se Jesus era Rabino, era casado; se era casado, seria muito estranho que não
pudesse Ter filhos.

Se Jesus era um aristocrata, e se ele foi casado com Madalena, é provável
que ela fosse de situação social comparável. E, realmente, parecia ser.
Entre suas amigas, estava a esposa de um importante oficial de Herodes.

Nos documentos do Monastério do Sinai, Jerusalém - a Cidade Santa e capital
da Judéia - tinha sido originariamente propriedade da tribo de Benjamim.
Depois os benjamitas foram dizimados em uma guerra com as outras tribos de
Israel, e muitos deles partiram para o exílio, embora alguns tenham
permanecido. Um descendente desses remanescentes era Paulo, que afirma
explicitamente ser um benjamita ( Romanos 11:1)

De acordo com todas as narrativas do NT, Jesus era da linha de Davi e,
portanto, da tribo de Judá. Aos olhos dos benjamitas, que tiveram Saul
deposto por Davi, isto pode tê-lo tornado um usurpador. Esta objeção poderia
ser neutralizada se este fosse casado com uma mulher benjamita. Tal
casamento teria constituído uma importante aliança dinástica, repleta de
conseqüências políticas. Ela não só teria fornecido a Israel um poderoso
rei-sacerdote, como também teria desempenhado a função simbólica de devolver
a Jerusalém aos seus donos originais e legítimos. Tal homem teria sido
realmente o "rei dos judeus".

(trechos extraídos de Baigent, Leigh, e Lincoln, O Santo Graal e a Linhagem
Sagrada)

A crucificação

Durante sua entrevista com Pilatos, Jesus é repetidamente chamado "rei dos
judeus". Segundo o professor S.G.F. Brandon, da Universidade de Manchester,
a inscrição afixada na cruz, deve ser considerada genuína - tanto quanto
qualquer coisa no NT. Em primeiro lugar, ela figura, sem nenhuma variação,
nos quatro Evangelhos. Em segundo lugar, trata-se de um episódio muito
comprometedor, muito embaraçoso, para ser inventado.

No Evangelho de Marcos, Pilatos, após interrogar Jesus, pergunta aos seus
dignitários reunidos (Marcos 15:12) "Pois que quereis que eu faça ao "rei
dos judeus"?. Isto indicaria que, pelo menos alguns judeus se referiram a
Jesus como um rei. Ao mesmo tempo, Pilatos confere este título a Jesus em
todos os quatro Evangelhos. Não há razão para supor que ele o faz de forma
pejorativa ou irônica. No quarto Evangelho, ele insiste nisso de forma
bastante séria e reiterada, a despeito do coro de protestos. Além disso, nos
Evangelhos sinópticos, o próprio Jesus reconhece sua pretensão ao título
(Marcos 15:2) "E Pilatos lhe perguntou: "Tu é o rei dos judeus?" E ele lhe
respondendo lhe disse: "Tu o dizes". Na tradução, esta resposta soa de forma
deliberada. No original grego, no entanto, é interpretada como: "Tu falaste
corretamente".

Os Evangelhos foram compostos para uma audiência greco-romana. Em
conseqüência, era natural colocar os judeus no papel de vilões. Jesus não
poderia ser retratado como uma figura política e o papel dos romanos no
julgamento e execução de Jesus deveria ser limpa e apresentada de forma mais
simpática possível. Assim, Pilatos é descrito nos Evangelhos como um homem
responsável e tolerante, que reluta em consentir a crucificação.

Os Evangelhos informam que Jesus é inicialmente condenado pelo Sanhedrim
(Sinédrio)- os conselhos dos anciãos judeus - que então o leva até Pilatos e
pede ao procurador que se anuncie contra ele. Historicamente, isto não faz
sentido. Nos três Evangelhos sinópticos, Jesus é preso e condenado pelo
Sanhedrim na noite do festival dos judeus, mas pela lei mosaica, este
conselho era proibido de se reunir durante o festival. (H. Cohn, Trial and
Death of Jesus, p.97)

Nos Evangelhos, a prisão e o julgamento de Jesus ocorrem à noite, antes do
conselho. Pela lei judaica, o conselho é proibido de se reunir à noite, em
casas particulares ou em qualquer outro lugar fora dos recintos do Templo.

Nos Evangelhos, o conselho é aparentemente desautorizado a votar uma
sentenças de morte - e esta seria a razão para levar Jesus ante Pilatos.
Contudo, o conselho era autorizado a votar sentenças de morte - por
apedrejamento, se não por crucificação. Desta forma, se o conselho tivesse
desejado dispor de Jesus, ele teria autoridade para sentencia-lo à morte por
apedrejamento. Não haveria necessidade de perturbar Pilatos.

De acordo com os Evangelhos de Marcos e Mateus, libertar um prisioneiro se a
multidão assim o quisesse , é fantasioso. Os Evangelhos dizem que era
costume do "festival dos judeus".

(Brandon, Jesus and the Zealots, p.259., H.Cohn, Trial and Death of Jesus,
p.166. e Winter, on the Trial of Jesus, p. 94)

Nota: Haim Cohn é um ex-procurador geral de Israel, membro da Suprema Corte
e professor de História Jurídica.

Autoridades modernas concordam que tal política nunca existiu por parte dos
romanos, e que a oferta para libertar Jesus ou Barrabás, é uma ficção.

Nem todos os judeus eram inocentes. Mesmo que a administração romana temesse
um rei-sacerdote com pretensões ao trono, ela não teria condições de
embarcar abertamente em atos de provocação que poderiam precipitar uma
rebelião em escala total.

Mas mesmo que seja este o caso, permanece o fato de que Jesus foi vítima de
uma administração romana, numa corte e sentença romana, com soldados e
execução romana - uma execução, que na forma, era reservada exclusivamente
aos inimigos de Roma. Jesus não foi crucificado por crimes contra o
judaísmo, mas por crimes contra o Império.

(Brandon, Jesus and the Zealots, p. 328., diz que toda pesquisa sobre o
Jesus histórico deve começar pelo fato de sua execução pelos romanos por
sedição. E que a tradição de considera-lo "rei dos judeus" deve ser aceita
como autêntica. Os antigos cristãos não teriam inventado tal título, em
vista de seu caráter embaraçoso.)

Nota: Observa-se que o judaísmo sempre cumpriu rigorosamente as leis
mosaicas até os dias de hoje. É compreensível que, com tantas contradições
culturais, os judeus ainda não tenham compreendido a missão de Jesus como
Messias.

O SEGREDO QUE A IGREJA PROIBIU

Segundo os autores do best-sellers "O Santo Graal e a Linhagem Sagrada",
Baigent, Leigh e Lincoln, era conhecido deles o contraste de seu cenário com
os ensinamentos cristãos estabelecidos através dos séculos.

...Mas quanto mais pesquisávamos, mais claro se tornava que esses
ensinamentos, na forma como foram transmitidos através dos séculos,
representam somente uma compilação altamente seletiva de fragmentos,
sujeitos a expurgos e revisão severos. O NT oferece um retrato de Jesus e de
sua época que reconcilia necessidades e interesses escusos, de alguns grupos
e indivíduos que exercem grande influência no assunto. E qualquer coisa que
possa comprometer ou embaraçar interesses como o Evangelho "secreto" de
Marcos, por exemplo, têm sido devidamente extirpada. Na verdade, tanto foi
extirpada que foi criado um vazio.

Como atestam os Manuscritos do Mar Morto , os ensinamentos de Jesus também
contém aspectos importantes do pensamento essênio. Mas se a mensagem não era
completamente original, o meio de transmiti-la provavelmente era.

O cristianismo, na forma como evoluiu nos seus primeiros séculos e ,
finalmente nos chega até hoje, é um produto dos "seguidores da mensagem" e
não dos "seguidores da família e sua linhagem". O caminho de sua
disseminação e desenvolvimento tem sido amplamente percorrido por outros
estudiosos que não necessita muita atenção aqui. Basta dizer que já em
Paulo, a mensagem começou a assumir uma forma cristalizada e definitiva.
Esta forma se tornou a base sobre a qual todo o edifício teológico foi
erigido. Na época em que os Evangelhos foram escritos, os dogmas básicos da
nova religião estavam praticamente completos.

A nova religião era basicamente orientada para uma audiência romana. Assim,
o papel de Roma na morte de Jesus foi, por necessidade, suprimido, e a culpa
transferida para os judeus. Mas esta não foi a única liberdade tomada em
relação aos fatos, para torna-lo mais assimiláveis no mundo romano. Pois o
mundo romano estava acostumado a endeusar seus governantes, e César já havia
sido oficialmente estabelecido como um deus. Para competir, Jesus - a quem
ninguém antes havia considerado divino - tinha que ser endeusado também. Ele
o foi pelas mãos de Paulo.

Foi aí que a idéia da ressurreição assumiu tal importância, por uma razão
óbvia: colocar Jesus no nível de Tammuz, Adônis, Attis, Osiris e todos os
outros deuses que, morrendo e revivendo, povoaram o mundo e a consciência de
seu tempo.

Pela mesma razão, foi promulgada a doutrina do nascimento virgem. E o
festival da Páscoa - festival da morte e ressurreição - foi elaborado para
coincidir com os rituais da primavera de outros cultos e escolas de
mistérios contemporâneos.

Assim, para levar adiante tal pretensão, todos os elementos dinásticos e
políticos foram rigorosamente expurgados da biografia de Jesus. Todas as
referências aos zelotes, assim como aos essênios, foram removidos.

Enquanto a "mensagem" evoluía desta maneira, a família e seus aliados não
parecem Ter ficado inertes. Julius Africanus, que escreveu no século III,
narra que os membros sobreviventes da família de Jesus, acusaram amargamente
os governantes de Herodes de destruir as genealogias de judeus nobres,
removendo assim todas as evidências que pudessem desafiar sua pretensão ao
trono. E estes mesmos membros teriam "migrado pelo mundo", carregando
consigo algumas genealogias que escaparam da destruição de documentos
ocorridas durante a revolta de 66-74 d.C. (Eisler, Messiah Jesus, p. 606.)

Para os disseminadores do novo mito, a existência da família representava
uma perigosa ameaça ao mito e toda menção a uma família nobre ou real, a uma
linhagem, a ambições políticas ou dinásticas.

Daí a intolerância dos padres da Igreja dos primeiros séculos, em relação a
qualquer desvio da ortodoxia que desejavam impor. Daí também, talvez, uma
das origens do anti-semitismo. De fato, ao culpar os judeus e "aliviar" os
romanos, os "seguidores da mensagem" e disseminadores do mito teriam
conseguido um duplo objetivo. Não só teriam tornado o mito e a mensagem
digeríveis para uma audiência romana como também teriam impugnado a
credibilidade da família, uma vez que ela era judia.

Todos esses elementos asseguraram o sucesso da disseminação do que se tornou
a ortodoxia cristã, que se consolidou no II século d.C., principalmente
através de Irenaeus, bispo de Lyon, por volta de 180 d.C., que se dedicou a
dar uma forma estável e coerente à teologia cristã, em seu volumoso trabalho
" Libres Quinque Adversus Haereses" (Cinco Livros contra heresias) que
catalogou todos os desvios da ortodoxia e os condenou veementemente.
Deplorando a diversidade, ele sustentava que só podia existir uma Igreja
válida, fora da qual não haveria salvação. Quem desafiasse essa afirmação
era considerado herético, devia ser expulso e, se possível, destruído.

Entre as diversas e numerosas formas de cristianismo inicial, o gnosticismo
incorria na ira mais injuriosa de Irenaeus. O Gnosticismo repousava na
experiência pessoal, na união pessoal com o divino. Para Irenaeus, isto
minava a autoridade de padres e bispos, dificultando a imposição da
uniformidade. É o primeiro escritor cujo cânone do NT condiz essencialmente
com o atual.

É razoável afirmar que Irenaeus calçou o caminho para o que ocorreu durante
e imediatamente depois do reino de Constantino, sob cuja égide o Império
Romano se tornou, um Império cristão.

A tradição conta que Constantino teria tido uma visão reforçada mais tarde
por um sonho profético - de uma cruz luminosa pendurada no céu. Uma sentença
estava supostamente inscrita na cruz - In Hoc Signo Vinces (Por este sinal
conquistarás). Constantino então, encomendou para suas tropas escudos
contendo o monograma cristão; as letras gregas Chi e Rho, as duas primeiras
letras da palavra Christos. Como resultado, a vitória de Constantino sobre
seu rival Maxentius na ponte Múlvia veio a representar um triunfo milagroso
sobre o paganismo.

Com base nisso, a Igreja pensa que Constantino converteu o império romano ao
cristianismo. Na verdade, ele não fez isso. Para verificar o que ele fez,
devemos examinar as evidências mais de perto.

Em primeiro lugar, sua conversão não parece Ter sido cristã, mas
descaradamente pagã. Ele parece Ter tido algum tipo de visão, ou experiência
divina, nos aposentos de um templo pagão a Apolo. Segundo uma testemunha que
acompanhava o exército de Constantino na época, a visão era o deus sol, a
deidade adoradas por alguns cultos sob o nome de "Sol Invictus", o
invencível sol.

Ele não fez do cristianismo a religião oficial do Estado romano. Ele atuou
como principal sacerdote, do"Sol Invictus" e, nessa época, as moedas, faixas
imperiais e em todo lugar, circulava o emblema pagão.

Só em 337, foi convertido ao cristianismo e batizado, quando jazia em seu
leito de morte. O monograma de Chi Rho foi encontrado numa tumba em Pompéia,
250 anos antes.(ver Halsberghes, The Cult of Sol Invictus. O autor explica
que este culto foi levado a Roma no século III d.C., pelo Imperador
Elagabalus. Quando Aureliano introduziu sua reforma religiosa, esta era na
realidade, o restabelecimento do culto do sol invictus na forma que havia
sido originalmente introduzido).

Esse culto, essencialmente monoteísta fez a ortodoxia cristã florescer sem
ser molestada.

Constantino decretou também, em 321 d.C., o dia de repouso no Domingo, "dia
venerável do sol e os cristãos se adaptaram, o que ajudou a dissociação de
sua origem judaica.

Além disso, o nascimento de Jesus fora celebrado até o século IV, no dia 6
de janeiro. Para o culto do sol invictus, contudo, o dia crucial do ano era
25 de dezembro - o festival de natalis invictus, o nascimento (ou
renascimento) do sol, quando os dias começam a ficar mais longos. Novamente
o cristianismo se alinhou com o regime e a religião do Estado estabelecida.

O cristianismo também se alinhou ao Mithraísmo que celebrava seu nascimento
em 25 de dezembro. Enfatizava a imortalidade da alma, um julgamento futuro e
a ressurreição dos mortos.

Constantino consolidou, em nome da unidade e uniformidade, a condição do
cristianismo ortodoxo. Em 325 d.C. convocou o Concílio de Nicea, onde foi
estabelecido a Páscoa e decidiu por voto (218 pró e 2 contra), que Jesus era
um deus.

Um ano após o Concílio de Nicea, Constantino mandou destruir o que desafiava
a ortodoxia cristã, e permitiu que fosse instalado o bispado de Roma no
palácio Lateran. ( Só em 384 d.C., o bispo de Roma se autodenominou "papa"
pela primeira vez.)

Nota: Em 303 d.C., um quarto de século antes, o imperador pagão Diocleciano
havia se empenhado em destruir todos os escritos cristãos que pudessem ser
encontrados. Como conseqüência , os documentos cristãos - especialmente em
Roma - haviam desaparecido.

Quando Constantino permitiu encomendar novas versões desses documentos, isto
possibilitou que os guardiães da ortodoxia revisassem, editassem e
reescrevessem seu material como bem entendessem, de acordo com suas próprias
doutrinas.

O NT, como ele existe hoje, é essencialmente um produto dos editores e
escritores do século IV - guardiães da ortodoxia, "seguidores da mensagem",
com interesses a proteger.

Quanto à família de Jesus, mesmo de seu exílio incógnito, as pretensões e a
própria existência da família teriam exercido um apelo poderoso que
representaria uma ameaça à ortodoxia de Roma.

A ortodoxia de Roma repousa essencialmente nos livros do NT, mas ele em si,
nada mais é do que uma seleção de antigos documentos cristãos do século IV.

Inúmeros outros trabalhos antecederam o NT em sua forma atual, e alguns
deles lançam nova luz, freqüentemente controvertida, sobre os manuscritos
aceitos.

Existem os vários livros excluídos da Bíblia que são conhecidos como
"Apocrypha", datados dos séculos anteriores e posteriores ao oficial, e
podem Ter tanta pretensão à veracidade quanto os Evangelhos originais.

Um destes trabalhos é o Evangelho de Pedro, cuja primeira cópia foi
localizada em um vale do Alto Egito em 1886, embora ele seja mencionado pelo
bispo da Antióquia em 180 d.C. de acordo com este Evangelho Apócrifo, José
de Arimathéia era amigo íntimo de Pilatos, que a tumba onde foi enterrado
Jesus, situa-se em um local chamado "O Jardim de José". E as últimas
palavras de Jesus na cruz são particularmente chocantes:"Meu poder, meu
poder, por que me desamparastes?" (Evangelho de Pedro 5:5)

Observação: Encontra-se neste site os Evangelhos apócrifos e
pseudoapócrifos.)

Um outro trabalho apócrifo interessante é o Evangelho sobre a Infância de
Jesus (que data do século II ou anterior).Jesus é retratado como uma criança
brilhante e eminentemente humana e temperamental. Um fragmento curioso e
importante sobre sua infância, quando Jesus foi circuncidado. Seu prepúcio
foi dado a uma velha mulher não identificada, que o preservou em uma "caixa
de alabastro que Maria, a pecadora buscou e despejou o óleo sobre a cabeça e
os pés de Nosso Senhor Jesus Cristo".

Esta unção é equivalente a um importante ritual de iniciação. Mas nesse caso
é evidente que a unção havia sido prevista e preparada com muita
antecedência. E o incidente como um todo implica uma conexão - obscura e
tortuosa - entre Madalena e a família de Jesus, muito antes de Jesus
embarcar em sua missão aos 30 anos de idade.

A família de Jesus não daria seu prepúcio a uma estranha, além de Ter sido
preservado ao longo dos anos para cair em mãos de Maria de Betânia (João
12:3), exceto, se ela fosse alguém não muito menos importante e apta a uma
iniciação.

Outro fato curioso é a omissão dos zelotes nos Evangelhos canônicos,
militantes nacionalistas e revolucionários "lutadores pela liberdade", que
seriam facilmente vistos como vilões pelos romanos.

Como argumenta o professor Brandon "O silêncio dos Evangelhos sobre os
zelotes (...) indica obviamente uma relação entre Jesus e esses patriotas,
que os Evangelistas preferiram não revelar".

Qualquer que tenha sido a associação de Jesus com os zelotes, não há dúvida
de que ele foi crucificado como sendo um deles.

Em uma famosa e estranha passagem, Jesus anuncia que veio "não para trazer a
paz, mas a espada". No Evangelho de Lucas (22:36), instrui seus seguidores
que não possuem espada a comprar uma; e após a refeição do festival judeu,
ele mesmo averigua, aprovando, que eles estão armados (Lucas 22:38). No
quarto Evangelho, Jesus é um pacifista moderado.

Segundo autoridades modernas, Judas, o Iscariotes deriva de Judas, o
Sicarii - e Sicarii e Lestai eram sinônimos para zelotes ( Lestai foi
denominado aos ladrões crucificados com Jesus e Barrabás).

Na realidade, os sicarii parecem Ter sido uma elite dentro das fileiras dos
zelotes, um grupo de assassinos profissionais.

Na versão grega de Marcos, Simão é chamado " Kananaios", tradução grega da
palavra aramaica para zelote. Na Bíblia do rei James, a palavra é mal
traduzida e Simão aparece como "Simão, o canaanita". Mas o Evangelho de
Lucas não deixa dúvidas. Simão é claramente identificado como zelote, e até
mesmo a Bíblia do rei James o introduz como "Simão zelotes".

Se a ausência - ou aparente ausência dos zelotes nos Evangelhos é
surpreendente, a dos essênios também o é. Na Terra Santa do tempo de Jesus,
os essênios constituíam uma seita tão importante quanto a dos fariseus e dos
saduceus, e é inconcebível que Jesus não tenha tido contato com eles.

Segundo as narrativas, João Batista seria um essênio.

Os essênios, segundo cronistas da época, começaram a aparecer por toda Terra
Santa, ao redor de 150 a.C. e usavam o VT que interpretavam mais como
alegoria do que como verdade histórica literal. Repudiavam o judaísmo
convencional em favor de uma forma de dualismo gnóstico que parece Ter
incorporado elementos de adoração do sol e do pensamento pitagórico.

Praticavam curas e eram altamente considerados por sua habilidade com
técnicas terapêuticas. Eram ascetas rigorosos e facilmente distinguível pela
sua vestimenta branca.

Nota: Veja neste site: Manuscritos do Mar Morto e Manuscritos de Nag Hammadi

O Manuscritos do Mar Morto refletem sua teologia dualista. Dão grande ênfase
à vinda do Messias -"O Consagrado" - descendente da linha de Davi. (Allegro,
Dead Sea Scroolls, p.167)

E aderem a um calendário especial segundo o qual o culto do festival judeu
era celebrado na Quarta e não na Sexta feira - o que coincide com o culto do
festival no quarto Evangelho.

Em vários aspectos importantes, seus escritos coincidem, quase palavra por
palavra, com alguns ensinamentos de Jesus que, no mínimo, conhecia a
comunidade de Qumrãn e colocou seus próprios ensinamentos, pelo menos em
parte, em concordância com a deles.

Embora os zelotes sejam tidos como agressivos, violentos, terroristas e os
essênios, ao contrário, pacifistas, gentis, na verdade, os zelotes incluíam
numerosos essênios em suas fileiras, pois não eram uma seita, mas uma facção
política.

A associação entre os zelotes e os essênios é especialmente evidente nos
escritos de Josephus, que forneceram muitas das informações disponíveis
sobre a Palestina da época.

Nota: Veja nesse site: O massacre de Masada segundo Josephus - crônicas

José bem Mathias nasceu da nobreza judaica em 37d.C.Quando a revolta de 66
d.C. irrompeu, ele foi nomeado governador da Galiléia, onde assumiu o
comando das forças alinhadas contra os romanos ele parece Ter-se revelado
inapto como comandante militar, sendo prontamente capturado pelo imperador
romano Vespasiano. Traiu então sua causa, tornou-se cidadão romano, tomando
o nome de Flavius Josephus, divorciou-se de sua mulher, casou-se com uma
rica herdeira romana e aceitou ricos presentes do imperador romano - que
incluíam um apartamento privado no palácio imperial, bem como as terras
confiscadas dos judeus na Terra Santa. Pouco antes de sua morte, em 100
d.C., suas copiosas crônicas do período começaram a aparecer.

Em "A guerra judia", Josephus oferece uma narrativa detalhada da revolta que
ocorreu entre 66 d.C. e 74 d.C. Os historiadores posteriores aprenderam
muito com ele sobre aquela desastrosa insurreição, o saque de Jerusalém e a
destruição do templo. E o trabalho de Josephus também contém a única
narrativa da queda, em 74 d.C., da fortaleza de Masada, situada no canto
sudoeste do Mar Morto.

Assim como Montségur alguns 1200 anos mais tarde, Masada chegou a simbolizar
tenacidade, heroísmo e martírio na defesa de uma causa perdida. Assim como
Montségur, ela continuou a resistir ao invasor durante muito tempo, depois
de cessarem virtualmente todas as outras resistências organizadas, enquanto
o resto da Palestina caía sob o assalto romano, Masada continuava
invulnerável. Finalmente, em 74 d.C., a posição da fortaleza se tornou
insustentável. Depois de bombardeios com mecanismos pesados de cerco, os
romanos instalaram uma rampa que lhes possibilitou quebrar as defesas. Na
noite de 15 de abril, prepararam um assalto geral.

Embora os arqueólogos da atualidade não concordem com alguns dos fatos
narrados a seguir e que se encontra neste site, no link Teria sido Jesus
Crucificado e o Massacre de Masada, continuaremos a pesquisa do livro de
Josephus, segundo a opinião de Baigent, Leigh e Lincoln.

Na mesma noite os 960 homens, mulheres e crianças dentro da fortaleza
cometeram suicídio em massa. Na manhã seguinte, ao irromperem através do
portão, os romanos só encontraram cadáveres entre as chamas.

O próprio Josephus acompanhou as tropas romanas que adentraram Masada na
manhã de 16 de abril. Afirma Ter testemunhado pessoalmente a carnificina. E
afirma Ter entrevistado três sobreviventes do desastre - uma mulher e duas
crianças que supostamente se esconderam nos condutos sob a fortaleza,
enquanto o restante das pessoas se matavam. Josephus relata que obteve
desses sobreviventes uma narrativa detalhada do que aconteceu na noite
anterior . segundo essa narrativa, o comandante da tropa era um homem
chamado Eleazar - uma variação de Lázaro. E parece Ter sido Eleazar quem,
por sua eloquência persuasiva e carismática, levou os defensores à sombria
decisão. Em sua crônica Josephus repete as interessantes falas de Eleazar,
como afirma Ter ouvido dos sobreviventes. A história registra que Masada era
defendida por militantes zelotes, e o próprio Josephus usa as palavras
zelote e sicarii alternativamente. Ainda assim, as falas de Eleazar não são
convencionalmente judaicas. Ao contrário, elas são sem dúvidas essênias,
gnósticas ou dualistas.

" Desde que o homem primitivo começou a pensar , as palavras dos nossos
ancestrais e dos deuses, apoiadas pelas ações e pelos espíritos de nossos
antepassados, têm constantemente impresso em nós que a vida, não a morte, é
a calamidade para o homem. A morte libera nossas almas e as deixa partir
para seu próprio lar puro, onde desconhecem qualquer calamidade; mas
enquanto elas estão confinadas em corpo mortal e partilham de suas misérias,
na verdade estão mortas. Pois a associação do divino com o mortal é mais
impura. Certamente, mesmo aprisionada ao corpo, a alma pode fazer muito: faz
do corpo seu próprio destino, movendo-o invisivelmente e impelindo-o em suas
ações além do que pode atingir a natureza mortal. Mas quando liberada do
peso que a arrasta à terra, é suspensa acima dele, a alma retorna a seu
próprio lugar , e então em verdade, partilha de um poder abençoado e de uma
força verdadeiramente desacorrentada, permanecendo tão invisível aos olhos
humanos quanto aos olhos do próprio Deus. Nem mesmo quando ela está no corpo
pode ser vista; ela entra incógnita e parte desapercebida, possuindo ela
própria uma natureza indestrutível, mas causando mudança no corpo; pois o
que quer que a alma toque, revive, desabrochando, e que quer que ela
deserte, fenece e morre, tal a super abundância que ela tem de
imortalidade."

E novamente:

São homens de verdadeira coragem aqueles que, considerando sua vida um tipo
de serviço que devemos à natureza, submetem-se sem relutância em liberar
suas almas de seus corpos; e embora nenhuma desgraça os pressione ou
expulse, o desejo da vida imortal os impele a informar seus amigos que eles
partirão.

( Josephus, Jewish War,p.387.400))

nota: É de se admirar um discurso de tal lirismo e profundidade ser repetido
por um dos sobreviventes do suicídio coletivo. O máximo que podemos supor, é
que Josephus, em sua fala, ele próprio tenha sido envolvido com o comentário
e deixado a poesia tomar conta do restante.

Não sendo este o caso, ele poderia Ter aproveitado o discurso de um típico
essênio/gnóstico e colocado aí, num gesto de admiração.

É extraordinário que nenhum, até onde sabemos, jamais tenha comentado estas
fala, que levantam uma série de perguntas provocantes. Por exemplo, o
judaismo ortodoxo jamais fala de uma alma, e menos ainda de sua natureza
imortal e indestrutível. Na verdade, o próprio conceito de alma e de
imortalidade é estranho à corrente principal da tradição e do pensamento
judaicos. Da mesma forma o são a supremacia do espírito sobre a matéria, a
união com Deus na morte e a condenação da vida como má. Estas atitudes
derivam, inequivocadamente, de uma tradição do ocultismo. São flagrantemente
gnósticas e dualistas. No contexto de Masada, são caracteristicamente
essênias.

No quarto Evangelho, os discípulos desejavam se juntar a Lázaro na morte. É
possível que os defensores de Masada incluíssem alguns seguidores da
linhagem de Jesus

OS ESCRITOS GNÓSTICOS

A revolta de 66- 74d.C. foi seguida de uma Segunda insurreição importante
cerca de sessenta anos depois, entre 132 e 135 d.C.. Como conseqüência desse
novo distúrbio, todos os judeus foram oficialmente expulsos de Jerusalém,
que se tornou uma cidade romana

Os verdadeiros espíritos do judaismo e do cristianismo partiram da Terra
Santa. A maioria da população judia da Palestina, se dispersou num diáspora
como aquela que havia ocorrido 700 anos depois, quando Jerusalém caiu sob os
babilônios.

Mesmo assim, as heresias começaram a florescer, a despeito dos esforços de
Clemente de Alexandria, Irenaeus e seus adeptos.

O conhecimento moderno sobre essas heresias deriva amplamente dos ataques de
seus oponentes, o que, é claro, distorce o quadro.

Em geral, Jesus parece Ter sido visto pelos primeiros hereges de duas formas
diferentes: para alguns, era um deus com poucos atributos humanos, se é que
os possuía; para outros, era um profeta normal, no fundo semelhante a,
digamos, Buda - ou, um milênio depois, Maomé.

Entre os mais importantes hereges estava Valentino, nativo da Alexandria,
que passou a última parte de sua vida (136-165d.C.), em Roma. Extremamente
influente em sua época, Valentino contava com homens como Ptolomeu entre
seus seguidores. Declarando que possuía um corpo de "ensinamentos secretos"
de Jesus, ele recusava-se submeter-se à autoridade romana, afirmando que a
gnose tinha procedência sobre qualquer hierarquia externa.

Outro alvo era Marcion, um rico magnata da navegação e bispo, que chegou a
Roma ao redor de 140 d.C. e foi excomungado 4 anos depois.

O terceiro maior herege do período - e em muitos aspectos , mais
intrigante - foi Basilides, um intelectual de Alexandria que escreveu entre
120 e 130 d.C. Versado tanto em escrituras hebréias quanto em Evangelhos
cristãos, ele também mergulhava no pensamento egípcio e helenístico e,
segundo Irenaeus, promulgou a mais odiosa heresia. Basilides afirmou que a
crucificação foi uma farsa, que Jesus não morreu na cruz, e que um
substituto - Simão de Cyrene - tomou seu lugar. Tal afirmação pareceria
estranha, mas se revelou persistente e tenaz. Até o século VII o Alcorão
mantinha precisamente o mesmo argumento: um substituto, tradicionalmente
Simão de Cyrene, tomara o lugar de Jesus na cruz.

E o mesmo argumento foi levantado para a BBC de uma "prova incontestável de
um padre sobre a substituição.

O local onde os hereges estavam mais unidos, era o Egito; muitos deles para
lá se dirigiram. Assim, não é de se surpreender que o Egito recebeu os
Manuscritos de Nag Hammadi onde foram descobertos muitos Evangelhos
gnósticos.

Nota: Neste site, os Manuscritos de Nag Hammadi.

Os Manuscritos de Nag Hammadi, são uma coleção de textos bíblicos,
essencialmente gnósticos, que datam, aparentemente, do final do século IV ou
no inicio do século V, ou cerca de 400 d.C. . Os manuscritos são cópias, e
os originais a partir dos quais eles foram copiados datam de muito tempo
antes. Algum deles - o Evangelho de Tomé - por exemplo, o Evangelho da
Verdade e dos Egípcios - são mencionados pelos primeiros padres da Igreja,
tais como Clemente de Alexandria, Irenaeus e Origen.

Em primeiro lugar, eles são importante porque eles escapam à censura e
revisão da ortodoxia romana. Em segundo lugar, porque eles foram escritos
para uma audiência egípcia, não tendo que distorcer para os ouvidos romanos
e, por que eles podem se basear em fontes de primeira mão., testemunhas
oculares.

Como era de se esperar, os Manuscritos de Nag Hammadi contém muitas
passagens antagônicas à ortodoxia e aos "seguidores da mensagem". Em um
documento, por exemplo, chamado segundo tratado do grande Seth, Jesus é
descrito precisamente como ele aparece na heresia de Basilides - escapando à
morte na cruz através de uma engenhosa substituição.

Alguns outros trabalhos da coleção Nag Hammadi testemunham uma rixa entre
Pedro e Madalena que poderia refletir um cisma entre os "seguidores da
mensagem" e os "seguidores da linhagem". No Evangelho de Maria, Pedro se
dirige a Madalena como se segue:"Irmã, nós sabemos que o Salvador te amou
mais que as outras mulheres. Conte-nos as palavras do Salvador de que tu te
lembras - que tu conheces mas nós não." Indignado, Pedro pergunta aos outros
discípulos:" Ele realmente falou em particular para uma mulher e não
abertamente para nós? Devemos nós todos dar a volta e escuta-la? Ele a
preferiu a nós?" Mais tarde, um dos discípulos responde a Pedro: "O salvador
certamente a conhece muito bem. Por isso ele a amou mais que a nós.

No Evangelho de Felipe, as razões para esta rixa, parecem óbvias.. existe,
uma ênfase recorrente na imagem de uma câmara nupcial. Segundo este
Evangelho, "O senhor fez tudo misteriosamente, uma crisma e um batismo e uma
eucaristia e uma redenção ." Esta câmara , à primeira vista, poderia ser
simbólica e alegórica. Mas o Evangelho de Felipe é mais explícito: " Existem
três que sempre caminharam com o Senhor: Maria , sua mãe e sua irmã e
Madalena, chamada sua companheira." Segundo um pesquisador, a palavra
"companheira" deve ser traduzida por esposa. Certamente, existem razões para
faze-lo, pois o Evangelho de Felipe se torna mais explícito:

E a companheira do Salvador, é Maria Madalena. Mas Cristo a amava mais que a
todos os seus discípulos e a beijava na boca freqüentemente. O restante dos
discípulos ficavam ofendidos com isso e expressavam sua desaprovação. Eles
lhe disseram:" Por que mais do que a todos nós?" O Salvador respondeu e lhes
disse: " Por que eu não te amo como a ela?" ( O Evangelho de Maria, O
Evangelho de Felipe , em Nag Hammadi Library in English, p.472, 140,138;)

Conclusão

(trechos extraídos de Baigent, Leigh e Lincoln)

Muitas evidências foram apresentadas pelo Monastério do Sinai, através de
seus documentos e representantes. Mas sabemos que Sinai possuem alguma prova
de que Jesus foi casado e tivera filhos e que deixaram a Terra Santa na
época de sua suposta morte. Encontraram refúgio no Sul da França e lá
preservaram sua linhagem em uma comunidade judaica. Durante o século V esta
linhagem parece Ter se misturado, via casamento, com a linhagem real dos
francos, engendrando assim a dinastia merovíngia. Em 496d.C., a Igreja fez
um pacto com essa dinastia, ligando-se perpetuamente à linhagem merovíngia -
presumivelmente conhecendo a verdadeira identidade daquela estirpe. Isto
explicaria a oferta recebida por Clóvis de se tornar imperador do Sacro
Império Romano, o "novo Constantino", e seria a razão pela qual ele não foi
feito rei, mas reconhecido como tal.

Ao corroborar o assassinato de Dagobert, e depois trair a linhagem
merovíngia, a Igreja se tornou culpada de um crime que não podia ser
racionalizado ou expurgado. Ele teria que ser suprimido, pois a descoberta
da real identidade dos merovíngios não fortaleceria a posição de Roma diante
de seus inimigos.

A despeito de todos os esforços para erradica-la, a linhagem merovíngia -
sobreviveu, em parte, através dos carolíngios, que se sentiam mais culpados
do que Roma pela usurpação e procuraram se legitimar através de alianças
dinásticas com princesas merovíngias. Mas o mais importante é que a linhagem
sobrevivei através do filho de Dagobert, Sigisbert, cujos descendentes
incluíram Guillem de Gellone, governante do reino judeu de Septimania e,
finalmente, de Godfroi de Bouillon. Com a captura da Jerusalém em 1099 por
Godfroi, a linhagem de Jesus teria recapturado sua herança de direito, a ela
conferida nos tempos do VT.

...Se nossa hipótese estiver correta, o cálice sagrado representava
simultaneamente duas coisas: por um lado teria sido a linhagem sangüínea e
os descendentes de Jesus - o "sang raal" ou "sangue real", do qual os
templários foram nomeados guardiães. Ao mesmo tempo, o cálice teria sido o
receptáculo que recebeu e conteve o sangue de Jesus. A partir disso, teria
surgido o culto a Madalena, na forma como foi promulgado na Idade Média, e
ele teria sido confundido com o culto à Virgem. Pode-se provar que muitas
famosas Virgens Negras ( incluindo Nossa Senhora da Aparecida, no Brasil,
estátua negra e padroeira do País, descoberto pelos Europeus na Idade Média)
ou Madonas Negras, do início da era cristã, eram ícones de Madalena e não da
Virgem - e eles retratam uma mãe com o filho.

Em 70 d.C., durante a grande revolta na Judea, as legiões romanas de Tito
saquearam o Templo de Jerusalém. O tesouro pilhado do Templo teria ido parar
finalmente nos Pirineus e o representante do Monastério do Sinai, afirmou
que esse tesouro se encontrava nas mãos dessa sociedade secreta. Mas o
templo de Jerusalém pode Ter contido mais do que o tesouro pilhado pelos
centuriões de Titus. Religião e política eram inseparáveis no antigo
judaísmo. O Messias devia ser um rei-sacerdote, cuja autoridade compreendia
os domínios espiritual e secular. Assim, é possível que o Templo abrigasse
registros oficiais sobre a linhagem real de Israel. Se Jesus era realmente o
rei dos judeus,, o Templo. Certamente conteria informações copiosas
relacionadas a ele. Poderia mesmo conter seu corpo, ou pelo menos o seu
túmulo, uma vez que o seu corpo teria sido removido da tumba temporária dos
evangelhos.

Qualquer sacerdote que estivesse ali, naquele momento no Templo, deixaria
para eles o ouro, as jóias, o tesouro material que eles esperavam encontrar
e esconderia, sob o Templo, os itens de maior importância, relacionados ao
legítimo rei de Israel, o Messias e sua família real.

Por volta de 1100, os descendentes de Jesus teriam atingido proeminência na
Europa e, através de Godfroi de Bouillon, na Palestina também. Conheciam sua
própria genealogia e seus ancestrais mas não podiam, ou não queriam,
prova-los ao mundo. Se fosse conhecido que essa prova existia, ou talvez
existisse, no interior do Templo, todos os esforços teriam sido empreendidos
no sentido de encontra-la. Isto poderia explicar o papel dos templários -
que sob a proteção do mistério, realizaram escavações sob o Templo, nos
chamados Estábulos de Salomão. A partir das evidências que examinamos,
restam poucas dúvidas de que os templários foram de fato enviados à Terra
Santa com o objetivo expresso de encontrar ou obter alguma coisa, tendo
cumprido a missão. Eles parecem Ter encontrado e trazido para a Europa o que
deviam procurar. O que aconteceu com o que encontraram, permanece um
mistério. Mas parece que sob os auspícios de Bertrand de Blanchefort, quarto
grão-mestre da Ordem do Templo, alguma coisa foi escondida nas vizinhanças
de Rennes le Chatêau. Um contingente de mineiros germânicos foi importado,
sob um forte esquema de segurança, para escavar e construir um local para
oculta-la. Pode-se apenas especular sobre o que foi essa coisa. Pode Ter
sido o corpo mumificado de Jesus. Pode Ter sido o equivalente da certidão de
casamento de Jesus, e/ou as certidões de nascimentos de seus filhos. Pode
Ter sido alguma coisa de importância explosiva. Um ou todos esses itens pode
se relacionar ao cálice sagrado, e que podem Ter passado, por acidente ou
não, para as mãos dos Cátaros e constituído parte do misterioso tesouro de
Montségur.

Por circunstâncias desconhecidas, os merovíngios não conseguiram
restabelecer, ao longo dos séculos , sua supremacia. No século XVI a casa
Guise quase conseguiu o trono francês, no século XVII, a Fronda quase
conseguiu manter Luís XIV fora do trono, suplantado por um representante da
casa Lorraine. No final do século XIX, esquemas foram elaborados para um
tipo de Santa Aliança, que teria unificado a Europa Católica - Áustria,
França, Itália e Espanha - sob os Habsburgo. Estes planos foram desviados
pelo comportamento agressivo da Alemanha e da Rússia, que provocou uma
mudança constante de alianças entre os principais poderes e, finalmente,
precipitou uma guerra que desestabilizou todas as dinastias continentais.

Foi no século XVIII que a linhagem merovíngia chegou mais perto da
realização de suas metas. Em virtude de suas ligações, via casamento com os
Habsburgo, a casa Lorraine havia conseguido o trono da Áustria, o Sacro
Império Romano. Quando Maria Antonieta, filha de François de Lorraine, se
tornou rainha da França, o trono da França também ficou à distância de
apenas uma geração. Se não houvesse a Revolução Francesa, a casa Habsburgo -
Lorraine poderia, pelos idos de 1800, Ter feito seu caminho na direção de
estabelecer domínio sobre toda a Europa.

Parece claro que a Revolução Francesa foi um devastador banho de água fria
nas esperanças e aspirações merovíngias. Os planos, cuidadosamente
elaborados e implementados durante um século e meio (observa que Maria
Leopoldina, arquiduquesa da Áustria era sobrinha de Maria Antonieta e
Napoleão também foi casado com uma da mesma linhagem), foram subitamente
reduzidos a cinzas em um único cataclisma. Referências contidas nos
Documentos do Monastério mostram que, durante a turbulência da Revolução,
Sinai perdeu muitos de seus preciosos registros e possivelmente outras
informações também. Isso pode explicar a mudança de posição de grão-mestre
da ordem, em direção a personagens culturais franceses que, como Nodier,
tinham acesso a material de outras formas inacessível. Também pode explicar
o papel de Sauniere. Às vésperas da revolução, seu predecessor, Antoine
Bigou, havia ocultado, e possivelmente escrito, os pergaminhos codificados,
partindo então para a Espanha, onde morreu logo depois. Assim, é possível
que Sinai, pelo menos durante algum tempo, não soubesse precisamente onde
estavam os pergaminhos. Mesmo que soubesse da sua localização na Igreja de
Rennes le Chatêau, não poderiam obtê-los sem a ajuda de um padre
simpatizante no local, um homem que agisse seguindo ordens, refreasse
perguntas embaraçosas. Mantivesse silêncio e não interferisse nos interesses
e atividades da ordem. Se os pergaminhos se referissem a alguma outra
coisa - algo escondido nas vizinhanças de Rennes le Chatêau - tal homem
seria ainda mais essencial.

Sauniere morreu sem revelar seu segredo, assim como a governanta , Marie
Dernanaud. Durante os anos que se seguiram houve muitas escavações nos
arredores de Rennes le Chatêau, mas nenhuma delas produziu alguma coisa. Se
informações explosivas tivessem sido ocultadas nos arredores, elas teriam
sido removidas quando a história de Sauniere começou a atrair a atenção de
caçadores de tesouro e a mídia (a cidade passou a ser ponto turístico e
Spilberg fez um filme de Indiana Jones sobre o cálice sagrado) à menos que
essas informações tivessem sido ocultadas em algum depósito imune a
caçadores de tesouros, em uma cripta subterrânea ou sob um lago artificial
em propriedade privada. De fato, existe um lago artificial próximo de Rennes
, nas proximidades de um local chamado Lavaldieu ( O vale de Deus)

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PESQUISAS SOBRE SOCIEDADES SECRETAS E MANUSCRTOS ANTIGOS

A REVELAÇÃO DOS MISTÉRIOS DA CRUZ DOS ATOS DE JOÃO TEMPLÁRIOS E CÁTAROS - O
MISTÉRIO SANGRAAL E O CÁLICE SAGRADO - MANUSCRITOS DE RENNES LE CHATÊAU
ISLAMISMO E JUDAISMO JESUS ERA CASADO - O QUE A BÍBLIA DIZ
MELQUISEDEQUE - O SACERDOTE DO ALTÍSSIMO - O REI DE SALÉM MANUSCRITOS DO MAR
MORTO - QUMRAN ESTUDOS DAS SOCIEDADES SECRETAS - OS TEMPLÁRIOS

Mirian Giannella
http://giannell.blog.uol.com.br
Observatório Sociológico
http://giannell.sites.uol.com.br



Publicado em:23.11.08

Palavras Iniciais

Infelizmente temos que admitir que essa é uma das páginas mais vergonhosas da história da Igreja - O Massacre dos Albigenses, iniciado no papado de Inocêncio III e comandado pelas tropas dos nobres do norte da França. Povo próspero, pacato, trabalhador mas que tinha o grave defeito de não professar o mesmo cristianismo que o de Roma. E, ao que parece, era o que ocorria em muitos outros povoados das redondezas, pois mesmo sem proselitismo o seu credo vinha crescendo a ponto de assustar Roma, que à época era muito combatida e criticada pelo excesso de luxo, riquezas e outros comportamentos não muito apropriados aos clérigos.

Ao invés do diálogo, a solução foi considerar como heresia o seu credo, e como tal, em nome da fé, tinha que ser eliminada, nem que o jeito fosse dizimar todos seus seguidores. E foi o que aconteceu. Nem mulheres, crianças ou velhos foram poupados durante os quarenta anos que durou o massacre.

Só nos resta lamentar e ressaltar que os Templários recusaram-se a participar, pois sua regra não permitia que levantassem a espada contra Cristãos.



Matéria veiculada por Misticwriter.

Cruzada Albigense.

 

O Languedoc - A Provença Francesa (sul da França - região do Midi francês)

"Toda a história da religião é imersa em sangue cátaro, e os resíduos desse sangue persistem, com muita amargura, até os dias de hoje" - Holy Blood - Holy Grail - Baigent, Leigh e Lincoln.

A Heresia Cátaro-Albigense

A primeira história de genocídio na história da Europa moderna aconteceu no Languedoc francês, no sul da França, nas montanhas a nordeste do Pirineus e no ano de 1209. Um exército de 30 mil homens dizimou as colheitas, destruiu cidades e exterminou mulheres, crianças e homens, pelo menos umas 15 mil pessoas. Há o fato de que um dos oficiais deste exército houve por bem perguntar ao representante do Papa como se conseguiria distinguir os cristãos dos hereges. Recebeu a seguinte resposta: - "Mate-os todos Deus reconhecerá os seus". Estamos nos tempos da "Cruzada" na França. No Languedoc (o Midi francês), controvertida ou não a veracidade desta resposta, entretanto, é o retrato fiel do horror do fanatismo religioso e a sede de sangue originada pela crueldade dos que se diziam representantes de Deus e obreiros fiéis da sua "obra divina".

Nas correspondências mandadas para Roma onde o pontífice nesta época era o papa Inocêncio III, as ordens postulavam que "nem idade, nem sexo, nem posição seriam poupados" - Cidade de Bèziers - início da Cruzada Albigense. Depois de Bèziers foi a vez de Narbonne, Carcassone e Toulouse passarem por estes tempos tormentosos. Esta refrega cruel durou 40 anos e ficou conhecida historicamente como "Cruzada Albigense".

Voltemos às origens da Cruzada Albigense guerra sangrenta, inominável.

No início do século XIII o Languedoc não era francês. Independente, esta região florescia em riqueza e opulência. Sua política se tornara afim com os reinos de Leon, Aragon e Castela espanhóis. O Languedoc era governado por várias famílias nobres que se submetiam aos condes de Tolouse e à sua poderosa casa de Trencavel.

Tirando Bizâncio, este principado tornara-se a mais fiel representação da cultura, do progresso e da sofisticação. Despertava a inveja dos potentados de todo o continente europeu cristão.

Apesar de cristão, o Languedoc não era fanático: a educação, a filosofia, as artes, a ciência avançada e o aprendizado de várias línguas haviam alargado mentes e horizontes, não deixando margem para o fanatismo religioso. Havia também a incidência de outros princípios religiosos que eram exercidos pelo povo: escolas devotadas à cabala judaica, linhas de pensamento islâmico e judeu - os ventos trazidos da Espanha - que encontraram eco na sociedade chefiada por nobres letrados, literatos, num contraste violento com o analfabetismo vigente entre a nobreza do norte francês que mal sabia assinar o seu próprio nome.

A exemplo de Bizâncio, existia uma grande tolerância religiosa na região. Os "ventos da Espanha" sopravam o islamismo e o judaísmo através dos Pirineus e de Marselha, centros de comércio principais do Languedoc, a Provença de hoje, a região do Midi. Os sacerdotes cristãos representantes do cristianismo não eram estimados ou sequer respeitados no local. Sacerdotes corruptos, não se davam nem ao zelo de sequer celebrarem uma missa, no espaço de trinta anos. O povo deles se afastara, nada edificado, devido as suas metas substitutas das tarefas religiosas. Os padres, na sua maioria, tornaram-se latifundiários e se mantinham distantes dos seus paroquianos. Há o fato de que um dos bispos de Narbonne jamais conheceu a sua própria diocese.

Os invejosos, a nobreza do norte e a igreja de Roma, entretanto, haviam descoberto o "calcanhar de Aquiles" do opulento Languedoc. Seguro da sua opulência, o Languedoc desprezara certas regras o que o tornara enfraquecido para fazer frente, com sucesso, às invasões que se armariam depois contra ele. Tornara-se complacente e fraco, sob diversos aspectos e esta fraqueza se tornaria na sede de toda a desdita contida nos acontecimentos vindouros.

Por sua vez, a igreja de Roma havia perdido a sua autoridade na região e tornara-se ávida em explorar a fragilidade do Languedoc atacando-o nos seus pontos fracos, para transformá-lo em mais um súdito do seu poder. O Languedoc está "infectado pela lepra louca do sul" - tornou-se herético - foi o primeiro grito de guerra partido de Roma.

No ano de 1165 os que haviam sido julgados hereges já estavam condenados pelo conselho eclesiástico na cidade de Albi - Languedoc. Esta é a razão da população local ter sido denominada por Roma de "Albigense". Albi era um dos centros desta suposta heresia. Em outras ocasiões os hereges recebiam a denominação de cátaros e na Itália de "Patarines". Os estigmas não se reduziam tão somente a estas nomeações: os hereges recebiam outras pechas - arianos, marcionistas e maniqueístas - nomes dados a heresias anteriores. Entretanto, o que passou para a HISTÓRIA foi a denominação genérica de "heresia albigense ou cátara".

Quem eram os heréticos

A heresia albigense ou cátara, não seguia teologia e doutrina fixas, codificadas, definitivas. Não se constituía nas bases de uma igreja coerente como a de Roma. O que havia de fato era uma multidão de seitas diversas e cada uma delas tomava o nome do seu líder independente. Os princípios eram comuns e os detalhes divergentes. A Provença (o Languedoc) não aceitava o domínio da Roma ortodoxa e a versão do catolicismo romano com o seu credo. Tinha lá as suas fortes razões, entretanto.

Os cidadãos daquela região constituíam-se em campesinos e fazendeiros que ouviam os sermões dos pregadores itinerantes, os chamados "parfaits" (perfeitos), ou os "puros" e eram de ambos os sexos. Os "parfaits" andavam aos pares, o que levou os que os combatiam a espalharem rumores de sodomia. Os "parfaits" trabalhavam nos campos com os campesinos, partilhavam com eles as refeições e com eles rezavam ao ar livre. Eram vegetarianos, mas comiam peixes. Nas suas prédicas os "puros" incitavam à vida simples, à humildade, assim como viveu Jesus. Os "parfaits" ensinavam que a sua crença era mais antiga do que o cristianismo ortodoxo (a palavra: ortodoxo quer dizer: mente estreita - nota do Jornal). Mostravam a semelhança do que pregavam com as prédicas de Jesus e dos seus apóstolos, muito diferente da pregação cristã ortodoxa e de conformidade com o que ensinava o "Livro de Atos" no Novo Testamento.

Levando-se em conta os poucos documentos da Inquisição que escaparam à destruição e outras perdas, podemos verificar que as práticas dos cátaros em relação ao cristianismo possuíam as suas raízes fincadas no cristianismo primitivo, eram antigas e puras, refletindo a aurora e o vigor da igreja primitiva.

Heresias como a do maniqueísmo, invocada pela Inquisição, eram infundadas, não há um só documento cátaro que mencione o nome de Mani. Provavelmente, as antigas raízes cátaras poderiam ser encontradas na prática do cristianismo do primeiro século e também poderiam estar enterradas entre as raízes do "dualismo-apocalíptico" das primeiras seitas judaico-cristãs e o que se encontrou nas Cavernas Qumran. Para estes cátaro-albigenses, a fé não era só uma doutrina a ser pregada e sim um sistema de vida a ser vivido, eles se denominavam cristãos e chamavam o diabo de "Príncipe do Mundo", de conformidade com o que atestou Jesus (João - 12:31).

Os cátaros chamavam à sua igreja: "Igreja do Amor" (Roma de traz para diante ) e nutriam uma devoção intensa por Jesus, o "Emissário da Luz", à sua mãe, companheiros e a Maria Madalena. Enquanto a Igreja de Roma ensinava a obediência irrestrita às leis e às regras doutrinárias a Igreja do Amor ensinava que cada indivíduo pode ser transformado pela ação do Espírito Santo, na sua mente e no seu espírito. Os cátaros diziam que Jesus era o seu Profeta, sacerdote, rei e Messias - um ser humano integral, um agente ungido e o Filho de Deus. Mas também se julgavam, eles próprios, receptáculos do mesmo Santo Espírito. Os cátaros conheciam todos os pontos esotéricos, místicos e mitológicos cristãos pregados por Jesus, como fazendo parte do "caminho" para a santidade e a transformação. Estavam também cientes da corrente da revelação e da consciência religiosa do mundo clássico.

Mais do que tudo, desprezavam que a imersão em uma fonte batismal ou a atenção ao preceito de atender à missa dominical fossem suficientes para a salvação. A sua visão religiosa conceituava a vida cotidiana, levada como estrada para o crescimento das virtudes da caridade, humildade e serviço ao próximo, pregados pelo próprio Jesus, como necessários para se viver na presença de Deus constantemente.

A crença dos cátaros aproximava-se, com incrível semelhança, à GNOSIS (termo grego - CONHECIMENTO) o "conhecimento" de primeira mão da Divindade, sem o auxílio de prelados, sacerdotes, hierarquias religiosas e igrejas materiais. "No lugar da fé aceita em segunda mão, os cátaros insistiam no conhecimento direto e pessoal, numa experiência religiosa ou mística apreendida em primeira mão - GNOSIS".

O Dualismo Cátaro

Se os cristãos acreditam na luta perpétua entre os princípios oponentes, o bem e o mal, Espírito e carne, alto e baixo, os cátaros levavam esta dicotomia mais além, tão além, que a ortodoxia católica não estava preparada para aceitá-la.

Os cátaros julgavam que os seres humanos eram as "espadas" usadas pelos espíritos nas suas lutas, todavia, a ninguém era dada a visão das mãos espirituais.. A criação estava imersa na batalha contra dois princípios irreconciliáveis: luz/ escuridão, espírito/matéria, bom/mau.

Na "Igreja de Roma" Deus era o supremo e tinha como adversário o demônio, mas este era inferior a Deus. Os cátaros confiavam que não existia "um só Deus, e sim "dois", cujas posições eram comparáveis: Deus/Um - o puro espírito imaculado. Deus AMOR que era incompatível com o PODER.

Entretanto, racionalizavam - a criação é material, uma manifestação do PODER, portanto, o mundo (criação material) era intrinsicamente mau. A matéria idem. O universo também: a obra de um deus usurpador e mau - O REX MUNDI , como os cátaros o alcunharam.

O "dualismo ético" era apoiado pelo catolicismo: "o mal, embora saído supostamente do demônio, manifesta-se primariamente através do homem e de suas ações"

Os cátaros defendiam um dualismo cosmológico e suas respostas a esta proposição variavam de seita para seita. O propósito do ser humano encarnado era o de transcender a matéria, renunciar a tudo o que manifestasse o PODER e aderir, totalmente, ao princípio do AMOR.

Outros advogavam a recuperação da matéria com a sua espiritualização e transformação.

O princípio feminino florescia no Languedoc enquanto era rechaçado pela Igreja de Roma. As mulheres podiam exercer funções e serem proprietárias dos seus próprios bens em igualdade com os homens. Esta prática mostrava-se idêntica à vigente nas primeiras comunidades cristãs, onde as mulheres se encontravam em pé de igualdade com o elemento masculino.

Os cátaros e Maria Madalena - Descoberta recente

Recentemente, a historiadora e professora americana, Margaret Starbird, M.D., colocou em um livro "The Woman with the Alabaster Jar" (A Mulher com o Jarro de Alabastro - ainda sem tradução para o português), a sua polêmica pesquisa sobre a lenda do Santo Graal. Starbird acabou pesquisando profundamente os cátaros do Languedoc, uma vez que Maria Madalena significava para eles o "Princípio Feminino" ao invés de Maria, mãe de Jesus, também sendo uma das partes principais integrantes da lenda do Santo Graal, que propagavam. Segundo esta pesquisa, concorde com a de outros historiadores modernos e com a história local, Madalena em fuga da Palestina, refugiou-se na Provença (Languedoc) e lá viveu uma vida de pregações até a sua morte.

A pesquisa de Margaret Starbird ampliou-se pelos caminhos da arte, nos desenhos sugestivos deixados pelos cátaros e suas "watermarks" (marcas d´'água) características e com as quais selavam os seus documentos, os poucos que nos restaram. A historiadora acredita que o envolvimento dos cátaros com o Santo Graal era, talvez, a principal razão da perseguição e dos tormentos que a Inquisição arregimentou contra os cátaros - esta, a sua principal "heresia" - escondida dentre outras motivações, pois a verdade oculta nesta lenda (ou heresia) não está contida dentro de um cálice miraculoso e sim no ventre de Maria Madalena, como esposa de Jesus, no sangue do herdeiro do "Sang Real" da dinastia de David, o filho de Jesus e de Madalena - a criança do Santo Graal - na Europa.

Margaret Starbird revela: "Temos discutido um aspecto fundamental deste desencanto enraizado, dos cátaros, a respeito da igreja estabelecida. A crença de que Jesus foi casado e teve herdeiros, foi comum em toda a Provença. Acreditavam que Maria Madalena vivera ali naquele solo e ali foi enterrada juntamente com seu irmão (o chamado Lázaro do Novo Testamento), sua irmã (Marta) e muitos dos seus amigos. Lendas e nomes locais na Provença confirmam esta crença.. Também as genealogias secretas de famílias nobres (os Merovíngeos).

Seguindo a "Cruzada Albigense", as filhas sobreviventes das famílias do Midi foram forçadas ao casamento com as famílias do norte, presumivelmente para serem dissipados os clamores de certas famílias do sul à sua herança especial, pertencente à Dinastia Merovíngea. Isto não é novidade. De fato, para consolidar a sua reivindicação ao trono dos Francos, Carlos Magno casou-se com uma princesa merovíngea (do Santo Graal).

Nota: A Dinastia Merovíngea foi fundada por Merovèe, descendente da Linhagem de Jesus e Maria Madalena, segundo a crença enraizada no Midi francês até hoje.Conta-se que os Francos, os Merovingeos, possuíam um ancestral denominado Merovee e a palavra Merovingian quebra-se foneticamente em sílabas onde podemos ler,claramente: Mer e Vin - Maria e o Vinho - . A historiadora diz que esta pode ser uma alusão ao " vinho de Maria" ou talves, o " vinho da Mãe". Os reis Merovíngeos tinham como emblemas a flor-de-Lis oriunda do oriente médio -o gladíolo ou "pequena espada"- e as abelhas . No túmulo do Rei Merovíngeo Childeric I, pai de Clóvis e filho de Merovée ( morto em 481 a.. D.) em Tournai , foram encontradas 300 abelhas de ouro , o totem dos reis Merovíngeos, símbolo sagrado das deusas do amor e símbolo egípcio da realeza. Na "Basílica de Santa Maria Madalena", em Saint Maximin, Provence, se encontra o crânio desta santa recoberto de ouro e que sai em concorrida procissão no dia dedicado a ela.

 

Fontes:

- O Santo Graal e a Linhagem Sagrada. Ed. Nova Fronteira - Richard Leigh, Michael Baigent e Henry Lincoln.

- The Templar Revelation - Lynn Picknett e Clive Prince - Ed. Touchstone

- The Woman with the Alabaster Jar - Margaret Starbird - Ed. Bear and Company. 



Publicado em:16.11.08

Palavras Iniciais

Como vimos na semana passada, num artigo do mesmo autor, sobre a dificuldade de se comprovar a existência física de alguém que não deixou nada por escrito, não existir nenhum objeto que tenha pertencido a esse alguém..., tanto mais difícil será comprovar a existência de Moysés que é citado como tendo vivido aproximadamente 1200 anos antes de Jesus.

Temos que lembrar que Tradições nascem em cima de mitos, de fatos heróicos, de milagres, de algo que os seres normais não conseguem fazer, para justificar o culto e a criação de ritos, a constância de sua repetição até a formação de sua egrégora específica e, pronto, está criada uma Tradição, no caso a Judaica, que é essencialmente transmitida oralmente.

Realmente, Moyses pode não ter existido, pode ser um mito. Difícil, porém, vai ser convencer o povo judeu.



Moysés pode não ter existido

Moisés pode não ter existido, sugere pesquisa arqueológica

Escavações e inscrições mostram que povo de Israel se originou dentro
da Palestina. História sobre libertação do Egito teria influência de
interesses políticos posteriores.

Reinaldo José Lopes Do G1, em São Paulo


A saga de Moisés, o profeta que teria arrancado seu povo da escravidão
no Egito e fundado a nação de Israel, tem bases muito tênues na
realidade, segundo as pesquisas arqueológicas mais recentes. É
praticamente certo que, em sua maioria, os israelitas tenham se
originado dentro da própria Palestina, e não fugido do Egito. O
próprio Moisés tem chances de ser um personagem fictício, ou tão
alterado pelas lendas que se acumularam ao redor de seu nome que hoje
é quase impossível saber qual foi seu papel histórico original.

É verdade que as opiniões dos pesquisadores divergem sobre os detalhes
específicos do Êxodo (o livro bíblico que relata a libertação dos
israelitas do Egito) que podem ter tido uma origem em acontecimentos
reais. Para quase todos, no entanto, a narrativa bíblica, mesmo quando
reflete fatos históricos, exagera um bocado, apresentando um cenário
grandioso para ressaltar seus objetivos teológicos e políticos.

Airton José da Silva, professor de Antigo Testamento do Centro de
Estudos da Arquidiocese de Ribeirão Preto (SP), resume a situação: "O
Moisés da Bíblia é claramente 'construído'. Pode até ter existido um
Moisés lá no passado que inspirou o dos textos, mas nada sabemos dele
com segurança. Nas minhas aulas de história de Israel, começo com
geografia e passo para as origens de Israel em Canaã [antigo nome da
Palestina], não trato mais de patriarcas e nem do Êxodo".

 
 Data-limite

Os pesquisadores dispõem há muitos anos do que parece ser a
data-limite para o fim do Êxodo. Trata-se de uma estela (uma espécie
de coluna de pedra) erigida pelo faraó Merneptah pouco antes do ano
1200 a.C. A chamada estela de Merneptah registra uma série de supostas
vitórias do soberano egípcio sobre territórios vizinhos, entre eles os
de Canaã. E o povo de Moisés é mencionado laconicamente: "Israel está
destruído, sua semente não existe mais". Não se diz quem liderava
Israel nem que regiões eram abrangidas por seu território. Trata-se da
mais antiga menção aos ancestrais dos judeus fora da Bíblia.

Se a saída dos israelitas do Egito ocorreu, ela precisaria ter
acontecido antes disso. A Bíblia relata que, cerca de 400 anos antes
de Moisés, os ancestrais do povo de Israel, liderados pelo patriarca
Jacó, deixaram seu lar na Palestina e se estabeleceram no norte do
Egito, junto à parte leste da foz do rio Nilo. Os egípcios teriam
permitido esse assentamento porque, na época, o mais importante
funcionário do faraó era José, filho de Jacó. Décadas mais tarde, um
novo faraó teria ficado insatisfeito com o crescimento populacional
dos descendentes do patriarca e os transformado em escravos.

Por algum tempo, arqueólogos e historiadores acharam que haviam
identificado evidências em favor dos elementos básicos dessa trama. É
que, por volta do ano 1700 a.C., a região da foz do Nilo foi dominada
pelos chamados hicsos, uma dinastia de soberanos originários de Canaã
e de etnia semita, tal como os israelitas. (O nome "Jacó", muito comum
na época, está até registrado entre nobres hicsos.)

Pouco mais de um século mais tarde, os egípcios expulsaram a dinastia
estrangeira de suas terras. Isso mataria dois coelhos com uma cajadada
só. Explicaria a ascensão meteórica de José na burocracia egípcia,
graças à proximidade étnica com os hicsos, e também por que seus
descendentes foram escravizados -- eles teriam sido associados à
ocupação estrangeira no Egito.

O problema com a idéia, no entanto, é que não há nenhuma menção aos
israelitas ou a José e sua família em documentos egípcios ou de outros
reinos do Oriente Médio nessa época. Pior ainda, até hoje não foi
encontrado nenhum sítio arqueológico no Sinai que pudesse ser
associado aos 40 anos que os israelitas teriam passado no deserto
depois de deixar o Egito. 

Os textos egípcios também não falam em nenhum momento da fuga liderada
por Moisés, se é que ela ocorreu. "Isso é um problema grave. O
argumento de que os egípcios não registravam derrotas é falso: a saída
de um pequeno grupo nem era um revés, e eles relatavam derrotas sim,
mesmo quando diziam que tinha sido um empate", afirma Airton José da
Silva. 

 
 Apiru = hebreus?

Para Milton Schwantes, professor da  Faculdade de Filosofia e Ciências
da Religião da Universidade Metodista de São Paulo, outro problema com
a ligação entre os israelitas e os hicsos é dar ao Êxodo uma dimensão
muito mais grandiosa do que seria razoável esperar do evento. "É uma
cena de pequeno porte -- estamos falando de grupos minoritários, de
150 pessoas fugindo pelo deserto. Em vez do exército egípcio inteiro
perseguindo essa meia dúzia de pobres e sendo engolido pelo mar, o que
houve foram uns três cavalos afundando na lama", brinca Schwantes.

Ele é menos pessimista em relação aos possíveis elementos de verdade
histórica na narrativa do Êxodo. Os israelitas são freqüentemente
chamados de "hebreus" nesse livro da Bíblia, uma mistura de
nomenclaturas que deixou os estudiosos com a pulga atrás da orelha.
Documentos do Oriente Médio datados (grosso modo) entre 2000 a.C. e
1200 a.C., porém, falam dos habiru ou apiru -- grupos que parecem ter
vivido às margens da sociedade, atuando como trabalhadores migrantes,
escravos, mercenários ou guerrilheiros.

"Ou seja, os hebreus talvez não fossem um grupo étnico, mas uma
categoria social, de pessoas que muitas vezes eram forçadas a
participar de grandes construções no Egito, sem receber o necessário
para o seu sustento", afirma Schwantes. Ele também vê sinais de
memórias históricas antigas nos nomes de algumas cidades egípcias
mencionadas na narrativa do Êxodo -- lugares que foram ocupados por um
período relativamente curto de tempo, por volta de 1200 a.C.

"O próprio nome de Moisés é um nome egípcio que os israelitas não
entenderam", diz Schwantes. Parece ser a terminação "-mses" presente
em nomes de faraós como Ramsés e quer dizer "nascido de" algum deus --
no caso de Ramsés, "nascido do deus Rá". No caso do líder dos
israelitas, falta a parte do nome referente ao deus.
 
 Mar: Vermelho ou de Caniços?

O momento mais famoso da saída dos israelitas do Egito é o confronto
entre Moisés e o exército egípcio no Mar Vermelho, quando, por ordem
de Deus, o profeta abre as águas para que seu povo passar e as fecha
para engolir os homens do faraó. No entanto, é possível que a história
original tenha se referido não a águas oceânicas, mas a um pântano.

Explica-se: o sentido original do hebraico Yam Suph, normalmente
traduzido como "Mar Vermelho", parece ser "Mar de Caniços", ou seja,
uma área cheia dessas plantas típicas de regiões lacustres. Assim, nas
versões originais da lenda, afirmam estudiosos do texto bíblico, os
"carros e cavaleiros" do Egito teriam ficado presos na lama de um
grande pântano, enquanto os fugitivos conseguiam escapar. Conforme a
tradição oral sobre o evento se expandia, os acontecimentos milagrosos
envolvendo a abertura de um mar de verdade foram sendo adicionados à
história.

O dado mais importante sobre a dimensão real do Êxodo, no entanto,
talvez venha da Palestina. Israel Finkelstein, arqueólogo da
Universidade de Tel-Aviv, em Israel, conta que uma série de novos
assentamentos associados às antigas cidades israelitas aparecem na
Palestina por volta da mesma época em que a estela de Merneptah foi
erigida. Acontece que a cultura material -- o tipo de construções,
utensílios de cerâmica etc. -- desses "israelitas" é idêntica à que já
existia em Canaã antes de esses assentamentos surgirem. Tudo indica,
portanto, que eles seriam colonos nativos da região, e não vindos de fora.


Para Finkelstein, isso significa que a história do Êxodo foi redigida
bem mais tarde, por volta do século 7 a.C. O confronto com o Egito
teria sido usado como forma de marcar a independência dos israelitas
em relação aos vizinhos, que estavam tentando restabelecer seu domínio
na Palestina. A figura de Moisés, talvez um herói quase mítico já
nessa época, teria sido incorporada a essa versão da origem da nação.


Publicado em:09.11.08

Palavras Iniciais

Como o próprio autor diz no texto abaixo, fica difícil comprovar a existência de alguém que não tenha deixado nada por escrito, não existir ninguém que possua um objeto que pertenceu a essa pessoa, nada, baseado somente em relatos de seus seguidores. E ainda mais, acrescento eu, relatos que passaram por 3 idiomas (Aramaico, Grego e Latim).

Acredito que o Autor teria tido menos trabalho se tivesse tentado comprovar analisando o conteúdo esotérico de suas mensagens. Face a importância e dimensão que sua obra iniciada 2000 anos atrás e que perdura até hoje, que mudou a vida, hábitos e deu nova esperança aos milhões de seguidores, saber a data certa de seu nascimento e morte, existir ou não objetos que pertenceram a ele, passa a ser secundário.



Pesquisa sobre 'Jesus histórico' retrata Cristo mais humano, mas não ameaça fé

Anúncio do Reino de Deus, judaísmo e humildade marcam Nazareno.
Evangelhos mesclam fatos e interpretações feitas por grupos cristãos.

Reinaldo José Lopes Do G1, em São Paulo

É um bocado irônico que o personagem mais influente da história humana também seja um dos mais misteriosos. Jesus de Nazaré não tem data de nascimento ou morte registrada com segurança (embora seja possível estimá-las com margem de erro de dois ou três anos); não deixou nada escrito de próprio punho (há até quem argumente que ele provavelmente era analfabeto); não restou um único artefato do qual se possa dizer com certeza que pertenceu a ele.

Os relatos de seus seguidores, escritos entre duas e seis décadas após a morte na cruz, falam com riqueza de detalhes de um período curtíssimo de sua vida adulta, elencando seus atos e ensinamentos, mas nos deixam no escuro sobre a maior parte de sua infância e adolescência, suas angústias pessoais e seu relacionamento com amigos e familiares.

A situação pode soar desesperadora ao extremo para um historiador que, sem recorrer à fé cristã, queira reconstruir a vida e a mensagem desse judeu singular. Mas a situação é menos complicada do que parece. Por um lado, é preciso reconhecer que os Evangelhos, principais narrativas sobre Jesus na Bíblia cristã, não são livros históricos no sentido moderno do termo. “Os textos dos Evangelhos, todos eles, são uma combinação de elementos históricos e interpretações feitas posteriormente no âmbito das comunidades cristãs", lembra o padre Léo Zeno Konzen, coordenador do curso de teologia da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões (RS).

Trocando em miúdos: os evangelistas (conhecidos entre nós pelos títulos tradicionais de Mateus, Marcos, Lucas e João) estavam tão preocupados em relatar o que tinha acontecido com Jesus e os apóstolos 50 anos antes quanto em tornar esses fatos relevantes para seu público, formado por cristãos nascidos depois que seu Mestre morrera na cruz. A boa notícia, porém, é que a leitura crítica e cuidadosa dessas narrativas é capaz de resgatar grande parte da vida terrena de Jesus.

O retrato que emerge desse esforço é, em certos aspectos, familiar para qualquer cristão, ao mesmo tempo em que humaniza o Nazareno. O chamado Jesus histórico é uma figura humilde, que põe sua mensagem - o anúncio da chegada do Reino de Deus - acima de qualquer preocupação com sua própria importância. Não se comporta como uma entidade superpoderosa ou onisciente. E coloca em primeiro lugar a história e o destino do povo de Israel, ao qual pertence. É um Jesus que pode ajudar os cristãos a repensarem a origem de sua própria fé - mas difícilmente é uma ameaça a ela, a menos que se acredite que todo versículo dos Evangelhos é verdade literal, como se fosse um filme do que aconteceu no ano 30 d.C.

New York Times Suposto 'túmulo de Jesus': Idéia nunca foi comprovada (Foto: 'New York Times') Homem invisível

Volta e meia ressurge a esperança de que os Evangelhos não serão mais a principal (ou mesmo a única) fonte sobre o Jesus histórico. Há quem coloque suas fichas em achados arqueológicos, como inscrições, túmulos e textos antigos. Dois exemplos recentes desse tipo de pesquisa, porém, não tiveram um resultado dos mais gloriosos.

Em 2002, foi a vez do chamado Ossuário de Tiago, uma caixa de pedra feita originalmente para conter o esqueleto de um homem que morreu em Jerusalém no século 1. No artefato havia uma inscrição em aramaico (língua aparentada ao hebraico que era a mais falada entre os judeus do tempo de Cristo), com os dizeres: “Tiago, filho de José, irmão de Jesus”. O ossuário, afirmavam alguns especialistas, teria pertencido a Tiago, irmão ou primo de Jesus que liderou a igreja cristã de Jerusalém até o ano 62 d.C. Mas análises mais detalhadas comprovaram que o pedaço crucial da inscrição (“irmão de Jesus”) foi adicionado por um falsificador do século 21.

Um bafafá parecido cercou, em 2006, novas análises de outros ossuários de Jerusalém, originalmente desenterrados nos anos 1980. Num mesmo jazigo familiar estavam enterrados “Jesus, filho de José”, Maria (a mãe dele?), Mariamne (supostamente, Maria Madalena) e outras pessoas cujos nomes lembram os de personagens do Novo Testamento. Um documentário produzido por James Cameron (ele mesmo, o criador de "Titanic") defendeu que os ossuários eram a prova de que Jesus tinha se casado com Maria Madalena. Os defensores da tese argumentam que seria muito improvável a ocorrência conjunta desses nomes na Jerusalém do século 1 d.C. sem que houvesse uma ligação com Jesus de Nazaré. Nenhum estudioso sério do Jesus histórico, contudo, dispôs-se a comprar a idéia – calcula-se que, só na Cidade Santa, teriam vivido mais de mil “Jesus, filhos de Josés” nessa época.

Esses fracassos talvez tenham uma explicação muito simples: a pessoa de Jesus pode ser “invisível” para a arqueologia. “E não só ele como quase toda a primeira e a segunda geração de cristãos. São pessoas periféricas, gente muito simples, de origem rural”, afirma André Leonardo Chevitarese, historiador da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Romanos e judeus de classe alta construíam palácios e tinham selos (carimbos) pessoais feitos com metal ou pedra preciosos; carpinteiros e pescadores da Galiléia (a terra natal de Jesus, no norte de Israel), por outro lado, podiam passar a vida inteira usando apenas materiais perecíveis. Chevitarese, aliás, é cético até em relação à idéia de um enterro formal para Jesus.

“Em todo o mundo romano, o costume era abandonar o cadáver na cruz, para ser comido por abutres ou cães”, lembra o historiador da UFRJ. Ele também diz ser suspeita a figura de José de Arimatéia, judeu rico e simpatizante secreto de Jesus que teria obtido seu corpo e organizado seu sepultamento, segundo os Evangelhos.

“Camponeses como os seguidores de Jesus não teriam como se dirigir a Pilatos para exigir o corpo. Assim, os evangelistas enfrentam o problema de explicar o sepultamento de Jesus e usam a figura de José de Arimatéia, que praticamente cai de pára-quedas na narrativa”, diz. Por outro lado, há pelo menos um registro de crucificado judeu que teve um sepultamento digno – Yehohanan (João), filho de Hagakol, cujo ossuário foi descoberto por arqueólogos israelenses em 1968. O osso do calcanhar de Yehohanan ainda continha o cravo usado para pregá-lo na cruz.

Fora algum tremendo golpe de sorte, o máximo que a arqueologia pode fazer é iluminar a vida cotidiana no tempo de Jesus (indicando em que tipo de casa ele vivia ou que modelo de taça ele teria usado para beber vinho com seus discípulos) ou como era a religião judaica naquela época. Esse provavelmente é o caso de um misterioso texto do século 1 a.C., pintado numa pedra e analisado por Israel Knohl, da Universidade Hebraica de Jerusalém. Em julho passado, Knohl apresentou sua interpretação do texto (o qual não está inteiramente legível e, por isso, tem de ser reconstruído hipoteticamente): ele mencionaria a morte e ressurreição de um Messias décadas antes do nascimento de Jesus. Ainda que a interpretação esteja correta, é difícil ver como ela mudaria nossa compreensão sobre as origens do cristianismo: afinal, um dos grandes argumentos dos seguidores de Jesus é justamente que seu retorno dos mortos já tinha sido previsto nas profecias judaicas.

O meu, o seu, o nosso Jesus

Se a invisibilidade arqueológica não ajuda, a imaginação e as preocupações modernas também atrapalham um bocado. No esforço de tornar o Jesus histórico relevante para a nossa época, ou como forma de polemizar com as atuais religiões cristãs, pesquisadores como o historiador irlandês John Dominic Crossan defendem que Cristo não se preocupava com a vida eterna ou o Juízo Final, mas pregava uma ética totalmente centrada no aqui e no agora, influenciada pela cultura grega. Outros enfatizam seu lado de revolucionário político, ou mesmo o retratam como uma espécie de mago itinerante, cujos milagres não passavam de truques.

“Acho que isso equivale a esvaziar Jesus”, avalia Chevitarese. "Não se pode tirá-lo do seu contexto judaico nem eliminar seu lado apocalíptico e escatológico [o de um profeta que espera o final dos tempos e a consumação da história humana]”, diz o historiador da UFRJ. Isso não quer dizer, por outro lado, que a pregação de Jesus fosse completamente isenta de idéias sobre a sociedade e a política. “A própria escatologia judaica também tem um substrato político”, lembra Luiz Felipe Ribeiro, professor da pós-graduação em história do cristianismo antigo da Universidade de Brasília (UnB). Ele cita um exemplo cristão, o livro do Apocalipse, que pode ser lido tanto como uma previsão do fim do mundo quanto um ataque contra a opressão romana que afetava os cristãos.

Para John P. Meier, professor da Universidade Notre Dame (EUA) e autor da monumental série de livros "Um Judeu Marginal" (ainda não concluída) sobre o Jesus histórico, o pregador de Nazaré resume e mistura o espiritual, o social e o político na frase-chave de seu anúncio profético: o “Reino de Deus”. Essa é a tradução mais comum em português do grego hé basilêia tou Theou, cujo sentido provavelmente está mais para “o Reinado de Deus” – a idéia de que Deus estava prestes a intervir dramaticamente no mundo, resgatando seu povo de Israel, instaurando seu domínio de justiça e paz e incluindo até os povos pagãos entre seus escolhidos nesse Universo transformado.

“Isso explica por que Jesus parece relativamente despreocupado em relação a problemas sociais e políticos específicos. Ele não estava pregando a reforma do mundo; estava pregando o fim do mundo”, escreve Meier. No entanto, em vez de se concentrar nos terríveis tormentos que aguardariam os pecadores que não se arrependessem, o profeta da Galiléia ressaltava que o Reinado de Deus era um poder misericordioso, aberto a todos os que o recebessem.

Não é à toa que algumas autoridades judaicas, ou o grupo dos fariseus (algo como “separados”, em hebraico) ficavam escandalizados com o lado festivo da vida de Jesus e seus discípulos. Afinal, eles não hesitavam em comer e beber com cobradores de impostos, prostitutas e outros “pecadores notórios” da sociedade israelita, como sinal da proximidade e da inclusão do Reino.

“Proximidade”, aliás, talvez não seja a palavra exata: ao mesmo tempo em que Jesus via o Reinado de Deus como uma promessa a se realizar no futuro próximo, também insinuava que esse Reino já estava presente no ministério do próprio Cristo, diz Meier. “As curas e os exorcismos realizados por Jesus não seriam, portanto, meros atos isolados de bondade e compaixão: estariam mais para demonstrações dramáticas de que o Reino de Deus já estava chegando a Israel”, afirma o pesquisador. Não dá para forçar a mão de Deus, diz Jesus: seu Reinado é um ato espontâneo de misericórdia, voltado não para quem o merece, mas para quem mais precisa dele – os pobres, os famintos, os que choram. Não é à toa que esse Deus recebe de Jesus o apelido de Abbá – nada menos que “papai” em aramaico.

Mais importante ainda, Jesus se apresenta como o mediador para os que querem participar do Reinado de Deus: rejeitar sua mensagem equivale a rejeitar a ordem divina. E, como registram os Evangelhos, a proclamação é voltada exclusiva ou principalmente a judeus como Jesus. Não é à toa que ele escolhe os Doze Apóstolos (provavelmente simbolizando as doze tribos de Israel, espalhadas pelo mundo, que Deus deveria reunir no fim dos tempos) e ordena que eles se dirijam apenas às “ovelhas perdidas da casa de Israel”. Para Jesus, a imagem desse Reino de Deus consumado é a de um banquete – e, paradoxalmente, ele chega a afirmar que alguns de seus compatriotas judeus, os que não o aceitam, poderão ser os barrados no baile, enquanto gente “do Oriente e do Ocidente” – os pagãos – acabam sendo incluídos.

Retrato múltiplo

É possível extrair essas linhas gerais da missão de Jesus do material do Novo Testamento, mas é bem mais complicado afirmar se, durante sua vida terrena, Cristo considerava ser Deus encarnado, como diz o dogma cristão, ou mesmo tinha consciência plena de que sua morte na cruz serviria para redimir a humanidade, outra idéia que é central para a cristandade moderna.

O interessante, afirma Chevitarese, é que os textos do Novo Testamento parecem mostrar a convivência de várias visões sobre como e quando os cristãos consideravam que Jesus teria assumido seu status de Cristo, ou seja, de "ungido" (escolhido) e Filho de Deus. “Para Paulo [autor dos textos provavelmente mais antigos do Novo Testamento, datados por volta do ano 50], Jesus é o Cristo porque ressuscitou. O Evangelho de Marcos traz esse papel já para o batismo de Jesus feito por João Batista. Os Evangelhos de Mateus e Lucas recuam isso para o nascimento dele, enquanto João vê Cristo como preexistente ao próprio mundo. São quatro cristologias [visões sobre a natureza de Jesus] diferentes convivendo num espaço de 50, 60 anos.”

Como judeu, seria impensável para Jesus se colocar publicamente como igual a Deus, afirma Luiz Felipe Ribeiro. “Agora, isso não quer dizer que não houvesse uma autocompreensão de Jesus na qual ele se via como mais do que humano, uma autocompreensão messiânica, digamos.” Seria essa uma possível explicação para o misterioso título “Filho do Homem”, aparentemente empregada por Jesus para designar a si mesmo. Esse personagem aparece em vários escritos apocalípticos judaicos, muitos dos quais surgidos pouco antes do nascimento de Cristo. “Mas nem mesmo ali o Filho do Homem é igual a Deus - ele é mais um vice-regente, um segundo em comando”, diz Ribeiro.

Essas incongruências só são conhecidas porque os Evangelhos, apesar da fé religiosa por trás de sua composição, preservam uma trilha de pistas sobre o lado humano de Jesus. Tais pistas fortalecem o chamado critério do constrangimento, uma das principais maneiras de decidir se um fato ou uma fala do Novo Testamento remonta ao Jesus histórico. A idéia é que os evangelistas não inventariam passagens capazes de lançar dúvidas sobre o poder ou onisciência de Jesus.

Reprodução

João Batista e Jesus em quadro renascentista (Foto: Reprodução)

O caso clássico do critério do constrangimento é o batismo de Cristo por João Batista no rio Jordão, afirma Emilio Voigt, doutor em Novo Testamento e professor da Escola Superior de Teologia de São Leopoldo (RS). “Se o batismo de João é para o arrependimento [dos pecados], porque Jesus precisaria ser batizado? Como Jesus, o Messias, poderia ser batizado por alguém teoricamente inferior a ele?”, diz o pesquisador. Segundo Voigt, a tradição cristã resolve isso por meio do “testemunho” de João – afirmações do profeta de que ele teria vindo apenas para proclamar a chegada de Jesus e de que, na verdade, não seria nem digno de batizá-lo.

Uma série de outros eventos constrangedores aparecem nos Evangelhos: os parentes de Jesus e os moradores de Nazaré o rejeitam como profeta, ele diz que “somente o Pai” conhece a hora da chegada do Reino, teme a aproximação da morte e, pregado na cruz, pergunta por que Deus o abandonou. Para John P. Meier, o registro de tantas situações potencialmente desencorajadoras sobre Jesus revela que os evangelistas estavam seguindo uma tradição histórica estabelecida e que eles não se sentiam totalmente livres para alterá-la a seu bel-prazer. E esse conservadorismo aumenta, de certa forma, a confiabilidade do "esqueleto" básico de fatos apresentado em tais textos.

Verdadeiro homem, verdadeiro Deus

Levando tudo isso em consideração, a fé cristã pode sair abalada ao confrontar o Jesus histórico? Os especialistas apostam que esse risco é menor do que parece. “A pesquisa histórica ajuda a compreender a atividade de Jesus e a contextualizar a fé. Pode ameaçar alguns dogmas eclesiásticos, mas não a fé propriamente dita”, diz Voigt, que também é pastor da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IELCB).

“Creio que o processo de formação das pessoas de fé cristã deve ajudar a perceber a riqueza que se encontra justamente no processo de interpretar os acontecimentos. Não podemos ler a Bíblia ao pé da letra. Como pessoas de fé, nossos antepassados vivenciaram processos muito criativos de leitura dos acontecimentos, atribuindo-lhes significados que, à primeira vista, não eram perceptíveis nem imagináveis. A Bíblia toda foi construída assim”, pondera o padre Léo Konzen.

“Apesar de ser a personificação do Divino, aqui na Terra Jesus era apenas um homem bruto, pobre, tão comum que dependia de muita oração e da ação do Espírito Santo para realizar seus feitos. Seria muito fácil se Ele morresse na cruz tendo a certeza de que era eterno. Mas era homem e, como homem, não tinha uma memória divina”, diz René Vasconcelos, estudante de teologia da Faesp (Faculdade Evangélica de São Paulo) e membro da denominação evangélica Assembléia de Deus.

Essa, aliás, é uma das pedras fundamentais da fé de quase todas as igrejas cristãs: Jesus é verdadeiro Deus, mas também é verdadeiro homem. A primeira parte da frase não pode ser comprovada ou refutada pela pesquisa histórica, mas a segunda metade dela também é capaz de tornar Jesus relevante para crentes – e até para agnósticos ou ateus – durante muito tempo ainda.



Publicado em:02.11.08

Palavras Iniciais

                Lá se vão mais de 900 anos que o Autor em sua pesquisa conseguiu identificar o mal do homosexualismo dentro da Igreja, o mesmo mal que continua sendo sua principal chaga nos dias de hoje. Sinal de que alguma coisa está errada no critério de avaliação de quem está apto a assumir o voto do celibato.

                Como é sabido, com a proliferação dos monastérios e conventos na Europa, muitos camponeses entregavam seus filhos para serem educados pela Igreja, não só para terem uma vida melhor, como também para se livrarem de algumas bocas a mais para alimentar. A Igreja via com bons olhos tal prática, pois era um manancial para aumentar seus quadros e crescer cada vez mais. Assim, muitas crianças eram entregues com menos de 10 anos e só saíam quando já padres formados. Algumas poucas felizes crianças eram rejeitadas após algum tempo por rebeldia ou "falta de vocação". A maioria, mais dócil, permanecia. Bastava a docilidade e inteligência mediana para que a criança tivesse vocação sacerdotal.

                Será que não está na hora da Igreja rever com rigor esses critérios de avaliação antes de aceitar o voto de celibato? Uma criança que não teve o convívio com o mundo, não viveu sua infância e adolescência normalmente como qualquer outra, nunca namorou, nunca beijou, nunca experimentou os devaneios do amor, está pronta para o celibato quando chega aos 24/25 anos?

                Nos dias de hoje, com os avanços da psicologia, da psicanálise, da biologia é inconcebível que um sacerdote assuma as responsabilidades do ofício sem a segurança de que é um indivíduo perfeitamente equilibrado tanto no aspecto físico (não ter distúrbios hormonais), no emocional e no psicológico (não ter desejos reprimidos), principalmente se for ter contato com crianças.

                Acredito que só a fé e a disposição para a mortificação para debelar os desejos não são suficientes. Se fossem, a Igreja não estaria passando por essa grande vergonha.



O amor que levava à fogueira

Diante da moral draconiana e do celibato que regia a vida dos monges e estudantes nos mosteiros medievais, o homossexualismo se disseminou como uma fonte de prazer proibido.

Por: Jean Verdon - Autor de Plaisir au Moyen Âge (Prazer na Idade Média) – Perrin, 1996.

Apesar de perseguido, o homossexualismo esteve muito presente na Idade Média. Segundo John Boswell, autor de Christianisme, tolérance sociale et homosexualité (Cristianismo, tolerância social e homossexualismo), a prática teve uma importância no período que só seria igualada em nossos dias. Boswell atribui a disseminação do homossexualismo à renascença carolíngia, ao desenvolvimento das cidades e à cultura eclesiástica.

Na Idade Média, o meio monástico era um terreno propício para a sodomia: a Regra de São Bento previa que os monges deviam dormir cada um em uma cama, de preferência em um mesmo local, com sacerdotes mais antigos que cuidariam deles. Os regulamentos de Cluny proibiam que os noviços ficassem sozinhos ou na companhia de um só professor. Se um dentre eles, à noite, tivesse de sair para satisfazer suas necessidades, tinha de estar acompanhado por um mestre e por outro jovem munido de lanterna.

Foi em meio a esse ambiente que Arnaud de Verniolle, subdiácono fugido das prisões da ordem dos franciscanos no século XIV, acusado de heresia e de sodomia, afirmou ter sido iniciado nas práticas homossexuais por um colega mais velho, que se tornara padre. Aos 12 anos, seu pai o colocou em uma escola de Pamiers comandada pelo mestre Pons de Massabuc para aprender gramática. Arnaud dividia o quarto com seu professor e outros jovens. “Quando eu morava naquele quarto, fiquei dormindo na mesma cama, durante cerca de seis semanas, com Arnaud Auréol. Depois de duas ou três noites que passamos juntos, ele, pensando que eu dormia, me tomou nos braços e me prendeu entre suas coxas, colocando seu membro viril entre as minhas e, como se estivesse com uma mulher, se mexeu e ejaculou em minhas pernas. Quase sempre, a cada noite que dormíamos juntos, ele recomeçava esse pecado. Como eu, naquele tempo, era ainda uma criança, apesar de não gostar do ato, não ousava contá-lo a ninguém, por pudor.”

Arnaud declarou que, anos depois, sentia um mal físico quando se abstinha por mais de oito ou quinze dias de ter relações com um homem ou uma mulher. Tinha, então, experiências heterossexuais, mas uma aventura o fez renunciar às mulheres. Segundo o frei Pierre Record, encarcerado na mesma cela que Arnaud por alguns dias, o subdiácono lhe contou que “na época em que se queimavam os leprosos, ele morava em Toulouse, tendo relações com uma mulher da vida; depois de cometer esse pecado, seu rosto inchou, o que o fez acreditar que estivesse com lepra. Por isso, jurou que a partir de então nunca mais teria relações carnais com mulheres”.

Por outro lado, Arnaud prosseguia com suas aventuras, especialmente com adolescentes. Às vezes, para atingir seus objetivos, ele prometia um emprego com um cônego homossexual, como fez com o estudante Guillaume Rous. Arnaud disse a Guillaume que aquele cônego costumava ter relações com jovens e que o estudante deveria suportá-las em troca do emprego. O estudante disse que não havia problema, pois já tinha cometido esse pecado com um professor de equitação de sua região. Arnaud, aproveitando-se do fato, propôs mostrar a Guillaume como procedia e, em troca, desejava conhecer as técnicas do equitador. Os dois mantiveram relações por muitas vezes.

Para conseguir seu intento, Arnaud dizia que o pecado da sodomia e o da simples fornicação tinham a mesma gravidade. Entretanto, sabia que os padres não podiam simplesmente absolver os que confessavam a sodomia sem uma permissão especial do bispo, o que era permitido em relação à simples fornicação e ao adultério.

Guillaume, no entanto, tinha interesse em se fazer de vítima e acusou Arnaud de violação: “No início, eu recusei – contou – e fugi. Então, Arnaud me perseguiu e jogou-me em cima meu Doctrinal, cuja encadernação se destruiu com o golpe. Depois, pegou uma faca (...) correu atrás de mim, me agarrou e me levou à força ao local onde tínhamos estado antes, (...) torcendo-me o braço com uma mão e tendo na outra, a faca apontada contra mim. Depois me tomou em seus braços, tendo dobrado os meus contra seu peito, com a intenção de me levantar e me carregar até o local em questão. Não conseguindo, me tirou dali, me arrastando e me empurrando”. Arnaud foi condenado “ao muro absoluto, a pão e água, aos ferros, perpetuamente”.

O caso de Arnaud de Verniolle, longe de ser uma exceção, parece ser um exemplo detalhado de uma prática à qual uma série de documentos da época fazem alusão. Por volta de 1051, São Pedro Damião escreveu um longo tratado, O livro de Gomorra, comentando especialmente as relações sexuais entre homens, sobretudo entre clérigos. Acusava os padres de ter relações com seus seguidores e afirmava que muitos deles, para escapar às sanções da Igreja, se confessavam a outros clérigos homossexuais.

Hildebert de Lavadin, arcebispo de Tours (1055-1133) citado por Boswell, nos fez entender que o homossexualismo estava presente entre muitas pessoas, inclusive as mais eminentes: “Inúmeros Ganimedes honram inúmeros altares e Juno se arrepende de não mais ter aquilo a que estava acostumada. O rapaz, o homem feito, o velho se enlameiam neste vício presente em todas as classes sociais”.

O meio urbano tinha um papel importante no desenvolvimento da homossexualidade. Chartres, Sens, Orléans e Paris seriam seus centros mais destacados. Os sermões dos pregadores, como os de Bernardino de Siena por volta de 1420, as discussões e as medidas tomadas pelas autoridades públicas mostravam que as cidades toscanas, em particular, eram seus principais focos. A prática era muito comum entre os jovens solteiros, pois os homens eram obrigados a contrair casamentos tardios. Como o pai nem sempre se manifestava, ausente por razões profissionais, velhice ou morte, os aspectos masculinos da sociedade perdiam seu prestígio face aos caracteres femininos de doçura e polidez inculcados pelas mães, educadoras das crianças.

As condutas não heterossexuais apareciam em apenas 0,5% das cartas de remissão. O homossexualismo excluía; constituía acusação quase sempre imputada aos heréticos. Notemos que os raros casos atestados nessas cartas eram relacionados a uma inclinação amorosa. Uma carta de 1385 declara que os parceiros tinham o hábito “de estar juntos e de se freqüentar sempre por amor, de gostarem um do outro, de jogar e se divertir sempre juntos”. Um dos dois era casado e pai de quatro filhos. Quanto às injúrias com conotação sexual, eram apenas dirigidas às relações com as mulheres. Quando não, eram utilizados termos sem relação aparente com o ato: a injúria ligada ao homossexualismo se exprimia como brincadeira, como “primeiro de abril”.

O homossexualismo, antes do século XIII, não fora objeto de condenações virulentas segundo John Boswell. Face ao amor e ao erotismo, parecia, pois, existir uma tradição cristã tolerante. Nos penitenciais– apanhado de pecados acompanhados cada um de uma penitência – o homossexualismo não tinha nenhum privilégio em relação aos outros desvios. Entretanto, São Columbano retomaria muitas vezes o tema da sodomia, pronunciando severas condenações. O monge que se deixasse levar a cometer atos como o homicídio ou a sodomia jejuaria por dez anos. Aquele que tivesse um filho jejuaria por sete anos a pão e água.

O laico que praticasse a sodomia jejuaria por sete anos, dos quais os três primeiros a pão e água, com sal e legumes secos apenas. Nos quatro últimos, abster-se-ia de pão e de carne.

Repressão crescente

A condenação seria mais pesada a partir do século XIII. Um pouco antes, o conselho de Naplouse, em 1120, decretou que todo adulto condenado por ter cometido voluntariamente o pecado de sodomia seria queimado na fogueira. O III Concílio de Latrão, em 1179, previu que todo indivíduo que tivesse cometido um ato de incontinência contra a natureza seria reduzido ao estado laico ou relegado a um mosteiro, se fosse um clérigo; excomungado e totalmente excluído da comunidade de fiéis, se fosse um laico.

No final da Idade Média, uma época em que era necessário procriar nos países despovoados por epidemias e guerras, o homossexualismo foi objeto das garras da justiça. Em 1343, na região de Lyon, Mathieu de Colombetes foi condenado a uma multa de 300 florins, cem vezes mais do que a multa prevista para um concubinato.

Nos séculos XIV e XV, as autoridades se inquietavam com a progressão do homossexualismo. O discurso médico era ambíguo. Não ignorava completamente a prática, mas se mostrava discreto em seus comentários sobre o Cânon de Avicena, que a menciona por repetidas vezes. Jacques Despars, médico do século XV, foi mais explícito. Amplificando o tratamento preconizado por Avicena, detalhava os castigos aos quais os homossexuais deveriam ser submetidos. Mantinha, porém, um prudente silêncio em relação à pedofilia. Depois de ter conhecido o texto aviceniano, concluiu que poderia relatar muitos outros tipos de coitos sodomitas, mas preferiu se calar. A natureza humana, com sua tendência ao mal e desejosa de novas concupiscências, correria riscos se decidisse praticá-los.

A mesma prudência se manifestava entre os confessores: por querer informar demais, corria-se o risco de que homens e mulheres cometessem pecados desconhecidos até então. Mesmo assim, no final da Idade Média os processos contra os sodomitas se multiplicaram. Um controle da vida privada – mesmo que não se possa exagerar na importância da repressão – foi instaurado. Se as práticas não eram novas, a visão que a sociedade tinha delas havia mudado. Foi preciso esperar até 1568 para que Pio V tomasse medidas mais severas que as editadas no III Concílio de Latrão, determinando que os clérigos e monges sodomitas perdessem seu estatuto e fossem entregues ao braço secular.



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